Outro dia escrevi sobre 10 coisas que nem eu mesma sabia sobre mim e durante esse texto deixei escapar que há algum tempo eu comecei a viver uma tentativa profunda de período sabático. Fato é que que há dois meses eu comecei a sentir uma necessidade de mudar a minha vida todos os dias, de conhecer outras Joanas e de mergulhar com muita coragem com destino ao apavorante (ou não) desconhecido.
Abandonei todos os planos, ideias e crenças que a sociedade tem - e que eu tinha - sobre “como deveria ser a minha vida” e quis buscar o novo. Resolvi abrir mão desses sonhos que mais pareciam casas pré fabricadas e mudar tudo. Escolhi que quero ser feliz agora e decidi que não posso esperar o futuro se organizar e se acertar para eu me sentir plena. Acho que hoje em dia, aquela frase que diz que a felicidade não está no destino, e sim na caminhada nunca fez tanto sentido.
Claro que nada disso aconteceu do nada. Quem me conhece sabe que eu venho numa busca profunda de autoconhecimento e espiritualidade. Eu comecei a fazer meus cursos na Trilha dos Lobos há uns quase dois anos e a ideia era essa mesma, uma vida mais plena e consciente. A indicação da escola veio da minha amiga Juliana, que me avisou de antemão que aos poucos tudo iria mudar, que algumas coisas iriam deixar de fazer sentido durante o caminho e, na época, confesso que não dei muita bola para o que ela disse. Isso acabou acontecendo, mas de forma diferente do que eu imaginei.
E eu não falo só do término do meu namoro, que foi o mais difícil de tudo, falo de uma série de términos que eu tive comigo mesma, com velhos hábitos, padrões de pensamentos e paradigmas. Tudo está mudando de lugar e eu estou me permitindo experimentar para saber do que eu realmente gosto, afinal é só experimentando que a gente pode criar parâmetros de comparação. A ideia é descobrir tudo que me faz bem sem levar em conta o que as pessoas “esperem que eu goste”.
Novos hábitos: caminhadas no domingo
A sensação que me dá é que eu vivia num casulo, um casulo em construção e cheio de talentos, mas ainda assim um casulo. Parece que desde que eu embarquei para a viagem da Chapada Diamantina e me permiti transformar na mais incrível borboleta. Que claro, ainda está meio perdida, não sabe tudo sobre si mesma, mas está livre e aprendendo a voar.
E por voar entende-se que estou preparada para começar a quebrar conceitos pré estabelecidos, como a cobrança para que trabalhemos de um jeito específico, que casemos na hora certa e ainda tenhamos filhos. Existem muitas expectativas de outras pessoas nas nossas histórias e é isso que eu busco mudar. Quero encontrar as coisas que combinem comigo, com a minha essência.
Novos hábitos [2]: trilha sábado de manhã cedo
Ainda tenho quilinhos a perder? Com certeza! Tenho uma série de questões pessoais para resolver? Sem dúvida! No entanto, nunca me senti tão bonita, nunca recebi tantos elogios e nunca estive tão consciente de que a gente atrai aquilo que a gente vibra.
A nossa autoestima e nosso amor próprio podem ser transparentes, mas não são imperceptíveis.
Dia 17 de maio eu embarquei com destino ao desconhecido, dia 21 eu voltei com medos vencidos, com novos grandes desafios, novos amigos, carregando comigo uma nova autoestima e um buraco no peito. De lá para cá, eu escolhi sarar todos os dias. Eu optei por mudar, eu resolvi me aceitar e aos poucos estou escolhendo escrever uma história que nem no sonho mais surrealista eu imaginaria viver.
Eu tenho lido com muito carinho cada email, comentário ou snap que vocês mandam. Quem me acompanha de pertinho está vendo (e as vezes vivendo) tudo isso junto comigo. Eu sou muito grata MESMO por CADA palavra de atenção, carinho e preocupação que eu recebo. Fico feliz em ver que essas minhas epifanias e desabafos estão influenciando as pessoas a quebrar paradigmas, a ter coragem para mudar. Isso é mágico.
Sempre é difícil abrir mão de uma história bonita, de um plano perfeito, de um grande amor, de uma religião na qual fomos criados ou mesmo de amizades que não nos trazem mais nada de bom, mas mudar pode ser libertador.
Algumas pessoas muito especiais deixaram a minha vida agora, mas tem gente nova desempenhando papéis que antes seriam impensáveis. Além disso eu simplesmente sei que o melhor ainda está por vir, não tenho um grão de dúvida. Eu estou em fase de mudança, me preparando para o novo e tudo isso numa plenitude ímpar, ainda que salpicada de momentos de crises de ansiedade (rs). Dai eu coloco uma música e penso nas coisas boas, como as novidades da Carla, e nessa hora me dou conta que estamos vivendo juntas uma das melhores fases das nossas vidas. Mais do que nunca, tenho certeza de que quem tem amigos tem tudo.
Então podem ficar tranquilas, toda história termina para outra começar e essa pode ser com a gente mesma, com outras pessoas, com outros padrões e outras regras. Novas histórias não precisam de nome, CPF ou rótulos. Cada um tem o direito de escolher o que quer para si e isso pode nada ter a ver com o que o mundo deseja para você.
Não podemos ter medo de mudar as nossas vidas por julgamentos, conceitos e pré conceitos que nem são nossos, que são da sociedade.
Um brinde ao novo, ao inesperado e ao infinito de possibilidades.
Beijos
Jô