4 em Comportamento/ Reflexões no dia 17.05.2016

Je ne regrette rien

Outro dia acordei com Je Ne Regrette Rien na cabeça sei lá por que. Édith Piaf que me desculpe, mas apesar de achar a música linda, esse dia foi um verdadeiro inferno. Era só eu ter um momento de descanso para que a música começasse a tocar em algum lugar dentro da minha caixola. Aí, de repente, ela foi embora e me deixou pensando sobre arrependimentos.

Eu sempre tive na minha cabeça que se eu pudesse voltar alguns anos na minha vida, eu faria muitas coisas de forma diferente, principalmente naquele período de colégio que a gente costuma ser muito insegura. Eu não teria participado de um bullying coletivo contra uma menina nova na sala. Eu teria aceitado as investidas do carinha com quem tive meu primeiro beijo antes, de forma que esse momento tão esperado aconteceria em Búzios e não em um cinema qualquer no Rio. Teria sido menos trouxa e cairia menos em intrigas de “amigas”. Aliás, manteria algumas amizades e nem começaria outras. Eu não teria tanto medo de ser “mal falada” na escola a ponto de não ter vivido certas aventuras. Eu começaria a beber mais cedo para acompanhar as minhas amigas (não estou falando em meninas menores de idade bêbadas, eu só comecei a beber com 24 anos!). Teria mentido mais para os meus pais e participado de coisas que eu não pude porque fui pedir e eles não deixaram. Perdoaria menos pisadas na bola. Sei lá, mil coisas.

Só que depois pensei de novo e vi que por mais que essa vontade de ter feito diferente tenha surgido em alguns momentos, eu nunca me arrependi de ter vivido exatamente tudo o que eu vivi pois foram as minhas escolhas que me fizeram ser quem eu sou hoje, e eu amo a pessoa que me tornei e a história que eu construí.

regretteTalvez se eu não tivesse participado do bullying, eu nunca teria ficado com pena da menina, me aproximado, visto como ela era legal e, por isso tudo, ficamos amigas. Talvez se eu tivesse aceitado logo de cara a investida do carinha, meu primeiro beijo até seria em Búzios, mas escondida em algum canto e eu ficaria super nervosa de ser pega pelos meus pais (até hoje eu não consigo fazer nada escondido). Talvez, se eu não tivesse feito escolhas equivocadas no campo da amizade, eu continuaria cercada de pessoas tóxicas e não saberia que as amigas que virariam minhas companheiras de vida iriam voltar – e continuar até hoje. Talvez, se eu não tivesse tanto medo de “”””sujar”””” a minha reputação, eu teria ficado com várias pessoas aleatórias e não seria tão feliz assim, porque o pouco do signo de câncer que reside em mim me fez uma adolescente que acreditava em príncipe encantado e não curtia pegações desvairadas. Ah, e mesmo sendo mais na minha, eu sempre consegui ficar com todos os poucos meninos que eu quis. Talvez se eu tivesse mentido mais para os meus pais eu não teria uma relação tão boa com eles. Enfim, posso seguir eternamente com isso.

E não me arrependo justamente porque sei que certas características da minha personalidade nunca mudaram, por mais insegura, imatura e dependente que eu fosse na época dos meus 14, 15 anos. Eu continuo sendo meio trouxa, mais boazinha do que deveria (só que hoje eu percebo mais cedo quando tem gente querendo se aproveitar disso), péssima mentirosa e que odeia fazer coisas erradas ou escondidas porque tem certeza que alguém vai ver.

Hoje, que eu sou mais independente e segura das minhas decisões, vivo fazendo escolhas conscientes justamente para que daqui a 20 anos, quando eu for fazer outra análise da minha vida, eu tenha o mínimo de arrependimentos possíveis.

Posso até olhar para trás e perceber que não construí aquela história interessante que rechearia uma biografia best seller, mas se eu recapitular e perceber que fiz tudo o que queria – e o que não foi feito não aconteceu por algum bom motivo – eu já estarei feliz. :)

Como vocês lidam com o passado de vocês?

Beijos!

Carla

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4 Comentários

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    Sil
    18.05.2016 às 2:30

    É complexo… Existem sim algumas escolhas maiores que eu teria feito diferente se pudesse mas a maior parte delas envolve educação. Eu teria estudado mais, teria feito outra faculdade, teria feito estágio (não era obrigatório quando eu fiz faculdade), teria feito outro sub tema na minha formatura, etc. Mas são escolhas que eu aprendi porque eu passei por tudo que eu passei também, então é complicado.
    De resto, acho que em algumas situações gostaria de ter sido mais segura e não aceitado calada o que os outros queriam. Mania de pisciana de querer evitar conflito e querer agradar. Mas fazer o que? As vezes é importante também aprender com os erros do passado certo?
    No fim, espero ter acertado mais do que ter errado e espero ainda acertar nas escolhas que fizer. Mas errar é humano e é normal ficar com a sensação de que poderia ser melhor se tivéssemos feito assim, quando na verdade nenhuma de nós teria chegado até aqui. E no fim o que importa é a nossa jornada, certo?

    Beijão!

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    Lyanna
    18.05.2016 às 17:49

    Carla eu estou num momento em que o arrependimento de uma escolha tem me martirizado. Eu ainda não consegui transpor e superar a circunstância de que uma escolha levou-me a uma posição na vida que eu não queria estar. Talvez num futuro, e espero que em breve, eu consiga me libertar dessa prisão que é o arrepender-se, porque é dessa forma que me vejo e aí lembro de música do U2 que fala sobre alguém preso a um momento, mas que a pessoa precisa suportar seu próprio peso, o peso das suas escolhas e seguir em frente. É um processo que leva um tempo, mas espero me libertar e encontrar dentro de mim a pessoa que me tornei, e poder enxergar sem tristeza as coisas que vivi, conquistei, as pessoas que conheci, as coisas que aprendi. Considero que é um processo de aceitação dos erros que no final constroem quem somos.

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    Luciana Pereira
    19.05.2016 às 14:47

    Tenho feito essa reflexão ultimamente, pois tenho tido vontade de fazer coisas que para quem esta a minha volta já passou da idade, rsrs. Tive uma adolescência muito restrita e as vezes acredito que essa auto proteção me restringiu de muitas aventuras. Queria ter feito escolhas mais ousadas para que hoje pudesse ter historias mais interessantes para contar….

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    Mariana
    24.05.2016 às 10:30

    Carla,

    Eu acho que teria menos menos de ser “mal falada” também. Teria escutado os meus pais quanto as minhas faculdades, teria levado meus estágios mais a sério e até talvez não teria largado São Paulo.

    Mas ai penso que se não tivesse feito tudo que fiz, não seria eu, não teria conhecido as melhores pessoas então eu entendo que era para ser assim.

    Beijos

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