Eu já venho conversando com diferentes pessoas sobre esse drama há algum tempo. Hoje resolvi tentar encontrar as palavras para trazer esse assunto para o blog.

As pílulas que eu tomei por mais tempo foram: Diane 35 (tida como uma das + antigas) e Qlaira (uma das + modernas).
Por ser bem prolixa, achei melhor começar do começo. Há pouco mais de um mês fui na ginecologista e conversamos muito. Alguns médicos diferentes já tinham associado minha enxaqueca menstrual (com aura) à um possível risco maior de AVC ou trombose (esses efeitos colaterais que existem no mundo da pílula). Quando levei essa hipótese para minha ginecologista ela falou que achava bom a gente parar mesmo com o anticoncepcional. Por causa do combo namoro + pele + namoro, eu fiquei tomando anticoncepcional durante 9 anos seguidos. Mesmo tendo passado 2 anos solteira, eu segui tomando remédio, tudo por pavor da acne voltar.
Polêmicas de saúde à parte, eu só vejo duas qualidades no uso de pílula para não engravidar: a melhora da pele e o ciclo menstrual com data e hora certa. Claro, isso levando em conta APENAS a minha experiência.
Já os defeitos são vários. A gente incha, tem celulite, pode vir a ter enxaqueca e, por fim, pode perder (ou reduzir) a libido. Esse último defeito eu senti bastante. No meio da relação eu sempre ficava mega empolgada, mas a vontade para começar não era a mesma de antes da pílula, definitivamente. A verdade é que isso acontece com uma parte significativa das mulheres, mas por ser algo delicado, pouca gente comenta.
Foi nesse universo muito doido de prós e contras que eu resolvi que então era a hora de parar, que eu não poderia segurar o forninho de um AVC ou de uma trombose. Combinei com o namorado que iria ficar 3 meses na camisinha, fazer uns exames especiais para conferir os ovários e depois “iríamos” colocar um contraceptivo novo, ou o DIU de cobre ou um chamado Mirena.
Tudo estava perfeito no mundo das ideias até que vieram os dias de turbulência: eu achei que estava grávida. Tivemos uma situação suspeita com a camisinha, a menstruação atrasou e eu passei 14 dias desesperada achando que estava grávida. Nada contra engravidar, mas nesse momento da minha vida isso seria muito complicado, seria uma mudança que não estava nos meus planos.

Os dois testes que eu fiz quando voltei do SPFW!
Foram dias e mais dias de tensão, pouco sono e NADA de menstruação. Esse desespero completou 10 dias depois da SPFW e assim que pousei no Rio dividi o caos com minha mãe. Compramos dois exames de farmácia, de marcas diferentes e encaramos os 5 minutos mais demorados da minha vida.
Os dois exames deram negativo, eu chorei de alegria, mas a tensão não passava. Assim, quatro dias depois eu fui na dermatologista e aproveitei para pedir um pedido de exame para ver o Beta HCG! Achei que era melhor conferir no sangue, pois pelo que entendi, o exame de gravidez de farmácia é mais correto em relação ao positivo, quanto ao negativo, pode não haver hormônio o suficiente para confirmar uma possível gravidez.
Nesse dia conversei muito com meus pais, que nessa altura já disfarçavam mal a tensão. O namorado estava fingindo que tudo estava bem (ele soube de tudo o tempo todo) para me deixar tranquila e eu estava ali, literalmente desesperada, tentando manter o foco no trabalho.
Na madrugada desse dia minha menstruação desceu, com 14 dias de atraso e eu me senti renascida. Por mais estranho que isso possa soar,eu me senti com uma enorme segunda chance pela frente. Nada contra sonhar em ter filhos mas eu ainda não cheguei nesse quadradinho do “jogo da vida”. Eu e o namorado estamos muito focados nas nossas carreiras nesse momento e se estivéssemos grávidos, nossa vida iria mudar uns 340º e agradecemos por não ser o caso, não agora.
Quando passou o susto, veio o segundo desespero: Se eu não relaxo com a camisinha e não posso voltar para a pílula, o que vou fazer? As duas dermatologistas que cuidaram de mim nos últimos 10 anos foram consultadas, ambas não estão muito animadas com o Mirena. Pelo que vi na internet, 14% das mulheres desenvolvem acne após colocar o dito cujo. Eu, com o histórico que tenho no mundo da acne, apostaria todas as minhas fichas que eu tenho mais de 50% de chances de estar nesses 14%. Deu para entender essa matemática doida? Não estou animada para esse risco.
Acne, Roacutan e uma possível “cara deformada” são fatores que não vejo na minha vida hoje, não com meu trabalho e com a minha boa relação com a autoestima que demorou tanto para ser alcançada.
O anel, o hormônio subcutâneo entre outros métodos alternativos são bons para muitos dos sintomas da pílula mas pelo que pesquisei, são igualmente ruins para mim, pois no meu caso, a quantidade de hormônio ainda mantém um alto risco de ter o tal AVC. Assim, eu comecei a considerar um dos métodos que eu sempre disse que nunca iria colocar: o DIU. Ele não contem hormônio, mas pelo que entendi ele tem que ser aliado à tabelinha e camisinha na semana da ovulação. Vou perguntar mais sobre ele para a minha ginecologista. Hoje, por mais que ele aumente o fluxo, me parece o método menos pior para mim. Li muito sobre ele aqui.
O melhor dos melhores (pelo que entendi) seria o Mirena, ele é um tipo de DIU com hormônio (mas muito pouco), que tem uma aceitação maravilhosa em muitas mulheres. Ele diminuiria MUITO o meu risco de ter um troço por causa de hormônios mas confesso que o risco da acne me deixa tão tensa quanto todo o resto. #traumasdavida
De qualquer forma, vou falar com meu neurologista sobre ambos e ouvir tudo que envolve o universo dos dois. Eu vou tomar a decisão que for melhor para mim, menos arriscada para o meu corpo. De qualquer forma, estou tentando fazer com que o namorado vá comigo para entender um pouco mais sobre esse universo. Acho que a grande maioria dos homens não sonha com o que a gente passa.
Quando contei para ele que existia a possibilidade de usar o Mirena e aliar a doses leves de Roacutan (li sobre isso), ele mesmo achou uma loucura. Ele sempre ouviu as histórias do que eu passei com problemas de pele e achou um risco muito complicado. Se desse certo seria ótimo, mas se desse errado seria uma situação caótica que não sabemos o quanto é contornável (num sentido imediato).
Alguns vão perguntar o que eu acho de ficar só com a camisinha. Então, inicialmente eu fico muito desconfiada e penso que posso passar o desespero do “acho que estou grávida” duzentas vezes, e uma já foi o suficiente. Por isso vou preferir ouvir mais sobre outros métodos mesmo.
Se você leu até aqui e tem algo para dividir comigo, sua experiência ou mesmo de alguma amiga, fique à vontade! Quanto mais eu ler sobre isso melhor. Quem quer continuar sua pesquisa sobre o tema eu recomendo o post (e os comentários) do Futilish.
Eu espero que ao conversar com todos os meus médicos, eu encontre um método que me afaste de possíveis complicações e consequências delicadas.

Uma foto do feriadão que misturou sentimentos: alivio por não estar grávida & angústia por não saber o que vou fazer para fechar esse capítulo de dúvida quanto ao contraceptivo.
Qual é a sua experiência com o anticoncepcional? O que o mesmo trouxe de bom ou ruim para você? Tem alguma sugestão de novidade? Pode falar, vou levar um pouco de tudo isso para as minhas consultas!
Desculpem o desabafo!
Beijos
Jô
Textos que li sobre o mirena e a Acne: Morning Dreams, também esses posts do Pele Impecável e esse do Voando Alto. Esse outro texto explicando a diferença do DIU de cobre para o DIU Hormonal (Mirena) foi bem legal. Quando eu resolver o que farei conto para vocês.
Obrigada #melhorgrupo pelo suporte e pelas mil trocas sobre esse tema, com elas consegui escrever esse texto e dividir meu dilema com as leitoras do blog.
Obrigada Carol por ter me ajudado todos os dias durante aquelas duas semanas.
Desculpem se fui leviana em algum momento, tentei escrever esse texto passando minha verdade sem soar pedante ou entendida, afinal não é o caso né?
E para deixar claro, vivia uma vida sem camisinha mas eu e meu namorado fizemos exames de sangue, antes e depois de começarmos a dormir juntos, DST também é um fator que deve ser levado em conta na vida de uma mulher ativa.