Hoje o tema vai ser bem diferente do habitual. Confesso que queria muito escrever sobre ele para as leitoras de sempre, mas ao mesmo tempo tinha medo de escrevê-lo para o fantástico mundo da internet e suas tribos radicais. Os “forasteiros” não conhecem nosso perfil e nem mesmo nossos valores como você que vem sempre aqui. Como eu queria falar desse assunto para você, leitora (e leitor) deste blog, vou ignorar qualquer clima de tensão que o assunto possa trazer.
Neste post vou falar de um assunto que nunca apareceu por aqui antes: sexo. Não sou leviana e sei exatamente a faixa etária de quem lê o blog, 95% das leitoras têm mais de 18 anos e, por isso, me sinto confortável para compartilhar com vocês uma matéria muito polêmica que chamou a minha atenção.
Graças à Nuta, eu li a seguinte estatística no Bolsa de Mulher : 1 em cada 3 homens tem nojo de fazer sexo oral nas mulheres, a matéria está na integra aqui. Logo na chamada, a matéria enumera que enquanto 78% das mulheres faz sexo oral nos seus parceiros, 56% dos homens não se sentem confortáveis de fazê-lo nas suas parceiras. Pelo que posso imaginar, a pesquisa só levou em conta casais heterossexuais.
Quando eu li o post no facebook da Nuta, escrevi que estava chocada. Dias se passaram e eu continuo chocada. Primeiro fiquei impressionada com a discrepância dos percentuais, depois fiquei embasbacada com as diferentes reações que eu não esperava ler. Alguns homens chamavam essa “turma do nojo” de gays, outros defendiam o direito de não ter vontade, só sei que ambos os polos da questão foram intensos.
Primeiramente acho que pode acontecer de MULHERES e HOMENS terem nojo de tal modalidade, não acho que seja o padrão, mas acho que sempre vão existir diferentes exceções, e vai caber a cada casal impor seu limite. Acredito que ninguém deva ser obrigado ou induzido a fazer o que não deseja, muito menos em um momento que é para ser legal, para relaxar. O que não dá é o cara abusar do amor daquela mulher para “conseguir” o que só ele quer, e vice versa.
O que mais me chamou atenção nesse caso é a diferença entre os sexos. A margem de “pessoas que têm nojo” deveria ser a mesma, afinal, pode acontecer com os dois. Me desculpem, mas para mim essa é a chave da questão: a diferença. Como já disse, acho “ok” a pessoa não curtir algo, de verdade, mas vamos combinar que não vivemos num mundo onde pênis são feitos de chocolate e vaginas de tamarindo, não é mesmo? No fundo, tudo é meio estranho, mas um estranho que pode ser bom e pode fazer bem ao casal.
Eu já mudei de opinião sobre o que eu acho de “receber sexo oral”, hoje eu acho ótimo e, honestamente, me sinto feliz de ter um namorado que se preocupa com essa parte. Quando li o texto, fiquei com pena das mulheres que estão com caras que têm nojo de fazer isso e eu sei que pena não é um sentimento saudável. Depois me ocorreu que se o boicote vier dos dois lados, é mais fácil de entender. De um lado só me soa “sexismo” e isso não parece legal, pelo menos não do meu ponto de vista.
Hoje tenho uma vida sexual bem resolvida. Como demorei bem mais que a média do país para começar essa vida, eu confesso que no início ela foi meio turbulenta, por isso, sempre busquei situações nas quais eu me sentisse à vontade, foram poucas mas boas em sua maioria. Há 5 anos eu venho descobrindo coisas novas com o namorado, afinal, todo casal tem diversas fases.
Justamente por me sentir bem resolvida, eu me sinto confortável de compartilhar com vocês este estranhamento. Acho que pode ser super normal uma mulher não gostar de receber essa categoria de sexo, ou mesmo em alguns casos o parceiro querer mais do que a mulher, mas ao ler os argumentos da matéria - sugiro que vocês façam o mesmo! - eu fiquei com vontade de escrever para o mundo: Amiga, se esse é seu caso, converse com ele, com seu terapeuta ou sua melhor amiga. Não se permita passar por uma situação desagradável sem dividir com alguém que você confia.
É muito importante alinhar expectativas em uma vida a dois, eu diria que é fundamental.
Todos nós precisamos falar sobre sexualidade em algum momento, é na troca que ficamos mais lúcidas (os) e nos sentimos mais à vontade para falar do que gostamos, do que queremos ou esperamos.
Cada dia que passa eu converso mais com o Gu, me dou a liberdade de perguntar certas coisas, responder outras, experimentar lingeries ou brincadeiras. Sempre respeitando o nosso universo, os meus limites e os dele, (no nosso caso) com muito amor. Sem contar as doses de bom humor e amizade, que são sempre bem vindas! Assim, aos poucos, a gente vai desmistificando esse “bicho papão” que é o sexo.
E eu só posso desejar que mais homens se aventurem para satisfazer suas parceiras, afinal, muitas delas já dão o seu melhor, nada mais honesto do que esperar o mesmo em troca. Sem falar que quanto mais empenho de ambas as partes, melhor é, em todos os sentidos.
Beijos
Jô









