Eu nunca dei bola para os momentos mais romantizados “da vida de uma mulher”. A verdade é que eu sempre fui um paradoxo. Em parte clichê, em parte antagonismo. Nunca quis um casamento napoleônico, uma grande festa de 15 anos, um marido de cinema ou muitos filhos. No entanto, tenho o coração romântico de uma adolescente ansiosa por viver grandes amores.
Sabe príncipe no cavalo branco? Sonho com isso! Como conheço o mundo em que vivo faço muita terapia pra desconstruir esses sonhos estereotipados. (deu para sacar o paradoxo? Acho que sim).
Assim, que nunca tive absolutamente nenhum sonho de engravidar, me vi vivendo a experiência de estar perto de uma grávida. Não tão perto fisicamente quanto eu gostaria, mas perto através dos aplicativos da vida moderna, além de viagens e outras coisas que passamos juntas durante esses meses. Eu que fui uma das primeiras a saber acompanhei de tabela esse período.
Eu descobri que pouco sei sobre gravidez, que pouco sei sobre bebês e que corajosa é a mulher que escolhe viver isso. Sim, a meu ver é uma escolha. Também aprendi que se o pai estiver tão envolvido quanto a mãe, as coisas tendem a ser bem melhores, mais suaves talvez.
Por mais distante que toda essa experiência de gravidez pudesse parecer pra mim, ver a Carla lidando com isso foi uma super referência. Se um dia eu optar por esse caminho eu quero me lembrar de tudo que eu vi nela, dos aprendizados bons e talvez ruins.
O que eu, como amiga, vi de mais especial? A calma e tranquilidade com que ela TENTOU levar tudo. Evitando criar expectativas, super estimar dramas vividos por tantas outras mulheres e fugir das coisas horríveis que algumas pessoas falam para as grávidas.
Sou tão mais dramática do que ela. Não me imaginaria passando tão bem por tantas coisas naturais. Ela tentou levar todos os aspectos da sua vida com normalidade e isso foi o que eu mais admirei. A gravidez da Cá me fez acreditar naquela máxima: gravidez não é doença e cada um pode levar esse processo da forma que acha que deve.
Nesse meio tempo, passamos uma semana na Europa. Apenas mais uma das diferentes viagens que ela fez durante a gestação e me vi preocupada com coisas que antes não passariam na minha cabeça. Ao mesmo tempo que eu queria que ela dormisse mais, não se cansasse tanto e coisas desse tipo, eu ficava impressionada com o quanto a vida dela seguia normal. Ela ia aprendendo a aceitar ajuda e as filas preferenciais e eu aprendendo que a gravidez não era o pesadelo que eu tinha em mente.
Tá, ao ler minha última frase vejo que não só não era o tipo de pessoa que romantizava a gravidez, como era do tipo que tinha pavor dela. Não só o medo de o corpo mudar, dos desejos piorarem (eu tenho desejos a vida toda, já que lido com a compulsão desde muito nova) e dos hormônios ficarem doidos. De uma forma geral, acho que eu tinha medo da mudança, medo de nunca mais ser a mesma pessoa, por dentro e por fora.
Por essas questões ver a gravidez da Carla foi tão importante pra mim. Tudo mudou na minha forma de ver. Ainda que durante nem tudo sejam flores, ainda que eu ache que os hormônios de nós duas caminhavam em direções opostas e ambas estavam meio impacientes (sorry amiga, sei que eu não estava fácil, mas você também não estava igual). Tudo foi aprendizado de tabela.
Pessoas dizem que a melhor coisa é morar junto antes de casar, mas acho que incluo nessa lista a dica de que todo mundo tinha que acompanhar uma gravidez de perto antes de ter filhos. Pode ser tão elucidativo, vocês não têm ideia. Por tamanho aprendizado de minha parte, eu sempre incentivei que ela trouxesse essa naturalidade para os textos do #babynofuti, ainda que eles a tornassem diferente da maioria.
Algumas pessoas podem não ter entendido, afinal, a Carla não usou laçarotes em baixo do peito, 2o0 roupas de grávida, não fez ensaios fotográficos ou tirou fotos fazendo carinho na barriga todas as semanas. Ela não levantou a bandeira de qual parto era melhor (afinal, ela só queria o melhor para os dois, não importava a forma que ele viesse ao mundo!).Ela foi ela mesma, não cedeu a clichês ou pressões, ela tentou fazer tudo do jeitinho dela. Isso foi de se admirar, tem que ter personalidade para fugir do óbvio.
Em parte ela era “chata” por não aceitar ajuda, mas depois eu entendi. Ela aceitou quando se tornou necessário. Ela me pareceu apenas estar tentando manter a normalidade da sua vida. Depois que ele chegou, passei 24 horas com ela e o Bernardo quando o Arthur ainda não tinha nem 1 mês. De cara vi que a coisa não é mole, não mesmo. Achei bonito de se ver tal trabalho feito em equipe (mãe e pai juntos).
É engraçado fazer uma reflexão sobre esse momento estando de fora. Percebi que nunca romantizei a minha possível gravidez, mas romantizava a gravidez como um todo. Com essa experiência, passei a entender que cada um vê a vida como acha que deve, com as suas dificuldades e com seus ganhos. Não é porque todo mundo faz a coisa de um jeito que você tem que fazer também. Você só precisa ser você mesma, sempre.
De tudo que vivi nessa experiência de terceira pessoa, o fato mais curioso não diz tanto respeito à Carla. Não me sai da cabeça o sentimento mágico que senti na hora que o pequeno Arthur chegou no mundo. Eu não sabia que ao ver alguém que você ama tanto grávida você já passava a amar aquela nova vida instantaneamente.
Para minha surpresa - mesmo! - eu chorei muito quando ele nasceu. Eu, que nunca na vida sonhei com a maternidade e que nem estava na mesma cidade, soluçava com cada foto do parto. Com um vovô médico que estava na sala e foi me atualizando minuto a minuto, cada primeiro respiro foi um flash.
Não posso dizer que tudo isso me fez querer ser mãe, mas não posso dizer que não fez. Isso eu entrego para Deus , mas mexeu comigo. Era como se naquele segundo eu tivesse podido experimentar um pouquinho daquele sentimento mágico que é ver uma nova vida começar no mundo. Era tudo muito preenchido de amor.
Chorei várias vezes naquele dia e eu vi que a vida tem muito mais a oferecer do que a gente pode planejar ou imaginar. Em todas as fases existem boas surpresas quando estamos abertas pra isso. Quem podia imaginar que eu experimentaria algo totalmente novo naquela noite? Eu não. Achava que receberia a notícia e ficaria feliz, mas foi tão além de tudo isso que me impressionei.
Esse é um texto egoísta, feito por alguém que viveu apenas a parte boa da coisa, mas que entendeu um pouco mais sobre amar o próximo a partir daquele dia. Talvez tenha quebrado paradigmas e “pré conceitos”.
Daquela sensação, me permiti ter a liberdade poética de imaginar a alegria que deve ser fazer uma grande festa de casamento para celebrar um grande amor, a satisfação que deve ser ter um filho saudável, a felicidade que deve dar fazê-lo feliz e outros “sonhos clichês” que inicialmente “não eram os meus”.
É sensacional ver que há magia em todos os tipos de sonhos. Eu vou seguir perseguindo os meus. Agora só vou parar mais vezes para admirar as realizações do outro. Por mais que os objetivos sejam diferentes, a mágica em viver pode ser igual.
Foi assim, nessa pegada tão reflexiva, que eu passei a achar a gravidez algo bem mais natural do que imaginava.
Beijos
Jô
( que na verdade é apenas mais uma tia babona)










