11 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 08.03.2016

O dia da mulher, a liberdade sexual e um desejo de igualdade!

Nos últimos anos tenho aprendido muito sobre “feminismo“. Antes achava que essa palavra significava um monte de radicalidades e crenças engessadas, mas com o tempo, os textos e as conversas aprendi que não se trata de nada disso. A luta pela igualdade de gêneros nos salários, cargos, direitos, até mesmo com relação ao próprio corpo também é uma luta minha, uma luta nossa. Brigar contra a normalidade do assédio ou contra pequenas atitudes machistas já enraizadas na sociedade tem sido o objetivo de muitas mulheres corajosas e hoje, mais uma vez as parabenizo por pensar e agir fora da caixa.

Como já sabemos, meu short não é uma autorização para você me chamar de gostosa, minha saia curta não quer dizer que eu quero fazer sexo com ninguém e o fato de eu transar com quem eu bem entender não faz de mim uma pessoa menos valorizada. Eu sou dona do meu corpo, do meu prazer e das minhas vontades. 

Sempre que eu falo algo sobre sexo em alto e bom som (sem gritar, apenas sem baixar o tom de voz, como se fosse um segredo) costumo ver alguém arregalar os olhos e se espantar. Parece que uma mulher falar disso num restaurante, numa roda de bar ou mesmo na fila do elevador ainda pode ser visto com estranheza. Oi? Você não faz sexo? Todo mundo faz, ou pelo menos deveria. Eu não quero viver num mundo onde precisamos falar sobre isso sussurrando, escondidas ou com medo de julgamentos. Esse é um assunto como outro qualquer, pelo menos deveria ser. Eles podem, nós podemos. Falar disso com educação e naturalidade acabaria com muitos mitos que cercam essa parte íntima da nossa vida, transformar isso num tabu é muito perigoso.

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Sou tão boa pessoa quanto qualquer outra e vivo minha vida sexual em paz. Tento quebrar paradigmas e deixar para trás os resquícios de conceitos machistas que me rondaram por muitos anos. Não vou aceitar julgamentos externos, vou questionar e combater qualquer argumento com qual eu não concorde. Gosto da máxima: meu corpo, minhas regras.

Infelizmente a forma como eu e muitas outras fomos criadas foi defasada no quesito sexualidade. Sempre houve muita repressão velada nesse sentido. Para mim esse é um dos pontos em que mais vejo diferença entre a maneira de ver o mundo dos homens e das mulheres.

Claro que os hormônios são diferentes, biologicamente podem haver diferenças claras nos graus de necessidades mas todo mundo precisa explorar sua sexualidade, seus orgasmos e tudo mais que envolve a descoberta do próprio corpo. Não podemos absorver por osmose que os homens têm necessidades e nós não, todos somos humanos, todos temos desejos. 

via GIPHY

Quando me livrei da pílula descobri todo uma nova relação com meu corpo e meus hormônios, por isso parei para pensar e questionar muitas coisas. Eu estava ali, lidando com o novo: a libido fora de contexto. Até então nunca tinha tido de conviver com ela, coisa que os rapazes passam a vida fazendo.

Nessa hora me dei conta que NUNCA ninguém conversou comigo sobre masturbação feminina. Ué? Por que isso não foi um assunto abordado na minha casa? Na escola? Na vida? Eu me lembro que meus pais conversaram com meu irmão sobre o assunto, comigo ninguém falou nada. Por que os homens são ensinados a lidar com esses estímulos e as mulheres não? Essa é uma das questões de diferenças de gênero que mais vejo trazer consequências práticas para a minha geração.

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Em 2014 eu comprei esse brinquedo alemão, de curiosidade, num sex shop em São Francisco

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A ideia era incrementar as preliminares e no fim ele virou mil e uma utilidades. Marca: OVO (tem tudo sobre ele  online aqui)

Parece que não era muito simpático encorajar uma mulher a ter liberdade com o próprio corpo e com o próprio prazer. A primeira pessoa a me questionar sobre isso foi uma das minhas melhores amigas (beijo, Nina!) e eu não levei a sério o que ela estava falando. Eu tinha uma ótima vida sexual com meu namorado e eu tomava a pílula (que me deixava sem qualquer necessidade fora do contexto de nós dois). O que eu teria mesmo a entender sobre isso?

A vida muda, a realidade muda e hoje eu entendo totalmente o que ela queria me dizer: Quanto mais a mulher conhece seu próprio corpo, mais ela pode desfrutar de uma relação prazeirosa com seu parceiro.

Claro que nesse contexto de liberdade sexual é super importante falarmos da importância de focar na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, que muitas vezes são mais perigosas para as mulheres. Com tanto tabu é normal que haja ignorância na mesma proporção. Eu notei isso quando eu mesma, uma mulher de 20 e tantos anos e com um alto grau de escolaridade, me peguei perguntando coisas “simples” para minha ginecologista.

Posso estar sendo otimista, mas vejo a possibilidade de todos evoluirmos nesse aspecto de liberdade. Se meus pais conseguiram evoluir muito em 10 anos por que a sociedade não pode? 

Sempre me impressiono quando as pessoas ficam CHOCADAS quando eu coloco a naturalidade com a qual eu e meus pais tratamos da minha vida amorosa. Aqui em casa eles sabiam de aplicativo de relacionamento, sabiam com quem eu ia sair e estavam cientes de quando eu não iria dormir em casa. Alguns detalhes eram ditos, outros subentendidos, mas nada era julgado.

Inclusive meu pai é muito melhor conselheiro do que a minha mãe. As vezes evito conversar certas coisas com ele nos mínimos detalhes, mas temos uma relação MUITO aberta. Pra ela por sua vez, não precisa de nenhum grau de omissão. Eles se complementam. Eu vejo um enorme exercício de não julgamento, aceitação e acolhimento na minha casa. Vou querer fazer o mesmo se um dia eu tiver filhos.

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Essa aprovação permitiu que eu passasse a lidar de uma forma muito mais segura com tudo isso. No entanto, acreditem: sempre que eu menciono que contei tal coisa para o meu pai ou que ele me disse algo a respeito as pessoas fazem um minuto de silêncio e uma cara de choque. Quase sempre. Em contrapartida, meu pai tem o maior orgulho de ser moderninho.

Quando me pego nessa situação tão confiante e confortável envolvendo um assunto que antes era tabu pra mim, fico com vontade de desejar isso para todas as mulheres nesse dia 8 de março. Se as coisas evoluíram na base da conversa na minha casa, podem evoluir na sua também.

Precisamos incentivar que as mulheres manifestem suas essências, precisamos acolher a todas elas incentivando que elas se permitam o auto conhecimento em qualquer aspecto da sua vida.

Já disse e repito, todo pai de menina, marido, namorado e afins precisa ser um aliado da luta feminista, o discurso  “He for She” da Emma Watson na ONU está ai para provar mais uma vez que isso faz toda diferença.

Feliz dia das mulheres para todas nós, vamos aproveitar essa data para lembrar que a luta pelos direitos iguais ainda não chegou ao fim, mas juntas vamos conseguir conquistar não só salários, cargos e reconhecimentos iguais, mas também a liberdade de podermos falar e explorar nossa sexualidade sem julgamentos! Precisamos nos acolher, não nos julgar.

Beijos

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11 Comentários

  • RESPONDER
    Monique
    08.03.2016 às 16:50

    Jô, dessa vez você se superou. Que texto maravilhoso.

    Parabéns!!

  • RESPONDER
    Luisa
    08.03.2016 às 17:25

    Jô sendo maravilhosa mais uma vez!
    Que texto!

  • RESPONDER
    Camila
    08.03.2016 às 18:23

    MUSA!

  • RESPONDER
    Ilana
    08.03.2016 às 21:39

    Ameeeeei o texto! Musa!!!

  • RESPONDER
    Bárbara
    09.03.2016 às 14:20

    Seus textos estão cada dia melhores! AMANDO esses textos mais “íntimos”… são situações que todas nós (ou a maioria) passa e nem sempre temos coragem de conversar abertamente!

    • RESPONDER
      Joana
      14.03.2016 às 9:07

      É, acho que só por isso arrumei coragem pra falar no tema né? rs!

  • RESPONDER
    Bianca
    09.03.2016 às 14:21

    Eu adoro ler os seus textos Jô! é do tipo que sempre tem algo a acrescentar, mesmo que a pessoa tenha algo contra (pelo menos eu tento levar a vida assim).

    Até hoje eu lembro do pequeno escandalo que minha mãe fez quando eu perdi a virgindade. Nossa, eu tinha uns 17 anos e, naquela época, eu achei a coisa mais ridícula que eu já havia presenciado! Sério gente, eu fiquei pasma porque ao invés de ela (e meu pai, que ela fez questão de estar presente) me prevenir sobre as coisas que viriam depois em uma conversa sensata, não… Simplesmente me tratava como se nada tivesse acontecido e as vezes até ficava sem falar comigo! kkkkkkkk’ Eu simplismente achei aquilo hilário. Imagino que as coisas antigamente deveriam ser dificeis e tudo mais mas, espero poder fazer exatamente o contrário com meus filhos, até porque como você disse em cima, tudo é resolvido na base da conversa! ;D

    Um beijo a todas…

  • RESPONDER
    Ana
    09.03.2016 às 17:27

    Jô – A DESTRUIDORA… Arrasou muitooooo nesse POST !!!!!

  • RESPONDER
    Regina
    10.03.2016 às 13:06

    Jô, que post fantástico! Lindo e realista texto.

    • RESPONDER
      Joana
      14.03.2016 às 9:06

      Obrigada! :)
      Fico feliz que tenha achado isso!

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