Esse ano foi daqueles super loucos, montanha russa, novos desafios, investimentos, clientes, amigos e muitas conquistas, principalmente em termos de blog, que apesar de todos os desafios, dobrou de audiência e recebeu elogios sinceros de clientes enormes! Eu talvez nunca tenha me sentido tão competente antes desse ano, nunca tenha visto o quanto sou boa em algumas coisas e tampouco tenha estado tão confiante das minhas características positivas, mas é claro que se estou colocando as coisas desta maneira, teremos um porém ao longo do post.
Comecei o ano cumprindo minhas metas. Tirei minhas varizes, cuidei firme da minha pele e, no meio do caminho, também resolvi cuidar da minha espiritualidade com mais afinco. Fiz meus cursos incríveis na Trilha dos Lobos e ouvi cuidadosamente o que a Cláudia (minha tão amada professora) estava trazendo para minha vida. Larguei a pílula, dividi intimidades aqui e aos poucos fui me sentindo mais forte. Sem dúvidas, 2014 foi um ano que aprendi muito.
Como tudo na vida não são flores, 2014 também foi difícil e foi esse fato que me inspirou a escrever sobre o tema que vou falar agora. Em meio a tantos ganhos vieram meus velhos amigos - ou melhor inimigos - quilos a mais. Minha reeducação alimentar e saúde tão felizmente conquistadas no passado deram lugar às não desejadas gordurinhas. Minha briga com a balança já foi protagonista de inúmeros posts, mas talvez nunca de uma forma tão clara.

O sobrepeso começou a chegar em maio e deu uma boa piorada com o passar dos meses. De outubro em diante, esse ganho de peso me quebrou. Comecei a não caber nos meus looks, e quando me vi obrigada a montar produções que não seriam a minha primeira opção, a peteca começou a cair.
Eu, que já tive depressão, senti que algo estava errado. Parte de mim estava se sentindo fracassada por ter deixando essas “5 Coca Colas de 2 litros” se espalharem por esse corpo e se apertarem nas minhas peças de roupa. Porém, a vida é tão maravilhosa que mesmo no meio dessa confusão interna, eu não me senti feia. Posso ter ficado desanimada em alguns momentos, mas minha auto estima estava em dia com minhas novas habilidades de fazer cabelo, minha maior desenvoltura para me maquiar (e me contornar) e, por fim, mesmo ganhando peso no primeiro semestre eu gostei de muitos dos meus looks, o que para mim também é um processo de estilo pessoal bem importante.
Um dia estava conversando com uma grande amiga e me lamentei pelos quilos adquiridos. Mesmo tendo sido um pouco antes da coisa piorar de vez, ela me disse assim: Amiga, você já esteve mais magra mas nunca esteve tão bonita. Aquilo fez tanto sentido, já que boa parte do meu ano eu me senti assim, brigando com a balança mas vendo a beleza que existe em mim. Nessa hora, eu me lembrei que eu não sou feita de magreza ou de gordura. Eu sou feita de mim, do meu cuidado comigo, e isso tem sua beleza.
Nessa hora eu me lembrei da minha mãe, uma das mulheres com a auto estima mais inabalável que eu conheço e que consegue realçar seus pontos fortes de uma forma que seu corpo plus size nunca fez seu borogodó diminuir. Vocês não têm ideia como eu invejei esse conforto que ela tem com seu corpo. Eu desejei imensamente, por várias vezes, sentir o mesmo que ela, mas a verdade é que a minha história é diferente e desde criança eu luto contra a compulsão alimentar e a distorção de imagem. A minha história e a minha luta são outras, eu não preciso ser magra para ser aceita, eu preciso perder peso para ficar em paz com meu corpo, alma e saúde.
Isso quer dizer que eu acho que o mundo todo precisa ser magro? Claro que não, muito pelo contrario, eu desejo que a gente viva num mundo onde todo mundo se aceite, tenha saúde e menos preconceito. Porque podem falar o que quiser, mas o preconceito com o IMC elevado existe, é chato e por muitas vezes cruel.

Como eu disse antes, eu não preciso ser aceita. Por mais que eu me depare com a cara feia de alguns, com o veto de alguns possíveis clientes e o desdém de terceiros, não, eu não preciso ser aceita por eles. Eu tenho é pena de quem acha que “aquela pessoa deve ser infeliz porque está acima do peso”, mal sabem os outros é que ela pode ser bem mais feliz por dentro, afinal, tem tanta gente magra infeliz no casamento, tanta menina maravilhosa com crise de pânico, tem tanta coisa absurdamente triste na vida daquelas que parecem perfeitas que eu volto à velha máxima: não julgue um livro pela capa.
As revistas podem não te querer por causa do seu peso, as marcas podem te evitar, os rapazes podem nem ouvir o que você tem a dizer, mas são eles é que estão doentes. Gordura não é doença contagiosa e depois desses últimos meses é isso que eu tenho vontade de dizer para o mundo.
Sou uma jovem com problemas com a balança, quero perder uns quilinhos por mim, porque eu quero me sentir bem comigo e com as minhas roupas. Eu vestindo 42, 44 ou 46 vou chegar onde tenho que chegar, vou arrasar e vou continuar sendo muito feliz, não serão as pessoas preconceituosas que me farão pensar diferente.
Eu sempre fui improvável em tudo que fiz e sempre me saí vitoriosa, por isso eu quis escrever esse texto. Se amanhã eu estiver de volta ao 40 ou 42, pesando meus estimados 70kg, eu quero ser a mesma pessoa que sentiu pena de quem me julgou inferior por esses 10kg a mais. Graças às leitoras incríveis, o que importa por aqui é quem eu sou, o que eu tenho a dizer e o que eu quero mostrar e nada além disso.
Se você pesa 60Kg ou 120Kg, não importa, o que importa é sermos todos contra uma ditadura da beleza que ataca aqueles que não fazem parte de um padrão imposto por todos os lugares. Uma gordinha não é inferior à uma menina sarada, é apenas uma pessoa com um corpo diferente, nada mais e nada menos do que isso. Então vamos deixar a “gordofobia” de lado e entender que inferioridade é papo para movimentos radicais e aqui ninguém quer fazer parte deles.
O importante é termos corpo, mente e alma felizes e em equilíbrio, o peso ideal para isso vai variar de pessoa para pessoa. Em 2015 eu espero encontrar o meu.
Beijos!
Jô
PS: Não cabia muito bem isso no texto, mas não poderia deixar de agradecer à minha nutricionista, que mesmo nos momentos mais difíceis da minha bagunça com a alimentação, se importou comigo. Alguns me perguntam o quanto a Patricia é radical e eu só tenho a dizer que comigo ela é maravilhosa. Eu posso não ter vivido meus aprendizados da vida com ela durante 2014, mas só tenho a dizer que independente do meu peso atual, ela mudou minha vida para melhor. Eu sei qual caminho pegar para reverter esse quadro e isso é graças a ela. De quebra, também quero agradecer a TODOS os patrocinadores do futi. Em 2014, com todos esses meus altos e baixos com a balança, eu não tive um cliente que me evitou - muito pelo contrário, tem uma turma nova de moda vindo conosco em 2015 e por essas pessoas eu agradeço.