Arquivo do mês: março 2015

31
mar
2015

Book do dia: Ele está de volta, de Timur Vermes

Book do dia, comportamento

Vocês repararam que o book do dia demorou esse mês, né? Tudo culpa desse livro, infelizmente. Aliás, toda vez que eu me vejo lendo uma furada, eu me pergunto por quê eu não fui no Skoob antes… Estava tudo lá, todas as críticas e reclamações, de gente que pensou exatamente da mesma forma que eu enquanto me esforçava para virar cada página.

Sabem o que é pior? Eu nem posso culpar o fato que eu não li a sinopse. Foi justamente ela - e a capa, visualmente incrível- que me instigaram e me deixaram com as expectativas mais altas que o Burj Khalifa: Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo. As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem — como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo. Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.

Só para vocês terem uma ideia, eu achei a sinopse tão genial e curiosa, que eu já fui indicando o livro quando ainda estava no primeiro capítulo (desculpa a todos que me ouviram rs). E ele tem esse potencial mesmo, mas ao meu ver, não foi bem explorado.

Os momentos em que Hitler tenta entender o mundo em 2011 são engraçados e promissores, até marquei alguns:

Mas fica nisso mesmo, porque o resto é maçante. Até pensei que o fato de eu saber um pouco superficialmente sobre esse período histórico fosse o motivo de eu não ter achado o livro tão incrível, mas depois vi que não era bem isso. Timur Vermes fez um trabalho muito dedicado para tentar entrar na cabeça de Hitler, e em muitos casos, isso funcionou. Mas no meio da visão do Führer sobre o mundo no século XXI e sua vontade de procurar meios de voltar ao poder, o autor tenta criar histórias paralelas que não funcionam, com personagens rasos, mal explorados e pouco interessantes.

Outra coisa que me incomodou muito é que a sátira poderia ser muito mais inteligente do que diz ser. O livro é o exemplo perfeito daquela frase, “stop making stupid people famous”, e bem ou mal, é isso que acontece na nossa sociedade atual. Pessoas completamente idiotas ganham poder através da visibilidade e todo tipo de preconceito é disfarçado em forma de piada (e quem resolve abrir os olhos para isso é chamado de mimizento, cricri, chato, entre outros).

Só que ao invés de eu ter terminado o livro com aquela sensação de “uau, vou ficar pensando sobre isso o resto da semana”, eu terminei com certo alívio de ter acabado. O fato da narrativa ser em primeira pessoa é interessante até o momento em que isso limita o autor a criar uma crítica mais profunda. Para mim, foi isso que aconteceu no livro todo. Muita coisa poderia ser aprofundada ou explorada, mas morreu na praia.

O livro não chega a ser ruim, acho que minha frustração está mais ligada às expectativas erradas, mas não aconselho a comprar. Porém, adoraria saber a opinião de alguém que gostou do livro!

E depois dessa leitura arrastada, estou precisando de algo mais leve! Quem tiver dicas, pode jogar na roda! :)

Beijos

Carla

31
mar
2015

Look da Jô: vestido branco!

Looks, Moda, Parceria

Semana passada fui para São Paulo e de forma inesperada fiquei doente logo nos primeiros dias. Dei um trabalhinho para a Ca, mas amiga é para isso, né? Infelizmente não conseguimos dar conta de um dos objetivos da viagem: gravar vídeos. Não tive voz para isso. Ainda bem que consegui ir a reuniões, a festa da Glamour (o look está aqui) e ainda conseguimos fazer mais algumas coisas para o blog.

Uma delas foi fotografar o look dessa semana, que eu, modéstia nada à parte, amei. O que uma modelagem INCRÍVEL não faz?

vestido e bolsa Tufi Duek | brincos Villa Borghese | sapato Santa Lola (que roubei da Cá)

Sabe aquele vestido que veste bem, não marca nada de nada e tem uma modelagem mega chique? Pra mim foi esse modelo, quase minimalista, mas zero óbvio, da coleção de Outono/Inverno da marca, que está super sofisticada e moderna.

Se esse sapato da Carlinha não fosse tão alto eu juro que queria um igual { nota da Ca: não ia achar, ele já deve ter uns 5 anos rs }. Ele combina com tudo, mas não é básico. É um neutro muito do fashionista que complementou o look e ainda fez uma brincadeira com a cobra da bolsa, também da Tufi.

Vocês gostaram? Eu confesso que estou mega apaixonada pelo vestido.

Beijos

30
mar
2015

Deu o que falar…

comportamento, Deu o Que Falar

1 - A semana de Angelina

Se a gente fosse separar os tópicos, só essa semana, Angelina Jolie seria tema de todos os tópicos do DQF. Por isso, resolvemos juntar todos em um só (e esperamos que não vire uma bagunça rs).

O zumzumzum em torno da atriz começou quando ela anunciou que, além da dupla mastectomia realizada em 2013, depois de descobrir que havia 87% de chances de desenvolver um cancer de mama, ela também passou por uma cirurgia para retirada dos ovários. Para quem não sabe, sua mãe, sua tia e sua avó morreram jovens, vítimas de cancer nos ovários e ela decidiu retirá-los depois de um susto nos exames de rotina.

Angelina Jolie, Zahara and Shiloh attend the Nickelodeon Kids Choice Awards

Muita gente considerou essa escolha exagerada, meio paranoica, mas sinceramente, se nós tivéssemos o histórico de perdas de Angelina e a possibilidade de cortar esse mal pela raiz, nós provavelmente pensaríamos da mesma forma. Claro que isso não faz com que ela esteja livres de outras doenças horríveis, mas só de saber que seus filhos não passarão por tudo o que ela passou, já é um alívio.

Vamos deixar assuntos de doenças para lá, e foquemos na parte boa da semana de Angelina: seu discurso ao receber o prêmio de melhor vilã no Kids Choice Awards.

O discurso foi o seguinte: “Muito obrigada a todas as crianças que votaram. Quero dizer que quando eu era pequena, assim como Malévola, eu ouvi que era diferente. E eu me sentia fora do lugar e muito espalhafatosa, muito cheia de fogo, nunca boa em ficar quieta, nunca boa em me encaixar. E então, um dia eu descobri uma coisa – algo que eu espero que todos vocês descubram um dia. Diferente é bom. Quando alguém falar que você é diferente, sorria, mantenha sua cabeça em pé e fique orgulhosa”

Inspirador e totalmente coerente com tudo aquilo que ela mostra em relação aos seus filhos, né? Sempre fomos team Aniston, mas impossível não amar Angelina depois dessa.

2 - O instagram e a menstruação

Semana passada, uma artista chamada Rupi Kaur chamou a atenção com seu projeto visual chamado “Period”. Nele, fotos de situações normais que podem acontecer todo mês durante a menstruação, foram postadas no Tumblr com a intenção de discutir o tabu e o incômodo que esse assunto ainda causa.

Não poderia ter dado mais certo. Foi só Rupi postar uma foto no instagram com a calça e a cama manchadas, para a mesma ser vetada e retirada do ar.

Segundo ela, não faz sentido que as redes sociais aceitem fotos de mulheres como objetos sexualizados, nuas ou com poucas roupas, mas proíbam imagens de um processo biológico natural, que acontece todo mês.

Sinceramente, esse experimento de Rupi foi um tapa na nossa cara. Quando vimos a foto pela primeira vez, sem saber direito do que se tratava (só sabíamos do veto), nossa reação inicial foi pensar: “mas também, pra quê expor esse tipo de coisa em pleno instagram? O exibicionismo realmente está fora dos limites”. Só depois que ficamos por dentro do que aconteceu, que achamos essa maneira de conversar sobre menstruação - de fato, um assunto que não deveria ser tabu, mas é - genial.

Só ainda não chegamos ao ponto de achar que menstruar é uma benção da natureza ou até mesmo algo que não deveríamos nos incomodar ou envergonhar (afinal, achamos horrível sujar a calça, seja de sangue, xixi ou molho shoyu). Será que um dia isso muda também?

3 - De boas intenções o inferno tá cheio, viu…

Nós achamos que a Reserva é aquela marca que tem tudo para ser muito, muito, muito legal não só nas roupas, mas também na comunicação com os clientes, só que volta e meia se perde nessa vibe “quero ser bacanuda”.

Maior exemplo atual foi a campanha que foi veiculada por esses dias e está dando o que falar.

O objetivo da campanha é ser um manifesto contra o preconceito, mas acaba sendo tão estereotipada, que pelo menos na nossa visão, o tiro saiu pela culatra. As poses, as roupas, tudo é tão rotulado que vira uma campanha rasa, perde o sentido, e o principal, ao invés de fazer com que as pessoas reflitam e discutam sobre o preconceito, faz com que a discussão seja em torno da execução que bateu na trave e voltou nocauteando o jogador que chutou.

Os animais não julgam porque são irracionais, pior é o ser humano, que tem um cérebro pensante e mesmo assim, toma tantas atitudes erradas.

Até vimos algum potencial nessa ideia, mas precisava de um pouco mais de conversa até definir um manifesto de verdade sobre um assunto que precisa ser discutido. A impressão que deu é que estavam com pressa e por isso, pegaram a primeira ideia e executaram. Cadê a limonada que a gente sabe que vocês sabem fazer, Reserva?

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