Vocês repararam que o book do dia demorou esse mês, né? Tudo culpa desse livro, infelizmente. Aliás, toda vez que eu me vejo lendo uma furada, eu me pergunto por quê eu não fui no Skoob antes… Estava tudo lá, todas as críticas e reclamações, de gente que pensou exatamente da mesma forma que eu enquanto me esforçava para virar cada página.
Sabem o que é pior? Eu nem posso culpar o fato que eu não li a sinopse. Foi justamente ela - e a capa, visualmente incrível- que me instigaram e me deixaram com as expectativas mais altas que o Burj Khalifa: Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo. As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem — como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo. Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.
Só para vocês terem uma ideia, eu achei a sinopse tão genial e curiosa, que eu já fui indicando o livro quando ainda estava no primeiro capítulo (desculpa a todos que me ouviram rs). E ele tem esse potencial mesmo, mas ao meu ver, não foi bem explorado.
Os momentos em que Hitler tenta entender o mundo em 2011 são engraçados e promissores, até marquei alguns:
Mas fica nisso mesmo, porque o resto é maçante. Até pensei que o fato de eu saber um pouco superficialmente sobre esse período histórico fosse o motivo de eu não ter achado o livro tão incrível, mas depois vi que não era bem isso. Timur Vermes fez um trabalho muito dedicado para tentar entrar na cabeça de Hitler, e em muitos casos, isso funcionou. Mas no meio da visão do Führer sobre o mundo no século XXI e sua vontade de procurar meios de voltar ao poder, o autor tenta criar histórias paralelas que não funcionam, com personagens rasos, mal explorados e pouco interessantes.
Outra coisa que me incomodou muito é que a sátira poderia ser muito mais inteligente do que diz ser. O livro é o exemplo perfeito daquela frase, “stop making stupid people famous”, e bem ou mal, é isso que acontece na nossa sociedade atual. Pessoas completamente idiotas ganham poder através da visibilidade e todo tipo de preconceito é disfarçado em forma de piada (e quem resolve abrir os olhos para isso é chamado de mimizento, cricri, chato, entre outros).
Só que ao invés de eu ter terminado o livro com aquela sensação de “uau, vou ficar pensando sobre isso o resto da semana”, eu terminei com certo alívio de ter acabado. O fato da narrativa ser em primeira pessoa é interessante até o momento em que isso limita o autor a criar uma crítica mais profunda. Para mim, foi isso que aconteceu no livro todo. Muita coisa poderia ser aprofundada ou explorada, mas morreu na praia.
O livro não chega a ser ruim, acho que minha frustração está mais ligada às expectativas erradas, mas não aconselho a comprar. Porém, adoraria saber a opinião de alguém que gostou do livro!
E depois dessa leitura arrastada, estou precisando de algo mais leve! Quem tiver dicas, pode jogar na roda! :)
Beijos
Carla





