1 - Polêmicas da beleza parte 1
A primeira polêmica envolvendo o mundo da beleza aconteceu na semana passada, quando a Sephora americana recebeu uma enxurrada de comentários depois que uma jornalista tuitou indignada, uma foto de um batom vermelho da linha da Kat Von D, que se chama Underage Red (vermelho menor de idade). Segundo ela, um batom dessa cor e com esse nome, sexualiza meninas menores de 18 anos.
Em um primeiro momento pode até fazer sentido esse argumento, mas foi só Kat Von D se manifestar para o assunto para percebemos que, as vezes, a maldade realmente está nos olhos de quem vê. Segundo a tatuadora/dona da linha de maquiagem, ela escolheu esse nome para essa cor de batom porque ele a fazia lembrar da época que ela tinha 16 anos e queria ir em shows de bandas que ela gostava e não podia por ser menor de idade. Ela também não se desculpou pela “polêmica” e disse que tampouco vai retirar o produto das prateleiras.
Ah, e um detalhe básico: esse batom existe desde que a marca começou, há 7 anos atrás.
2 - Polêmicas da beleza parte 2
A segunda polêmica é super fresquinha e aconteceu hoje! A marca de esmaltes Risqué lançou uma linha chamada “homens que amamos”, que segundo o release, é um tributo aos pequenos gestos diários dos homens. Entre os nomes dos esmaltes estão “João disse eu te amo”, “Zeca chamou para sair” e o que originou a polêmica maior, “André fez o jantar”.
Por causa desse último nome, várias pessoas foram reclamar nas redes sociais que essa era uma coleção sexista e machista. Inclusive teve gente que interpretou o fato de que André fez o jantar, no passado, quis dizer implicitamente que nos outros dias quem faz é a mulher do André.
Achamos que a Risqué não foi muito feliz com essa coleção, pois pareceu que ela não conhece seu público alvo muito bem. A impressão que dá é que a comunicação está sendo feita para meninas novinhas, que se derretem toda por esses gestos. O fato de explicarem que homens são o assunto número 1 das conversas das consumidoras também não ajuda muito (pelo menos nas nossas conversas, não são número 1 mesmo! rsrs).
Ao mesmo tempo, também achamos absurdo quem resolveu levar essa questão para o outro extremo. No Twitter, a hashtag #HomensRisqué não para de receber novas sugestões de nomes debochando da coleção, e entre elas, você vê opções como: “Fulano acha que lugar de mulher é na cozinha”, “Cicrano me ameaça de estupro”, entre outras no mesmo estilo.
A gente sabe que o machismo existe e ainda falta muito chão para mudarmos aos poucos velhos conceitos que cresceram com a gente. Só que isso que aconteceu na campanha de Risqué virou luta dos sexos, mulheres x homens, e realmente não vimos motivos para tanto. Estamos sendo ingênuas?
PS: Pelo menos, quem quiser rir um pouco com tweets bem humorados, pode dar uma olhada no perfil da @bicmuller. Lá dá para encontrar versões engraçadinhas brincando com o tema da coleção, tais como “Rafael não sabe a diferença entre vermelho aberto e bordô”.
3 - Boicote à Babilônia e os assuntos que precisamos falar
Semana passada tudo indicava que Babilônia seria uma novela que bateria recordes de audiência, no mesmo estilo de Avenida Brasil. Muita gente se entusiasmou com o primeiro capítulo: um casal de senhoras lésbicas, uma mulher que a cada hora está com um homem diferente, a volta de Adriana Esteves, Gloria Pires, Fernanda Montenegro, enfim, motivo para aguçar a curiosidade não faltou.
Porém, com uma semana no ar, Babilônia começou a sofrer um boicote de setores mais conservadores, e não deve ser coincidência o fato de ter perdido 1/3 da audiência até o final da primeira semana. Desde que a novela começou e as polêmicas surgiram, lemos muito comentários dizendo que ela era uma afronta à família tradicional, e isso nos assustou.
uma das imagens que circularam pela internet pedindo boicote à novela
Nada contra quem acha que família é apenas o núcleo de pai, mãe e filhos, mas para a gente, novelas vão muito além de entreter, elas também abordam assuntos da atualidade. Babilônia não é o primeiro folhetim a abordar assuntos como casais homossexuais ou famílias não tradicionais. Por que está rolando o boicote, então? Por que o incômodo? Porque no caso do casal formado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg elas já começaram juntas? Porque não precisaram mostrar elas se apaixonando de forma que o público fosse se acostumando com a ideia e simpatizando com os personagens? Porque tinha gente que não sabia que existiam gays e lésbicas na terceira idade?
A gente só espera de verdade que Gilberto Braga não desista por causa da queda de audiência. São assuntos que devem ser falados, discutidos e pensados para, quem sabe, em um futuro próximo, a tolerância vire palavra de ordem.







