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16
jul
2014

Book do dia: O réu e o rei, de Paulo Cesar de Araújo

Book do dia, Lifestyle

Esse foi um dos poucos livros que comprei sabendo exatamente do que se tratava e sabendo que as possibilidades de eu amar seriam bem grandes! Não me decepcionei, e arrisco dizer que esse título já entrou para a minha lista de melhores do ano.

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Para quem não sabe do que se trata, vou colar só uma parte da sinopse gigantesca, mas quem quiser, pode ler o resto aqui: “Objeto de verdadeira polêmica pública, a batalha em torno da proibição de “Roberto Carlos em detalhes” é o cerne de “O Réu e o Rei”. Paulo Cesar de Araújo conta a história da sua intensa relação com a música de Roberto Carlos, os dezesseis anos de pesquisa que embasaram a redação da biografia, e por fim os meandros de uma das mais comentadas e controversas guerras judiciais travadas recentemente no Brasil”

Provavelmente só uma pessoa que estava morando em um iglu no Alasca e sem acesso à internet não ficou sabendo de toda essa polêmica envolvendo o cantor. Eu, que sou fã de biografias - sejam ela autorizadas ou não - achei esse caso um absurdo na época, mas confesso que minha antipatia ficou mais concentrada na turminha de Paula Lavigne e o projeto “Procure Saber”. Achei uma tremenda incoerência que justamente as pessoas que mais sofreram com a censura na época da ditadura militar estivessem fazendo esse tipo de protesto!

Apesar de não levar nenhum jeito para a advocacia, eu adoro filmes e livros que tenham essa temática. Fiquei curiosa para saber sobre o outro lado, mas comecei a primeira página só pensando naquela frase que diz que toda história tem 3 lados, o meu, o seu e o verdadeiro. Achei que Paulo Cesar de Araujo iria se fazer de vítima, mas é claro que isso só aconteceu porque eu não conhecia o trabalho do autor e historiador.

No livro, ele expõe desde a sua relação com as músicas de Roberto Carlos, quando ele ainda era criança, passa por todas as entrevistas que ele conseguiu enquanto ainda estava na faculdade, até trechos de toda a batalha judicial que se deu até o momento. Assim como ele cita pessoas que o apoiaram, ele também dá espaço às críticas e, dessa forma, você vê que o lado historiador de Paulo Cesar é crucial para o livro. Pode até ser que exista o tal terceiro lado verdadeiro, mas a história é tão absurda em tantos aspectos, que acredito que ele não estará tão distante do que é narrado nas quase 500 páginas.

Assim que o livro foi lançado, é claro que a primeira coisa que a mídia fez foi perguntar para o advogado de Roberto Carlos, que acompanhou todo o caso desde o começo, se haveria chances do autor ser processado de novo. A resposta foi negativa e uma das justificativas foi que “ao contrário do livro anterior, não contem invasão de sua privacidade e/ou injurias ou difamações a sua pessoa“. Com certeza não tem injúrias nem difamações, mas pra mim, a imagem de Roberto Carlos saiu muito mais arranhada do que qualquer biografia que falasse das loucuras que ele aprontava na época da Jovem Guarda.

Alguém já leu??

Beijos!

Carla

26
jun
2014

Book do dia: A extraordinária viagem do faquir que ficou preso em um armário da Ikea, de Romain Puértolas

Book do dia

Eu já comprei incontáveis livros por causa da capa e estou tentando puxar na memória se algum já me chamou a atenção por causa do título. Muitos nomes já me interessaram por causa do assunto que iriam tratar (é comum eu ser chamada pelo nome do livro em biografias, por exemplo) mas, até então, nenhum me deixou intrigada. Até eu me deparar com esse título gigantesco no e-books.

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Um faquir? Em um armário da Ikea? De onde surgiu essa relação?? Onde ela vai parar? Todas essas perguntas vieram à minha cabeça e, sem eu nem perceber, meu dedo já tinha apertado no botão de comprar. Pra variar, não li a sinopse, mas quem não gosta de comprar livro sem saber do que se trata, é só ler:

A figura de um faquir está associada à meditação, ao treinamento e à magia. Mas, no caso de Ajatashatru Ahvaka Singh, é mais provável que o público se depare com truques e trapaças. A última de suas artimanhas foi convencer sua aldeia a pagar por uma viagem à França para adquirir a Camadepregösa, um modelo de cama de pregos vendida pela Ikea. Só que ele não contava em ficar preso dentro de um dos armários da loja. Nem que o móvel seria despachado para outro país. Assim, o faquir e seu turbante partem para uma aventura, ainda que involuntária, pelo mundo, fazendo uma horda de inimigos, alguns amigos e aprontando muitas confusões pelo caminho.

Pelo breve resumo do livro, acho que dá para ver que tem algo meio “Sessão da Tarde” aí, né? Pois é, o livro tem exatamente essa pegada - e eu ainda adicionaria nessa brincadeira um toque pastelão meio Mr. Bean.

O autor Romain Puértolas tem um humor bem específico e mostra que não se leva muito à sério em vários trechos. O livro tem vários comentários engraçadinhos soltos, principalmente na hora de brincar com a pronúncia dos nomes indianos. Ajatashatru vira “achata o tutu”, ou quando pronunciam seu nome e sobrenome, “acha já a tua vaca”. Eu não sou uma pessoa difícil de dar risada e acabei rindo em muitas partes.

Mesmo assim, achei o livro bem bobo e um pouco decepcionante (odeio admitir isso, ainda mais com um título tão legal! hehe). Sabe quando você acha que poderia ir além, mas ficou superficial? Foi isso que eu senti! Poderia ter um toque de “Aventuras de Pi”, mas o autor resolveu continuar no Mr. Bean.

Quem tem risada fácil ou quer ler algo leve (muuuuuuuuito leve), deve gostar!!

Ah, e só digo mais uma coisa: se, por ventura, esse livro se transformar em filme, com certeza eu não verei. rs

Alguém já leu?

Beijos!

Carla

 

13
jun
2014

Book do dia: Só Garotos, de Patti Smith

Book do dia, Lifestyle

Ganhei esse livro em 2011 e, não tenho ideia do motivo, ele foi para a prateleira e ficou lá, intocado. Semana passada, estava dando uma arrumada no meu escritório e tirando a poeira acumulada dos livros e me deparei com ele. Como tinha acabado de ler Divergente e não tinha comprado nenhum dos livros que está na minha lista de dicas de títulos que vocês têm me dado, resolvi começar.

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A sinopse, para quem quiser saber mais sobre a história: Crescida numa família modesta de Nova Jersey, Patti Smith trabalhou em uma fábrica e entregou seu primeiro filho para adoção, antes de se mandar para Nova York, com vinte anos, um livro de Rimbaud na mala e nada no bolso. Era o final dos anos 1960, e Patti teve de se virar como pôde - morou nas ruas de Manhattan, dividiu comida com um mendigo, trabalhou e dormiu em livrarias e até roubou os colegas de trabalho, enquanto conhecia boa parte dos aspirantes a artistas que partilhavam a atmosfera contestadora do ‘verão do amor’. Foi então que conheceu o rapaz de cachos bastos que seria sua primeira grande paixão - o futuro fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem Patti prometeu escrever este livro, antes que ele morresse de aids, em 1989. ‘Só Garotos’ é uma autobiografia nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato confessional da contracultura americana dos anos 1970. Muitas vezes sem dinheiro e sem emprego, mas com disposição e talento, os dois viveram intensamente períodos de grandes transformações e revelações - até mesmo quando Robert assume ser gay ou quando suas imagens ousadas e polêmicas começam a ser reconhecidas e aclamadas pelo mundo da arte.

Não sei se eu já disse isso por aqui, mas eu adoro biografias. E fazia um certo tempo que eu não lia uma. Talvez esse tenha sido o motivo de ter terminado o livro tão rápido, apesar de eu suspeitar que o motivo principal é que o livro é muito, muito bom!

Na verdade, ele é uma biografia de Patti, mas bem focada na relação que ela teve com o artista e fotógrafo Robert Mapplethorne. E, apesar de não ser bem uma história de amor, é uma história de carinho, compreensão, amizade acima de tudo.

É impossível não ficar encantada com o período histórico que ela viveu e as pessoas que fizeram parte da vida dela. Jimi Hendrix, Janis Joplin, Lou Reed e muitos outros monstros da música e das artes frequentavam os mesmos lugares e faziam parte do mesmo grupo de amigos. Em segundo lugar, a descrição que ela vai fazendo da Nova York dos anos 70 é tão bem detalhada que é quase impossível não entrar nesse mundo e ficar com vontade de se teletransportar para lá.

Achei bem curioso como ela consegue escrever de forma tão romântica, mas tão verdadeira, sem ilusões e sem fazer do passado um momento onde tudo era fácil. É uma leitura gostosa, deliciosa na verdade, e nada cansativa.

Quem curte esse estilo de livro, com certeza vai amar! Alguém já leu Só Garotos?

Beijos!

Carla

 

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