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3
mai
2016

Relacionamento: e se você soubesse que é a última vez?

Lifestyle, Reflexões, Relacionamento

Quando o assunto é amor, paixão ou tesão sempre me pergunto se as pessoas sabem quando vai acontecer o último suspiro de cumplicidade. Se tem algo que aprendi no último ano - para não dizer em toda a minha vida - é que por mais racionais que nós sejamos, a gente nunca sabe quando vai ser a última vez que vamos expressar fisicamente o que sentimos por alguém, principalmente de forma natural e espontânea.

As vezes a gente até sabe que está em crise, que tem um problema para resolver, mas ninguém nunca vai te dizer que aquele vai ser seu último abraço. A verdade é que provavelmente faríamos tudo diferente se soubéssemos que aquela é a última chance de manifestar algo bom que sentimos pela outra pessoa.

Me dei conta disso outro dia. Por mais que eu tenha certeza que não gostaria de mudar nenhum status de “fim” no meu currículo, talvez tivesse gostado de ter apreciado com carinho os últimos momentos das minhas relações mais importantes.

Minha última carta de amor foi sem saber que ela seria a última, todo último beijo que eu dei foi sem saber o que estava por vir. O último abraço, a última tarde de domingo junto, o último sexo ou mesmo a última vez que usei emojis de coração. Se eu soubesse que esse era o último pedaço do bolo teria dado mais valor, por mais que eu nunca mais quisesse repetir aquele sabor de recheio.

Acho que esse texto vai destoar da mensagem de desapego que venho trazendo aqui no blog, mas a verdade é todo mundo pode ficar meio nostálgico de vez em quando. Acho que nem precisamos estar sentindo saudade de ninguém pra que isso aconteça, as vezes só queria ter uma “última memória” mais especial, ou então menos ordinária de algo ou alguém.

Sempre que me despeço de uma viagem o faço de todo o coração, porque sei que é o fim de um tempo. Mesmo que eu volte, provavelmente não serei quem sou agora, o que me leva a um fim consciente. Com pessoas é mais difícil fazer isso.

Ontem, ao arrancar as páginas usadas de um caderno, dei de cara com o rascunho da última carta de despedida que escrevi, pior é que nem entreguei pois preferi resumir os tópicos em uma conversa. Me dei conta que no encontro anterior àquelas palavras de fim eu não tinha certeza do que estava por vir. Será que eu teria chegado mais cedo na casa dele? Será que teria aproveitado melhor o café da manhã que ele fez? Teria dado mais um abraço apertado? Teria guardado uma memória mais gostosa? Nunca vou saber.

Na minha vida sempre comi deixando o melhor pedaço para o final, mas na minha vida amorosa nunca foi assim. Não me arrependo de ter pulado fora das minhas histórias, muito menos me incomodo com as vezes que levei algum tipo de pé na bunda. Acho que todo fim aconteceu na hora certa, em todos os casos, nas mais diversas situações, mas queria ter a sensação de que me despedi à altura das pessoas mais importantes que cruzaram meu caminho.

Em 2008 tive uma grande paixão (dessas bem doidas, que não fazem o menor sentido). Ele me roubou um beijo em um dia aleatório durante um tempo que passei na Espanha. Lembro de tudo que passamos juntos, mas esqueci do maldito último beijo. Eu jurava que o tal último beijo havia acontecido em um outro dia, em outra ocasião. Lendo meu diário de viagem vi que o tal beijo foi roubado e eu nem me lembrava dele. Sem contexto, sem história, sem romance, sem música de fundo, sem nada que fizesse aquele episódio ser marcante de alguma forma. Queria que tivesse sido mágico, à altura de tudo que a gente havia vivido antes, mas não.

Não foi diferente com a minha maior história de amor. Não podia imaginar que aquele dia, um domingo como outro qualquer, ia ser nosso último momento como um casal. Se eu pudesse prever que depois dali nada mais faria mais sentido, acho que teria tirado a mala do carro com mais calma, teria dado um abraço mais longo e o beijo de despedida teria sido mais cinematográfico. A verdade é que foi o contrário disso, foi rápido, rotineiro e comum. Me despedi como quem ia viajar por 5 dias e já faz quase um ano. Quem diria que nosso último beijo seria correndo na porta de entrada do aeroporto do Galeão?

Quando me pego pensando sobre isso me vem a cabeça uma dúvida: se você soubesse que era o fim teria sido melhor? Ou pior? Será que não ficaria automaticamente mais difícil pular fora de uma relação com boas memórias recentes? Será que aquele clima de fim de festa, cheio de defeitos e bagunças não é uma alavanca para sairmos mais rápido do luto? Taí uma série de perguntas que nunca serão respondidas.

Acho que na verdade é melhor não sabermos que é o fim, por mais que isso implique em não guardar grandes momentos do final. Talvez tenha uma razão de ordem prática para a gente não saber quando será o nosso último suspiro. Deve ser a mesma razão que nos impede de saber que aquele é o último momento gostoso que antecede o triste fim de uma relação, seja ela qual for.

A lição que eu tirei disso foi passar a escolher manifestar todo carinho pelos que amo aqui e agora, afinal não sei o dia de amanhã. Não importa se aquela história vai durar 10 dias, um mês ou uma vida inteira. Vejo que tenho uma nova oportunidade de viver o presente de forma tão inteira, que não vai fazer diferença se foi a última ou a primeira vez. Daqui pra frente espero que seja assim.

A meu ver, agora só existe o hoje. Então espero que todo encontro e desencontro seja bom como se fosse o último. Ainda que seja o primeiro de todo o resto da minha vida.

Beijos

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12
abr
2016

Crônicas da Jô: a moral da história…

crônicas, Lifestyle, Reflexões, Relacionamento

Minha cara,

Você anda se perguntando o quê aprendeu nessa confusão toda,não é mesmo? Eu acredito ter a resposta que você procura. Estou meio chateada contigo, não sei nem se deveria jogar tão limpo, mas agora vou agir em benefício próprio e mostrar a verdade que você tanto reluta em enxergar.

Por mais que você odeie admitir, você ainda entende pouco sobre mim. Julgou que bastava me conquistar uma vez e eu estaria sempre ali, alta, linda e feliz te apoiando. Ledo engano esse seu. Caso você não saiba, toda relação precisa ser alimentada constantemente, e comigo não seria diferente.

Foi isso que você aprendeu nessa história tão sem propósito, tão dolorosa e sem grandes lições. Parou de vigiar a si mesma, perdeu o controle de si própria e eu escorreguei pelos seus dedos.

Você me tomou por garantida. Achou que precisava me compreender uma vez, me jogou nas alturas e quando menos percebeu, se descuidou e também descuidou de mim. Ao descuidar de mim, você terceirizou a responsabilidade de me manter no lugar, de ser tão boa pra mim quanto posso ser pra você. Quando eu percebi seu erro já era tarde, ele já estava me fazendo mal e você não notava. Pelo menos não no início.

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Agora eu voltei para o lugar, você levantou a bandeira branca e eu estou aqui, sendo uma ferramenta positiva na sua vida novamente. Espero que você tenha aprendido sua lição. Não tem homem, chefe, amiga ou familiar que possa me validar ou me prejudicar se você não deixar. Eu não ligo que você me use, mas o faça a seu favor.

Eu não sou algo que demanda um selo de “maravilhosa” uma vez na vida e pronto. Eu posso chegar nas alturas, mas ao chegar nesse ponto é preciso fazer uma manutenção, me alimentar todos os dias. E como fazer isso? Não é díficil. Além de se amar, se achar bonita e vibrar aquilo que você quer emanar para o mundo, também é preciso se respeitar e se compreender.

Do momento que você permite que outra pessoa me abale, se prepare, a partir dai você perdeu a batalha. Ficou clara a sua lição? Essa história só aconteceu para você entender que quando você dá o poder de me destruir para outra pessoa, quem morre por dentro é você.

Alguém que me jogue pra baixo não pode permanecer na sua vida, em nenhum aspecto.

Você entendeu? Eu espero que sim pois não quero passar por isso de novo.

Obrigada

Sua Autoestima

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava
Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

 

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7
abr
2016

Relacionamento: e quando a gente se contenta com pouco e nem percebe…

Lifestyle, Reflexões, Relacionamento

Faz algum tempo que não faço um post de relacionamento. Daqueles que vinham rolando com uma certa frequência, vocês lembram de alguns? Teve o de pular fora, apostar alto, racionalizar demais, medo de se envolver ou deixar os joguinhos de lado. Em meio às minhas crônicas, entre histórias reais e parcialmente inventadas, precisei de um tempo para pensar. Meu coração estava tão aprisionado em sentimentos que mudavam todos os dias que eu não conseguia traçar uma linha de raciocínio lógico para expor algo útil para vocês.

Usei cada dia desses sentimentos estranhos para escrever crônicas bem viscerais, que faziam sentido por um dia ou uma hora, tinham começo, meio e fim. No entanto, não é por estar levando essas histórias a sério que nós vamos parar de refletir sobre alguns fatos da vida a dois por aqui. Sei que alguns desses textos ajudam várias meninas e, por isso, pego fôlego para continuar conversando abertamente sobre tudo.

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Em meio a tudo que vivi nos últimos meses, me dei conta de que as vezes a gente se contenta com pouco, floreia atitudes básicas e romantiza esse pouco para se convencer de que é bom. E nessa história, concluí algo que pode parecer óbvio, mas nem sempre é: Se você está tentando se convencer que algo é bom, provavelmente não é.

Parece que os caras legais estão em extinção e por isso a gente acaba tratando como normais coisas que na verdade são menos do que gostaríamos (de receber e de dar). Só que isso não é verdade, é apenas uma crença construída em cima de alguns estereótipos que se mostram mais disponíveis.

Não estou aqui dizendo que todos os homens do mundo precisam pagar contas ou abrir a porta do carro. Longe de mim querer endossar padrões de comportamento, acho que cada um deve ser como é desde que no final o balanço da relação seja positivo. No entanto, são poucas as amigas que me contam de parceiros fofos, que elogiam, cuidam de forma carinhosa do relacionamento e as jogam pra cima (infelizmente muitas vezes essa recíproca também é verdadeira, precisamos fazer bem ao outro).

Somar, acrescentar e jogar para cima são atribuições fundamentais de ambas as partes, mas isso só é bom quando é natural. Um elogio genuíno planta amor no mundo. Um elogio falso, quando mal disfarçado ou pelos motivos errados, pode desencadear uma rede de inseguranças.

Algo está bem errado quando a gente começa a baixar nossos padrões para “se convencer” de que aquela relação está somando. Não é fácil e é preciso ter um termômetro muito bom para notar, seja uma autocrítica lúcida, uma melhor amiga sensível ou uma terapeuta sagaz, alguém para levantar o sinal amarelo.

Relações precisam ser em sua maioria leves, precisam conter desejo, demonstrações de afeto (ainda que entre 4 paredes) e PRECISAM colocar a pessoa para cima. Você pode validar a autoestima do outro e permitir que ele faça o mesmo pela sua. Mal não vai fazer!

Quando paramos para analisar que tantas mulheres se contentam e agradecem por tão pouco (eventualmente já me inclui aqui), precisamos falar sobre isso. Quem não tem uma amiga linda, legal e inteligente que o namorado faz com que ela se sinta péssima?

Pode ser difícil sair dessas relações que tendem a serem abusivas, mas ao fazer isso e se permitir reconstruir é incrível ver que as novas pessoas aparecem e com elas você nota que a situação é tão melhor do que parecia. O mundo não é apenas feito de homens que adoram joguinhos, de caras que vêm cheios de traumas ou de gente que tem medo de se envolver.

Quando você vibra algo bom, está em paz com você mesma, a vida pode surpreender! (sim, esse é meu mantra) Em alguns momentos só precisamos de novas referências para entender que o que tínhamos não estava à altura do que desejamos, que estávamos achando lindo receber pouco.

Quando me contentei com pouco só atraí pouco, cada vez menos (ainda que não fosse por mal, cada um tem suas limitações). Quando julguei querer mais, tive mais palavras carinhosas, mais demonstrações de afeto, mais sorrisos, mais elogios (de todas as naturezas, físicas e intelectuais) e outros sentimentos tão maravilhosos que eu nem sei nomear. Só sei dizer que é gostoso!

Então por que eu estava ali, lutando tanto por uma relação que me dava tão pouco? Talvez para dar valor ao que a vida tem me mostrado, talvez para compartilhar tudo isso com vocês e quem sabe ser o sinal amarelo na vida das minhas amigas. Quem não quer ver alguém que a gente ama se sentindo linda, inteligente, capaz, incrível e desejada não é mesmo?

Vocês lembram quando eu escrevi aquele texto: sexo, quando menos não é mais? Na hora não realizei que na verdade essa máxima valia para tudo. Afeto, carinho, beijos, abraços, atenção e na manutenção da autoestima de ambas as partes. Ele tem que te jogar para cima, você tem que fazer o mesmo. Podemos repetir isso 10 vezes se necessário.

Mais um furação passou, ainda bem que esse foi mais curto e no fim pude perceber: não me basta viver pela metade, não me faz bem estar com alguém que não faz bem. Eu quero mais, posso entregar mais e receber mais. Eu me permito isso, desejo isso e assim, quando a ficha terminou de cair, comecei a atrair isso.

Existem tantas pessoas legais lá fora, a gente só precisa olhar com cuidado para separar o joio do trigo. ;)

Se as marcas de maquiagem investem milhões em campanhas para você acreditar na sua beleza, no seu valor e na sua autoestima, por que o cara que está com você não pode fazer o mesmo? Por que você não pode demonstrar o quanto ele também é desejado, admirado ou bonito?

Elogiar ou se declarar é uma forma de manifestação de amor. Abraçar é confortar e pertencer. Beijar é deixar de ser dois e passar a ser um por alguns segundos. E tudo isso é muito mais gostoso quando o somatório da relação é positivo!

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Dizem que a felicidade é melhor quando compartilhada. Gosto de ser feliz sozinha, mas também amo estar aberta para o novo e ser feliz a cada encontro especial que vou tendo pela vida. Quando esses me fazem me sentir mais linda, inteligente, especial, gostosa ou espontânea, fico mais feliz ainda. Pois é o outro enxergando em mim aquilo que eu escolho manifestar, quem não gosta disso que atire a primeira pedra. Não preciso disso para acreditar no meu valor, mas acho bom quando o outro também nota!

Quando a gente se contenta com menos do que merece em pouco tempo passamos a ver a vida com véus de ilusão, passamos a autodestruir nossa autoestima e construimos assim um castelo de areia de falsa felicidade. Quando o vento bate, o castelo desmorona e quanto mais tempo passa, mais difícil fica.

Eu não quero isso pra mim, consequentemente não vou querer pra você. Claro que muitas vezes a gente erra, não reconhece, não somos fáceis e coisas do tipo, pra isso é legal propor uma reflexão para os dois lados.

Beijos

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