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Relacionamento

3 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Relacionamento no dia 04.03.2020

Carta aberta para a mulher dentro de mim que viveu 2 anos de relacionamento abusivo

Resolvi colocar no papel (ou melhor, na tela) mais detalhes sobre tudo o que vivi no meu primeiro namoro. Foi meu primeiro amor, mesmo sendo extremamente abusivo. E durou dos meus 16 até os 18 anos. Então, para quem está passando por isso ou passou recentemente, deixo aqui meu alerta de gatilho.

Nos conhecemos porque eu estudava com a irmã mais nova dele. Certa vez, ela pegou tuberculose e alguém tinha que levar as lições e trabalhos no período que ela estivesse afastada, para que não repetisse de ano. A maioria das pessoas do colégio tinha medo de ir até lá e pegar a doença. Nunca tive medo dessas coisas e me dispus a ir.

Uma noite saí de lá um pouco tarde, e o irmão dela se ofereceu a me deixar em casa. Já estávamos paquerando e nessa noite ele me beijou. Nunca vou esquecer a sensação ao beijá-lo. Já tinha ficado com muitos caras, mas a atração física por ele era algo muito maior do que tinha experimentado até então. 

Duas semanas depois do primeiro beijo, perguntei se poderíamos ficar com outras pessoas e ele disse que estávamos namorando.

Informações sobre mim antes de nos conhecermos. Tinha um corpo padrão, zero problema de imagem e sempre fui muito comunicativa. Dei meu primeiro beijo aos 14 anos e depois disso sai ficando com quem queria. Aos quinze fiquei com um cara e fiz sexo oral nele, com outro e este fez sexo oral em mim, mas não passei disso.

Por quê eu dei essas informações? Porque o pesadelo começou a partir do momento que achava que poderia contar tudo para o namorado e isso não seria usado contra mim. 

Menos de um mês depois do início do namoro, cheguei na casa dele e o mesmo me disse que o cara que eu dei o primeiro beijo foi até a casa dele dizer que tirou minha virgindade. Só que, segundo ele, não acreditou e disse ser mentira, porque foi ele quem tinha tirado minha virgindade, mas nessa ocasião ainda não tinha acontecido. Fiquei muito, mas muito brava com esse cara que inventou esse absurdo (eu faria 17 anos no mês seguinte a esse episódio) pois para mim a virgindade era algo muito, muito importante. Como a grande maioria das mulheres da minha época, fui ensinada assim. Nunca falei com esse cara à respeito. Só muitos anos depois que comecei a questionar se isso não foi intriga do namorado, que estava jogando o famoso verde pra colher maduro. Mas era cega demais por ele para enxergar algo na época.

Um dia o namorado foi comigo visitar o túmulo do meu pai (que faleceu quando eu tinha 13 anos). Pediu para ficar sozinho uns minutos e, em seguida, falou que prometeu pra o meu pai que iria cuidar de mim.

Isso mexeu comigo de uma forma muito mais profunda do que imaginei.

O namorado nunca conviveu com minhas amigas. Nunca deixei de vê-las, mas perdi algumas festinhas e comemorações por causa do fato delas não gostarem dele, e vice-versa. 

Tínhamos 8 meses de namoro quando eu fui visitar o cara do sexo oral (que era meu amigo) junto com minha melhor amiga. Contei pra o namorado, que reagiu dizendo que tinha morrido a confiança que tinha em mim.

E que eu tinha que provar que merecia continuar o namoro.

ilustra: Joana Heck

Mandou que eu chamasse o cara em casa e, quando abrisse o portão, desse um tapa na cara dele. Inclusive, fui instruída a dar o tapa em um ponto X do portão da minha casa que o meu vizinho, amigo do meu namorado, pudesse ver. Eu liguei, e como o cara notou a minha agonia no telefone, veio correndo na sua hora do almoço. Quando expliquei chorando o que tinha que fazer, o meu amigo falou que eu poderia bater nele. Avisou que ele não me odiaria, nem pararia de falar comigo por conta disso, mas que o pedido em si era cruel e grosseiro. Pediu para eu analisar essa relação. Claro que só chorava e não bati nele.

Quando contei que não consegui para o namorado, ele já sabia. O vizinho já tinha contado. Eu fui torturada psicologicamente por muito tempo por conta disso. Eu tinha medo de falar com homens na rua e ele ficar sabendo.

Depois de um ano e um mês de namoro, teve minha formatura. Fui com ele escolher o vestido. Me convenci que era o que eu queria, mas nem me reconheço nele. Eu sempre amei exibir meu corpo e o vestido era todo fechado, só tinha uma fenda e transparência (dependendo da luz). Antes disso, no meu aniversário, ganhei dele uma camiseta e uma calça de tecido fino. Amei, mas hoje olho para trás e vejo o quanto ele escondia meu corpo sem que eu notasse.

Eis que com 1 ano e 2 meses de namoro, perdi a virgindade com ele. E o inferno tomou uma proporção abissal. 

O sexo com ele era incrível. Inclusive não senti dor quando perdi a virgindade e sempre sentia muito prazer. Brigávamos todos os dias e transávamos sem conversar. Quando não brigávamos, achava estranho. Sentia até aflição, como se o normal de uma relação fosse brigar todos os dias. 

Durante o sexo, ele sempre deixava um chupão em algum lugar (e eu acabava deixando nele também). Na época não percebia o quanto isso era uma falta de respeito e uma forma dele marcar território no meu corpo.

Sete dias depois que perdi a virgindade, tivemos uma briga feia. Ele terminou comigo no dia, mas chegou na minha casa na tarde seguinte e me mandou entrar no carro (que cheirava à motel e tinha aqueles kits de sabonetes a mostra para que eu visse). Confessou que me traiu com a uma mulher do trabalho, para que não voltássemos mais. 

Ele sempre colocava a culpa em mim, inclusive da traição. 

Só que eu acreditei que tinha sido culpa do quão magoado ele estava comigo. Escrevendo isso que percebi: o esquema da traição já devia rolar muito antes de transarmos – e deve ter rolado muito tempo depois. Só sei que isso me destruiu profundamente. Uma traição declarada depois de 7 dias que transamos pela primeira vez.

Tudo só foi piorando. E a agressão saiu do psicológico para o físico. Ele pedia para contar como foi o sexo oral com o cara. Como recebi sexo oral do outro. E terminava a conversa me batendo com murros, chutes na costela e dizia que só fazia isso porque eu tinha errado.Ele deixava poucos hematomas porque sabia o que fazer para que não ficassem evidentes. 

Teve um dia que ele me jogou do carro no meio da rua, em frente a casa de uma colega de colégio. Ela contou para as minhas amigas, que na época não se conformavam por eu aceitar aquilo. 

Quando cai no meio da rua – o que poderia ter terminado em tragédia – corri feito louca atrás do carro, chorando, implorando para que ele voltasse. 

Aliás, me humilhar e implorar para ele não terminar comigo depois de ser agredida psicológica e/ou fisicamente era algo que eu fazia o TEMPO TODO.

Até porque, segundo ele, se terminássemos nunca mais arrumaria ninguém. Afinal, não era mais virgem. 

Eu e minhas amigas éramos todas muito novas e sem experiência alguma. Só fomos conversar a respeito depois que fui pedir ajuda para que elas me ajudassem a não reatar o namoro. Há 23 anos, nem se falava em relacionamento abusivo na época.

Um dia, o namorado de uma colega de colégio contou para as minhas amigas que ele me traia muito onde estudava. Lógico que não acreditei, e ainda fiquei com ainda mais raiva desse cara.

Um dia ele foi me buscar dizendo que me levaria para o trabalho. Assim que virei a esquina de casa, pediu para que eu tirasse os óculos e me deu um murro no meio da rua. O motivo? Tinha passado a noite bebendo com uns caras do bairro e um deles contou que sempre dei em cima dele, mesmo sendo casado. 

Detalhe: esse cara casado era meu amigo de colégio e sempre brincava que se não fosse casado, poderíamos namorar. E eu nunca nem cheguei a cogitar isso.

Essa tortura física durou 10 meses. Somente no ano passado reconheci que a tortura psicológica começou MUITO antes disso, antes até de completarmos 1 mês de namoro.

Minha irmã um dia vendo o quanto eu sofria com aquela relação que todos percebiam que me fazia muito mais mal que bem, disse: Não é porque você perdeu a virgindade com ele, que vocês têm que ficar juntos para sempre. 

Pouco tempo depois dessa conversa, fui terminar. Ele deu uma gargalhada, sem acreditar que eu finalmente tomaria essa atitude. Mas tomei. E sofri durante muitos anos. Sofri quando ele começou a namorar, 3 meses depois. Sofri quando noivou. Sofri depois, quando se casou. Chego a sentir a dor que essas notícias me causaram enquanto escrevo, mas bem menos.

O objetivo desse texto é desabafar coisas que até agora não tinha falado para ninguém. Talvez por medo de encarar o que sinto quando mexo nisso. Mas hoje é menos difícil porque, com a terapia, aprendi a me perdoar por ter permitido todo esse terror.

Nove anos depois do término, ele me pediu perdão e posso garantir que não me ajudou em nada. Somente no ano passado comecei o real processo de cura, porque até 2019, sonhar com a gente se encontrando e como se ainda o amasse do fundo da alma era algo comum e perturbador. 

A terapia está me salvando e ajudando a transformar feridas em cicatrizes.

Se você leu até aqui faço uns pedidos:

  • Se está vivendo algo parecido, não sofra sozinha. Não se culpe e peça ajuda para sair dessa relação. Não espere essa pessoa melhorar, porque isso não vai acontecer. 
  • por favor, encontre uma terapeuta para falar a respeito. Se não fosse a Gi (minha terapeuta maravilhosa) não estaria nem perto de revisitar essa história sem me acabar de chorar.
0 em Autoestima/ Destaque/ Relacionamento no dia 28.01.2020

“Não consigo encontrar alguém legal”

Você provavelmente já ouviu alguma amiga sua falar isso. Ou você mesmo não aguenta mais falar essa frase. Tem até uma ótima frase que diz: “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes.” Claro que essa não é a definição de insanidade. Mas definitivamente aprender com nossos padrões deveria nos levar a essa reflexão lógica.

E isso vale pra tudo, incluindo relacionamento.

Inúmeras vezes vi mulheres reclamando de não acharem alguém legal. Ou de só arrumarem homens que têm um determinado tipo de comportamento.

Geralmente acabo encontrando rápido a origem desse problema. É só abrir o app de relacionamentos que elas usam ou de ver as conversas e é fácil de entender por quê nada muda. Muitas insistem em mais do mesmo. Procuram pela mesma lista de atributos de antes. Buscam o mesmo tipo de cara, com o mesmo padrão de comportamento, os mesmos valores.

Muda o nome, mas não muda a história. E o alguém legal nunca aparece.

Talvez pra encontrar uma relação de parceria justa e equilibrada, com troca, vontade, cumplicidade e amor, a gente precise transcender de vez os itens da lista dos filmes. Ao invés de super valorizar a aparência, o trabalho, o círculo de amigos, o sobrenome, a conta bancária ou o padrão de vida, podemos procurar CONEXÃO.

Estilos de vida que combinam. Gostos parecidos, química, troca e coisas em comum que vão além do óbvio. E que no longo prazo fazem muito mais sentido.

Coerência na atitude alinhada ao discurso ajudam mais na busca da pessoa amada do que anotar o telefone da vidente que está colado no poste.

A verdade é que conexão pode vir com os mais variados perfis de pessoas, mas se você só sai com os mesmos, tende a não ter outras referências.

Repensem o que estão procurando, ou o que vocês precisam na parceria. Abram mão da listinha de aparência que nos ensinaram. Busque o há de mais especial pra ser o elo das suas relações. Tente, e se não der certo, tudo bem!

Você pode tentar de novo, ficar sozinha um tempo, ou fazer o que quiser! Só não aceite pouco em nome de um status de compromisso. Ou o mesmo.

2 em Comportamento/ Destaque/ Relacionamento no dia 07.01.2020

Em Frozen II, preste atenção em Kristoff

Frozen II estreou semana passada aqui no Brasil e provavelmente você já deve estar vendo trailers, posts e comentários sobre o filme em tudo quanto é lugar.

Eu vi pela primeira vez em novembro, quando estreou nos Estados Unidos. E vi também há alguns dias, aqui no Brasil. E a cada vez que eu vejo o filme, mais eu gosto. Gosto das pautas que o filme traz, gosto das discussões que ele pode trazer de acordo com a profundidade de quem assistiu. Amo reparar nos detalhes, como por exemplo a evolução capilar da Elsa, que vai ficando cada vez mais solto a medida que ela vai se sentindo mais à vontade consigo mesma. E amo saber de histórias dos bastidores, como a quantidade de tempo que foi gasto para fazer o cavalo que Elsa encontra no filme.

A forma que o cabelo de Elsa vai se soltando de acordo com o grau de confiança que ela vai ganhando nela mesma é muito incrível de se ver.

Isso tudo em um filme de criança? Pois é. Mas falando em evolução de personagens, hoje queria falar sobre o Kristoff.

Pensei em fazer esse post sobre ele depois de ter visto parte de uma entrevista que a Kristen Bell (que dá voz à Anna no filme) deu para um programa de TV. Ela explica que a parte do filme que mais a deixou orgulhosa foi justamente o arco do Kristoff. Pode parecer que tem, mas não tem spoilers aqui! ;)

“A coisa que eu tenho mais orgulho é a forma que eles representaram o Kristoff… “Lost in the Woods” é sobre seus sentimentos por Anna. E meninos não veem sempre essa representação de outros meninos tendo sentimentos profundos.

Ele também tem 2 falas que eu amo. Ele olha para ela e a primeira coisa que fala é: “to aqui, o que vc precisa?”. Ele não fala “Saia, eu tenho o controle da situação”. Eu levantei da cadeira a primeira vez que vi isso. Você tem noção do quanto isso é profundo?

E no fim, Anna se desculpa por algo e ele responde: “tá tudo bem. Meu amor não é frágil”. Não é incrível?”

Se em Frozen, ele era o coadjuvante com boas tiradas e uma personalidade calma e cativante, em Frozen II ele continua sendo isso tudo mas com um twist. Nesse filme, ele mostra uma faceta de masculinidade saudável dentro de um relacionamento que é difícil de vermos representada em filmes, ainda mais os de princesa.

Não é à toa que ele ganhou uma cena onde canta uma música super romântica, extravasando seu amor por Anna. Sabe, aquelas músicas que a gente suspirava quando ouvia boy bands cantarem na nossa adolescência? Pois bem, no caso, Kristoff não está cantando letras românticas da boca para fora, mas ele sustenta cada palavra que está sendo cantada.

Uma das coisas que mais amei ver foi a relação de companheirismo dos dois como um casal. Ele sendo a pessoa que estende a mão e pergunta o que a companheira precisa, ao invés de tentar fazer por ela. Ela como sendo uma pessoa que não quer mudar o outro para se adequar.

É tudo sobre parceira e individualidade, e confesso que queria ter crescido com cenas como essa.

Concordo com a Kristen Bell no quesito profundidade desse ato e quanto à importância de apresentar personagens com esses comportamentos para uma plateia de crianças que ainda estão criando suas próprias referências. é muito bacana ver que a masculinidade tóxica (que afeta, inclusive, os próprios homens) é algo que está sendo desconstruído cada vez mais. Todo mundo só tem a ganhar.

A gente já sabe que Frozen nunca foi sobre príncipes encantados. Ele não se encaixa nesse time, e acho que Anna nem deixaria. rs Mas parando para pensar sobre o histórico de príncipes encantados em contos de fadas e histórias infantis, eu quero mais é que eles deixem de existir de uma vez por todas. Por mais histórias com Kristoffs, por favor.