Quando estava grávida ganhei o livro A Encantadora de Bebês Resolve Todos os Seus Problemas de uma amiga. Segundo ela, que também era mãe de primeira viagem, o livro ajudou muito em vários aspectos e e ela tinha certeza que ia me ajudar também.
A sinopse parece a solução de todo e qualquer problema relativo à maternidade: O livro ‘Encantadora de Bebês Resolve Todos os seus Problemas’ de Tracy Hogg, ensina como os pais devem agir com os seus filhos, desde as primeiras semanas de vida até os primeiros anos da infância. Apresenta técnicas que, além de facilitar o dia-a-dia dos pais de primeira viagem, acalmam os bebês e esclarecem dúvidas sobre a criação de crianças pequenas. Depois de lidar com mais de 5 mil crianças, neste livro Tracy ensina, de forma bem-humorada, a administrar ataques de cólicas, saber se a criança comeu o suficiente, por que o bebê não dorme direito, entre outras questões que afligem os pais. Além disso, ajuda a elaborar métodos para fazer com que os pequenos adquiram padrões regulares de sono, comecem a treinar o uso do vaso sanitário e evitem más-criações.
Em momento nenhum da gravidez eu tive vontade de comprar livros desse estilo porque sempre tive a impressão que eles mais atrapalham do que ajudam. Acho que o formato costuma ser muito engessado e não acho que lidar com crianças e recém nascidos é o tipo de assunto que dá para se ensinar em um livro, já que é algo muito mais instintivo do que didático. Falei sobre isso assim que ela me deu, mas mesmo assim ela disse que o livro tinha dicas preciosas e que valia a pena ser lido.
Mesmo com um grandissíssimo pé atrás, enquanto o Arthur não chegava eu devorei toda a parte das primeiras semanas da criança. De fato, Tracy Hogg vai “ensinando” e dando dicas sobre os mais diferentes tipos de bebês (ela divide em categorias: o Bebê Anjo, Sensível, Irritável, Livro-texto e o Enérgico) baseado em casos que ela já cuidou ou dúvidas que ela recebeu. Além disso, ela tem algumas dicas e macetes, como a tal rotina EASY (eat/comer, activity/atividade, sleep/dormir, you/tempo para a mãe). E ela também tem um argumento que muito me encantou: o bebê tem que se adaptar à vida dos pais, não ao contrário.
Na teoria tudo parece lindo e mesmo descrente, me peguei lendo tudo como se fosse uma espécie de manual que salvaria minha vida e me faria saber lidar com meu bebê da melhor maneira possível. Até o Arthur chegar e eu perceber que nem tudo que ela diz que funcionou com todos os bebês que já passaram na mão dela vai funcionar com o meu também. Daí pra frente foi uma sequência de frustrações que só me deixou mais nervosa justamente no primeiro mês, aquele mesmo que eu falei que vivi momentos de pânico puro.
Para começar, eu tentei seguir desde o início a tal rotina EASY. Eu acredito em rotina e acho que ter horários definidos é ótimo para a criança. O problema é que seguir o EASY ao pé da letra (ela inclusive faz uma tabela para você completar e pede para você continuar em um caderninho) foi uma tarefa impossível aqui em casa. Desde que o Arthur chegou em casa, os únicos horários definidos eram os das mamadas, religiosamente de 3 em 3 horas. Por uns dias eu fiquei meio paranoica quando ele dormia na hora que supostamente deveria de estar na parte de atividades, ou então quando ele ficava muito mais acordado do que os horários que ela definiu na planilha. O primeiro mês foi tão intenso que eu chegava a achar - e me desesperar - que se o Arthur não seguisse a rotina desde aquele primeiro momento, ele nunca mais teria uma rotina e tudo ficaria uma bagunça.
Outra frustração grande que eu me lembro foi o método para fazer dormir, que consistia em carinho nas costas fazendo “shhhh” perto dos ouvidos. Segundo ela, esse método acalmaria a criança. Pois bem, fui fazer isso em um dia que o Arthur estava muito inquieto e adivinhem o que aconteceu? Ele, que chora pouco, abriu o berreiro e ficou muito mais agitado! Aliás, até hoje ele reage muito mal quando fazemos “shhh”. hahaha Em compensação (para não dizer que o livro não me serviu de nada), a técnica de enrolar no charutinho que eu aprendi lendo o livro caiu como uma luva!
Depois de um tempo me frustrando, eu caí na real e me lembrei que eu sempre tinha achado que esse tipo de livro mais atrapalhava do que ajudava, e era isso que estava acontecendo comigo. Resolvi largar o livro de lado e tentar seguir meus instintos. Confesso que estou sendo muito mais feliz, e sabem o que é melhor? O Arthur está se adaptando à nossa vida do mesmo jeito!
Perguntei no snapchat (carlaparedesp) se tinha gente que curtiu o livro e recebi algumas respostas interessantes. A maioria se frustrou tanto quanto eu, mas algumas aproveitaram algumas dicas apesar de terem se frustrado quando outras não davam certo. Então, quem está grávida e morrendo de vontade de se entreter com esse tipo de leitura, é melhor começar sabendo que pode ajudar em algumas coisas, mas não vale encanar caso outras não funcionem.
Alguém aqui curte esse tipo de leitura? Me contem!
Beijos!
Cá





