7 em Book do dia/ Comportamento no dia 14.03.2016

Book do dia: Na Pele de uma Jihadista, de Anna Erelle

Outro dia resolvi comprar uma leva nova de livros e estava na dúvida do que escolher. Acabei comprando dois livros de chick lit – gênero fácil, gostoso e que eu amo – mas estava com vontade de ler alguma história real, alguma coisa que me desse um soco no estômago, sei lá.

Lembrei de dois livros que apareceram por aqui e se enquadram na categoria – Eu Sou Malala e O Harém de Kadafi – e procurei por algo similar. Acabei encontrando “Na Pele de uma Jihadista – A história real de uma jornalista recrutada pelo Estado Islâmico” e fui logo comprando.

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A sinopse é essa: A jovem e frágil Mélodie, recém convertida ao islamismo, conhece, num chat de Facebook, Bilel, integrante de alto escalão do Estado Islâmico e braço direito de Abu Bakr al-Baghdadi, um dos terroristas mais perigosos do mundo. Após somente dois dias de conversas por Skype, ele já se declara “apaixonado”. Mais do que isso: pede Mélodie em casamento, instigando-a a juntar-se a ele na Síria para viverem juntos uma vida idílica, repleta de riquezas materiais e espirituais. Mas o que Bilel não sabe é que Mélodie não existe fora do mundo virtual. Ela é, na verdade, Anna Erelle, uma jovem repórter parisiense que investiga as redes de recrutamento de grupos terroristas e suas propagandas digitais.

Há um tempo atrás eu li uma matéria sobre mães de meninos e meninas que foram recrutados virtualmente pelo Estado Islâmico e, desde então, fiquei com muita curiosidade de conhecer o relato de alguém que estivesse do outro lado. Para mim não fazia sentido um adolescente começar a falar com alguém que nunca viu na vida e em questão de poucos meses querer abandonar tudo para viver em uma zona de guerra para defender uma religião que nem têm tanta familiaridade assim (muitos são recém convertidos, e pelo o que eu entendi, esse é o público alvo preferido dos recrutadores). Como é feito esse contato? O que eles falam para convencer essas pessoas? Como a lavagem cerebral acontece? Enfim, muitas perguntas.

E boa parte delas foram respondidas nesse livro, onde a jornalista Anna Erelle conta detalhadamente como cruzou o caminho virtual de um terrorista importante do Estado Islâmico disfarçada de Mélodie, uma menina de 20 anos recém convertida ao islamismo.

Adianto para vocês – com um pouco de spoiler, porque não tem como comentar isso tudo sem falar um pouco do que acontece no livro – que a tática é impressionante, e um pouco aterrorizante também. Anna tem seus 35 anos e está longe de ser uma menininha ingênua, em todo o momento ela sabia que estava falando com Bilel para a sua matéria e apenas para isso. Mesmo assim, em vários momentos ela se vê encurralada devido às investidas insistentes do terrorista, que continua pressionando Mélodie mesmo quando ela mostra sinais de dúvida ou de medo (sempre me questionei se os recrutados iam sem olhar pra trás ou se pensavam em desistir, pelo o que eu pude ver, a segunda opção é muito comum).

Outra coisa que me deixou chocada foi o pensamento desse núcleo terrorista que quer dominar o mundo, começando pelos próprios muçulmanos que eles consideram “impuros”. É cruel, é louco e é muito real, vide o último ataque que aconteceu em Paris. As regras para se juntar a eles são muitas, e várias são super rígidas, como por exemplo, não poder assoprar um chá quente.

Um dos caminhos para entrar na Síria é chegar por Istanbul, e durante o livro me peguei pensando no voô que eu e Joana fizemos de Paris-Istanbul. Será que a menina sentada do outro lado do corredor, sozinha, estava fazendo escala na Turquia para se casar com um terrorista? Será que o adolescente que passou por nós no corredor foi recém recrutado e estava morrendo de medo do seu futuro incerto? Será que a pessoa que esbarrou em mim enquanto eu estava entretida fazendo compras no Free Shop do aeroporto da Turquia era a intermediária dos terroristas e estava procurando algum recém chegado da França, Alemanha ou Holanda para embarcar para a Síria? Quando li esse esquema para recrutar europeus, eu me senti estranhamente tão próxima dessa história que o livro tomou toda uma nova dimensão para mim.

Quem gosta de histórias reais sobre acontecimentos recentes, não pode deixar de ler esse livro (acabei de ver que na Saraiva a versão digital está R$9,95, tá valendo muito a pena, paguei bem mais que isso porque fui direto no Kindle! Acabei de saber que na Amazon também está esse preço agora!)! A leitura é rápida, instigante, chocante e apesar de não ser um livro pesado, não sugiro começar se você está afim de se distrair. Acho bem difícil não pensar que certas loucuras estão acontecendo no mundo enquanto cada página é virada.

Alguém já leu? Tem dicas de livros parecidos para me dar?

Beijos!

 

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7 Comentários

  • RESPONDER
    Camila Arcanjo
    14.03.2016 às 14:25

    Incluído na minha wish list já….

    E só pra complementar, está R$9,95 na Amazon tbm, para Kindle.

    • RESPONDER
      Carla
      14.03.2016 às 14:26

      Eu paguei bem mais quando comprei! :( Bom saber que está com o mesmo preço! Vou atualizar!!

  • RESPONDER
    Michelle
    14.03.2016 às 15:19

    Carla, fiquei tão curiosa que acabei de comprar.
    Sempre sigo suas indicações de leitura.
    Obrigada!

    • RESPONDER
      Carla
      14.03.2016 às 15:38

      Depois me conta o que achou, Michelle! :)

  • RESPONDER
    Anita
    14.03.2016 às 15:54

    Obrigada pela dica, Carla! Adoro esse tipo de livro, com histórias reais.
    E se você ainda não leu, te indico A Bibliotecária de Auschwitz. Leia a sinopse e tenho certeza que você vai gostar. É um livro triste, por se tratar da guerra, mas ao mesmo tempo lindo e que nos transmite muitos ensinamentos.

    • RESPONDER
      Carla
      14.03.2016 às 17:59

      Adorei a dica, Anita! Anotada! :)

  • RESPONDER
    Very
    15.03.2016 às 11:23

    Sou bibliotecária e adoro as suas resenhas, sempre que vou iniciar a leitura de um livro ou comprar pra biblioteca em que trabalho, dou uma olhadinha pra ver se você já leu e postou.
    Estou com o Harém de Kadafi em casa na fila de espera para ler, mas a sua resenha desse da Anna Erelle deixou as minhas lombrigas bem assanhadas.
    Te indico Eu Malika Oufkir: prisioneira do rei, conta a história verídica de Malika que foi criada como filha do rei do Marrocos, mas depois de seu pai biológico tentar dar um golpe ela e a família são presos.
    Ps: a descrição das condições da vida na cadeia é bem punk.
    Um abraço e continue fazendo resenhas.

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