Mais um convite muito especial na área, nossa amiga Nina Ribeiro veio contar um pouco sobre o que ela acha do paladar infantil! O futi anda muito viajante mas o blog continua super atualizado. :)
Fui uma criança chatíssima para comer. Não apenas uma criança típica com dificuldade de comer legumes e verduras. Comer para mim, e consequentemente para os meus adultos, era um drama sem fim. Um loop eterno de “só vai sair da mesa quando comer tudo”, “quando tiver fome e quiser um biscoito, você vai comer o seu prato do almoço” e “tanta criança com fome e você negando comida”. Apesar do drama, meu pai dizia que um dia eu ia comer, não por vontade própria, mas por vergonha de ter paladar infantil.
A teoria mostrou-se certíssima. Eu não comia peixe cru, até o menino que eu gostava me chamar pro japonês e eu me obrigar a tentar. Eu não comia folhas até minhas amigas, durante a adolescência, insistirem em comer uma saladinha depois da praia e eu me obrigar a tentar. Eu não comia nada que eu não conhecesse o gosto, até estar em outro país e me obrigar a tentar. Quando dei por mim, já comia absolutamente de tudo.
Reparem que eu não disse que me obriguei a gostar, mas sim, me obriguei a tentar. E o que é a vida se não uma série de tentativas? Se passarmos nosso tempo fugindo do desconhecido, não vamos nem ligar a televisão. É por isso que não consigo entender o famoso paladar infantil que muitos adultos se orgulham (sim!!) em ter. Impor a si mesmo um monte de restrições alimentares é limitar as próprias experiências. E que adulto maduro em são consciência quer uma coisa dessas?
Minha mãe diz que a pessoa tem todo direito de não gostar de algum alimento, mas tem o dever de experimentar. Justo, não acham? O paladar é uma coisa que a gente treina. Certas coisas a gente tem que aprender a gostar e aceitar. Não basta comer peixe uma vez, aos seis anos de idade, não gostar e dizer que não come peixe. Existe uma chance enorme daquele peixe ter sido mal preparado, mal temperado ou não ser fresco (e o que tem de comida mal feita e alimento mal tratado por aí, minha gente, é inacreditável).
Eu entendo o receio de comer alguma coisa ruim. Comida ruim é uma experiência péssima que eu não desejo nem pros meus piores inimigos (mentira, desejo sim). Só não acho coerente que um adulto que, provavelmente, já deu passos incríveis e “arriscados” como entrar numa faculdade, viajar para um outro país, beber do copo do amigo, fazer sexo oral e mudar a cor do cabelo, não tenha coragem de comer um legume por medo de não gostar.
O risco de não gostar de alguma coisa é exatamente igual ao risco de gostar, acreditem. Até quando a aparência é esquisita e o cheiro não é dos melhores. Taí o sexo oral para provar o meu ponto. Então, por que alguém não gostaria de treinar o paladar para aceitar um maior leque de tipos de comida?
Eu, por exemplo, detesto pepino cru (e dessa vez, não tem nenhuma referência com sexo oral, juro). Eu sei disso sobre mim e eu aposto que você conhece seus gostos melhor do que ninguém. Mas se alguém me oferece pepino feito de outra(s) forma(s) é claro que eu vou experimentar, vai que eu gosto? Vai que eu estou errada? Acontece.
Comida é uma coisa maravilhosa, gente. E se é pra gente colocar restrições na nossa vida, vamos, sei lá, experimentar não pular de paraquedas ou dirigir alcoolizado. Comer é um ato social, é um prazer maravilhoso de ser compartilhado com outra pessoa ou em grupo. Experimentar coisas novas é o que faz a gente evoluir, crescer e aprender. Não é mesmo, cientistas? A vida é a arte da experimentação. E quem não experimenta, perde uma parte enorme da vida.








