21 em Comportamento/ Convidadas/ Gastronomia/ Reflexões no dia 03.06.2015

Para pensar: Sobre paladar infantil

Mais um convite muito especial na área, nossa amiga Nina Ribeiro veio contar um pouco sobre o que ela acha do paladar infantil! O futi anda muito viajante mas o blog continua super atualizado. :)

Fui uma criança chatíssima para comer. Não apenas uma criança típica com dificuldade de comer legumes e verduras. Comer para mim, e consequentemente para os meus adultos, era um drama sem fim. Um loop eterno de “só vai sair da mesa quando comer tudo”, “quando tiver fome e quiser um biscoito, você vai comer o seu prato do almoço” e “tanta criança com fome e você negando comida”. Apesar do drama, meu pai dizia que um dia eu ia comer, não por vontade própria, mas por vergonha de ter paladar infantil.

A teoria mostrou-se certíssima. Eu não comia peixe cru, até o menino que eu gostava me chamar pro japonês e eu me obrigar a tentar. Eu não comia folhas até minhas amigas, durante a adolescência, insistirem em comer uma saladinha depois da praia e eu me obrigar a tentar. Eu não comia nada que eu não conhecesse o gosto, até estar em outro país e me obrigar a tentar. Quando dei por mim, já comia absolutamente de tudo. 

Reparem que eu não disse que me obriguei a gostar, mas sim, me obriguei a tentar. E o que é a vida se não uma série de tentativas? Se passarmos nosso tempo fugindo do desconhecido, não vamos nem ligar a televisão. É por isso que não consigo entender o famoso paladar infantil que muitos adultos se orgulham (sim!!) em ter. Impor a si mesmo um monte de restrições alimentares é limitar as próprias experiências. E que adulto maduro em são consciência quer uma coisa dessas?

tumblr_n10c1tqqxz1sio5eto1_250Minha mãe diz que a pessoa tem todo direito de não gostar de algum alimento, mas tem o dever de experimentar. Justo, não acham? O paladar é uma coisa que a gente treina. Certas coisas a gente tem que aprender a gostar e aceitar. Não basta comer peixe uma vez, aos seis anos de idade, não gostar e dizer que não come peixe. Existe uma chance enorme daquele peixe ter sido mal preparado, mal temperado ou não ser fresco (e o que tem de comida mal feita e alimento mal tratado por aí, minha gente, é inacreditável).

Eu entendo o receio de comer alguma coisa ruim. Comida ruim é uma experiência péssima que eu não desejo nem pros meus piores inimigos (mentira, desejo sim). Só não acho coerente que um adulto que, provavelmente, já deu passos incríveis e “arriscados” como entrar numa faculdade, viajar para um outro país, beber do copo do amigo, fazer sexo oral e mudar a cor do cabelo, não tenha coragem de comer um legume por medo de não gostar. 

O risco de não gostar de alguma coisa é exatamente igual ao risco de gostar, acreditem. Até quando a aparência é esquisita e o cheiro não é dos melhores. Taí o sexo oral para provar o meu ponto. Então, por que alguém não gostaria de treinar o paladar para aceitar um maior leque de tipos de comida?

Nota da Jô: Ok, isso é uma delícia, mas existem outras coisas na vida! :)

Nota da Jô: Ok, isso é uma delícia, mas existem outras coisas na vida! :)

Eu, por exemplo, detesto pepino cru (e dessa vez, não tem nenhuma referência com sexo oral, juro). Eu sei disso sobre mim e eu aposto que você conhece seus gostos melhor do que ninguém. Mas se alguém me oferece pepino feito de outra(s) forma(s) é claro que eu vou experimentar, vai que eu gosto? Vai que eu estou errada? Acontece. 

Comida é uma coisa maravilhosa, gente. E se é pra gente colocar restrições na nossa vida, vamos, sei lá, experimentar não pular de paraquedas ou dirigir alcoolizado. Comer é um ato social, é um prazer maravilhoso de ser compartilhado com outra pessoa ou em grupo. Experimentar coisas novas é o que faz a gente evoluir, crescer e aprender. Não é mesmo, cientistas? A vida é a arte da experimentação. E quem não experimenta, perde uma parte enorme da vida. 

nina-ribeiro

A Nina escreve no shecallsmemary.com e deepfriedchicks.com.br

Gostou? Você pode gostar também desses!

21 Comentários

  • RESPONDER
    Ana
    03.06.2015 às 9:14

    Tem gente que acha engraçadinho dizer que não come peixe cru, nunca comeu e não vai comer. Eu tenho é vergonha alheia.

  • RESPONDER
    Sandra Luz
    03.06.2015 às 9:15

    Gente! Adorei o post!!! Parabéns!!
    Confesso que hoje em dia me alimento muito melhor que qdo criança, como coisas hj que acho uma delícia e que detestava antes (abobrinha, por exemplo! rsrs).
    Mas pra algumas coisas tenho medo de experimentar e recuso msm, por exemplo, uma rabada ou dobradinha (coisas assim…).
    Observo as pessoas comendo nos restaurantes e sinto algo como “vergonha alheia” ao ver seus pratos! rsrs

  • RESPONDER
    Paola Alves
    03.06.2015 às 9:32

    Adorei o texto e concordo totalmente! Eu como de tudo e experimento tudo <3 Só não gosto de jiló e de beringela HAHAHAHA não desceu, mas eu tentei.. juro! http://simsemfrescura.blogspot.com.br/

  • RESPONDER
    Caroline®
    03.06.2015 às 9:41

    Ainda bem que seu pai foi otimista e acreditou que vc teria vergonha da frescura alimentar e acabaria melhorando o paladar. Porque, como vc mesma disse, está cheio de adultos ridículos que se orgulham de não comer meio mundo de alimentos sem nem ter experimentado. De vez em quando vejo aquele programa do Claude Troisgros, Chato pra Comer, e sinto vergonha alheia de ver tanta gente adulta sendo babaca e achando legal ser fresco com comida. O interessante é que a maioria acaba provando coisas que eles supostamente “detestavam” e gostam! Ou seja, frescura de gente mimada….

  • RESPONDER
    Giuli
    03.06.2015 às 9:43

    Preciso dizer que sou um desses adultos que tem paladar infantil e não tenho muito orgulho disso. Porque sim, queria comer mais saudavel. Mas venho tentando dentro dos meus limites.

    Na verdade, o que me incomoda nisso tudo que é incomoda as outras pessoas. Eu não me importo de ir no japones com as minhas amigas e não comer nada, mas me incomoda o fato de as pessoas ficarem falando: mas vc nao vai comer nada mesmo?! Nao, nao vou, nao gosto, mas vou beber uns bons drinks e me divertir com vocês.
    Sempre que combino com as minhas amigas, tentamos achar um lugar onde tenha alguma coisa para todas comerem, mas se por um acaso nao rola e se o problema esta comigo eu abro mao. Como alguma coisa antes de sair e vou me divertir com elas e fico nos bons drinks….
    Acho que talvez as pessoas tenham que se incomodar menos. Sei que é preocupação, mas as vezes isso se torna extremamente chato.

    Eu já experimentei quase tudo que não gosto em varias oportunidades. Em geral, nao gosto de experimentar fora de casa, porque se é algo que nao gosto, tenho que sair correndo para o banheiro e é uma situação bem constrangedora….
    E olha que quando era criança, minha mãe sempre fez de tudo para que eu comesse bem, mas não deu certo.
    Beijos :)

    • RESPONDER
      Nina Ribeiro
      03.06.2015 às 12:48

      Giuli, eu acho que as pessoas ficam tão incomodadas (e eu me incluo nessa) porque a comida é um ato social e cultural, um programa que a gente gosta de dividir com todo mundo que a gente ama. É bem mais que o ato apenas de comer. Então, é triste (pra quem convida) quando o programa é “sair para comer” e a pessoa não come – é quase como se ela não participasse do ritual, sabe?
      É como dar uma festa à fantasia no seu aniversário e fazer a maior questão que todo mundo participe se fantasiando. E aí uma amiga sua aparece sem fantasia, a única que não quis se fantasiar, porque ela simplesmente não gosta. Pode ser que ela se divirta com todo mundo, beba, dance, mas ela não participou do “ritual” todo, sabe? rs Com perdão pela comparação ridícula.

    • RESPONDER
      Giuli Castro
      10.06.2015 às 21:34

      Entao no caso, vc acha que eu nao deva ir encontrar e me divertir com as minhas amigas se for um restaurante que não tenha nada que eu goste, como um japonês ou vegano, por exemplo?! Acho que é mto mais chato fazer com que as pessoas se moldem aos meus gostos para que eu possa só comer com elas.
      Acho que o ato social da comida é muito mais do que comer (como vc colocou é bem mais que o ato de “comer”) e por isso acho que as pessoas não deviam se incomodar. Se tiver uma entrada que eu goste, eu peço e como ou peço um drink. O importante para mim, é dividir o momento, as risadas e as conversas, muito mais do que dividir a comida em si.
      Acho que não gostar de comer algumas comidas vão muito alem de não vestir uma fantasia. Por exemplo, quantas festas a fantasia você vai por ano? E quantas vezes você sai para comer com as suas amigas?!
      Da forma como vc colocou, já que eu não como quase nada (não é por falta de experimentar ou me sentir orgulhosa disso), eu devo ficar em casa e não me encontrar e me dividir com as minhas amigas ou força-las a ir só onde eu como. É a mesma coisa que vc convidar um vegano para um restaurante comum. Dificilmente ele vai comer alguma coisa, mas não vejo nada demais nisso. Ele vai compartilhar o momento, que vai alem da comida em si…
      Beijos

  • RESPONDER
    Heloisa Carvalho
    03.06.2015 às 9:47

    Meus pais foram um pouco mais malvados, eu não era chata para experimentar, mas mesmo depois de experimentar e não gostar, eles continuavam me obrigando a comer! =X Minha vida mudou depois que eu pude fazer meu próprio prato, haha. Hoje tem poucas coisas que eu não gosto (a maioria delas é bem boba, tipo caldo de cana – mas adoro chupar cana – e abóbora) e poucas que eu não experimentei! Acho muita bobagem também isso de nem tentar e já dizer que não gosta, mas isso vem muito da infância, quem não experimenta quando pequeno fica bem limitado na vida adulta.

  • RESPONDER
    Gabriela
    03.06.2015 às 13:44

    Eu já fui mais chata pra comer, mas desde que parei de comer carne tenho que tentar sempre comer coisas novas e mais nutritivas pra substituir. Não entendo como tem gente que se orgulha de ter paladar infantil. Adorei o post. http://www.alemdolookdodia.com

  • RESPONDER
    Tati
    03.06.2015 às 16:14

    Mas gente, esse post foi escrito pra mim!

    Eu tenho um paladar pior que o infantil e morro de vergonha disso. Sou sempre a difícil que pede o lanche sem alface (embora hoje já o coma em salada, só não gosto dele quente), que vai num japonês e toma uma Coca e come sozinha depois. Mas no meu caso, tô considerando até a terapia, porque apesar de já ter experimentado e gostado de algumas coisas, outras eu simplesmente não consigo.
    Pensa numa pessoa que passa vontade (a ponto de chorar) mas não consegue enfiar o maldito alimento na boca. Ou então, que adora picar o abacaxi e bater com água no liquidificador pra tomar o suco, mas não consegue colocar o pedaço na boca.
    Tô bem consciente do meu problema e um dos motivos que me levou a fazer intercâmbio é justamente mudar minha alimentação. Pq ou eu como ou eu passo fome, não vai ter outro jeito.

  • RESPONDER
    Adri
    03.06.2015 às 16:15

    Pular de paraquedas é a melhor experiencia da vida!!! Muito mais do que experimentar tipos de pepino cru! Hahahaha
    Adoro o blog, mas achei o texto chato e parece que foi feito só para “encher espaço”.
    Acho que o nosso dia a dia já é tão difícil, tão corrido, que, pelo menos, o que comemos, deve ser uma escolha nossa, independente de ser paladar infantil ou não! PS.: eu como de tudo.

  • RESPONDER
    Camilla Gonçalves
    03.06.2015 às 17:10

    Eu sou chata para comer, não me orgulho, mas muito me irrita os outros querem se meter na minha alimentação.
    Eu não sou de recusar experimentar as coisas. Não querer nem experimentar não faz sentido, mas também não posso me obrigar a gostar. Tudo o que eu não gosto eu já experimentei, então não é simples frescurinha. Adoraria que as pessoas respeitassem mais isso.

  • RESPONDER
    Gabriela
    03.06.2015 às 17:44

    Ótimo texto, mas tenho que discordar da parte que as pessoas ” se orgulham” em ter paladar infantil. Acho justamente o contrário. É um sofrimento quando você vê que não gosta de nada em ocasiões sociais e se vê pressionada a experimentar algo. Pra mim causa o mesmo efeito que uma criança ser pressionada pelos pais a comer. Eu por exemplo nao consigo chegar perto de uma pessoa comendo banana pois o cheiro me dá enjoo. Passei a comer muitas coisas que não comia simplesmente preparando os alimentos em casa, e de certa forma de orgulho desse esforço. Mas julgar alguém de mimada, fresca, ou que falta fazer um esforço por não comer peixe no japonês ou mesmo alguma verdura do prato pra mim já é demais. Cada um tem seu tempo pra mudar, e taxar, pressionar ou julgar não ajudam em nada nesse processo.

  • RESPONDER
    Mayara
    04.06.2015 às 14:45

    CHOREI com o “ta aí o sexo oral pra provar o meu ponto” hahahahhahahahahhahahahhahahahahahha

  • RESPONDER
    Pamela
    05.06.2015 às 21:45

    Gosto muito do blog e sempre que posso passo por aqui. Mas, hoje, achei esse post estranho. Em um blog que prega usar/vestir/ser do jeito que você é/quer sem se importar tanto com as opiniões de terceiros, surgir um texto onde a autora critica quem tem restrições alimentares (seja por qual motivo for) me pareceu esquisito. Destoou do conteúdo mais frequente do blog. Cada um come o que quer, chato é quem perde tempo se incomodando com o que vai pra barriga alheia.

    Bjos

    • RESPONDER
      Carla
      08.06.2015 às 13:29

      Oi, Pamela! A gente toma um super cuidado para que o conteúdo, independente dele ser feito por nós ou por terceiros, siga uma linha editorial parecida com a nossa. Quando a Nina mandou o tema dela, nós achamos super legal e não vimos como uma crítica, e sim como um incentivo! E olha que eu sempre tive paladar super infantil, sou mega chata com texturas e aparências e já paguei mico em restaurante estrelado. Mesmo assim, eu me identifiquei com o texto, porque teve um determinado momento que eu, por vontade própria, preferi me dar a chance de tentar coisas novas. Não como de tudo, mas meu leque de opções aumentou consideravelmente!
      Beijoos

  • RESPONDER
    Mariana
    09.06.2015 às 17:34

    Meninas,

    Eu não sou tão chata para comer, mas não como frango e nem miúdos nem morta. Ah menina acima que falou que passará fome no intercâmbio e eu passei pois fui para um trabalho ( study and work ) e só tinha frango, comi arroz puro.
    Adoro comidas de criança, mas operei e fui obrigada a mudar.
    Quanto a comida eu não gosto de quem se mete e nem quem quer ser fit o tempo inteiro e fica se sentindo culpado por comer isso e aquilo.

  • RESPONDER
    Alessandra
    24.07.2015 às 10:58

    Eu tenho 18 anos e não como verdura eu sei que é importante pra mim que por ter problemas com ovário policístico e tendência a ter diabetes sei que ébimportante e necessario, mas eu provei uma ou duas vezes o alface e outras coisas e o gosto não me agradou, sei que tenho que tentar de novo mas fico com receio e se misturar bem com o que eu gosto, vou comer , mas bem rápido, pra não sentir na boca kkk até hoje eu evolui acrescente cenoura, couve flor, abóbora, chuchu em 3 anos, mas sei que não é o suficiente. Minha mae fala VC ta grande já, não preciso mandar VC comer e se não comer é problema seu eu desisti se não quer, não quer. Eu não sei o que fazer TT^TT

  • RESPONDER
    Juliana
    23.09.2016 às 12:46

    Estou sofrendo com isso. Mas eu tento. Tento mesmo… algumas coisas ja consegui. Mas a maioria eu realmente detesto. N churras com os amigos , nem saida com o boy me fazem mudar. Mas tenho tentado…. gostaria de comer coisas mais variadas.

  • RESPONDER
    BIANCA CORREA ZANON MORELLI
    21.08.2017 às 3:25

    Um absurdo de matéria. Mal informada e preconceituosa. Procure uma PATOLOGIA denominada TAS (transtorno alimentar seletivo). É uma doença psiquiatrica deve ser respeitada! Tipica matéria de desserviço.

  • RESPONDER
    Estela
    24.08.2017 às 9:05

    Tenho paladar infantil e achei esse texto muito preconceituoso e superficial. Não me orgulho disso, tento esconder das pessoas o máximo que posso e já me constrangi diversas vezes, isso não é legal. Me constranjo justamente porque as pessoas julgam como “fresca mimada” e não é nada disso. Não é frescura, é uma dificuldade real. O que a autora deste texto mencionou que fez na adolescência mostra que ela não sofre e nunca sofreu desse distúrbio, ela só cresceu na hora que tinha que crescer (adolescência). Pessoas que possuem este distúrbio continuam com ele depois da adolescência e por toda a vida. Eu sou daquelas que detesta salada e amo massas, mas tento ser o mais saudável que eu consigo, cortei frituras e refrigerantes, substituo saladas por frutas, carne só bem passada, quase torrada, crua jamais, consumo muito frango que é algo saudável, eu jamais conseguiria ser vegetariana ou vegana, que até acho bacana, mas eu passaria fome… e assim vou levando, mas é muito triste ser JULGADA por isso de forma tão ignorante (sem conhecimento do real problema) como muitos comentários que vi por aqui. As pessoas quando conhecem alguém próximo com este problema, poderiam ser mais empáticas, não custa nada, não afeta a vida delas, mas de quem elas julgam e desrespeitam.

  • Deixe uma resposta