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7
mar
2016

Crônicas da Jô: as garotas de Paris

crônicas, Lifestyle, Paris

Era 2011 e eu estava em Paris, sozinha. Nas costas, um namoro recém terminado, com gostinho de que não havia acabado ainda. Tudo doía. Que audácia a minha viajar sozinha naquele contexto! Nunca esqueço de um dia crítico onde em plena Cidade Luz eu voltei para meu hotel chorando no taxi. Definitivmente eu não estava bem lá, não sei como era possível mas naquela hora nem Paris era uma boa ideia.

Sentir meu coração partir poucos dias antes do embarque (poucos = a menos de uma semana), a ficha começou a cair durante uma ligação para a Airfrance, quando criei coragem e cancelei a passagem dele. Ali, naquele segundo, o sonho romântico de ir com um grande amor para Paris morria, pela primeira de muitas vezes.

Nenhum lugar do mundo seria bom para aquela garota de 24 anos. Garota. Vocês leram bem. Naquela época eu definitivamente não era uma mulher. Eu já tinha força, muita coragem, mas não era mesmo a pessoa que sou hoje.

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2011 no jardim de Tuileries

Parece que várias versões de mim já foram à Paris. Passear por essas versões é revisitar um passado que mostra tantas mudanças, ainda que de forma não linear.

Em 2002 embarcou a filha de 15 anos, com a melhor amiga e a mãe. Essa versão só queria comprar e não tinha paciência para tantos museus. Gostava de castelos, não queria ver estátuas. Essa menina, coitada, não aproveitou nada da boa gastronomia. Não posso culpar aquela mãe, ela bem tentou fazer com que comêssemos outra coisa além de macarrão à bolonhesa, mas não obteve êxito.

2002

2002 no alto da torre

A segunda vez em Paris foi a vez da estudante com espírito aventureiro. Foi preciso um super estudo de mapas, planejar caminhos no Google Maps (já estávamos em 2008) e entender bem como seria a logística daqueles dias. Uma parte da viagem teria a companhia das amigas, a outra parte eu ficaria sozinha.

Aquela garota de 21 anos se perdendo de mochila foi um dos meus maiores orgulhos. Essa versão queria ver todos os quadros que havia estudado na faculdade, não parou um segundo, explorou tudo que pôde e ela foi a única que teve a oportunidade de viver um romance parisiense que ok, durou um dia e meio, mas foi inesquecível. Digno de um filme como “Antes do Amanhecer” e que fez frases como “we will always have Paris” pudessem ser escritas (ou lidas) em emails tardios.

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Em 2008 imitando nossa foto de 2002

Se em 2008 o coração era livre, em 2011 era pesado. A garota do início do texto foi sofrer em Paris achando que seria melhor do que sofrer em casa, coitada, ledo engano. Não que Paris tenha sido um arrependimento, nunca será, mas certamente o erro de “timing” foi claro. O melhor lugar para sofrer é em casa, do lado de quem você ama.

Talvez a versão mais parecida comigo, mais ainda bem diferente, seja aquela mulher que embarcou aos 25 anos de idade para estudar um mês na sua cidade preferida. A Joana de 2012 nada tinha em comum com a versão sofrida de 2011 e isso era um fato inquestionável.

Se em 2011 tudo era coração, em 2012 tudo era a profissão. O curso, os estudos, os museus, as exposições de moda, os restaurantes e passeios que mereceriam virar posts. O blog era o amor verdadeiro em questão. Nessa versão eu ganhei um dos melhores presentes que a cidade me deu: uma semana com a minha mãe, agora duas adultas bebendo juntas no bar, aproveitando as melhores comidas e se divertindo caminhando pelas ruas do “Rive Gauche”. O apê alugado em Saint Germain nos arrancou boas risadas, sorrisos e me deixou preparada para as semanas seguintes, em que mais uma vez me veria completamente sozinha na cidade.

2012

2012 no Jardin du Luxembourg

Nunca fiquei tanto tempo sozinha antes, também nunca depois. E antes disso tudo, estar sozinha nunca havia sido tão gostoso. Depois dessa me tornei entusiasta da minha própria companhia. Passei a frequentar restaurantes legais, parques, museus e muitos outros programas. Essa versão de mim dormia cedo de tão cansada dos estudos, mas tudo valeu. Ali a solidão foi um presente, nada de dor.

Engraçado se permitir voltar no tempo, rever suas histórias, seu comportamento em um café ou mesmo sentada num gramado. Eu não sabia ainda que aquelas garotas nunca mais voltariam à Paris. Acho que eu teria feito uma despedida mais apropriada se soubesse.

Em 2015, aos 28 anos tudo mudou. O mundo virou, a autoestima ganhou o jogo e assim, uma versão mais mulher, mais decidida, menos clichê e nada medrosa se apoderou do próprio corpo. Foi nesse contexto que eu visitei Paris levando minha melhor versão de mim pela primeira vez e para realizar um sonho de anos: passar meu aniversário lá, com alguém que jamais poderia se transformar num amor do passado, com alguém que dividiria cada alegria ao meu lado. Foi assim que com 28 anos de idade embarquei com a Carla (e o Arthur na barriga) para viver a primeira visita dessa versão, que voltou com 29 anos e mais uma vez mudada.

 

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Dessa vez já tinha toda certeza do que gostava, do que não gostava, do que queria ver e do que não queria fazer. Teve semana de moda, refeições fantásticas, risadas, passeios, sorrisos, momentos sozinha (agora toda viagem tem que ter isso) e momentos de celebração. Daquela vez, Paris não era apenas uma boa ideia, era a ideia perfeita.

 

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É engraçado perceber ao longo de diferentes experiências como eu mudei. Dos 15 para os (quase) 30 tudo mudou e nada mudou. Algumas coisas são imutáveis, por exemplo, o amor por Tarte Tatin, a paixão pela Place de Vosges, a alegria de passear no Marais no domingo depois de vir de MontMartre e as infindáveis caminhadas por Saint Germain, seus jardins e seus segredos. Todas as versões (até a mais triste delas) viveram um amor pleno pelos detalhes.

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Engraçado ver como evoluímos e nos tornamos diferentes, estranho notar que não somos mais as mesmas, mas ao mesmo tempo carregamos algumas coisas que nunca mudam. Lendo um livro que falava de uma experiência de um café em Paris me transportei para essa reflexão. Ali, vi que às vezes podemos escolher um lugar, aniversários, carnavais ou experiências marcantes para entendermos que nunca mais seremos os mesmos, talvez nunca mais venhamos a ser quem somos hoje. Amanhã novas experiências virão e nós precisaremos ter a sabedoria de evoluir, crescer, soltar o que precisa ir e acolher o que precisa ficar.

Hoje eu não sei quando vou voltar, não sei quem eu vou ser até lá, mas apenas espero ser ainda melhor, ainda mais dona de mim.

Joana Cannabrava
24
fev
2016

Trip tips: Pousada do Alto, em Japaratinga, norte de Alagoas!

Alagoas, Brasil, convite, Viagem

Não tem muita paciência para lugares muito turísticos? Deseja ficar num lugar cujo clima seja mais romântico, intimista e nada óbvio? Você já pensou em ir para Maragogi? Então a gente PRECISA conversar sobre a Pousada do Alto.

Pousada-do-alto-1

Em janeiro fiz uma viagem de férias bem diferente de qualquer outra que eu já tenha feito: Depois da viagem de Punta del Este, embarquei em uma viagem para Alagoas, onde percorremos todo o estado, do sul ao norte (dormindo em duas cidades diferentes), de carro. Vou contar todo roteiro no blog, mas antes de mais nada resolvi começar com o ponto alto em termos de hotel.

Ao invés de ficar em Maragogi resolvemos ficar em uma cidade chamada Japaratinga, que fica ao norte do estado, entre Milagres e Maragogi, e pertinho da praia do Patacho, de São Miguel dos Milagres e afins. Ficando ali fizemos os passeios das piscinas naturais (optamos pelas de Japaratinga mesmo), fomos para Praia de Antunes, Xaréu em Maragogi e outros paraísos quase caribenhos que eu nem sabia que existiam no Brasil.

Japaratinga-AL

Dormimos 4 noites no norte, todas em Japaratinga. A cidade é bem pequena, com alguns restaurantes e uma vida noturna que eu não conheci, afinal, a gente aproveitava tanto o dia que antes das dez da noite já estávamos dormindo para acordar cedo e curtir o sol.

No alto de uma montanha, no meio desse paraíso com mar de 50 tons de azul, fica uma pousada muito gostosa com uma piscina de sonhos e uma vista de cinema. Um cantinho muito gostoso e intimista que a Carla Lemos do Modices me indicou.

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A Pousada do Alto é bastante singular. Fica no alto mesmo e a vista linda aparece em todos os lugares, no quarto, no restaurante e na piscina, enfim, em tudo. Foi a vista que me fez bater o martelo, inclusive. O que eu não esperava era que iria gostar tanto de outros detalhes: do quarto, da varanda (com a tal vista), do banheiro enorme, do jantar à luz de velas e do super café da manhã. Tudo isso entre lindas obras de artes, que faziam com que a gente se sentisse num lugar único, exclusivo e nada comum.

A pousada tem apenas 12 apartamentos - pelo que notei, todos com vista para o mar, cuja a cor muda várias vezes ao longo do dia. Nós tivemos a oportunidade de curtir uma lua cheia com um céu especialmente lindo na nossa varanda, pena que as fotos não fazem justiça, mas o momento foi difícil de esquecer, pelo menos pra mim. O café e o jantar estavam incluídos, ainda assim consumimos uns drinks na piscina e almoçamos um dia na pousada. Tudo foi muito gostoso e o custo benefício desses “extras” valeram muito a pena. O climinha intimista da pousada foi exatamente o que a gente estava querendo para encerrar a viagem. A experiência tinha toda uma pegada romântica, mas nada óbvia.

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A vista do quarto, a maré e as cores mudavam a mesma todos os dias, todas as horas!

A pousada fica perto das praias que mais gostamos de visitar em toda a viagem: Antunes e Xaréu, ambas em Maragogi. De carro a gente chegou rapidinho.

Maragogi e seu mar mágico

Maragogi e seu mar mágico

Xaréu <3

Xaréu <3

Eu não só voltaria como recomendo muito. A atmosfera não é de resort e o luxo não é nada ostensivo, justamente foi esse toque de “casa da gente” que eu adorei. A piscina é das mais lindas que eu já curti no Brasil, assim como a vista para os corais.

 

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Tudo encaixou perfeitamente no final das nossas férias, fechou com chave de ouro essa “road trip” que foi das mais lindas e interessantes que eu já fiz no Brasil. Eu não conhecia Alagoas e agora já posso dizer que esse estado PRECISA entrar na lista de viagem de todas as pessoas. Todos os lugares que visitamos durante esses 1.000 km percorridos no estado vão virar post. Fiquem de olho!

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Momento apreciando a lua cheia da varanda do quarto!

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A Pousada do Alto tem site e as fotos do instagram também são de babar, você pode seguir por lá: @pousadadoalto!

Amo fazer trip tips de hotéis legais e com esse não seria diferente. Quanto mais viajo no Brasil, mais descubro que nosso país tem um potencial maravilhoso!

Beijos

26
jan
2016

Trip Tips: os apps que eu mais gosto de usar em viagens

Viagem

A viagem que eu fiz para a Europa foi em Maio do ano passado e até rendeu post de restaurantes em Berlim e de um dia de programação intensa em Amsterdam, mas eu simplesmente não sei o motivo de ainda não ter falado sobre mais um detalhe que me ajudou muito: os aplicativos!

Apesar de eu trabalhar com internet e viver conectada quase 24h por dia, eu ainda sou meio old school para algumas coisas, por isso, essa foi a primeira viagem que eu realmente vi como a vida pode ficar muito mais fácil se a gente utilizar os apps certos a nosso favor. E olha que nessa viagem eu só botei chip no celular em Londres, e mesmo assim tudo deu certo mesmo offline.

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A maioria não é novidade, mas achei que valia mostrar, né? Vai que tem alguém aqui mais old school que eu rs:

Básicos que não te deixam na mão:

Trip Advisor: É o mais clássico, mas para mim, é infalível. Em viagens, ele ganha um ponto extra com a opção de baixar o mapa da cidade para quando você estiver sem internet. Em Amsterdam e Berlim, que ficamos sem internet a maior parte do tempo, os mapas nos ajudaram bastante. Ele continua sabendo sua localização mesmo offline, o que facilita na hora de achar o ponto turístico ou o restaurante que você estava procurando. Usamos demais!

Google Maps: Outro clássico que é sempre uma mão na roda e uso ele em todos os lugares, inclusive aqui em São Paulo. Em Londres e em Berlim eu usei muito para ver quais eram as estações de metrô próximas de onde queríamos ir. Em Miami (quando fui em agosto de 2015), que eu tinha internet no celular, eu usei como GPS. Li em algum lugar que em breve ele vai ter uma versão offline também!

Mapas do metrô:

Berlin Subway: Como o nome já diz, é o metrô de Berlim. Eu procurava no Google Maps a estação que eu tinha que sair, digitava no app e ele me dava a rota completinha, o número de trocas que eu teria que fazer e o tempo aproximado da viagem.

Tube Map: É o de Londres e tem a mesma função do de Berlim. A única diferença que eu vi entre os dois aplicativos é que no de Londres tem uma opção para checar quais linhas estão funcionando, quais não operam em algum dia da semana ou quais estarão fechadas.

- Esses foram os dois apps que eu usei recentemente e posso afirmar que funcionaram muito bem para mim, mas acabei descobrindo que ambos foram feitos pela mesma empresa, a mxData Limited, que também tem mapas de Paris, Nova York, Madrid, Toronto, Munique, Tokio, Shanghai, Pequim e acho que de todas as cidades com metrô do mundo rsrs. Não sei se essa empresa faz aplicativos para Android, mas vale a pena procurar!

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Outros:

YPlan - É um app com programas para fazer em Londres, NY ou São Francisco. Baixei para usar em Londres mas acabamos nem encostando porque estávamos cheios de coisas para conhecer e muita turistagem pra fazer, mas ele é bem interessante. O app te dá listas de eventos que acontecerão na cidade, seja musicais da Broadway, feira de gastronomia ou uma festa bem diferente, e você pode comprar tudo pelo próprio aplicativo.

My Disney Experience - Só descobri há pouco tempo, depois da minha última viagem para Disney, mas achei o máximo!! É para ser usado em qualquer parque da Disney World e ele te dá o tempo de espera de cada brinquedo, te diz a hora e o local de onde os personagens estarão esperando para tirar fotos, permite que você veja o menu dos restaurantes e reserve mesas, lista programações especiais, etc. Bem completo, para aproveitar ao máximo a experiência!

The Official Universal Orlando - Tem mais ou menos a mesma proposta do app da Disney, mas com os parques da Universal. A única diferença que eu vi é que não dá para reservar os restaurantes pelo aplicativo, tem que ligar, mas mesmo assim é uma mão na roda.

- Na foto tem o Songkick junto, mas eu já falei dele nesse post aqui!

Alguém conhece outro que vale a pena dar a dica?

Beijos!

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