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29
mar
2016

Crônicas da Jô: coração na costureira!

crônicas, Lifestyle, Relacionamento

Me peguei costurando meu coração com linha e agulha. A ideia era fazer com que aqueles pedaços partidos se tornassem uma unidade novamente. Sendo bem calculista, a única graça de sofrer pela perda de um amor é saber que virão muitas aventuras quando a poeira baixar. Na hora é difícil ser muito racional e os tais momentos felizes parecem uma realidade distante. Linha vai pra lá, a agulha fura. Linha volta pra cá, a agulha entra. No ritmo dessa costura, alterei meu estado de consciência e viajei no tempo.

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Em fração de segundos tinha me transportado para dezembro. Me peguei revivendo um diálogo que aconteceu no sofá de uma grande amiga. Naquela hora, eu estava morrendo de medo de me apaixonar, mas quem me ouvia acreditava que eu tinha o domínio racional de me entregar ou não. Hoje, não sei se isso estava tão nas minhas mãos quanto na hora fazia parecer. Não sei se queria me enganar ou enganar minhas amigas.

As amigas que me ajudaram a colar cada caquinho meu em cada desamor que aconteceu em minha vida não tinham a menor dúvida: era claro que eu era capaz de tentar mais uma vez. A situação parecia valer a tentativa. Ledo engano? Talvez.

Eis que entre elas surgiu uma voz com a pergunta que me fez revisitiar toda essa cena:

- E qual é o seu maior medo?

Respondi prontamente, sem nem pensar: um coração partido, com todas as frustrações e dores que vêm com ele.

Fez-se um minuto de silêncio.

Ela me respondeu com um tom de voz doce de obviedade impossível de esquecer:

- Para isso existe linha e agulha.

Após me lembrar de tudo isso, voltei para o hoje, para a pessoa que estava em modo de piloto automático fazendo sua costura quando me dei conta do óbvio: meu grande medo era viver exatamente o que eu estou vivendo hoje.

Dói, uma dor quase física, atrapalha minhas horas de sono, minha concentração e faz com que eu demande muito mais das outras pessoas do que em dias normais. No entanto, existe um certo alívio porque dói, mas dói menos do que pensava.

Muitas vezes deixamos de vivenciar certas coisas e escolhas por medo. Pode ser no amor, no trabalho, na família ou mesmo relativo ao seu próprio corpo. Mas costumamos ser mais fortes do que pensamos e em vários momentos nos damos menos crédito do que merecemos. Quem nunca achou que não iria dar conta de algo e quando viu foi lá e fez? Foi assim, que me dei conta que não havia nada a temer.

Eu tinha medo de me sentir frustrada? De não conseguir dormir bem? De sentir um aperto no peito? Uma angústia insuportável no estômago? Justo, mas durante cada segundo dessa costura tive absoluta certeza que o tempo irá colocar cada coisa em seu lugar. A verdade é que minha amiga estava certa, eu consegui lidar com a consequência das minhas escolhas mais uma vez. Assumi meus riscos, vivi, caí mas sobrevivi.

Inclusive, acredito que se eu tivesse escolhido diferente, tudo seria ainda mais difícil. Pior do que um coração partido é aquela sensação do “e se eu tivesse feito diferente”? Eu esgotei todas as possibilidades e por isso não posso me arrepender, ainda que a culpa queira me visitar de vez em quando, eu levo comigo que fiz o meu melhor.

Pode parecer mais confortável lidar com menos riscos e com esse tanto de condicionais, mas para mim não é. “E se” me lembra o final do texto QUASE de Sarah Westphal que infelizmente já foi atribuído tantas vezes a dois Fernandos (Veríssimo ou Pessoa): embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Eu não sou uma mulher de quase!

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Assim, buscando ser corajosa, eu termino os últimos pontos dados nesse coração que por enquanto parece ter receio de pulsar novamente. Quem olha até acredita, até parece que eu não conheço… Ele não engana ninguém, adora viver perigosamente. Mas novas histórias virão para preencher o resto desse caderno em branco. Não tenho dúvidas.

 

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava
Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.
8
mar
2016

O dia da mulher, a liberdade sexual e um desejo de igualdade!

Lifestyle, Reflexões, Relacionamento

Nos últimos anos tenho aprendido muito sobre “feminismo“. Antes achava que essa palavra significava um monte de radicalidades e crenças engessadas, mas com o tempo, os textos e as conversas aprendi que não se trata de nada disso. A luta pela igualdade de gêneros nos salários, cargos, direitos, até mesmo com relação ao próprio corpo também é uma luta minha, uma luta nossa. Brigar contra a normalidade do assédio ou contra pequenas atitudes machistas já enraizadas na sociedade tem sido o objetivo de muitas mulheres corajosas e hoje, mais uma vez as parabenizo por pensar e agir fora da caixa.

Como já sabemos, meu short não é uma autorização para você me chamar de gostosa, minha saia curta não quer dizer que eu quero fazer sexo com ninguém e o fato de eu transar com quem eu bem entender não faz de mim uma pessoa menos valorizada. Eu sou dona do meu corpo, do meu prazer e das minhas vontades.

Sempre que eu falo algo sobre sexo em alto e bom som (sem gritar, apenas sem baixar o tom de voz, como se fosse um segredo) costumo ver alguém arregalar os olhos e se espantar. Parece que uma mulher falar disso num restaurante, numa roda de bar ou mesmo na fila do elevador ainda pode ser visto com estranheza. Oi? Você não faz sexo? Todo mundo faz, ou pelo menos deveria. Eu não quero viver num mundo onde precisamos falar sobre isso sussurrando, escondidas ou com medo de julgamentos. Esse é um assunto como outro qualquer, pelo menos deveria ser. Eles podem, nós podemos. Falar disso com educação e naturalidade acabaria com muitos mitos que cercam essa parte íntima da nossa vida, transformar isso num tabu é muito perigoso.

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Sou tão boa pessoa quanto qualquer outra e vivo minha vida sexual em paz. Tento quebrar paradigmas e deixar para trás os resquícios de conceitos machistas que me rondaram por muitos anos. Não vou aceitar julgamentos externos, vou questionar e combater qualquer argumento com qual eu não concorde. Gosto da máxima: meu corpo, minhas regras.

Infelizmente a forma como eu e muitas outras fomos criadas foi defasada no quesito sexualidade. Sempre houve muita repressão velada nesse sentido. Para mim esse é um dos pontos em que mais vejo diferença entre a maneira de ver o mundo dos homens e das mulheres.

Claro que os hormônios são diferentes, biologicamente podem haver diferenças claras nos graus de necessidades mas todo mundo precisa explorar sua sexualidade, seus orgasmos e tudo mais que envolve a descoberta do próprio corpo. Não podemos absorver por osmose que os homens têm necessidades e nós não, todos somos humanos, todos temos desejos.

via GIPHY

Quando me livrei da pílula descobri todo uma nova relação com meu corpo e meus hormônios, por isso parei para pensar e questionar muitas coisas. Eu estava ali, lidando com o novo: a libido fora de contexto. Até então nunca tinha tido de conviver com ela, coisa que os rapazes passam a vida fazendo.

Nessa hora me dei conta que NUNCA ninguém conversou comigo sobre masturbação feminina. Ué? Por que isso não foi um assunto abordado na minha casa? Na escola? Na vida? Eu me lembro que meus pais conversaram com meu irmão sobre o assunto, comigo ninguém falou nada. Por que os homens são ensinados a lidar com esses estímulos e as mulheres não? Essa é uma das questões de diferenças de gênero que mais vejo trazer consequências práticas para a minha geração.

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Em 2014 eu comprei esse brinquedo alemão, de curiosidade, num sex shop em São Francisco

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A ideia era incrementar as preliminares e no fim ele virou mil e uma utilidades. Marca: OVO (tem tudo sobre ele online aqui)

Parece que não era muito simpático encorajar uma mulher a ter liberdade com o próprio corpo e com o próprio prazer. A primeira pessoa a me questionar sobre isso foi uma das minhas melhores amigas (beijo, Nina!) e eu não levei a sério o que ela estava falando. Eu tinha uma ótima vida sexual com meu namorado e eu tomava a pílula (que me deixava sem qualquer necessidade fora do contexto de nós dois). O que eu teria mesmo a entender sobre isso?

A vida muda, a realidade muda e hoje eu entendo totalmente o que ela queria me dizer: Quanto mais a mulher conhece seu próprio corpo, mais ela pode desfrutar de uma relação prazeirosa com seu parceiro.

Claro que nesse contexto de liberdade sexual é super importante falarmos da importância de focar na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, que muitas vezes são mais perigosas para as mulheres. Com tanto tabu é normal que haja ignorância na mesma proporção. Eu notei isso quando eu mesma, uma mulher de 20 e tantos anos e com um alto grau de escolaridade, me peguei perguntando coisas “simples” para minha ginecologista.

Posso estar sendo otimista, mas vejo a possibilidade de todos evoluirmos nesse aspecto de liberdade. Se meus pais conseguiram evoluir muito em 10 anos por que a sociedade não pode?

Sempre me impressiono quando as pessoas ficam CHOCADAS quando eu coloco a naturalidade com a qual eu e meus pais tratamos da minha vida amorosa. Aqui em casa eles sabiam de aplicativo de relacionamento, sabiam com quem eu ia sair e estavam cientes de quando eu não iria dormir em casa. Alguns detalhes eram ditos, outros subentendidos, mas nada era julgado.

Inclusive meu pai é muito melhor conselheiro do que a minha mãe. As vezes evito conversar certas coisas com ele nos mínimos detalhes, mas temos uma relação MUITO aberta. Pra ela por sua vez, não precisa de nenhum grau de omissão. Eles se complementam. Eu vejo um enorme exercício de não julgamento, aceitação e acolhimento na minha casa. Vou querer fazer o mesmo se um dia eu tiver filhos.

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Essa aprovação permitiu que eu passasse a lidar de uma forma muito mais segura com tudo isso. No entanto, acreditem: sempre que eu menciono que contei tal coisa para o meu pai ou que ele me disse algo a respeito as pessoas fazem um minuto de silêncio e uma cara de choque. Quase sempre. Em contrapartida, meu pai tem o maior orgulho de ser moderninho.

Quando me pego nessa situação tão confiante e confortável envolvendo um assunto que antes era tabu pra mim, fico com vontade de desejar isso para todas as mulheres nesse dia 8 de março. Se as coisas evoluíram na base da conversa na minha casa, podem evoluir na sua também.

Precisamos incentivar que as mulheres manifestem suas essências, precisamos acolher a todas elas incentivando que elas se permitam o auto conhecimento em qualquer aspecto da sua vida.

Já disse e repito, todo pai de menina, marido, namorado e afins precisa ser um aliado da luta feminista, o discurso “He for She” da Emma Watson na ONU está ai para provar mais uma vez que isso faz toda diferença.

Feliz dia das mulheres para todas nós, vamos aproveitar essa data para lembrar que a luta pelos direitos iguais ainda não chegou ao fim, mas juntas vamos conseguir conquistar não só salários, cargos e reconhecimentos iguais, mas também a liberdade de podermos falar e explorar nossa sexualidade sem julgamentos! Precisamos nos acolher, não nos julgar.

Beijos

Se você gostou curta, compartilhe e ajude a gente a tentar quebrar um pouquinho desses tabus! :)
1
mar
2016

Quem conta um conto aumenta um ponto… (esse é um texto enquete!)

crônicas, Lifestyle, Reflexões, Relacionamento

Como já diz o ditado: quem conta um conto aumenta um ponto. Ainda assim acredito que contar um conto pode ser uma ótima forma de externar algo que você precisa colocar para fora com toques claros de fantasia, algo que envolva mais as expectativas, frustrações e sonhos do que os fatos reais em si.

Não é de hoje que me pego extravasando através de contos, crônicas ou coisas do tipo que não refletem totalmente fatos reais, mas retiram com um toque de ilusão aquilo que eu sinto dentro do meu coração. O mais engraçado é que tenho me pegado com vontade de compartilhar com vocês esses contos, esses sonhos e essas histórias que muitas vezes são antigas ou então baseadas em fatos reais, só que de outra pessoa.

Você já parou para pensar em como você se sentiria se aquela confusão da sua melhor amiga estivesse acontecendo na sua vida? Eu sim, e por isso estou com muita vontade de publicar esses textos, que em parte poderão ter um fundo de verdade, mas também poderão ser outra coisa, só não sei como fazer.

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Sendo muito sincera com vocês, não sei como chamar algo que será antagônico ao que publico quando faço reflexões baseadas nas minhas experiências declaradamente reais. Como abrir um espaço para crônicas de uma forma que não se confunda com fatos reais?

A única vez que fiz isso com uma história bem real foi muito legal, claro que algumas partes incríveis eu tive que tirar do texto (afinal, envolvia outra pessoa) e ao mesmo tempo tive que florear um detalhe ou outro para passar para vocês a mágica do que havia acontecido. Adorei essa experiência e desde então estou ensaiando repetir, mas sem essa obrigação de ser algo 100% real, de ser algo totalmente meu ou mesmo algo da Joana de hoje. A verdade é que a antiga Jô também tem boas histórias que me trouxeram a ser minha versão atual.

Então o que vocês acham? Gostam dessa ideia de conto? Devo criar essa coluna? Como posso chamá-la!?

Beijos

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