Como já deve ter dado para perceber, os textos de comportamento andam aumentando por aqui. Como as visualizações também crescem quando isso acontece, a gente acaba achando que vocês estão interessadas nesses textos mais reflexivos ou cheios de experiências que a gente vem fazendo. Caso estejamos viajando, favor avisar nos comentários! Hehe
Então, durante um DEU O QUE FALAR a gente dividiu com vocês uma matéria do O Globo online falando do site Chega de Fiu Fiu e até colocamos esse vídeo abaixo:
Para quem não viu…
Por mais que o vídeo e a pauta tenham sido interessantes, nada foi mais importante do que navegar no site através do mapa. Essa turma mapeou o Brasil, em busca dos mais variados tipos de depoimentos, dos mais leves aos mais pesados.
Se você é homem e acha que não tem nada demais em dar uma cantada aleatória em uma mulher, você não sabe de nada (e não tem nada de inocente nisso). A verdade é que desde muito novinhas somos sujeitadas a um assédio muito constrangedor nas ruas. Das mais diferentes formas, nos lugares mais aleatórios e sempre muito inconvenientes. Todas as vezes ficamos com uma sensação de impotência e incômodo, horrível.
Quando fui navegar no mapa do chega de Fiu Fiu fiquei com vontade de falar. Depoimento atrás de depoimento eu fui me lembrando de uma história e resolvi tirar meia hora da minha vida para registrar 3 delas nesse site.
Infelizmente, as pessoas que se dão ao trabalho de reportar no mapa, em sua maioria falam em assédio físico, racismo e muito pouco no assédio verbal. A verdade é que para mudarmos a cabeça dos caras que acham legal falar o que bem entendem, precisamos falar de todos os tipos de assédio. A violência psicológica pode ser igual ou pior que qualquer outra.
Se você acha que a roupa da mulher está diretamente associada à cantada em questão, por favor saia deste blog e não volte mais. Seu lugar não é aqui…

Para compartilhar sua história ou denunciar algo que viu é simples
e tudo pode ser publicado com o anonimato garantido.
A primeira história que eu registrei foi sobre uma noite em que eu e algumas amigas fomos para uma boate na Zona Sul em 2009. Lá, um indivíduo “chegou” em uma amiga, ela falou não e o mesmo a empurrou para o outro lado da pista de dança. O que eu fiz a partir dai não merece ser relatado aqui, mas não deixei barato não. Infelizmente ele deu um dinheiro para o segurança não o colocar para fora e no fim, tudo terminou em pizza.
Já a segunda história é um pouco diferente, mais comum e infelizmente tão absurda quanto. Na época que aconteceu eu não dei bola para o tamanho incômodo que senti e hoje me dá até vergonha de não ter falado mais sobre o tema. Até porque o tema “encoxadores” é reincidente no site.
Eu mencionei o fato que eu trabalhava de short para lembrar que eu posso vestir o que quiser, o senhor em questão que precisava cuidar das suas necessidades sozinho, e não usar minhas belas coxas para seu entretenimento doentio. Por mais que suas coisas estivessem dentro do seu short eu não precisava ser cutucada por ele, não é mesmo?
A terceira situação é a mais sutil e comum, para a infelicidade de muitas. Há algum tempo fui para uma boate no Jóquei e fiquei CHOCADA com a forma que os homens olhavam para as mulheres. Elas pareciam ser apenas peitos e bundas dançando na festa e por mais banal que isso seja, eu me senti incomodada. Achei tudo tão vazio e desprovido de qualquer toque de interesse que me deu pena de quem foi aquele lugar procurando alguém legal. Por sorte, semanas depois fui a uma balada mais alternativa e vi um cenário 100% melhor do que esse.
Encerrando minhas memórias antigas e recentes, achei super válido dividir a dica desse site com vocês.
Eu o achei genial para qualquer mulher, independente de qualquer linha de feminismo. Cada dia mais venho aprendendo sobre as nuances do movimento e até o presente momento não consigo me enquadrar na linha das radicais, mas de fato tenho aprendido muita coisa.
Uma amiga que saca tudo sobre o tema nos explicou que tudo isso está ligado ao fato de muitos homens quererem mostrar quem manda. Só que na verdade, quem manda no nosso corpo somos nós e é por isso que não podemos ficar caladas. Hoje acho que reagiria de forma totalmente diferente no caso do metrô, o tarado nada poderia fazer num ambiente cheio de pessoas.
Não só pretendo começar a me impor como pretendo começar a falar desse site para as pessoas, pretendo incentivar que cada mulher vá ao mapa contar sua história.
Espero que pelo menos algumas de vocês também levem as suas histórias para esse site.
Beijos
Jô













