16
mai
2016

babynofuti: cabe a ele escolher!

#babynofuti, Lifestyle, Reflexões

Eu nunca fui louca para ter filhos (como já contei aqui), casamento grande, constituir família e coisas do tipo. Só sonhava com a lua de mel, a louca!. Sempre achei que se eu quisesse isso iria terminar refém de algo que não era exatamente o que eu queria pra minha vida. Ao longo desse um ano e meio estudando muito sobre autoconhecimento, conteúdos reprimidos na infância e outras coisas mais, me dei conta que existem maneiras de fazer diferente e ainda assim criar um indivíduo que vai conviver bem na sociedade em que vivemos.

Nessa hora deu um estalo na minha mente: eu posso ter a família que eu e meu futuro companheiro resolvermos ter. Seja ela como for: com casamento - ou não, cheia de crenças e regras - ou não, com cachorro (com certeza), com um, dois, três ou quem sabe nenhum filho, e por ai vai. Nossa casa, nossas regras. Eu não precisarei construir uma família como a sociedade deseja, e sim como eu desejo.

Ideia de família aceita e conceito absorvido, começaram a surgir alguns pensamentos novos e, com eles, questões que antes pareciam impossíveis. Se eu vou educar um ser humano, eu o farei com todo o cuidado e respeito para que ele reconheça como família todos os tipos de configurações de amor.

Quando aceitei a ideia de que pode ser que um dia, quem sabe, eu possa querer ter filhos comecei a prestar atenção em tudo que envolve esse universo. O amor que eu sinto pelo Arthur também me faz ver o quanto tudo isso é profundo, mágico e engrandecedor. Um processo diferente de autoconhecimento e entrega, eu diria.

Assim, nesse contexto, eu caí de paraquedas em comentários que originaram nosso último deu o que falar.

“Quem prefere ter um filho gay?”

“Estão todos sendo hipócritas porque ninguém prefere ter um filho gay.”

Eu nunca havia pensado sobre isso até essa semana. Sempre quando alguém me dizia que preferia que o filho não fosse gay pra que ele não sofresse preconceito eu parava pra pensar e no fim, achava que ok, fazia algum sentido.

Eu admito que posso ter pensado assim um dia, que preferia um filho heterossexual para sua proteção, mas algo em mim quebrou. Ao parar para ver a situação de uma forma macro eu mudei, sem nenhuma vergonha disso. Pode não ser algo óbvio ou fácil ter um filho homossexual, mas a gente aprende a lidar, assim como aprendemos a conviver com todas as escolhas ou diferenças das outras pessoas. Fora que educar uma criança qualquer nos dias de hoje não tem nada de tarefa fácil.

Todo adolescente pode sofrer preconceito, o famoso bullying existe para todos. Não importa a cor, credo ou religião. O gay, o deficiente, o negro, a menina gordinha, o garoto dentuço, a criança tímida e por ai vai. Por isso sou tão apaixonada pelo livro Extraordinário, acho que depois dele passei a ver as coisas sob outra ótica. Acho que uma boa educação aliada à construção de uma autoestima com base sólida são um caminho de lutar contra isso, independente de qual seja a particularidade em questão. Não posso impedir que outra pessoa sofra pra sempre, mas posso educá-la para lidar com isso e dar todo meu apoio, amor e atenção.

Nessa hora peguei o telefone e mandei áudios intermináveis pra minha melhor parceira desses assuntos, a Cá. Ela que é a mãe do meu lindo e amado afilhado, podia ter outra perspectiva. Comecei a falar achando que ela ia trazer algum contraponto, talvez me dizer que pensava diferente por algum bom motivo, mas não. Nessa hora ela, que sempre me ensina muito sobre intolerância, me disse que pensava da mesma forma. Não vou negar que me senti acolhida ao saber que compartilhávamos a mesma linha de raciocínio.

Na minha opinião, não cabe à mãe ou ao pai preferirem nada, mas é fundamental desconstruir crenças para que, no futuro (próximo, eu espero), a gente possa viver em uma sociedade menos preconceituosa. É um caminho longo, mas precisamos começar por algum lugar, não é?

No último ano eu aprendi que ser diferente é bom, que cada indivíduo é único e isso é uma das maiores mágicas à respeito da existência. E é isso que pretendo passar pra frente, se esse dia chegar em algum momento. Todos somos diferentes ainda que pareçamos iguais.

Desculpem o textão, mas tenho lido tanta coisa relacionada à homofobia que não fiquei com vontade de guardar esse pensamento pra mim. Talvez o que mudou pra mim possa ajudar mais uma pessoa a pensar no assunto, ainda que não partilhe da minha opinião.

Meu mundo ficou mais colorido quando percebi que não cabe a mim preferir nada.

Beijos

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3 respostas a babynofuti: cabe a ele escolher!

  1. Mirella disse:

    Jô, que texto maravilhoso!
    Me inspira e emociona saber que ainda tem pessoas com tanta empatia assim. Sem “não sou preconceituosa, mas…”, sem julgamentos, apenas aceitação ao que é diferente de você.
    Por favor, continue com os seus textos, eles estão cada dia mais incríveis!

  2. Wal disse:

    Pode dar um abraço? :)

    Eu e meu marido pensamos em começar a tentar ter um filho em breve e sempre que alguma grávida (até mesmo gay!) vem com esse discurso de que “não quero que meu filho seja homossexual para não sofrer” ficamos pesando no quanto essa criança já sofre…

    Texto incrível!

    Beijos

  3. Ju disse:

    Nossa! Ótimo texto!

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