25
abr
2016

Deu o que falar…

Deu o Que Falar

1 - A política da cusparada

No dia da comissão do impeachment, algumas cenas chamaram bastante a atenção, inclusive uma onde o deputado Jean Wyllys tenta dar uma cusparada em Bolsonaro depois de ter sido ofendido por ele. Esse fim de semana, outra cena envolvendo cuspes chamou a atenção e deu o que falar.

O ator José de Abreu estava em um restaurante com sua mulher quando começou a ser ofendido por um cliente da mesa ao lado. A ofensa cresceu a ponto do ator ter sido chamado de ladrão e safado, e a forma que ele encontrou de revidar foi cuspindo no casal. José de Abreu estava se achando super certo e resolveu contar o caso nas redes sociais.

nem em desenho infantil uma cusparada é engraçada, gente.

Quando foi que as pessoas pararam de respeitar as outras só porque não compartilham das mesmas opiniões? E quando foi que começaram a achar que cuspir na cara dos outros é normal? A tolerância parece que está virando um artigo raro e é claro que as vezes é difícil engolir calada certas coisas, mas sempre ouvimos dizer que se reagirmos à ofensas com violência, perdemos a razão. E continuamos achando isso. Independente da discussão do merecimento do cuspe ou não, só sabemos que em ambos os casos tá todo mundo errado. Pior, tá tudo errado mesmo.

2 - Beyoncé surpresa

E não é que ela fez de novo? Depois de ‘Beyoncé’, em 2013, álbum que foi lançado de surpresa junto com uma série de clipes, a cantora fez novamente. Na noite do último sábado Queen Bey lançou ‘Lemonade’ em um especial de uma hora de duração na HBO e, ao mesmo tempo, o álbum completo no Tidal.

Ainda não conseguimos ouvir as músicas novas, mas pelo o que ficamos sabendo - pelo artigo maravilhoso e super completo que a Liv Brandão escreveu - esse trabalho é super pessoal. Tanto que Lemonade mal foi lançado e os fãs já estão em polvorosa querendo saber quem é a “Becky do cabelo bom”, personagem que aparece na música “Sorry” onde Beyoncé reclama sobre não receber tanta atenção do homem que está com ela e sugere que ele ligue para a tal Becky. Segundo os detetives de plantão, se trata da designer Rachel Roy, que por sua vez vestiu a carapuça e acabou postando uma foto com uma indireta ao “cabelo bom”.

Fofocas à parte, provavelmente a coisa mais importante de Lemonade é que ele parece uma evolução do discurso de 2013, onde Beyoncé resolveu reforçar seu feminismo. Agora ela quis englobar o movimento negro, a começar pelo nome do álbum, uma referência à época da escravidão, onde negros tomavam suco de limão acreditando que teriam suas peles clareadas. Achamos importante esse posicionamento, ainda mais depois daquele vídeo do Saturday Night Live chamado “The day Beyoncé turned black”, onde os comediantes tiram sarro do dia que Beyoncé lança o vídeo de Formation (que exalta a cultura negra e mostra todo o racismo sofrido por negros) e os brancos surtam ao descobrir que a cantora é negra.

Alguém aqui já ouviu o novo álbum?

3 - Iluminada com arco íris

Desde que as marcas de maquiagem nos convenceram que iluminadores são ítens indispensáveis, muitos se tornaram queridinhos mas nunca imaginamos que um iluminador nas cores do arco íris ia chamar tanto a atenção!

Semana passada o Buzzfeed fez uma matéria contando sobre o produto lançado por uma marca de maquiagem artesanal chamada Beauty Bitter Lace, que virou febre em um forum no Reddit e não demorou muito para invadir outras redes sociais. Inclusive vimos tanta gente compartilhando que resolvemos dar uma olhada para ver do que se tratava.

Na verdade as cores ficam prateadas quando misturadas, mas quem quiser sair com um arco iris também pode. A questão que fica é: quem segura um arco iris metalizado nas bochechas?

PS: A Beauty Bitter Lace deve estar se dando bem com a viralização do seu iluminador (ou será que foi a dona da loja que tentou viralizar de propósito e deu certo? #teoriasdaconspiração)

12 respostas a Deu o que falar…

  1. Ju disse:

    Não concordo com a história do cuspe, não… Acho muito errado dar mais ênfase ao cuspe em si do que aos abusos do deputado Bolsonaro… Elogiar torturador, xingar o colega de parlamento de “queima-rosca” e “baitola”… Isso sim devia “dar o que falar”… O que é uma cuspida perto de toda a violência que os homossexuais enfrentam todos os dias? Cuspir nos outros não é normal, mas muito pior (numa escala que nem se compara) é incentivar a homofobia, o machismo e o racismo!
    Para o mundo que eu quero descer!

    • Carla disse:

      Ju, acho que você não entendeu. Ninguém aqui está defendendo o Bolsonaro, suas atitudes são totalmente reprováveis e já falamos sobre isso aqui quando a atriz Ellen Page entrevistou ele para um documentário sobre cidades que recebem turistas homossexuais.
      Jean não está errado em se indignar com o preconceito de Bolsonaro e não vou te dizer que na hora torci para que a cusparada atingisse o alvo, mas ao tentar cuspir, ele tira o foco do que realmente é importante, ele tira o foco da luta justamente porque perde a razão. Não adianta partir para a violência, a homofobia, o machismo e o racismo têm que ser combatidos mostrando como o discurso do Bolsonaro é equivocado, preconceituoso e perigoso. É bater muito na tecla para garantir que ele não tenha forças para se eleger.
      Particularmente eu achei ótimo que ele tenha feito aquele discurso exaltando o torturador, mostrou direitinho com o que ele compactua e com certeza abriu o olho de muita gente!

  2. Mariana disse:

    A partir do momento que vocês colocam o erro de Bolsonaro e Jean Willis como iguais, estão colocando a vítima, o oprimido, no mesmo lugar do seu opressor. É fácil dizer que é preciso manter a calma, a serenidade quando somos atacados com racismo, homotransfobia, machismo e confesso admirar quem consegue. Tento ter essa serenidade e equilíbrio quando me encontro em tal situação. Mas vocês já passaram por isso todos os dias? Perderam algum familiar que virou uma estatística (https://homofobiamata.wordpress.com/estatisticas/relatorios/)?
    Bolsonaro incita o ódio. Apoia a ditadura, já disse a uma mulher que não a estupraria porque ela não merece, que preferiria que seu filho morresse a ser homossexual, que bateria em duas pessoas do mesmo sexo caso as visse se beijando, entre tantas outras atrocidades. É de uma irresponsabilidade muito grande colocar o cuspe de Jean Willis no mesmo nível de Bolsonaro. Talvez não tenha sido a intenção do blog, talvez seja por ingenuidade, mas dói quem já viu uma pessoa querida ser vítima direta dos seguidores deste ser humano.
    No mais, sugiram que assistam este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=iLJGzq8Fgvg

    • Carla disse:

      Oi, Mari, mas em que momento botamos os erros dos dois como iguais? Eu nunca falei isso, nem a Jô! E sim, tem vezes que o sangue sobe e é difícil manter a calma, mas acho muito complicado resolver violência com violência. Por mais que um cuspe seja a forma mais branda de violência física que vc pode fazer com outra pessoa, não deixa de ser um ato violento, e acho que se acharmos isso aceitável, tenho medo de estarmos abrindo portas para outros tipos de violência. Sei lá, eu não quero criar meu filho em um mundo onde é normal resolver as coisas na porrada.

  3. Eloisa disse:

    Eu acho que NÃO CONCORDAR COM O CUSPE DO JEAN NÃO FAZ DA PESSOA UM BOLSOMINION ( coloque a Carla nesse grupo), MAS as pessoas que desligitimaram a causa de centenas de pessoas por causa do ato do Jean (que eu tenho CERTEZA que não é o caso da Carla), não têm o menor senso crítico. Quem generaliza isso em “estar do lado do Jean e estar do lado do Bolsonaro” não têm a menor ideia do que tá fazendo.
    Tem muito mais em jogo aí, como: a violência que o Jean sofre todo dia na câmara, nas redes sociais, etc; a parte conservadora do Brasil, que não perde a oportunidade de desligitimar a luta de uma minoria por qualquer motivo besta; etc.
    O que muita gente não lembra e ou não sabe mesmo é que no Brasil não existe justiça/PM pra negro, gay e mulher. É sempre assim: a mulher é espancada pelo marido todo dia, aí um dia, depois de denunciar o cara um milhão de vezes e ninguém dar a mínima ela vai lá e mata o cara e pronto, tá errada, tinha outra solução, etc. Quantas histórias desse tipo já não ouvimos? Não dá pra gente comparar a violência diária, história e legitimada pelo estado/polícia com a resistência do oprimido. Infelizmente algumas vezes essas pessoas se vêm obrigadas a fazer uso da violência, porque o estado não ampara, a sociedade não ampara. A violência nunca é a solução, mas não podemos dizer que ela nunca é justificável. Só pra vcs saberem: a polícia militar no Brasil é a quarta policia que mais mata no mundo, e mais de 50% dos mortos por policiais são jovens negros.

  4. Bianca disse:

    “a forma que ele encontrou de revidar foi cuspindo na mulher do ofensor” pelo que vi no video ela também o ofendeu e ele cuspiu nos dois e não apenas na mulher (não, eu não acho que isso justifique o cuspe, só acho importante relatar o que realmente aconteceu)

    • Luana disse:

      Eu entendo o posicionamento do blog sobre a troca de ofensas, que inclusive é o que muitas pessoas pensam, senão a maioria, mas não concordo. Na minha opinião quem agride primeiro é o errado. Quem reage, sem desproporção, está só se defendendo!

    • Carla disse:

      Eu não vi o vídeo Bianca e acho que li errado! Vou consertar!

  5. Concordo com a opinião de vocês, meninas!
    Sou totalmente contra o Bolsonaro. E apesar de não gostar do José de Abreu, também sou contra as ofensas dirigidas à ele pelo casal. Mas não consigo entender quem acha certo revidar com cuspe.

  6. Bianca disse:

    Acho que o lance do arco íris até é legal… Só que lançaram na época errada né! Carnaval já passou hehehe

  7. Wal disse:

    Eu acho que quem provoca (Bolsonaro e o casal) está esperando realmente uma reação de violência do outro, porque aí ele se coloca no papel de vítima (que de fato acaba sendo) e tira o foco da provocação e do absurdo da sua conduta. É o tipo de coisa que me recuso a dar mídia, inclusive não compartilho link no face nem pra dizer que discordo. Temos que ignorar as pessoas e combater as ideias. Da mesma forma, também acho violência a cusparada. Depois do BBB meio que banalizou, é como se não fosse agressão né? Mas é, e legítima defesa só se justifica se houver agressão física ou ameaça de, o que não creio que tenha sido o caso em nenhuma das situações. Sobre os outros assuntos, ainda não vi/ouvi o novo álbum da Bey, mas a moça do “cabelo bom” parece que queria mídia. E conseguiu. E achei fofinho o arco-íris, quem sabe no carnaval? :)

    Beijos!

  8. Bruna disse:

    a Beyoncé é maravilhosa demais. eu não sei o que fazer com esse cd novo dela. eu fico ouvindo as músicas e quando eu olho pro teclado eu não sei o que dizer, só sentir.

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