Hoje é dia de OSCAR!!! Por isso não podia deixar de publicar pelo menos os indicados ao prêmio de Melhor Filme.
Peço desculpas pelo texto enorme e por não ter conseguido completar os filmes, faltou “Brooklin”- mas como estava viajando dependi de cabines antes da minha viagem ou de conseguir ver os filmes a tempo. Claro que independente de qualquer resultado, ainda pretendo falar sobre a polêmica que provavelmente levou “A Garota Dinamarquesa” a ficar de fora de tantos prêmios.
E não esqueçam que essa semana tem texto EXCLUSIVO aqui, com as entrevistas das atrizes de “Como Ser Solteira”, direto de L.A. à convite da Warner Bros.
Ponte dos Espiões
Até uns 5 anos atrás eu iria torcer para que esse filme levasse todas as estatuetas por apenas um motivo: Spielberg. Aliás, assim como Leonardo di Caprio, o diretor foi esnobado pela Academia levando 15 anos para ganhar seu primeiro prêmio, sendo que alguns de seus melhores filmes como “A Cor Púrpura” e “O Império do Sol” não foram nem indicados a melhor direção. É esse o caso de “Ponte dos Espiões”, mais uma vez Steven não concorre ao prêmio de melhor direção mas o filme participa das categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.
A história, confesso, me deixou meio indecisa e perdida no princípio. Fiquei me perguntando se estava assistindo a um filme do inicio dos anos 90 sobre a Guerra Fria. Tom Hanks, para variar, faz seus melhores filmes com Spielberg, mas realmente perde a cena para o “russo” - isso não é spoiler, todo filme de Guerra Fria tem que ter pelo menos um soviético - Rudolf Abel, interpretado por Mark Rylance (ator britânico mais conhecido por seus papéis em produções inglesas). O ponto forte do filme, além da humanidade em alguns de seus personagens, é retratar a Alemanha após o fim da 2GM e a subida do Muro de Berlim. Além disso, acho que se torna um pouco “romântico” e quase irrealista em seu final, como se fosse necessário provar que Hollywood e os EUA ainda são capazes de trazer finais felizes. Apesar disso, é um excelente filme no seu retrato do que a guerra, o medo e o desespero podem fazer com um país.
O Regresso
Um dos filmes mais “polêmicos”, quase ame ou odeie, “O Regresso” é baseado na história de Hugh Glass durante o tempo que ele passou em Montana caçando peles. Como nós sabemos, toda história real não é BEM do jeito que o filme mostra - uma das reclamações sobre “A Garota Dinamarquesa”, por exemplo - e esse filme é uma das muitas versões da história, que me parece ser quase uma lenda americana, independente dele ter ou não existido.
Com uma fotografia exuberante - aliás “O Regresso” é um dos favoritos ao Oscar de Melhor Diretor de Fotografia e merecidamente - o filme vai narrando a saga de Glass sobrevivendo através de muita neve. Para isso, a produção e os atores realmente passaram por uns “apertos” e enfrentaram temperaturas abaixo de -40oC, para filmar apenas 1h30m por dia. Isso tudo por culpa da loucura do diretor - me desculpem, eu não simpatizo com ele - Alejandro Iñárritu que concorre ao prêmio de melhor diretor, podendo levar seu 3o e 4o Oscar consecutivos esse ano na dobradinha direção e Melhor Filme. Apesar de muito se falar, Leonardo diCaprio não ganhará o Oscar como produtor se “O Regresso” levar Melhor Filme, portanto sua chance é mesmo na disputa pelo prêmio de Melhor Ator.
Está rolando muita especulação sobre Leo levar o Oscar, principalmente por ele nunca ter levado um prêmio antes. Honestamente, não acho que esse é o melhor jeito de ganhar um Oscar. “Ah, mas ele passou frio” “Ah, ele comeu carne crua de Bisão”… Ok, os outros atores e toda a produção também passaram frio e ele decidiu comer a carne pois na verdade não achou que o resultado estético de comer um substituto estava realista - eu não consegui achar informações sobre os outros animais que ele se alimenta durante o filme, mas imagino que não foram de verdade. Admiro o cara encarar um fígado cru de animal porque a versão falsa que fizeram não estava realista, mas não consigo achar que isso faça ele merecer o Oscar.
Acho que a Academia está corretíssima em indicá-lo, mas eu acho que ele já deveria ter levado o prêmio para casa por outros filmes - “A Ilha do Medo” e meu preferido “Foi Apenas Um Sonho” são dois exemplos pelos quais ele foi completamente esnobado. Outro ator meio “azarão” também concorre ao prêmio de melhor ator coadjuvante: Tom Hardy. Com uma figura antipática, sotaque pesado e no primeiro papel que o vejo falar tanto, Fitzgerald (personagem de Tom) é o cara perfeito para você odiar e, sendo muito sincera, acho que o ator roubou as cenas e poderia “roubar” o Oscar, mesmo sabendo que ele não é o preferido da maioria.
Honestamente, achei tantas situações do filme inverossímeis que não consegui ter a imersão necessária para me apegar a Glass. Sua jornada, para mim, ficou cansativa, em algumas vezes heroica demais a ponto dele deixar de ser humano para ser um Super herói irrealista. Não acho que era isso que DiCaprio ou Alejandro tinham em mente, mas ao invés de O Regresso ser uma história de um homem que superou obstáculos, Leonardo virou um ator que superou o frio e outras intemperes para virar Glass. Ele não entregou a sua melhor atuação até porque debaixo daquela barba e de tanto gelo na cara, como alguém poderia passar mais? Então, não acho que será a maior injustiça se ele levar o Oscar para casa, mas na minha opinião gostaria de vê-lo levantar o prêmio por uma atuação mais digna de seu talento, pelo conjunto da obra.
A Grande Aposta
Trazendo um elenco de peso: Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steven Carell, esse filme poderia facilmente ter seus quatro atores disputando o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante.
Ao invés disso, decidiram nomear somente Bale pelo personagem real - e toda a história do filme é real - Michael Burry: um matemático que descobre uma falha no sistema de hipotecas americanas (para simplificar a história) e decide avisar que em pouco tempo a bolha financeira do sistema de crédito imobiliário irá estourar. E infelizmente, em 2007/2008, estourou, levando milhares de americanos à falência e a perderem suas casas.
Baseado na história americana e no livro “The Big Short” de Michael Lewis - autor dos livros que originaram os filmes “O Homem Que Mudou O Jogo” também com o Brad Pitt e “Um Sonho Possível” que rendeu a Sandra Bullock Oscar de Melhor Atriz - concorre ao prêmio de Melhor Roteiro Adaptado com grandes chances de levar para a casa a estátua. O filme também concorre nas duas principais categorias da noite: Melhor Filme e Melhor Direção.
Aparentemente aclamado pelo público e pela crítica, “A Grande Aposta” poderia ser o filme da noite mas, na minha opinião, falta peso para arrebatar os maiores prêmios. Além disso, a história tem um ritmo frenético e muitos jargões específicos, e como eu vi o filme em inglês confesso que me perdi em alguns momentos precisando de uma explicação depois. Não sei como foi a tradução aqui no Brasil mas esse é um filme que depende de uma boa tradução e de uma boa compreensão para acompanhar a história. Mas, Adam McKay, que além de dirigir ajudou a roteirizar a história, usou de excelentes técnicas para divertir o público enquanto explicava termos “chatos” de matemática financeira. Steve Carell está excelente e deveria estar concorrendo também, até porque acho que é dele o papel mais emocionalmente complexo do filme.
Mesmo com uma história acelerada e com termos talvez não tão comuns no nosso cotidiano, “A Grande Aposta” é um daqueles filmes que deve ser visto. Só não se deixe enganar pelo seu ar de comédia ou pelo jeito que os mocinhos “vencem”, o filme é uma história REAL e mostra como um país pode “falir” da noite para o dia, mesmo com toda a maquiagem que os bancos e o governo fazem para evitar a situação.
Spotlight: Segredos Revelados
Ok, o que falar sobre um filme cujo o tema é padres pedófilos? E pior, a história é real, recente e você se lembra do escândalo? Sabe quando você assiste um filme desejando que ele seja ruim mas ele não é? Eu saí da cabine e liguei para meus pais dizendo que eles precisavam ver o filme e fiquei com vontade de revê-lo (infelizmente não consegui). Honestamente, eu diria que se a Academia tiver coragem, Spotlight deveria ser o filme a levar para casa o prêmio de melhor filme da noite.
Eu sei que não é tão bonito ou impactante quanto “O Regresso”, engraçado e esperto como “A Grande Aposta”, lúdico e diferente como “O Quarto de Jack” ou historicamente importante como “Ponte dos Espiões” - infelizmente não assisti “Brooklyn” a tempo de escrever e não acho que “Mad Max” ou “Perdido em Marte” levarão o prêmio - mas Spotlight toca em um ponto que NUNCA deve ser esquecido: violência e/ou abuso contra crianças. O filme concorre a roteiro original, melhor ator e atriz coadjuvantes - Mark Ruffalo e Rachel McAdams - melhor edição, melhor diretor e melhor filme.
A história é contada através da perspectiva de um grupo de jornalistas investigativos que por causa de um novo editor, são obrigados a investigar uma notícia ligada ao Arcebispo de Boston, que teria encoberto um padre pedófilo. O ano é 2001 e o time se envolve com a pesquisa, investigando e descobrindo cada vez mais podres. Esse é o tipo de trabalho que leva meses e acaba recaindo para Spotlight, sessão do jornal onde eram publicados os textos desse time investigativo. Entretanto, todo mundo sabe o que aconteceu em Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001, obrigando o jornal inteiro a se mobilizar e deixando a matéria dos padres em segundo plano.
O filme não mostra nenhuma cena explícita, os depoimentos de vítimas eventuais são feitos de uma maneira pouco agressiva, ou seja, do ponto de vista do que você vai ver ou ouvir no cinema, nada vai ser com o intuito de chocar. Entretanto o filme choca, embrulha o estômago de outras maneiras muito mais sutis e que vão te fazer pensar ao invés de chorar.
O crédito todo é do time de Spotlight, por tornarem os conflitos dos jornalistas reais, algo que a gente sente e é capaz de se identificar. Se eles vão levar algum prêmio nessa noite por isso eu não sei, mas pelo menos posso dormir sabendo que o time real de Spotlight ganhou o Pulitzer - um dos maiores prêmios de jornalismo - por seus serviços prestados ao público.
E espero que mesmo corrida, vocês tenham gostado de ler pelo menos os principais filmes aqui no Futi. Eu certamente amei fazer e espero que na próxima vez seja menos corrido. Adoraria ouvir dicas de como melhorar ainda mais esse nosso espaço , claro, as opiniões - mesmo que sejam completamente diferente das minhas - de vocês dos filmes!
E quero saber: quem vocês acham que vão levar as estatuetas essa noite?
Beijos,
Sil










