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28
fev
2016

Filmes da Sil: Ponte dos Espiões, O Regresso, A Grande Aposta e Spotlight

cinema, Lifestyle

Hoje é dia de OSCAR!!! Por isso não podia deixar de publicar pelo menos os indicados ao prêmio de Melhor Filme.

Peço desculpas pelo texto enorme e por não ter conseguido completar os filmes, faltou “Brooklin”- mas como estava viajando dependi de cabines antes da minha viagem ou de conseguir ver os filmes a tempo. Claro que independente de qualquer resultado, ainda pretendo falar sobre a polêmica que provavelmente levou “A Garota Dinamarquesa” a ficar de fora de tantos prêmios.

E não esqueçam que essa semana tem texto EXCLUSIVO aqui, com as entrevistas das atrizes de “Como Ser Solteira”, direto de L.A. à convite da Warner Bros.

Ponte dos Espiões

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Até uns 5 anos atrás eu iria torcer para que esse filme levasse todas as estatuetas por apenas um motivo: Spielberg. Aliás, assim como Leonardo di Caprio, o diretor foi esnobado pela Academia levando 15 anos para ganhar seu primeiro prêmio, sendo que alguns de seus melhores filmes como “A Cor Púrpura” e “O Império do Sol” não foram nem indicados a melhor direção. É esse o caso de “Ponte dos Espiões”, mais uma vez Steven não concorre ao prêmio de melhor direção mas o filme participa das categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

A história, confesso, me deixou meio indecisa e perdida no princípio. Fiquei me perguntando se estava assistindo a um filme do inicio dos anos 90 sobre a Guerra Fria. Tom Hanks, para variar, faz seus melhores filmes com Spielberg, mas realmente perde a cena para o “russo” - isso não é spoiler, todo filme de Guerra Fria tem que ter pelo menos um soviético - Rudolf Abel, interpretado por Mark Rylance (ator britânico mais conhecido por seus papéis em produções inglesas). O ponto forte do filme, além da humanidade em alguns de seus personagens, é retratar a Alemanha após o fim da 2GM e a subida do Muro de Berlim. Além disso, acho que se torna um pouco “romântico” e quase irrealista em seu final, como se fosse necessário provar que Hollywood e os EUA ainda são capazes de trazer finais felizes. Apesar disso, é um excelente filme no seu retrato do que a guerra, o medo e o desespero podem fazer com um país.

O Regresso

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Um dos filmes mais “polêmicos”, quase ame ou odeie, “O Regresso” é baseado na história de Hugh Glass durante o tempo que ele passou em Montana caçando peles. Como nós sabemos, toda história real não é BEM do jeito que o filme mostra - uma das reclamações sobre “A Garota Dinamarquesa”, por exemplo - e esse filme é uma das muitas versões da história, que me parece ser quase uma lenda americana, independente dele ter ou não existido.

Com uma fotografia exuberante - aliás “O Regresso” é um dos favoritos ao Oscar de Melhor Diretor de Fotografia e merecidamente - o filme vai narrando a saga de Glass sobrevivendo através de muita neve. Para isso, a produção e os atores realmente passaram por uns “apertos” e enfrentaram temperaturas abaixo de -40oC, para filmar apenas 1h30m por dia. Isso tudo por culpa da loucura do diretor - me desculpem, eu não simpatizo com ele - Alejandro Iñárritu que concorre ao prêmio de melhor diretor, podendo levar seu 3o e 4o Oscar consecutivos esse ano na dobradinha direção e Melhor Filme. Apesar de muito se falar, Leonardo diCaprio não ganhará o Oscar como produtor se “O Regresso” levar Melhor Filme, portanto sua chance é mesmo na disputa pelo prêmio de Melhor Ator.

Está rolando muita especulação sobre Leo levar o Oscar, principalmente por ele nunca ter levado um prêmio antes. Honestamente, não acho que esse é o melhor jeito de ganhar um Oscar. “Ah, mas ele passou frio” “Ah, ele comeu carne crua de Bisão”… Ok, os outros atores e toda a produção também passaram frio e ele decidiu comer a carne pois na verdade não achou que o resultado estético de comer um substituto estava realista - eu não consegui achar informações sobre os outros animais que ele se alimenta durante o filme, mas imagino que não foram de verdade. Admiro o cara encarar um fígado cru de animal porque a versão falsa que fizeram não estava realista, mas não consigo achar que isso faça ele merecer o Oscar.

Acho que a Academia está corretíssima em indicá-lo, mas eu acho que ele já deveria ter levado o prêmio para casa por outros filmes - “A Ilha do Medo” e meu preferido “Foi Apenas Um Sonho” são dois exemplos pelos quais ele foi completamente esnobado. Outro ator meio “azarão” também concorre ao prêmio de melhor ator coadjuvante: Tom Hardy. Com uma figura antipática, sotaque pesado e no primeiro papel que o vejo falar tanto, Fitzgerald (personagem de Tom) é o cara perfeito para você odiar e, sendo muito sincera, acho que o ator roubou as cenas e poderia “roubar” o Oscar, mesmo sabendo que ele não é o preferido da maioria.

Honestamente, achei tantas situações do filme inverossímeis que não consegui ter a imersão necessária para me apegar a Glass. Sua jornada, para mim, ficou cansativa, em algumas vezes heroica demais a ponto dele deixar de ser humano para ser um Super herói irrealista. Não acho que era isso que DiCaprio ou Alejandro tinham em mente, mas ao invés de O Regresso ser uma história de um homem que superou obstáculos, Leonardo virou um ator que superou o frio e outras intemperes para virar Glass. Ele não entregou a sua melhor atuação até porque debaixo daquela barba e de tanto gelo na cara, como alguém poderia passar mais? Então, não acho que será a maior injustiça se ele levar o Oscar para casa, mas na minha opinião gostaria de vê-lo levantar o prêmio por uma atuação mais digna de seu talento, pelo conjunto da obra.

A Grande Aposta

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Trazendo um elenco de peso: Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steven Carell, esse filme poderia facilmente ter seus quatro atores disputando o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante.

Ao invés disso, decidiram nomear somente Bale pelo personagem real - e toda a história do filme é real - Michael Burry: um matemático que descobre uma falha no sistema de hipotecas americanas (para simplificar a história) e decide avisar que em pouco tempo a bolha financeira do sistema de crédito imobiliário irá estourar. E infelizmente, em 2007/2008, estourou, levando milhares de americanos à falência e a perderem suas casas.

Baseado na história americana e no livro “The Big Short” de Michael Lewis - autor dos livros que originaram os filmes “O Homem Que Mudou O Jogo” também com o Brad Pitt e “Um Sonho Possível” que rendeu a Sandra Bullock Oscar de Melhor Atriz - concorre ao prêmio de Melhor Roteiro Adaptado com grandes chances de levar para a casa a estátua. O filme também concorre nas duas principais categorias da noite: Melhor Filme e Melhor Direção.

Aparentemente aclamado pelo público e pela crítica, “A Grande Aposta” poderia ser o filme da noite mas, na minha opinião, falta peso para arrebatar os maiores prêmios. Além disso, a história tem um ritmo frenético e muitos jargões específicos, e como eu vi o filme em inglês confesso que me perdi em alguns momentos precisando de uma explicação depois. Não sei como foi a tradução aqui no Brasil mas esse é um filme que depende de uma boa tradução e de uma boa compreensão para acompanhar a história. Mas, Adam McKay, que além de dirigir ajudou a roteirizar a história, usou de excelentes técnicas para divertir o público enquanto explicava termos “chatos” de matemática financeira. Steve Carell está excelente e deveria estar concorrendo também, até porque acho que é dele o papel mais emocionalmente complexo do filme.

Mesmo com uma história acelerada e com termos talvez não tão comuns no nosso cotidiano, “A Grande Aposta” é um daqueles filmes que deve ser visto. Só não se deixe enganar pelo seu ar de comédia ou pelo jeito que os mocinhos “vencem”, o filme é uma história REAL e mostra como um país pode “falir” da noite para o dia, mesmo com toda a maquiagem que os bancos e o governo fazem para evitar a situação.

Spotlight: Segredos Revelados

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Ok, o que falar sobre um filme cujo o tema é padres pedófilos? E pior, a história é real, recente e você se lembra do escândalo? Sabe quando você assiste um filme desejando que ele seja ruim mas ele não é? Eu saí da cabine e liguei para meus pais dizendo que eles precisavam ver o filme e fiquei com vontade de revê-lo (infelizmente não consegui). Honestamente, eu diria que se a Academia tiver coragem, Spotlight deveria ser o filme a levar para casa o prêmio de melhor filme da noite.

Eu sei que não é tão bonito ou impactante quanto “O Regresso”, engraçado e esperto como “A Grande Aposta”, lúdico e diferente como “O Quarto de Jack” ou historicamente importante como “Ponte dos Espiões” - infelizmente não assisti “Brooklyn” a tempo de escrever e não acho que “Mad Max” ou “Perdido em Marte” levarão o prêmio - mas Spotlight toca em um ponto que NUNCA deve ser esquecido: violência e/ou abuso contra crianças. O filme concorre a roteiro original, melhor ator e atriz coadjuvantes - Mark Ruffalo e Rachel McAdams - melhor edição, melhor diretor e melhor filme.

A história é contada através da perspectiva de um grupo de jornalistas investigativos que por causa de um novo editor, são obrigados a investigar uma notícia ligada ao Arcebispo de Boston, que teria encoberto um padre pedófilo. O ano é 2001 e o time se envolve com a pesquisa, investigando e descobrindo cada vez mais podres. Esse é o tipo de trabalho que leva meses e acaba recaindo para Spotlight, sessão do jornal onde eram publicados os textos desse time investigativo. Entretanto, todo mundo sabe o que aconteceu em Nova Iorque no dia 11 de setembro de 2001, obrigando o jornal inteiro a se mobilizar e deixando a matéria dos padres em segundo plano.

O filme não mostra nenhuma cena explícita, os depoimentos de vítimas eventuais são feitos de uma maneira pouco agressiva, ou seja, do ponto de vista do que você vai ver ou ouvir no cinema, nada vai ser com o intuito de chocar. Entretanto o filme choca, embrulha o estômago de outras maneiras muito mais sutis e que vão te fazer pensar ao invés de chorar.

O crédito todo é do time de Spotlight, por tornarem os conflitos dos jornalistas reais, algo que a gente sente e é capaz de se identificar. Se eles vão levar algum prêmio nessa noite por isso eu não sei, mas pelo menos posso dormir sabendo que o time real de Spotlight ganhou o Pulitzer - um dos maiores prêmios de jornalismo - por seus serviços prestados ao público.

E espero que mesmo corrida, vocês tenham gostado de ler pelo menos os principais filmes aqui no Futi. Eu certamente amei fazer e espero que na próxima vez seja menos corrido. Adoraria ouvir dicas de como melhorar ainda mais esse nosso espaço , claro, as opiniões - mesmo que sejam completamente diferente das minhas - de vocês dos filmes!

E quero saber: quem vocês acham que vão levar as estatuetas essa noite?

Beijos,

Sil

25
fev
2016

Especial Filmes da Sil : “Como Ser Solteira” já nos cinemas!

cinema

Vocês lembram algum tempo atrás que eu falei que vinha uma surpresa MUITO bacana?! Parte da surpresa - eu sou má e vou dividir em algumas partes ;) - é que eu assisti em Los Angeles (sim, A terra do cinema!) a pré estréia de uma comédia romântica que tem tudo a ver com o Futi.

Hoje eu vou contar sobre esse filme super diferente que está dando o que falar! E sim, vou ser sincera. Mas o resto, o que eu experimentei em Hollywood, a realização de um sonho e como foram as entrevistas com o elenco - quem aí quer saber mais sobre a Rebel e a Dakota? - vai ficar para outro texto. Afinal, uma experiência desse porte merece ser divida em todos os detalhes! Porque se eu fui para L.A. é só por causa de vocês, e para dividir TUDO com vocês! <3

Acho que eu nunca fiquei tão nervosa e reescrevi tantas vezes um texto. Nada ficava bom na minha opinião, mas aí lembrei de tantas palavras de apoio que já ouvi e, bem, quando a gente está solteira existem alguns momentos que é a força que a gente recebe das amigas que nos ajudam a seguir adiante. Nesse ponto, que me perdoem os homens, as mulheres costumam formar uma rede de apoio e ajuda - mesmo existindo todo o “mimimi” de que mulher só compete - que é capaz de levantar qualquer amiga, mesmo aquela que está no momento mais difícil de sua vida. Porque amiga de verdade é assim, quase irmã.

Essa temática é tão forte que já foi fermento para inúmeras histórias e quando falamos de solteiras em Nova Iorque é impossível não lembrar do famoso Sex and The City, onde 4 solteiras também procuravam o amor. E aí, nesse momento vocês vão me perguntar: “Mas então você está dizendo que Como Ser Solteira é um novo Sex and the City?” Felizmente, para o bem das novas gerações, é e não é.

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Dakota é Alice, que após um término decide se mudar para o apartamento de sua irmã Meg, uma ginecologista obstetra workaholic interpretada por Leslie Mann, em Nova Iorque. Alice, em busca de si mesma - a gente já viu essa história por aqui de verdade não? ;) - acaba trabalhando com Robin, uma solteira convicta interpretada por Rebel Wilson, que acaba sendo a amiga ideal para quem precisa conhecer novos truques e o novo mundo dos solteiros. No meio disso tudo ainda tem Lucy, interpretada por Alison Brie (Mad Men e Community), que é aquela amiga que todo mundo tem uma na vida: obcecada em achar o homem perfeito, casamentos, idade para ter filhos, e acaba passando 90% da sua vida no meio de fantasias e medos, ao invés de enxergar a realidade à sua volta.

Esse novo quarteto tem uma coisa em comum e ao mesmo tempo diferente das solteiras nova iorquinas de outras épocas: elas querem saber quem são antes de encontrar o amor, ou não. Porque ao contrário da maioria das menininhas que sonham com o príncipe encantado, essas mulheres - e incluo Alison, que aliás é protagonista de uma das minhas cenas preferidas em uma livraria - sabem ou aprendem que não precisam de uma cara metade para ser 100% feliz, isso acontece na hora certa.

Apesar de já ser casada, eu não pude não me identificar com o filme e dar boas risadas em muitos momentos. A verdade é que comigo foi meio por acaso que encontrei o Erick e não foi amor à primeira vista. Então, sim, eu me vi solteira desesperada, vi amigas minhas que saíam e aproveitavam mais do que eu, e outras que tinham uma fórmula mágica, enfim, acredito que praticamente toda mulher se reconhece ou conhece uma amiga parecida com uma das protagonistas.

E quanto aos protagonistas masculinos do filme? Outra coisa que é inovadora, na minha opinião, é que apesar de importantes, o mundo não gira em torno deles. Ninguém fica desesperada para saber se o “Mr. Big vai aparecer em Paris para resgatar a mocinha”. Você sabe que as mocinhas são capazes de resolver suas situações, mesmo que elas envolvam homens complicados e corações partidos. Tom, Ken, David, Josh e George, apesar de aprontarem, também pertencem na sua maioria à uma nova geração de homens. Daqueles que estão prontos para ajudar na casa, trocar fraldas, cuidarem dos filhos, etc.

O filme conta com uma super produção. Além de uma das produtoras ser Drew Barrymore, o roteiro é da dupla Abby Kohn e Marc Silverstein, de Para Sempre e Ele não está tão afim de você (e depois vou contar mais sobre o quanto eles são incríveis), além de Dana Fox (de Encontro de Casais e Jogo de Amor em Las Vegas), que também está nesse time de escritores que trabalhou para manter uma história atemporal que continuasse moderna.

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Como diretor, o “novato” Christian Rein, um alemão recém chegado à Hollywood com olhar fresco. Algo que me diz que ainda vamos ouvir falar mais dele. A trilha sonora, a primeira coisa que me marcou e que amei no filme, é de Fil Eisler da premiada série Empire (precisa falar mais?!).

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Se você espera que esse filme seja mais uma comédia romântica lugar comum, pode esperar sentada e de preferência em uma cadeira de um cinema mais próximo. Afinal, goste ou não do estilo mais pesado de piadas da Rebel (aliás, ela é um amor!) - eu mesma já assumi que não é o meu estilo preferido - eu dei ótimas risadas no filme e acredito que “Como Ser Solteira” vai te surpreender. Honestamente, espero que assim como foi para mim, a surpresa seja positiva, pois confesso que quanto mais penso nas suas questões centrais, mais curto a ideia e o final. =)

Beijos enormes!

Sil

PS: Antes de mais nada eu preciso agradecer à Warner Bros, que me levou tão longe para essa oportunidade única! Pude sentar do lado de outros jornalistas internacionais e conversar com Dakota Johnson, Rebel Wilson e outros nomes muito legais, que vocês vão ler aqui, foi tudo incrível.
Agradeço também a todos que confiaram em mim e que me deram forças. Vocês são maravilhosos e essenciais para mim! Obrigada! <3
Ps: da Jô, QUEM ACHA que eu vou correr para ver esse filme? AMEI o tema!
19
fev
2016

Filmes da Sil: O Quarto de Jack, Carol e Steve Jobs

cinema

Como a cerimônia está bem em cima, vou tentar correr e resumir os filmes. Depois eu posso fazer uma análise mais profunda dos vencedores ou dos que vocês pedirem, que tal?

Além disso, como estou viajando, alguns filmes eu tive que assistir correndo no meio da viagem (juro!). Fazia anos que eu não fazia uma maratona de Oscar e confesso que, apesar de não ser no melhor momento pois dependo das estréias em outros países, foi muito gostoso resgatar a criança que era aficionada pela Academia em mim. Então vamos começar com um filme que diz muito sobre a vida de outra criança?

O Quarto de Jack

O filme é um dos concorrentes ao principal prêmio, melhor filme, além de melhor diretor, melhor atriz e melhor roteiro adaptado, ou seja 4 dos prêmios mais importantes. De acordo com alguns críticos, “O Quarto de Jack” merece sim o maior prêmio, e como a Academia tem premiado filmes estilo “indie” - que seriam filmes independentes no passado mas hoje eu diria que seriam filmes um pouco mais alternativos e menores - eu diria que “O Quarto de Jack” tem bastante chance de levar melhor filme.

Brie Larson está ótima como a mãe de Jack, em um papel que é emocionalmente complexo. Entretanto, acredito que Jacob Tremblay como Jack - que tem 10 anos na vida real - é o principal responsável por nos transportar para seu fantástico universo e é quem realmente coloca um toque diferente no filme. É esse universo, essa visão inocente e pura das crianças que transforma o que poderia ser um longo episódio de Lei e Ordem SVU, em uma história que te prende e encanta. Infelizmente ele não está concorrendo ao prêmio de Melhor Ator. De qualquer forma, podem preparar o lenço de papel, “O Quarto de Jack” é daqueles filmes que são capazes de nos fazer chorar.

Carol

Eu peço licença, pois ao contrário da maioria dos filmes que eu evito ao máximo entrar em detalhes, eu acredito que é importante falar um pouco da minha visão do filme - com muito cuidado para não dar spoilers, claro. A maioria das críticas que andei lendo interpretaram essa história de amor - acho que nisso a maioria concordou - de Cate e Rooney e a forma como cada uma delas entra nessa relação com uma visão mais romântica do que a minha. Gostaria até que as leitoras que já viram o filme me dissessem o que acharam porque é sempre interessante conhecer as visões diferentes.

Em primeiro lugar, além de outros prêmios, “Carol” concorre aos Oscars de Melhor Atriz com a maravilhosa Cate e melhor atriz coadjuvante com a camaleoa Rooney Mara. Ambas poderiam levar o prêmio e seria justo, em grande parte pela forma como ambas se entregam para dar vida ao mesmo. Me arrisco dizer que se não fosse a dupla talvez o filme não fizesse o sucesso que fez. Honestamente, esperava algumas indicações de roteiro adaptado ou até melhor filme, apesar de saber que não levaria o prêmio.

Quem já leu algum texto provavelmente ouviu sobre como Carol, uma mulher cheia de vida em um casamento acabado, seduz a inocente Therese. A relação das duas seria uma relação onde Carol ensinaria a jovem e se “alimentaria” dessa curiosidade juvenil, enquanto Therese aprenderia como a vida pode ser deliciosa quando vivida de uma forma passional e mais experiente. Não sei porque mas a impressão que eu tive nas sutilezas e nas brilhantes interpretações foi um pouco mais profunda e realística do que essa acima. Eu não vi inocência na personagem de Rooney e sim uma jovem com paixão pela vida e que é capaz de se destacar no meio de uma multidão desde o início. Cate Blanchett, assim como Carol, já é uma personagem mais complexa, ressentida pela “não vida” que leva com o marido. Sua solidão é maior do que o buraco que sua filha ou sua melhor amiga podem preencher, é algo que só o companheirismo que encontramos em uma “alma gêmea” irá resolver. E talvez seja isso que Therese possa oferecer.

E é isso, o filme é lindo, uma bela história de amor entre duas pessoas, interpretadas por acaso por duas atrizes que estão brilhantes em seus papéis. Poderiam ser dois atores, um ator e uma atriz, não importa, o que realmente devemos aprender com Carol é que acima de tudo, para amarmos inteiramente qualquer outra pessoa é preciso de amor próprio. E Carol, nos anos 50, precisará enfrentar uma jornada, com escolhas quase impossíveis e que deixaria qualquer feminista de hoje orgulhosa.

Steve Jobs

Eu costumava brincar que o Erick só precisava ter ciúme de um homem no mundo e esse homem era Steve Jobs. Por alguma razão inexplicável, eu sempre tive uma paixonite pela grande mente por trás da Apple e confesso que amava o filme “Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício”, onde o queridinho Noah Wyle (ex ER, Falling Skies) interpretava Steve em uma história que contava a vida dele e de Bill Gates. Até então esse foi o melhor filme que havia sido feito sobre a vida dele, até os dias de hoje. E alguns vão continuar dizendo que é.

Alguns anos se passaram, muitas informações apareceram, e Jobs foi de revolucionário amado à personalidade que deveria estar num reality de patrões malvados estilo Undercover Boss. Desde sua disputa com seu parceiro Steve “Woz” Wozniak até a questão da paternidade, Steve deixou de ser o queridinho para virar um monstro até chegar sua doença fatal que o redimiu no final de sua vida. (Na verdade, para ser mais precisa, Jobs reconquistou o público e o mercado com sua linha de produtos “i” em 2000/2001 quando voltou para a Apple - seu câncer foi diagnosticado em 2003).

Michael Fassbender, que concorre ao Oscar de melhor ator, não se parece em nada com Jobs na minha percepção. Mas, sendo brilhante como é, em alguns momentos ele capta perfeitamente as expressões, os trejeitos e você acha que é Steve quem está na tela. Entretanto, não acredito que seja o melhor trabalho de Michael e nem uma atuação digna de levar o Oscar desse ano. Não assisti Macbeth para saber porque Fassbender não está concorrendo pelo Rei Escocês, mas eu sou fã do ator e acho que indicá-lo não é um erro. Já Seth Rogen, que está perfeito como Woz, não brilha o suficiente perto de seus outros concorrentes mas faz bonito construindo uma carreira sólida com sua segunda indicação a Melhor Ator Coadjuvante. E o que dizer de Kate Winslet? Para quem começou sua carreira com jeito de quem talvez não fosse adiante, a atriz segue o “Maestro” como sua companheira fiel de trabalho e executiva de Marketing, Joanna, do inicio da sua carreira até um pouco antes do retorno dele a Apple, como uma sombra que muitas vezes se torna maior do que seu dono. Kate está na complexa disputa de Atriz Coadjuvante mas tem chances de levar o prêmio provando que está bem longe da atriz que era apenas a irmã mais nova de Emma Thompson em Razão e Sensibilidade.

O que é mais interessante no filme para mim é a forma como ele é contado. Entretanto, é o tipo de história cheia de cortes e flashbacks que nem sempre agrada a todos. Danny Boyle, seu diretor, também não tentou fazer de Jobs nada além de um homem normal e extremamente perfeccionista, alguém que erra mas também acerta e amadurece conforme a idade vai passando.

Divido em 3 momentos da vida de Steve: o lançamento do primeiro Apple Macintosh, um sucesso que não foi do tamanho esperado pela empresa, o lançamento do completamente obscuro e fracasso de vendas NeXT e o lançamento do famoso iMac, sucesso estrondoso que até hoje continua a evoluir e a crescer em produtos diversos - era o meu sonho na época. O filme faz algo que Steve ficaria orgulhoso, corta os excessos para dar espaço ao esteticamente interessante e entregar exatamente o necessário para o desenvolvimento da narrativa. E assim como existe o OSX, Linux, Windows, Android, IOS, entre tantos sistemas que gostamos ou não, existem filmes que são para diferentes “usuários” e não tem nada de errado nisso ;)

E nessa corrida contra o tempo o post ficou enorme, mas espero que gostem pois fiz com carinho. Para quem quiser ver alguns dos outros filmes que estão concorrendo e já passaram por aqui antes, basta clicar no nome e abrir o link. Mad Max, Perdido em Marte, Os 8 odiados, Creed, Diverdida Mente, Star Wars (concorrendo por prêmios técnicos) e Cinderella.

Essa semana eu pretendo colocar no ar os últimos filmes: O Retorno, A Grande Aposta, Spotlight, A Garota Dinamarquesa e pelo menos A Ponte dos Espiões. Quero tentar ainda Brooklyn, Joy e Trumbo, será que vou conseguir? Mais na véspera pretendo colocar um texto explicando melhor sobre cada prêmio e sobre algumas apostas, o que acham?

Beijos congelantes!

Sil

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