O DQF saiu atrasado porque a gente não se programou, mas saiu! Antes tarde do que nunca!
1 - #BlogueiraSangrenta
Se você for prestar atenção nas hashtags do Twitter, vai ver que tem muito mais besteira do que algo que valha a pena. Já falamos em DQF anteriores de alguns exemplos - #46nãoentra e #melissafail - que valeram a pena pelo fato de mostrar que o povo tem voz e muitas marcas ainda não estão preparadas para esse bombardeio, quando ele acontece.
Só que ontem, quem entrou no Twitter à tarde deve ter visto uma # que chamou a atenção: #BlogueiraSangrenta. Quem tava fazendo algo melhor que ficar no Twitter e perdeu essa, tem mais explicações aqui e aqui, mas resumindo, foi uma manifestação contra blogueiras que usam pele verdadeira.
De início, achamos a ideia boa. Realmente, não faz sentido o uso de pele verdadeira no Brasil. Já vimos tantos modelos falsos que não deixam NADA a dever pros verdadeiros e que esquentam praticamente a mesma coisa (isso é, o suficiente para as nossas temperaturas) que só podemos concordar que vender, comprar ou usar um modelo verdadeiro soa como ostentação.
Ontem foi o dia em que muitas marcas ficaram de cabelo em pé para se posicionarem rapidamente e várias outras não se posicionaram, mas temos certeza que também demoraram pra dormir.
Só que, o que era pra ser algo muito bom, virou agressividade. Claro que, no meio do “Twittaço”, várias pessoas são ativistas mesmo e lutam todo dia pra que as coisas melhorem. Mas o discurso inflamado de 80% nos lembrou aquele tipo de revolta com políticos, que na votação seguinte, todo mundo já esqueceu e vota de novo, sabem? Ou então que reclamam, esquecem e depois não querem mais saber de cobrar.
Temos certeza que muita gente participou só para atacar, participar da polêmica e não irão se engajar de verdade. E aí, desproporcionalmente falando, fica tão feio quanto quem usa pele.
2 - Posição realista sobre o mundo da moda
Esse assunto tem menos de DQF e é muito mais uma indicação de leitura. Em uma ótima (e realista) entrevista, Herchcovitch conta para a Folha que quem quer sobreviver no Brasil também tem que se preocupar em fazer produtos para as classes C e D.
Ele não vai abrir mão de seus produtos de luxo - nem a gente quer que ele faça isso - mas concordamos com ele. Por aqui o que “tem preço” vira febre e vende que nem água. O Brasil é um país super comercial que, como Alexandre mesmo afirmou, “tem expertise de fazer roupa popular, de periguete”. A gente não curte muito o piriguetismo, mas o mercado reage incrívelmente bem a ele. Não dá pra ignorar, né?
Vale lembrar que Alexandre não vai sair por aí fazendo roupas de piriguete - ele mesmo diz que nem sabe fazer - mas que está de olho nas linhas mais populares. Achamos interessante essa visão realista de um estilista que consegue transitar muito bem por essas duas vertentes da moda.
3 - Jacobs x Kidult e a briga continua
Lembram que a gente falou num DQF passado da pixação na loja Marc Jacobs que acabou virando uma camiseta de US$689?
Estávamos por fora, mas a briga continua. A Sissi, amiga e finada blogueira, mandou pra gente um link mostrando a evolução da história depois que Marc Jacobs resolveu usar a “art” de Kidult para ganhar dinheiro, muito dinheiro.
O grafiteiro não deve ter ficado contente com a apropriação de sua rebeldia e já está vendendo a sua versão da história, em camiseta, claro, por 6,89 euros (vocês acham que ele ia perder a piada?). Pra ver a linha do tempo dessa confusão, é só clicar aqui. Achamos que dá uma boa discussão sobre quem tá se apoiando em quem pra ganhar destaque, não acham?

