19
fev
2016

Filmes da Sil: O Quarto de Jack, Carol e Steve Jobs

cinema

Como a cerimônia está bem em cima, vou tentar correr e resumir os filmes. Depois eu posso fazer uma análise mais profunda dos vencedores ou dos que vocês pedirem, que tal?

Além disso, como estou viajando, alguns filmes eu tive que assistir correndo no meio da viagem (juro!). Fazia anos que eu não fazia uma maratona de Oscar e confesso que, apesar de não ser no melhor momento pois dependo das estréias em outros países, foi muito gostoso resgatar a criança que era aficionada pela Academia em mim. Então vamos começar com um filme que diz muito sobre a vida de outra criança?

O Quarto de Jack

O filme é um dos concorrentes ao principal prêmio, melhor filme, além de melhor diretor, melhor atriz e melhor roteiro adaptado, ou seja 4 dos prêmios mais importantes. De acordo com alguns críticos, “O Quarto de Jack” merece sim o maior prêmio, e como a Academia tem premiado filmes estilo “indie” - que seriam filmes independentes no passado mas hoje eu diria que seriam filmes um pouco mais alternativos e menores - eu diria que “O Quarto de Jack” tem bastante chance de levar melhor filme.

Brie Larson está ótima como a mãe de Jack, em um papel que é emocionalmente complexo. Entretanto, acredito que Jacob Tremblay como Jack - que tem 10 anos na vida real - é o principal responsável por nos transportar para seu fantástico universo e é quem realmente coloca um toque diferente no filme. É esse universo, essa visão inocente e pura das crianças que transforma o que poderia ser um longo episódio de Lei e Ordem SVU, em uma história que te prende e encanta. Infelizmente ele não está concorrendo ao prêmio de Melhor Ator. De qualquer forma, podem preparar o lenço de papel, “O Quarto de Jack” é daqueles filmes que são capazes de nos fazer chorar.

Carol

Eu peço licença, pois ao contrário da maioria dos filmes que eu evito ao máximo entrar em detalhes, eu acredito que é importante falar um pouco da minha visão do filme - com muito cuidado para não dar spoilers, claro. A maioria das críticas que andei lendo interpretaram essa história de amor - acho que nisso a maioria concordou - de Cate e Rooney e a forma como cada uma delas entra nessa relação com uma visão mais romântica do que a minha. Gostaria até que as leitoras que já viram o filme me dissessem o que acharam porque é sempre interessante conhecer as visões diferentes.

Em primeiro lugar, além de outros prêmios, “Carol” concorre aos Oscars de Melhor Atriz com a maravilhosa Cate e melhor atriz coadjuvante com a camaleoa Rooney Mara. Ambas poderiam levar o prêmio e seria justo, em grande parte pela forma como ambas se entregam para dar vida ao mesmo. Me arrisco dizer que se não fosse a dupla talvez o filme não fizesse o sucesso que fez. Honestamente, esperava algumas indicações de roteiro adaptado ou até melhor filme, apesar de saber que não levaria o prêmio.

Quem já leu algum texto provavelmente ouviu sobre como Carol, uma mulher cheia de vida em um casamento acabado, seduz a inocente Therese. A relação das duas seria uma relação onde Carol ensinaria a jovem e se “alimentaria” dessa curiosidade juvenil, enquanto Therese aprenderia como a vida pode ser deliciosa quando vivida de uma forma passional e mais experiente. Não sei porque mas a impressão que eu tive nas sutilezas e nas brilhantes interpretações foi um pouco mais profunda e realística do que essa acima. Eu não vi inocência na personagem de Rooney e sim uma jovem com paixão pela vida e que é capaz de se destacar no meio de uma multidão desde o início. Cate Blanchett, assim como Carol, já é uma personagem mais complexa, ressentida pela “não vida” que leva com o marido. Sua solidão é maior do que o buraco que sua filha ou sua melhor amiga podem preencher, é algo que só o companheirismo que encontramos em uma “alma gêmea” irá resolver. E talvez seja isso que Therese possa oferecer.

E é isso, o filme é lindo, uma bela história de amor entre duas pessoas, interpretadas por acaso por duas atrizes que estão brilhantes em seus papéis. Poderiam ser dois atores, um ator e uma atriz, não importa, o que realmente devemos aprender com Carol é que acima de tudo, para amarmos inteiramente qualquer outra pessoa é preciso de amor próprio. E Carol, nos anos 50, precisará enfrentar uma jornada, com escolhas quase impossíveis e que deixaria qualquer feminista de hoje orgulhosa.

Steve Jobs

Eu costumava brincar que o Erick só precisava ter ciúme de um homem no mundo e esse homem era Steve Jobs. Por alguma razão inexplicável, eu sempre tive uma paixonite pela grande mente por trás da Apple e confesso que amava o filme “Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício”, onde o queridinho Noah Wyle (ex ER, Falling Skies) interpretava Steve em uma história que contava a vida dele e de Bill Gates. Até então esse foi o melhor filme que havia sido feito sobre a vida dele, até os dias de hoje. E alguns vão continuar dizendo que é.

Alguns anos se passaram, muitas informações apareceram, e Jobs foi de revolucionário amado à personalidade que deveria estar num reality de patrões malvados estilo Undercover Boss. Desde sua disputa com seu parceiro Steve “Woz” Wozniak até a questão da paternidade, Steve deixou de ser o queridinho para virar um monstro até chegar sua doença fatal que o redimiu no final de sua vida. (Na verdade, para ser mais precisa, Jobs reconquistou o público e o mercado com sua linha de produtos “i” em 2000/2001 quando voltou para a Apple - seu câncer foi diagnosticado em 2003).

Michael Fassbender, que concorre ao Oscar de melhor ator, não se parece em nada com Jobs na minha percepção. Mas, sendo brilhante como é, em alguns momentos ele capta perfeitamente as expressões, os trejeitos e você acha que é Steve quem está na tela. Entretanto, não acredito que seja o melhor trabalho de Michael e nem uma atuação digna de levar o Oscar desse ano. Não assisti Macbeth para saber porque Fassbender não está concorrendo pelo Rei Escocês, mas eu sou fã do ator e acho que indicá-lo não é um erro. Já Seth Rogen, que está perfeito como Woz, não brilha o suficiente perto de seus outros concorrentes mas faz bonito construindo uma carreira sólida com sua segunda indicação a Melhor Ator Coadjuvante. E o que dizer de Kate Winslet? Para quem começou sua carreira com jeito de quem talvez não fosse adiante, a atriz segue o “Maestro” como sua companheira fiel de trabalho e executiva de Marketing, Joanna, do inicio da sua carreira até um pouco antes do retorno dele a Apple, como uma sombra que muitas vezes se torna maior do que seu dono. Kate está na complexa disputa de Atriz Coadjuvante mas tem chances de levar o prêmio provando que está bem longe da atriz que era apenas a irmã mais nova de Emma Thompson em Razão e Sensibilidade.

O que é mais interessante no filme para mim é a forma como ele é contado. Entretanto, é o tipo de história cheia de cortes e flashbacks que nem sempre agrada a todos. Danny Boyle, seu diretor, também não tentou fazer de Jobs nada além de um homem normal e extremamente perfeccionista, alguém que erra mas também acerta e amadurece conforme a idade vai passando.

Divido em 3 momentos da vida de Steve: o lançamento do primeiro Apple Macintosh, um sucesso que não foi do tamanho esperado pela empresa, o lançamento do completamente obscuro e fracasso de vendas NeXT e o lançamento do famoso iMac, sucesso estrondoso que até hoje continua a evoluir e a crescer em produtos diversos - era o meu sonho na época. O filme faz algo que Steve ficaria orgulhoso, corta os excessos para dar espaço ao esteticamente interessante e entregar exatamente o necessário para o desenvolvimento da narrativa. E assim como existe o OSX, Linux, Windows, Android, IOS, entre tantos sistemas que gostamos ou não, existem filmes que são para diferentes “usuários” e não tem nada de errado nisso ;)

E nessa corrida contra o tempo o post ficou enorme, mas espero que gostem pois fiz com carinho. Para quem quiser ver alguns dos outros filmes que estão concorrendo e já passaram por aqui antes, basta clicar no nome e abrir o link. Mad Max, Perdido em Marte, Os 8 odiados, Creed, Diverdida Mente, Star Wars (concorrendo por prêmios técnicos) e Cinderella.

Essa semana eu pretendo colocar no ar os últimos filmes: O Retorno, A Grande Aposta, Spotlight, A Garota Dinamarquesa e pelo menos A Ponte dos Espiões. Quero tentar ainda Brooklyn, Joy e Trumbo, será que vou conseguir? Mais na véspera pretendo colocar um texto explicando melhor sobre cada prêmio e sobre algumas apostas, o que acham?

Beijos congelantes!

Sil

4 respostas a Filmes da Sil: O Quarto de Jack, Carol e Steve Jobs

  1. May disse:

    To na corrida tbm! Hahahah quero muito ver Room, estou com ingressos comprados para HOJE!

    Carol é um filme bonito, mas não me cativou muito. As duas atrizes obviamente dão um banho de interpretação, mas não achei nada além do que ambas já mostraram anteriormente.

    E ontem assisti Steve Jobs. Primeiro que fiquei de boca aberta com esse lado “bizarro” dele que eu não conhecia. Até olhei pro meu Iphone de maneira diferente hahaha. Atuação do Fassbender boa, mas não para Oscar. E ai vem Kate musa Winslet, como sempre atuando maravilhosamente bem, mas, contrariando todos os meus princípios (de novo essa semana, já que declarei minha torcida para Eddie e não Leo), acho que Alicia Vikander em Danish Girl merece mais.

    Aliás, como Danish Girl não foi indicado para melhor filme?
    Volta logo, Sil <3

    • Sil disse:

      Room é daqueles filmes que temos que ter muito cuidado, pois fiquei morrendo de medo de entregar a história ou qualquer detalhe que pudesse estragar a experiência de quem ainda não viu. Mas acho que valia um aviso que a história mexe, né? Depois quero saber o que você achou!

      Curtiu Jobs? Eu ri muito com sua declaração sobre o iPhone!!! Como eu já tinha ouvido coisas piores dele e acho que existe muito mito também - afinal quem conta um conto, aumenta um ponto - acho que o filme retratou muito bem a insegurança dele desde o início. No começo da história, Steve não tem nem 30 anos! Os caras da Apple pressionaram ele demais sobre a questão da filha - parece que não tinha o teste quando ela nasceu ainda - e a mãe dela era uma louca que chantageou ele até 2009. Já na segunda parte do filme, o que não chega a ficar tão claro, mas ele mesmo a pedido da filha, leva a menina para trocar o nome para Lisa qq Jobs. Enfim, Steve também não teve a vida mais fácil e não viveu em um ambiente super protegido WASP como Bill Gates. Mas sim, ele era um homem de temperamentos, risos, a própria Joanna conta isso, apesar de falar dele com carinho. Aliás ela se envolveu no projeto e trabalhou com a Kate, achei muito legal. O Fassbender merece a indicação mas não o prêmio mesmo. Agora Kate, é como eu disse, ela está em uma das categorias mais complicadas desse ano e talvez a Rachel seja com menos chance, mas qualquer outra que levar o prêmio, não será injusto. Acho que Alicia deveria estar em Melhor Atriz mas não vou entrar nas questões do Garota Dinamarquesa ainda (quero estudar mais a opinião sobre a comunidade LGBQ tb para entender um pouco mais do que está sendo criticado).

      É, eu entendo a questão do Carol, acho que ele mexe mais quando rola uma identificação com uma das personagens. Eu me identifiquei com Therese em vários momentos e até com a própria Carol em outros, especialmente nas questões de viver agradando os outros e ter o seu papel na sociedade como uma mulher XYZ porque somos namoradas ou esposas de alguém. Lógico que minhas questões são mínimas comparadas com o que elas passam, mas até hoje existem aqueles que cobram que nós devemos ser donas de casas perfeitas da década de 50 e não colocar nossas opiniões em público por exemplo. Ou ter filhos tanto tempo depois de casarmos e antes dos 30 - idade que já passei - e por aí vai. Então, foi por isso que eu falei que o filme mexeu comigo talvez de uma maneira que não mexa com outros. Mas acho que é essa a beleza do cinema, as histórias não são estáticas e iguais para todos! ;)

      Já, já tô de volta!!! Beijão linda! <3

  2. irene disse:

    Conceição Gomes · Rio de Janeiro

    o post não ficou grande, li todo e queria mais
    gostei da ideia de colocar algo sobre os prêmios, mas isto sim será um desafio, falar algo novo e interessante, sem ficar enorme…
    só de ver a foto da Cate já me apaixonei e o prêmio tem que ser para ela pois até ficar lindíssima ela conseguiu…
    acho que foram os melhores comentários que li no filmes de Sil…

  3. Dos candidatos a melhor filme falta ver Brooklyn e A grande aposta. O Regresso parece claramente um filme feito para Leo levar sua estatueta, porque ele come o pão que o diabo amassou! Mas a fotografia é impecável. Mas em relação ao melhor filme acho que O Quarto de Jack toca mais e foge do lugar comum de filmes de cativeiro justamente pela visão doce e inocente de Jack. Filme perfeito! Ainda não vi Carol e a Garota Dinamarquesa, mas acho que Eddie não leva outro oscar seguido.

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