28
set
2015

Deu o que falar…

Deu o Que Falar, Lifestyle

1 - Pagando o pato do dono

Semana passada muita gente comentou sobre o caso da vendedora da Maria Filó, grávida de 8 meses, que teve que ouvir do próprio dono da marca que ele pretendia contratar mais gays para vendedores porque eles não engravidavam.

Quem não ficou sabendo, o relato do marido dessa vendedora é esse aí de cima e a equipe de mídias sociais da marca se retratou dizendo que o dono tinha um jeito “brincalhão” e que a história foi tirada de contexto.

Se foi tirado de contexto ou não, se foi brincadeira ou não, o que importa é que existem opiniões que não deveriam ser expostas. Ainda mais se você é o dono de uma marca totalmente voltada para o público feminino e, inclusive, é usada por muitas mulheres grávidas. Nesse caso, nem dá para usar o argumento que ela estava mais sensível por causa da gravidez, e por isso se ofendeu mais facilmente. Acreditamos que toda mulher que planeje ter filhos um dia fica, no mínimo, intimidada ao ouvir seu chefe falando uma coisa dessas, não?

Não dá para esquecer que vivemos numa sociedade cheia de Bolsonaros defendendo que mulheres devem ganhar menos que homens pelo simples fato de poderem gerar uma vida, então não dá para levar esse tipo de coisa na brincadeira.

Só é uma pena que uma marca tão legal quanto a Maria Filó tenha que pagar o pato por causa de um dono que não soube segurar a lingua.

2 – Vítima infantil

Várias pessoas compartilharam essa imagem nesses últimos dias:

cabelo-alisado

O texto que a acompanha conta sobre o lançamento da marca, um produto feito para soltar ou alisar os cachos de crianças pequenas. No caso, tão pequenas quanto essa menina da foto, que tem 2 anos.

Não somos contra alisamentos. Aliás, um dos posts mais vistos do blog é sobre o divórcio dos cachos da Jô, onde ela conta os motivos de ter optado pelo alisamento. Mas isso foi uma decisão tomada por uma pessoa que já estava completamente consciente dos riscos, das consequências e implicações na sua vida.

Ver uma criança de 2 anos ser sujeitada a esse tipo de procedimento nos deixou estarrecidas, tristes. Primeiro porque é uma agressão. Por mais simples e revolucionária que seja a tal fórmula, ela ainda é uma química, ainda tem que usar uma chapinha. Se cortar cabelo de criança já é difícil, imagina submetê-las a esse tipo de tratamento? Depois porque é um desserviço. Vivemos em um mundo onde o cabelo liso ainda é considerado o cabelo desejo, o cabelo “bom”, onde muita gente grande se submete a essas técnicas sem se tocar que está fazendo isso para se adequar a uma estética vigente. Então imagina o que não deve passar na cabeça de uma criança que é submetida a um alisamento em uma idade que ela não sabe o que é bom para ela ou não, por pura neura da mãe?

A gente acha que uma menina de 12 anos pode até querer alguma coisa, mas alisar o cabelo de uma menina de 2 anos a nosso ver é fomentar o preconceito.

3 - Ouvindo Johnny Depp

Outra notícia que foi super divulgada na semana passada foi sobre a vinda de Johnny Depp no Rio de Janeiro. O ator, que veio tocar no Rock in Rio com sua banda, a Hollywood Vampires, aproveitou a tarde que estava em terras cariocas para participar de uma ação da Starkey Hearing Foundation com a Prefeitura do Rio de Janeiro, onde ele doou aparelhos auditivos para mais de 200 crianças que estavam na fila de espera do SUS. E não só doou, ele também ajudou a colocar!

Muita gente aplaudiu o movimento, mas várias outras resolveram dizer que era uma vergonha que um ator estrangeiro precisava fazer o que o governo não estava fazendo e etc, etc. Esse não era o caso, essa fundação se trata de músicos que doam aparelhos auditivos para quem precisa. Pra nós esse foi apenas um presente, daqueles que temos que agradecer sorrindo e tirar as questões políticas da conta.

O Brasil podia ser melhor? Claro, mas a gente acha que essa iniciativa vale apenas os aplausos. Vamos focar no copo meio cheio por um momento?

17 respostas a Deu o que falar…

  1. Silvia disse:

    Pois é, tem alguém próximo de mim que já falou em momento de raiva besteira sobre mulheres e gravidez… Até hoje me deixou com a garganta cortada e em uma situação MUITO complicada! E já ouvi de mulheres - e juro q tenho vontade de bater a cabeça na parede - que o Bolsonaro está certo… (Licença que eu vou esmurrar uma parede rapidinho.) Pior pessoas que SABEM de qts oportunidades EU já perdi apenas por ser mulher. Então doí

    Quer alisar o cabelo com 15/16 anos permanentemente?! Ok, até pq eu sou do time que cabelo cresce de novo. Mas é outro assunto que me revolta e que é perto demais de mim para eu não ter minha opinião. Eu acho bullying mãe alisar cabelo de criança! Pronto falei!!!! Cachos são lindos, uma criança nunca deve crescer achando que algo nela é feio pq é gosto estético da mãe! Seguro ou não seguro, vamos não destruir a auto estima das crianças? É um parabéns para as minhas amigas que tem filhas cacheadas lindas e que sabem valorizar as meninas! <3

    Beijos e curtam Paris!!!

  2. Ana T disse:

    Meninas, só uma observação: creio que vocês não se expressaram como gostariam. Estou certa de que o que incomoda vocês é a mentalidade do dono da Maria Filó, pois a gravidade está exatamente no fato de ele pensar o que pensa, e não de ter expressado a infeliz opinião. Ou seja, quem acredita nisso, mas não verbaliza, não é muito mais sensível do que ele.
    Um abraço! Gosto muito do trabalho de vcs.

    • Carla disse:

      Oi, Ana! Concordo contigo, mas se não é verbalizado, não temos como saber o que ele está pensando, né? Acho que todo mundo tem algum pensamento ou sentimento ruim em algum momento, a escolha de externá-los que vai realmente te definir, né? Mas entendo super seu ponto!

  3. Olá Meninas,
    sobre o caso da Maria Filó, sendo brincadeira ou não, o que aconteceu tem nome: assédio moral e é passível de processo. Um patrão não tem direito de fazer uma piadinha ou brincadeira que humilhe ou constranja o funcionário. Já sofri assédio moral e sei como é doído e quais as consequências essa prática nojenta traz. Tomei antipatia da marca.
    Sobre os cachos da menina, é um absurdo. Além da química forte, porque vamos combinar que não somos bobinhas, produto para alisar cabelos é sempre forte e tem formol sim, pois sem ele o cabelo não alisa, o que pode ter nesta fórmula é outro princípio ativo forte que amenize os danos do formol à saúde, sei lá; além disso mina a auto estima da menina de uma forma violenta. Pela carinha dela dá para perceber que não curtiu muito o processo. Tenho uma menina de 4 anos com cabelos cacheados e sei que é difícil cuidar, pois os cachos se desmancham, o cabelo embaraça muito, tem que soltar os cachos e defini-los todos os dias, mas acho lindo e valorizo o cabelo dela o tempo todo, ela curte e gosta dos cachinhos.
    Sobre o Johnny Depp, como não amar esse homem? Sou fã dele desde a série Anjos da Lei e fiz um post sobre ele ontem.
    Bjos
    http://www.alessandrafaria.com

  4. Thayane disse:

    Acho que as pessoas precisam parar de ser tão sensíveis e se ofender por qualquer coisa, cada um tem a liberdade e direito de pensar como quiser. Talvez realmente tenha sido uma brincadeira, mas hoje em dia tudo vira notícia polêmica. Vamos nos preocupar e perder tempo com o que realmente importa. Parabéns pelo trabalho de vocês, concordo plenamente com tudo que falaram.

  5. Roberta disse:

    Meninas, adoro os posts do “deu o que falar”! Fiquei chocadíssima com o machismo do dono da Maria Filó, ainda mais considerando-se que é uma marca voltada unicamente para o público feminino. Ainda que seja uma “simples” e “triste brincadeira” (como disse a infeliz colocação da marca), é uma brincadeira que retrata a realidade opressora em que as mulheres vivem e, assim como as “brincadeiras” racistas, homofóbicas e preconceituosas no geral, devem, sim, ser desconstruídas, expostas e quem profere esse tipo de pensamento deve ser penalizado pela lei. Isso sem contar que,por ter sido dita por um empregador (e, PIOR, dono da empresa), configura assédio moral contra a empregada, cabendo indenização a esta pela clara ilegalidade do ocorrido. Aqueles que contratam e também os que representam marcas devem ter noção do que falam quando expressam suas opiniões e ainda mais quando o fazem diretamente aos que empregam. Eu, no lugar dela, já teria procurado o Ministério Público do Trabalho para fazer valer os seus direitos. E tomara que as devidas precauções legais sejam tomadas para que a marca tome uma multa pesada e repense seus conceitos e posicionamentos.

  6. Ju disse:

    Linda demais essa ação do Johnny Depp! E pra variar nós, brasileiros, sempre reclamando de tudo…

  7. Dani disse:

    A polêmica relacionada à Maria Filó fica ainda mais grave quando nos lembramos que a marca já teve coleções com roupas em tamanho infantil semelhantes às da linha adulta, para vestir mãe e filha. Logo, presume-se que a marca gosta de mães enquanto clientes, agora para trabalhar lá acha ruim?!

  8. Grazy disse:

    Olá Meninas!!
    A mãe da garotinha se pronunciou a respeito, e no face dela tem a explicação do que realmente foi feito no cabelinho da filha. Seria bom dar uma olhada: https://www.facebook.com/angerliavesdasilva.alves
    Bjs

    • Carla disse:

      Vou ver assim que der, Grazy! Obrigada pelo update! :)

    • Silvia disse:

      Grazy, de qq forma eu vejo mães reclamando do cabelo ruim das filhas e mães que tratam dos cachos das crianças de forma mais natural. Independente de ser pra soltar ou diminuir volume, acho arriscado usar química em uma criança tão pequena qdo existem outras soluções. Eu vivencio de perto um caso onde a mãe sempre reclamou do cabelo da filha e outros onde as mães fazem penteados lindos e cuidam dos cachos melhor que eu cuido do meu cabelo! Acho que o que mais incomoda é a auto estima da criança que desde cedo escuta que tem o cabelo difícil, feio e etc. Mas de qq forma é sempre bom saber a verdade né?! Obrigada por colocar aqui!

      Beijos!

    • Carla disse:

      Acabei de ver, Grazy! Então vamos dizer que o maior problema nessa questão seria a marca querendo promover um tratamento novo para crianças, gestantes e lactantes, mas ao invés de avisar que ele não leva formol e não alisa o cabelo definitivamente (informações importantes, vamos combinar), preferiu botar as fotos da menina com o cabelo esticado, dando a entender que ela um tratamento para domar os cachos ou alisá-los.

      Achei maravilhoso que a mãe se manifestou, e que bom que ela não é dessas mães loucas e neuróticas (porque acredite, elas existem!), mas ainda não consigo aceitar o fato de uma criança de 2 anos passando chapinha no cabelo ou se submetendo a tratamentos capilares. Ter cabelo cacheado de fato não é fácil - minha infância toda eu tive cabelo encaracolado, os cachos só foram abrindo perto da minha pré adolescência - e minha mãe dizia que eu morria de impaciência quando ela precisava cuidar dos meus cabelos. E isso porque o máximo de “tortura capilar” que ela fazia em mim era me levar no salão para cortar de meses em meses.

      Ainda acho que a discussão é importante, mas muito obrigada por ter mostrado o outro lado! :)

    • Grazy disse:

      Acredito que nesse caso foram muitos mal entendidos e uma mistura da marca tentando se promover de forma incoerente, com a exposição de uma menina que representa uma multidão de outras garotinhas que desde cedo é exposta à opinião da sociedade sobre a variedade do seu cabelo, que de errado não tem nada, mas exige mais atenção e cuidado dos pais na hora de cuidar. Saiu de foco o produto, e se iniciou um debate sobre o preconceito. Acho difícil perceber até que ponto podemos ir sem ferir a identidade e os valores de outro, pois apesar de neste caso não ter sido o objetivo do tratamento alisar, caso fosse, representaria muitas vezes um desejo da própria mãe em ajudar que a filha desde cedo pudesse lidar mais fácil com essa particularidade que a torna especial. Existem pais sem noção que expõem os filhos ao ridículo por ensinar e passar comportamentos e ideais que muitas vezes só existem na cabeça deles, mas ao mesmo tempo existem pais preocupados em utilizar o que for possível para ajudar o filho a se sentir mais confortável em ser o que é com os recursos que estão ao seu alcance. Nessa linha de raciocínio, lembro de como minha mãe foi julgada por me levar com cerca de 11 a 12 anos para me depilar e fazer a sobrancelha pela primeira vez e como as pessoas a criticaram por isso. Ela havia sofrido muito por causa disso quando nova, e disse que o fez para evitar que eu passasse pelo mesmo, pois apesar da idade, sempre foi da genética da família lidar com essa questão dos pêlos. Muito nova para isso? Na época, talvez. Mas sei que foi visando meu bem estar, e não duvido que a mãe que faz um tratamento desse tipo no cabelo da filha, ou até mesmo a que alisa, corta, penteia diferente, pensando no mesmo motivo, não o faça por amor. Nem tudo será um trauma na vida, pode ser também um aprendizado de outras lições e nos deixar mais fortes. É importante pensar nos dois lados, em muitas questões.
      Se não for por um motivo, será por outro que poderemos ser julgados. O problema é que hoje a internet favorece que tudo seja feito na velocidade da luz e é muito fácil expor nossa opinião sem levar em conta todos os fatores. Por isso sempre vale a velha máxima de: Pensar duas vezes, falar uma. Esse assunto dá muito pano pra manga… hehe
      Só pra fechar, gosto muito do DQF.

      Bjs

  9. Marcia Aguiar disse:

    Tô chocada com o alisamento infantil! Não tinha visto isso antes! Dá pra ver que deve ter sido uma tortura pra criança. Olha a cara de triste dela! Que horror!

  10. Marcia Aguiar disse:

    Só agora vi o o outro comentário com o link para o facebook da mãe da garota. Ainda acho um absurdo fazer chapinha numa criança tão pequena. Se o cabelo dela era tão difícil de lidar assim, era mais fácil cortar mais curto, não? Que mundo esquisito esse em que vivemos…

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