1 - Até tu?
infográfico da Folha de S.Paulo, que explica direitinho a situação.
Se nós achávamos que a história do trabalho escravo de bolivianos para indústrias de fast fashion já estava encerrada, hoje ficamos sabendo que não é bem assim que a banda toca.
Descobriram que a Restoque, dona de grifes de luxo como Bo.Bô, John John e Le Lis Blanc trabalhava com confecções que repassavam a produção para oficinas que submetiam seus trabalhadores estrangeiros ilegais à rotinas exaustivas e pagamento irrisório. Rolou até um caso em que o funcionário ganhou 2,50 para costurar uma calça que foi vendida por R$ 379,50.
A gente sabe que é normal o custo de costura de uma peça não ser muito alto. Infelizmente, muitas facções de costura quebraram no Rio de Janeiro devido à falta de pagamento das marcas e da necessidade de diminuir o custo das peças, para no fim de tudo, o produto ter um preço que seja vendável.
A falta de profissionalização do mercado de moda se une aos altos tributos que a indústria tem que pagar. O custo dos funcionários se torna mais um agravante, sem falar nos demais custos variáveis que uma marca de moda enfrenta hoje. Um mercado que sem apoio do governo, tem tido muita dificuldade em sobreviver.
Aqui vale comentarmos que a galera que compra boa parte das suas roupas no exterior também ajuda a fazer a engrenagem parar de girar. Não que os consumidores sejam culpados (até porque nós também compramos fora!), mas com a falta de apoio do nosso país, fica complicado priorizar os nossos produtos.
No meio desse furacão, a gente se impressionou muito com isso ter acontecido envolvendo o grupo da Le Lis Blanc, marca que nós duas amamos. Pra nós, no mercado de fast fashion poderia fazer ALGUM sentido essa busca incessante por fornecedores com os preços mais baixos do mercado, mas no universo do luxo isso nos assusta.
Na verdade, mais nos preocupa do que assusta. Se as marcas que estão conseguindo sobreviver à crise da moda estão precisando apelar para essa mão de obra quase escrava, o mercado fashion está com problemas maiores do que pensávamos.
É muito triste ver tantas marcas legais fechando as portas e mais triste ainda ver uma marca que investe muito em suas campanhas compensando tanto no produto. Entendemos que sem o investimento no branding a marca morre, como acontece aos montes por aí. Trabalhamos com isso e apostamos que o marketing e a força da marca são diferenciais notáveis entre as marcas que estão bem e as que estão mal, mas algo está errado nessa equação.
Você acha que é o lucro exagerado nas peças da loja? A gente acredita que não é totalmente por aí. Como falamos, nós sabemos que as empresas arcam com custos altíssimos. São muitos impostos, muitos fornecedores e, hoje em dia, com a nota fiscal eletrônica, fica cada vez mais difícil “burlar” o sistema. Por mais errado que isso seja, esse tipo de comportamento “parcialmente ilegal” ajudou a sustentar a indústria por bastante tempo. Hoje, tendo que pagar todos os impostos e todas as cadeias produtivas, fica muito mais complicado se sustentar vendendo peças por preços acessíveis.
À longo prazo, esperamos que o governo baixe os tributos para o mercado da moda e apoie aqueles que tentam construir uma forte indústria nacional. Com isso, poderemos garantir um mercado forte e duradouro.
Já visando um prazo mais curto, a gente acha que as marcas devem investir em um cargo de “fiscal de facção”, que deve acompanhar todas as oficinas com quem seus fornecedores trabalham e por aí vai. Todo lugar que etiqueta sua marca deve ser inspecionado e garantir as condições mínimas de trabalho para seus funcionários. Regime de tráfico de pessoas deveria ficar, no máximo, na ficção das novelas.
2 - Sobre os “vigilantes do peso” e a falta de amor próprio
Hoje demos de cara com um post super polêmico na blogosfera que a gente acompanha. Nossa amiga Lia Camargo, do Just Lia, fez um desabafo bem forte em seu blog e muita gente concordou com ela mas, como toda boa polêmica, outro tanto de gente achou que ela pegou muito pesado na sua reflexão.
O post foi pertinente, apesar de não concordarmos com tudo. Você pode ler ele aqui, mas ele foi complementado pelo comentário da Lu Ferreira, do Chata de Galocha, que para nós resumiu muito bem a situação.
O que levou a Lia a fazer o post foi o fato de muita gente estar comentando todo dia que “ela está linda, está magra” em seu instagram. Na cabeça dela, ser linda e ser magra não estão diretamente relacionados. Como ela mesma citou, muita menina mais gordinha é mais bonita que muita magra por aí, e a gente concorda totalmente com esse ponto.
Sabemos que o mundo fitness invadiu as redes sociais e MUITA gente pegou bode desse universo de projetos (insira seu nome aqui), dos planos de bunda dura ou planejamento de corpo para o verão. Nós não somos do time que acha isso um horror, não só acreditamos como também temos provas concretas (oi, Tati, estamos falando contigo!) que eles estimulam as pessoas de uma forma positiva. Várias vezes já nos pegamos saindo da cama depois de dar uma olhadinha no insta da Carol Buffara, por exemplo.
Aqui, nós temos o desafio de peso da Jô e ficamos sempre impressionadas com o feedback positivo que esses posts têm. Muitas mensagens de incentivo, muita gente trocando experiência e outros querendo ir por esse caminho.
No caso da Jô, a busca está totalmente ligada à dois desejos: o primeiro é de diminuir os riscos de ter as doenças que rolam na sua família, já o segundo desejo está, sim, ligado à vontade de emagrecer. Se para a Lia, falar que ela está magra não é um elogio, no caso da Jô é super, levando em conta a briga com a balança que ela traça há muitos anos.
Por fim, achamos que o maior problema não é dos “vigilantes do peso alheio”, na verdade, ele começa quando passamos a dar mais valor ao que falam e ignoramos o que estamos sentindo em relação à nós mesmas. Mais amor (próprio), por favor!
3 - Sobre a vinda do Papa
ilustração da Liz De Souza, fofa!
E por fim como cariocas de coração, não gostaríamos de deixar a Jornada Mundial da Juventude de fora do DQF. Mesmo com muitos erros de logística envolvendo transportes e infra estrutura, é impossível negar que a passagem do Papa pela Cidade Maravilhosa deu o que falar e trouxe muita emoção para muitas famílias brasileiras. Nunca vimos tanta gente postando mensagens fofas de cunho religioso nas redes sociais, até gente que nunca demonstrou sua religiosidade antes!
Parece que o Papa Francisco trouxe uma esperança mágica e cheia de energia para aqueles que seguem, praticando ou não, a igreja católica. Pra nós, suas mensagens de simplicidade, humildade e carinho ensinaram muita coisa em poucos dias. Sem falar nas ruas lotadas de jovens de todo o mundo, cheios de energia e fé em uma sociedade melhor.
A gente espera de verdade que Francisco seja a mudança que a igreja precisa!


