10
nov
2013

Paulo Borges no QG do Fhits em SP!

FASHION WEEKS, Fhits, Moda

Já falamos por aqui sobre a visita da Sabrina Sato ao nosso QG, tentamos resumir em poucas palavras tudo que aconteceu, mas foi dificil! A Sabrina foi uma visita que virou um show a parte, quem viesse no dia seguinte teria um desafio enorme pela frente, prender nossa atenção tanto quanto ela fez… Um desafio cumprido com sucesso por uma pessoa muito importante para a moda nacional, Paulo Borges.

Se você não conhece o Paulo, idealizador do calendário de moda nacional, pode colocar no Google e navegar por todos os seus feitos nos últimos 30 anos. Ele criou o SPFW e o Fashion Rio, trouxe a cultura dos desfiles para o país e começou com sucesso o nosso calendário oficial. Hoje o SPFW está entre as semanas de moda mais importantes do mundo.

Ele falou um pouco do mercado, do trabalho dele durante a semana de moda, da informalidade do setor, da democratização da moda. Mais uma vez, achamos uma pena não poder mostrar toda a conversa e os assuntos se desenvolvendo por aqui, mas é muito bom já ter um pedacinho do que foi essa conversa.

Bom né? Fora tudo isso, ele conversou muito sobre algo que sempre batemos na tecla, principalmente nos DQF de toda segunda: os preços da moda nacional e como os impostos, as taxas, os custos e todas as outras variáveis dificultam mesmo o crescimento do setor, deixando ele muito engessado e incapaz de trabalhar preços melhores.

No meio da conversa, ele soltou uma frase que resumiu tudo que a gente gastou palavras e mais palavras pra falar: o pior sócio que as nossas empresas têm é o governo, além de não fazer NADA para AJUDAR, ainda leva 30% do que a gente ganha. Hoje em dia, como empresárias, não poderíamos concordar mais. Altos custos, altos impostos, muita burocracia e nenhuma, nenhuma ajuda, de nenhum lado.

O Paulo associou a quebra de tantas empresas à mudança do setor - que era bastante informal - e teve que se formalizar. Ele também passou por um ponto muito delicado, a antecedência das compras de matéria prima sem nenhum adiantamento do “cliente multimarca” para a marca, que vende no atacado. Eu já acompanhei isso de perto e é muito delicado. Você faz uma aposta de tecido, paga, faz a venda nas feiras ou pelos representantes, recebe o pedido, mas o pagamento só costuma vir uns 90 dias depois. Então, as marcas têm que pagar tudo antes, sem saber como vai ser. Nesse quadro, se uma multimarca cancela o pedido, pode prejudicar muito uma marca, da mesma forma que uma marca que não entrega o pedido, pode prejudicar muito a multimarca. Haja crédito para fazer a coisa funcionar de forma redonda nesse esquema. Somando essas apostas aos impostos fica quase impossível não fazer uma precificação alta. São muitas as coisas que têm que mudar por aqui para podermos andar para frente, termos uma indústria sem prejuízo e que consiga praticar preços mais competitivos.

 

Outra questão que achamos importante na conversa foi a visão da moda como cultura. É um assunto polêmico, muita gente acha que essa categoria não deveria ser encarada como cultura por achar que se trata de mera futilidade, mas nós defendemos que ela seja vista como identidade cultural. Tantas outras coisas têm incentivo do governo por serem em prol da cultura, porque não incluir a moda nessa conta? Não concordamos com a história da Lei Rouanet para um estilista apenas, como aconteceu com a história do Pedro Lourenço, mas por que uma exposição de arte é tão mais importante que uma semana de moda? O trabalho dos estilistas também é uma forma de arte, de expressão, e vai bem além de uma indústria enorme, que por sinal, é uma das maiores empregadoras das mulheres brasileiras no mercado de trabalho.

Queríamos lembrar com precisão de tudo que rolou lá, mas já achamos de bom tamanho espalhar por aqui que Paulo Borges nos surpreendeu de diversas formas. Ele pareceu ser uma pessoa muito realista, pé no chão e, mesmo assim, apaixonada, dedicada e determinada!

Seguimos pensando numa forma de ajudar a moda nacional. Sabemos que não vale ser simplista e falar “compre mais por aqui”, tem que ir muito além, temos que encontrar uma forma de alimentar toda a cadeia de produção, consumindo desde tecido à aviamentos brasileiros. É uma tarefa difícil, ainda mais com a China crescendo mais e mais e com preços impossíveis de competir, mas não custa nada alertar sobre a situação e tentar fazer algo para que esse quadro mude!

2 respostas a Paulo Borges no QG do Fhits em SP!

  1. Silvia disse:

    Eu não gosto dele, já falei isso antes aqui, pq acho que ele deixou o Rio de lado um tempão qdo deu a louca e brigou com a Dupla Assessoria. E assim, eu não acho que ele qdo fala passa a impressão que ele deveria passar. Já são sei lá qts anos no mercado e ele deveria ser um pouco mais “profisssional” (falta de palavra melhor) acho que a dicção dele e a postura dele não são adequadas para quem ele é, entendem? Mas a entrevista foi interessante e acho que ele falou realmente algumas coisas importantes. Uma pena que a edição ficou meio cortada e o som não é tão claro, eu tive que voltar algumas vezes para entender o q a Alice fala, por exemplo. Aliás, sendo muito sincera, acho que ela tb não tem postura para entrevistar e acho que fica um pouco artificial, me dá a sensação que ela é uma tia de colégio e vocês são as alunas, qdo eu acho que sem os blogs e o carisma das blogueiras o FHits não seria a mesma coisa.

    Só assisti o vídeo pq fiquei muito curiosa e estou comentando para dizer que apesar de não gostar dele, as respostas dele foram bem interessantes. Mas tem coisas que não adianta muito ele, os estilistas, as blogueiras, quererem mudar, a academia tem MUITO preconceito com MODA (Fashion) no mundo inteiro e agora estão começando a aceitar a Indumentária como Arte e história da sociedade em alguns lugares do mundo. Infelizmente são lugares que tiveram monarquias fortes e importantes e onde o povo valoriza a sua história. O Brasil tem uns 500 anos e teve dois Reis, sendo que um deles, o mais importante, já é da época da Revolução Industrial! Desde a época do Império, sempre foi “melhor” trazer coisa de fora, estudar fora e nós ainda não mudamos essa atitude. Até qdo vamos estudar história ficamos basicamente presos aos Portugueses, qdo nosso país tem influência de diversos outros lugares do mundo! Então essa coisa de comprar fora pq é melhor vem desde de Dom João!

    Mas bem, é só uma reflexão boba as 6:30 da manhã de quem “varou a noite”.

    Beijos enormes!

  2. Silvia disse:

    Ah! E ninguém é mais defensora da moda como forma de cultura e arte do que eu, MAS tem um porém nessa história toda de lei de incentivo a cultura que é separar a moda arte da moda indústria! É uma discussão longa e complexa mas acho que nosso governo deveria incentivar mais as indústrias da moda tb: seja do cara que faz o couro, a fábrica que tinge, ao produtor do show room - que nesse caso podemos considerar o próprio SPFW como uma parte dessa indústria dado que existe aí um incentivo a nossa economia. Até pq moda conceitual não é algo usual no Brasil. Incentivo a cultura é por exemplo, dar fundos para trazermos exposições tipo a do McQueen para cá, aumentar a qualidade dos nossos Museus voltados para a moda - museu da moda e do Carmem Miranda por exemplo - fazer exposições com grandes nomes da nossa moda: Clodovil, Dener, Zuzu e por aí vai! Poderia até “reclamar” tb da falta de investimento na questão da educação em Moda, mas aí o comentário vai ficar gigante! :)

    Beijos

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