Você está navegando na categoria: "autoconhecimento"

8
ago
2016

Eu cansei de me justificar!

autoconhecimento

Existem olhares de pena que se traduzidos falariam: meu Deus, o que aconteceu com você? Também poderia ser: nossa, ela era tão mais bonita loira, ele era tão melhor de cabelo curto. Como você pôde cortar aquele cabelo? Por que engordou tanto? Por que ele tirou a barba? Por que ela parou de alisar o cabelo? Nossa, como ela conseguiu chegar a isso? Por que ela terminou? Por que ela está sozinha? Por que ela fez isso com ela mesma? Quem já quebrou padrões sabe do que eu estou falando.

São tantas as variações possíveis de imposição de padrão de beleza e comportamento e são tantas críticas que quando você opta por quebrar essa expectativa, que haja coragem de sobra para encarar os olhares.

frase1

Mesmo eu me achando sexy, feliz e bem resolvida com meu corpo fora dos padrões, tem hora que não é mole ser diferente. É difícil viver tendo que explicar, criar desculpas e se justificar por não ser como os outros querem ou esperam. Eu cansei. Cansei de mim, cansei dos outros. Por mais que eu escreva com frequência sobre a minha boa relação de aceitação com meu corpo, com minha autoestima, eu também tenho minhas questões delicadas e meus dias difíceis, nessas exceções moram as questões mais sensíveis.

A ditadura da beleza é tão punk que quando eu vejo estou me justificando pelo atraso em fazer a sobrancelha. Quantas vezes eu me expliquei por estar sem tempo de fazer a raiz do meu cabelo? Várias. Quem está errada? Eu mesma. E sabem do pior? Também não me choco ao ouvir a amiga explicar que não pode ir para a praia comigo por não ter tido tempo para se depilar naquela semana. Deveria me chocar, mas não, isso não acontece. Somos todas reféns em algum grau.

Uma das coisas que eu mais odeio, mas ODEIO mesmo, é quando me pego me justificando do porquê eu engordei tantos quilos ou do porquê escolhi fazer algo diferente do que todo mundo espera. Fico com preguiça de mim. Fazendo uma autoanálise, percebi que como ninguém se salva de críticas - sejam ela veladas ou não - eu provavelmente enraizei em mim que preciso me justificar, já que eu peso mais do que deveria.

Engraçado que tudo isso ficou muito claro quando minha vida amorosa ganhou força, como se não bastasse eu ter que explicar porquê de ter engordado, ainda tenho que desenhar os motivos de eu fazer mais sucesso do que muita garota dentro dos padrões. Não tem justificativa que não a autoestima pro “meu mel” (como já me falaram), mas ninguém tem nada a ver com isso. Sou só mais um exemplo de que tudo é possível quando estamos de bem com a gente.

Quando me pego nesse ciclo vejo que eu sou tão vítima quando predadora, porque na hora que busco justificativas, ainda que de uma forma inconsciente, estou alimentando essa indústria da busca pelos padrões. Esses que em tantos casos custam a saúde (mental e/ou física) de tantas pessoas.

Não, eu não quero ter que explicar. Me achou “gordinha”? Ótimo, não posso fazer nada, você está no seu direto, já eu estou no meu de te desprezar por isso. Tá me achando “piriguete”? Ok, e o que achar isso de mim vai acrescentar na sua vida? Não entende porque eu, tão fora dos padrões, consigo ficar com todas as pessoas que eu gostaria? Bem, não sou eu quem vai tentar te fazer entender isso.

Se eu comer uma coisa bem engordativa e gostosa não quero colocar uma legenda de culpa ou escrever que “hoje pode”. Eu é que sei quando pode. Se eu viajar de férias não quero ter vergonha de voltar mais cheinha e me explicar por isso. Não quero me justificar por ter resolvido dormir com alguém, só eu sei dos motivos que me levaram a ter vontade. É, eu cansei!

Que sociedade é essa que me faz ter tanto medo do julgamento? Se não for a balança vai ser o nariz, se não for o nariz vai ser o jeitão, se não for o jeitão vai ser um texto que um dia falou algo equivocado. Não existe unanimidade, não existe ser de um jeito específico para ser aceita. Não existe saída, ou você vive com uma máscara muito diferente de quem você realmente é, ou vai ser feliz e estar sujeita a críticas.

Muitas vezes a doença não está no outro, está na gente mesmo, que se preenche de preconceito quando vê uma menina magra com um cara gordinho. Pode ser qualquer coisa, um cara gostoso com uma menina cheinha, um loiro de olhos azuis com uma mulher negra, um cabelo cacheado que você acha ruim, ou qualquer outro tipo de preconceito visual existente. O julgamento é o começo do erro.

frase2

Só sei que eu não quero mais ter que enumerar motivos para ser como eu sou. Claro que muitas vezes explicações são válidas aqui no blog, elas criam pautas, contexto e nos aproximam, mas eu gosto quando isso acontece de forma natural, quando faz sentido para todos.

Já aprendi o segredo do sucesso há algum tempo: autoestima, autoconhecimento e autoaceitação. Se vivo e vibro tudo isso por que ainda me pego tendo que me explicar?

Eu quero “perder” meu tempo com quem me percebe além da casca. Magra ou não, quero passar meu tempo com pessoas que gostem do que eu sou, não do que eu mostro.

Mudar padrões é algo muito difícil, mas cá estou eu de novo dando a cara para tentar. Eu não quero ser como ninguém, eu só quero ser eu mesma, sem precisar ficar na defensiva por isso.

Beijos

banner-snap

1
ago
2016

Experiência na Trilha dos Lobos: uma certa epifania sobre esses 3 anos

autoconhecimento, Lifestyle

Tem algum tempo que eu comecei a estudar na escola Trilha dos Lobos. Na verdade, esse semestre irá completar 3 anos que sou aluna da escola. Comecei despretensiosamente interessada em fisica quântica, campos mórficos e chakras e quando vi já estava completamente apaixonada pelo curso de mitologia primitiva, onde através do xamanismo é possível fazer um mergulho com destino ao autoconhecimento, desbravando aprendizados e trazendo para o consciente uma série de fatores da nossa vida.

No primeiro semestre de 2014, eu fiz o curso que mais me marcou, ao completar o “básico 3″ (como chamamos a experiência mais profunda que vivemos na escola) eu descobri que minha busca por me conhecer teria que ser bem menos óbvia do que eu imaginava. Descobri que precisava mais do que Freud ou uma crença religiosa para alimentar minha sede de compreender a minha vida na Terra, minha experiência com o divino e minha espiritualidade. Quando me vi buscando Deus me encontrei por completo e entendi que sou parte do todo e, desde então, minha entrega para o universo fica mais profunda e real a cada dia.

São quase 3 anos de cursos, viagens, experiências de meditação, aulas, bate papos, livros, conversas e muitas outras coisas que me permitem enxergar a vida de uma forma muito mais sensacional agora. Eu passei 10 anos procurando em diferentes religiões o que na verdade estava dentro de mim esse tempo todo.

Nessa hora vi a escola com dois braços: um onde trabalho com muita calma meu processo de aprendizado e espiritualidade. Outro onde eu aprendo sobre a mente humana, sobre psicologia, sobre nossos aspectos reprimidos na infância que fazem com que volta e meia ajamos de forma tão sombria sem nem nos dar conta. Aliás, taí uma palavra que mudou minha vida: sombra. Jung abriu espaço, milhares de estudiosos desdobraram isso e quando vi estava aprendendo tudo que fica relacionado a esse conteúdo sombrio que existe dentro de nós. Com ele aprendi que quando mais conhecemos nossa luz e sombra mais podemos mudar nossos padrões.

 

Depois de anos de terapia freudiana, eu acho que sou uma pessoa mais entusiasta de caminhos jungianos, combinou muito mais comigo.

Hoje é muito claro para mim que para sermos bons de verdade temos que entender e acolher todos os nossos lados. O curso de Jung e o entendimento dos arquétipos me fizeram ver que existe tão mais do que imaginamos nas entrelinhas.

 

sombra-no-trabalho

E porque eu resolvi falar disso tudo por aqui? Porque eu sou muito grata por essa sede de buscar, aprender e compartilhar. É um privilégio poder viver isso tudo e depois aproveitar meus insigths aqui no blog. É mágico ver a minha vida mudando e acompanhar o poder dos meus textos na vida dos outros.

Essa semana contei que acabei meu curso de 8 aulas sobre Jung e algumas pessoas me pediram pra falar da escola. Quero fazer isso há muito tempo, mas não sabia como começar. Aos poucos posso falar o que vivi, senti e aprendi com cada curso caso o tema seja de interesse por aqui, é claro.

Se não, não tem problema, continuarei sempre com meus textos de comportamento, relacionamento, crônicas e afins voltados para autoestima e autoconhecimento, que pra mim são duas coisas que andam juntas. Quando você se conhece, se acolhe e se respeita, você começa a se valorizar e compreender seu valor, daí tudo fica a um passo para conquistar uma autoestima turbinada. :)

E não tem nada mais poderoso do que sentir-se bem consigo mesma, não é mesmo?

Beijos

Update!!!
Segue o site da escola: http://trilhadoslobos.com.br/
O insta da escola:@trilhadoslobosescola

banner-snap

27
jul
2016

O brilho do meu diamante bruto

autoconhecimento, crônicas

A gente é educada a acreditar que um diamante bruto pode dar vida à pedra mais linda quando lapidada, essa é uma crença que traz muita verdade. No entanto as vezes a gente se vê tão forçada a lapidar “essa pedra” de um jeito óbvio, que acabamos transformando aquele item tão singular em algo comum, igual a todas as outras pedras que você encontra no mercado. Uma lapidação “padronizada” pode visar mostrar algo para todo mundo compreender e concordar com tamanha beleza, só que não existe unanimidade no belo. A graça das coisas mais lindas é a possibilidade única de cada um ver um tipo de beleza naquilo, quanto mais diferente, mais bonito.

Pedras preciosas não podem ser lapidadas com um passo a passo de receita de bolo, é preciso fazer esse trabalho de forma exclusiva e personalizada, visando evidenciar os traços únicos que a tornam rara. É preciso evitar a transformar em apenas mais uma pedra perfeita aos olhos de todos.

O que quero dizer com isso? Acredito que precisamos nos enxergar como diamantes, precisamos trabalhar nossas questões internas e externas, cuidar de nós mesmas e buscar sempre melhorar, mas precisamos tomar muito cuidado com as armadilhas dos padrões de beleza e de comportamento da sociedade. As vezes a gente tenta tanto pertencer que lapidamos nossos traços naturais, aqueles que nos tornam únicos, tiramos os nossos traços peculiares de indivíduo e passamos a viver como um item produzido em série, igual a todo mundo, com o mesmo look, o mesmo corpo, o mesmo cabelo e nenhum toque de exclusividade.

Se a gente bobear, aquele diamante bruto tão natural pode acabar igual a uma pedra sintética feita na China num processo fordista. Sem nenhum brilho natural próprio, igual a outras duzentas.

A cada dia que passa eu vejo mais importância em nos vestirmos de nós mesmos, podemos passar a maquiagem que for, escolher o look que quisermos, mas devemos sempre integrar e respeitar os elementos que nos tornam singulares. Não importa se você tem pouco peito, muita bunda, um nariz maior, uma peça de roupa mais cheguei, uma altura maior que a média ou qualquer outra coisa que mostre quem você é. Tais elementos mostram sem palavras a sua verdade, te transformam em um indivíduo único. O que te dá um brilho seu, só seu.

Você pode mandar arrumar, você pode ficar igual a todo mundo, mas por que você iria querer isso?

O que você transmite no olhar é tão mais importante do que pertencer a padrões, a forma como você dança ou se comunica é tão mais relevante do que o tamanho do seu manequim. A autoconfiança pode ser o melhor acessório para você por no look. Saber o seu valor e evidenciar o que você tem de melhor te possibilitam uma autoestima turbinada, para uma dessas, nem o céu é o limite. O essencial pode ser invisível aos olhos, mas algumas pessoas são capazes de decodificar ao olhar.

Quanto mais a gente se conhece, mais a gente consegue externar nosso brilho interno, portanto menos a gente precisa de uma lapidação igual a de todo mundo. A gente pode se aceitar como é e melhorar para si mesma, mas focando nas nossas diferenças e não as escondendo.

Quando estamos bem passamos a não ter a necessidade de ser aceito e compreendido como igual pelo outro. O valor percebido pelos demais aumenta e nem conseguimos entender direito o porquê. Esse brilho pode não ser compreendido racionalmente, mas parece que todo mundo passa a sentir, a enxergá-lo ainda que com o coração.

Ao trabalharmos a nossa autoestima conseguimos colocar pra fora o que tem de melhor dentro da gente. Assim nos tornamos mais refletores de luz e quase que automaticamente acabamos impressionamos quem está a nossa volta, mesmo que sem a intenção.

diamante

Se eu nasci única, por que deveria tentar ser igual a todo mundo? Isso não tem lógica.

Quero me vestir de mim mesma, caprichar em boas doses autoestima e ser exatamente quem eu sou. Quero dançar do meu jeito, ser estabanada como sou, ser alta sem ver nisso um problema, falar alto, fazer o que gosto e rir. Quero ser exatamente quem sou e vibrar aquilo que tem na minha essência. Sempre que consigo dar conta de me sentir bem comigo assim, me sinto incrível. Sempre que me sinto incrível acabo ouvindo de alguém o quão incrível eu sou.

No fim eu não preciso disso para acreditar nesse fato, mas quando a gente escuta de outra pessoa que estamos passando aquilo que estamos sentindo todo esse processo individual ganha comprovações, é comprovar de forma empírica aquilo que você sente.

Por isso quero lapidar meu diamante pra ser exatamente quem eu sou, sem parecer com ninguém. Quero brilhar do meu jeito, só do meu jeito.

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Joana Cannabrava

banner-snap

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.

Página 1 de 212