7
dez
2015

Deu o que falar…

Deu o Que Falar

1 - Válido ou não válido?

Bem no comecinho da semana passada nós duas ficamos completamente indignadas com uma página chamada Movimento pela Reforma de Direitos que criou uma campanha para o fim dos privilégios dos deficientes que foi super compartilhada. O texto era um absurdo, mas como ultimamente estamos vivendo em um país abarrotado de absurdos, muita gente - inclusive essas que vos falam - acreditou e compartilhou a imagem para mostrar repúdio. Quem não leu, os argumentos foram esses:

Dias depois, felizmente descobrimos que isso era uma campanha da prefeitura de Curitiba com iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência para chamar a atenção de quem não respeita os direitos dos deficientes. Depois do alívio, porém, veio a dúvida.

 

Quando demos uma olhada na página do Conselho, vimos pessoas com deficiência reclamando, indignadas e realmente chateadas com a execução da campanha. O argumento era que o discurso utilizado foi de ódio e ao invés de impactar quem realmente desrespeita as leis dos deficientes (afinal, provavelmente essas pessoas concordaram com todas as atrocidades escritas e ficou por isso mesmo, não existiu pausa para reflexão), acabou abrindo mais um espaço para a ridicularização que muitos deficientes sentem na pele no dia a dia.

Claro que teve gente que, como nós, compartilhou com o intuito de ridicularizar tal campanha, mas depois de analisarmos a situação, paramos para pensar se valia a pena ter chamado a atenção de uma página pouco curtida por causa de um discurso absurdo. Tem se falado tanto sobre não culparmos as vítimas e sim os agressores, e acabamos fazendo exatamente isso ao compartilhar um texto que ridiculariza quem sofre. Por mais que as intenções tenham sido boas, para nós ficou a lição.

2 - Sobre as capas feministas da Elle

Também na semana passada, a Elle divulgou as 4 capas de Dezembro que já estão nas bancas. São 4 modelos posando entre palavras que formam frases que são comuns nos discursos feministas. Segundo a capa, essa edição é especial de moda e feminismo com manifestos e textos dos principais nomes do movimento aqui no Brasil.

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Muita gente aplaudiu, mas vimos muitas meninas - várias feministas entre elas - questionando a legitimidade da revista. “Estão dando destaque ao assunto só porque feminismo está na moda, na próxima edição vão voltar ao discurso de sempre” foi um dos argumentos mais usados. Pode até ser que a Elle esteja fazendo isso para tentar surfar na onda e chamar um novo público, pode ser oportunismo, mas também pode ser uma mudança na linha editorial, por que não? Essa última opção é mais complexa porque, no fim das contas, a Elle Brasil não é uma revista 100% independente, mas não chega a ser impossível. Vamos lembrar que em Maio eles também deram o que falar com a edição que falava sobre mulheres reais.

Podemos estar erradas (não nos julguem, eduquem rs) mas não conseguimos enxergar problema em uma revista do porte da Elle querer dar voz ao discurso feminista, inclusive chamando várias mulheres influentes do movimento para aquecer o debate. Precisamos falar sobre o assunto, então a gente pensa que mesmo que o oportunismo exista, será que ele não é bom para continuarmos falando sobre isso?

Na verdade, o único problema que nos deixou com a pulga atrás da orelha foi a magreza das 4 modelos, que pareceu mais exagerada do que o normal. Será que em uma edição cujo foco é o feminismo precisavam usar modelos tão magras (mais magras do que o padrão das capas de Elle inclusive?)? Mas isso é assunto para outro post.

3 - Santo Bebê

Quando Kim Kardashian anunciou que estava grávida de seu segundo filho e disse que ele iria nascer em Dezembro, muita gente especulou se com a mania de grandeza e extravagância do casal West, a criança não nasceria propositalmente no dia 25 (vamos lembrar que o pai se auto intitula Yeezus).

O nome também foi bastante especulado. Depois de North West (carinhosamente Noroeste), todo mundo achou que seu irmãozinho se chamaria South West até que surgiu uma fofoca que poderia ser Easton West.

Bem, Kim e Kanye surpreenderam novamente - e duplamente! O bebê nasceu ontem e seu nome provavelmente não foi acertado em nenhum bolão kardashianático (apesar de fazer bastante sentido): Saint!

Estamos sem comentários no momento. rs

3 respostas a Deu o que falar…

  1. Cristine Reinbrecht disse:

    A respeito das capas da Elle: o que mais me chamou atenção mesmo foi a magreza das meninas.
    Acho que essas garotas ficam feias de tão esquálidas e um padrão de beleza tão anti natural usado junto ao discurso em prol dos direitos femininos é uma grande pisada de bola… Sei que a moda é importante em vários aspectos, um deles gerando negócios e movimentando nossa combalida economia… Sei que a magreza dessas meninas age como um “cabide” para as roupas, permitindo sua melhor apresentação (???)… Mas DUVIDO que não conseguíssemos movimentar a economia da mesma maneira (provavelmente mais ainda) com padrões de beleza mais inclusivos, naturais e saudáveis.
    Feminismo sem auto-aceitação e auto-valorização não existe!

  2. Lívia Nunes disse:

    Ai gente, não sou feminista (ou sou? não sei) mas admiro muito a luta e a causa. Mas algumas feministas são extremamente CHATAS. Se uma revista se omite em relação à essa onda feminista, elas criticam. Se falam sobre, são oportunistas. Se um homem tenta se engajar na causa, elas rejeitam (porque eles vão roubar o protagonismo). Se não ligam, são machistas.

    Eu sou mulher e sei que o movimento feminista é mais do que importante, é NECESSÁRIO, mas fico pensando até que ponto essa causa não virou mais um motivo pra criar polêmica e criticar os outros. Vocês falaram “não julgue, eduque” e achei muito legal, porque o que menos tenho visto são pessoas preocupadas em educar/aconselhar sobre o feminismo. O que vejo aos montes é gente acusando, de forma bastante agressiva, todos aqueles que, mesmo tentando se conscientizar sobre o movimento, fogem um pouco do discurso que as feministas acham correto. Exemplo? A revista falou sobre feminismo, mas colocou modelos magras na capa. (Não pode porque isso é reforçar um padrão estético que atinge as mulheres. Ok, EU CONCORDO, mas não devíamos ficar felizes porque a revista pelo menos levantou a questão feminista?). Eu acho que temos que reconhecer que não vamos acabar com o machismo de um dia pro outro. São séculos e séculos em que o que vigorou foi o machismo. Precisamos conquistar nosso espaço passo a passo, reconhecendo pequenas vitórias e não rechaçando-as porque são “pequenas”. Vcs entendem?

    Acho que o feminismo radical, neste ponto, mais atrapalha do que ajuda. Algumas feministas me soam como crianças birrentas, se não conseguem tudo de uma vez, deslegitimam (essa palavra existe?) o que conseguiram: “se a revista falou sobre feminismo mas continuou colocando modelo magra na capa, não vale” “é homem e quer falar sobre feminismo? sai daqui, vc só está querendo roubar nosso lugar”…

    Enfim, acho que me estendi demais. Foi só um desabafo mesmo em relação à essa parcela de pessoas cujo discurso tem me incomodado!
    Grande beijo pra vcs!

  3. Mariana disse:

    Não sei se sou feminista ou estou me educando, mas o caso da Elle é colocar um capa e não mudar o discurso, mas ainda acho que a foi uma boa proposta, quantas mulheres podem a começar a pensar diferente diante de uma capa de revista.

    Quanto a CAMPANHA sobre deficientes : Também fiquei chocada, mas como ultimamente eu vivo chocada , passou. O negócio é que se você já viveu ou tem alguém próximo você consegue entender a legislação.

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