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12 em Comportamento/ Deu o Que Falar no dia 12.11.2018

As Angels da Victoria’s Secret não são uma fantasia. Elas são uma ilusão

Domingo de manhã eu acordei e, como de costume, dei uma olhada no meu celular. O primeiro post do meu instagram era da Bree Kish, uma modelo plus size. Ela estava comentando sobre o desfile da Victoria’s Secret. Mais especificamente sobre o comentário de Ed Razek, um dos responsáveis por fazer o casting das modelos que participarão do show.

Depois de algumas temporadas de silêncio, ele falou para a Vogue: “Se você está perguntando se a gente já considerou botar uma mulher trans ou uma plus size nos nossos desfiles, sim, a gente já considerou. Mas não vamos botar. Por quê não? Porque o show é uma fantasia. É um especial de 42 minutos. É o que é. É o único no mundo, e qualquer outra marca faria o mesmo, incluindo nossas concorrentes que estão nos criticando. E eles nos criticam porque somos os líderes”.

>>>>>> Veja também: Será que ainda dá tempo da Victoria’s Secret ter representatividade? <<<<<<

Não acho que a marca tem obrigação de nada. Realmente, o fato dela ser o maior nome de lingeries do mundo a coloca em uma posição muito confortável de só fazer o que quer. Inclusive achar que ainda estão vendendo uma fantasia.

O problema é que, como uma seguidora bem pontuou, não é mais uma fantasia. É uma ilusão. E fomos iludidas por muito tempo.

Nesses muitos anos que eu acompanho os shows da Victoria’s Secret, eu não lembro de uma lingerie desfilada. Mas você pode ter certeza que eu lembro dos beijos da Adriana Lima no final da passarela. Lembro do andar poderoso e divertido da Alessandra Ambrosio. Lembro de ver Seal cantando para Heidi na passarela e achar aquilo mais lindo que conto de fadas. Ah, as angels.

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Eu fui hipnotizada pelos brilhos, paetês e plumas da passarela. Passarela que se transformava em palco de show com os maiores cantores da atualidade enquanto as angels desfilavam. Eu realmente achava que aquelas mulheres escolhidas a dedo para serem Angels eram o ápice da beleza. Barbies da vida real. O objetivo da marca é justamente esse. Escolher mulheres maravilhosas para serem o aspiracional de suas consumidoras. Modelos a serem seguidos. E por muitos anos isso fez todo o sentido do mundo.

Só que em algum momento que não sei precisar bem quando, o foco dos desfiles e das modelos passou a ser muito mais sobre o corpo delas. Matérias contando sobre suas dietas, sobre rotina de exercícios, sobre todos os esforços que elas fazem antes de desfilares. A própria marca endossando a ideia do corpo perfeito em suas propagandas. E de alguma forma, tenho a impressão que isso fez com que as Angels ficassem um patamar acima das consumidoras. Inalcançáveis.

Se o objetivo era usar as modelos para que as clientes se sentissem uma verdadeira Angel ao vestir uma lingerie da marca, não é isso que eu vejo acontecer na prática. No dia a dia, vejo mulheres se depreciando ao se compararem com as modelos. Vejo mulheres adoecendo para emagrecerem. Não porque elas querem virar modelos, mas porque elas querem ter corpos que vistam a lingerie sem que nada pule. Porque a ideia vendida é que a lingerie só é sexy em um corpo sem gorduras, sem barriga e sem celulites.

Só que tá cansando. Quando descobrimos que podemos nos ver representadas, é natural que a gente canse do perfeito, do inalcançável. Quando descobrimos que não precisamos parecer com ninguém além de nós mesmas, a gente não precisa mais achar que viraremos uma Angel ao vestir uma peça de roupa.

Tá cansando inclusive esse posicionamento da marca no melhor estilo “a sua inveja faz a minha fama”. Sim, eles não tem a mínima obrigação de colocar diversidade de corpos na passarela. Eles têm todo o direito de achar que falar sobre diversidade não reflete os valores da marca (mesmo eles vendendo uma grade enorme de tamanhos). Eles podem continuar achando que estão vendendo fantasia. Mas na verdade é tudo uma ilusão.

E como toda ilusão, quando a gente percebe a origem do engano, a mágica desaparece. 

4 em Comportamento/ Destaque/ Deu o Que Falar/ Moda no dia 23.07.2018

Será que ainda dá tempo da Victoria’s Secret ter representatividade?

Nesse último mês eu me deparei com duas notícias que me fizeram parar para pensar. A primeira foi uma matéria do Business of Fashion dizendo que a Victoria’s Secret está caminhando para o fim. Não, ela não está falindo, mas levando em conta a queda na venda e o valor de mercado que vem decrescendo, dá a impressão que se a marca de lingeries mais famosa do mundo não fizer nada – e rápido – é provável que uma crise bem grave aconteça.

A segunda notícia foi um video sobre o desfile “anti Victoria’s Secret”, onde duas irmãs chamaram todos os tipos de mulheres para desfilarem em lingeries e asas, imitando as famosas Angels.

Eu lembro quando fazia contagem regressiva para ver os desfiles da VSFS. Gisele Bundchen, Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Izabel Goulart, Isabeli Fontana, Ana Beatriz Barros e Fernanda Tavares, enchendo as brasileiras de orgulho desfilando peças desejo, embaladas pelos maiores artistas da atualidade. Achava incrível ver aquelas mulheres lindas, com cabelos esvoaçantes, corpos esculturais, cheias de autoconfiança e sensualidade desfilando pela passarela e flertando com todas as telespectadoras (até parece que os beijinhos e caras e bocas no final da passarela eram direcionados para homens, convenhamos).

Só que aí algo foi me incomodando. Anos antes de pensar em falar sobre autoestima e ler discussões sobre a importância da representatividade, eu comecei a questionar a pressão que era ocupar lugar de Angel, passei a ver o lado menos glamuroso da moeda. Nem precisa ir muito longe, é só procurar no Google matérias relacionadas às angels que você vai ver notícias de rotinas de beleza, dietas líquidas, jejuns, malhação pesada (mesmo fazendo dietas hiper restritivas) e modelos aparecendo nas passarelas 5 semanas pós parto.

“Ah, Carla, mas é o trabalho delas”. Concordo. Elas vivem para isso e o desfile da VS é o auge na carreira de muitas, o que justificaria cada esforço. Justificaria?? Foi isso que eu passei a me questionar. A marca de lingeries vem impondo o padrão do corpo perfeito há mais de duas décadas e é curioso pensar que a fórmula de sucesso tenha se mantido intacta e inquestionável por tanto tempo.

Você vê fotos do primeiro desfile, lá em 1995, e tirando o styling e o cenário – que não tinham nada da ostentação carnavalesca que vemos de uns tempos pra cá  – o estilo das modelos escolhidas mudou muito pouco. Foi de uns 2 anos para cá que começamos a ver algumas mudanças quando foram incluídas no casting mais mulheres negras, algumas orientais e modelos que desfilaram com seus cabelos naturais. Mas no quesito corpo? É só chegar perto de um VSFS que ainda vemos matérias que exaltam os corpos das Angels e te contam o que comer e como se exercitar para ter um corpo “””””””””””igual”””””””””””””(com muitas aspas mesmo, afinal, mesmo seguindo à risca cada detalhe publicado, ninguém aqui vai ficar com o corpo delas). Algumas modelos ganham apelidos como “The Body” (O Corpo) e “a top da barriga negativa”, como se só uma parte de seus corpos de fato importasse, o auge da objetificação. Não me surpreende que em tempos de discussões sobre padrões de beleza, pessoas se cansando da perfeição e procurando representatividade e marcas que cresceram apostando no nicho da diversidade de corpos, a crise tenha chegado até mesmo em quem parecia inabalável.

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E aí fico cheia de perguntas que não tenho ideia da resposta, mas vim aqui dividir com vocês. Sabendo que a marca não é das menos inclusivas em sua grade de tamanhos, por quê será que a VS ainda não entrou na discussão de diferentes tipos de corpos? Será que os responsáveis pela marca ainda acreditam que a formula aspiracional e inatingível das mulheres escolhidas para participar do seu seleto time de Angels ainda tem fôlego?

Caso a VS resolva abraçar amanhã a ideia de trazer representatividade para as suas campanhas e desfiles, sei que isso pode passar uma impressão de oportunismo para surfar na onda do momento, um pezinho no desespero, ainda mais depois que seus números em queda foram divulgados. Ao mesmo tempo, fico pensando: se for para ser oportunista, não é melhor mesmo que seja nessa situação de inclusão? Não nego que adoraria presenciar a cena de ver modelos com corpos mais próximos ao meu, ao seu e ao de outras mulheres que eu conheço representando o auge da sensualidade feminina atual. A esperança é a última que morre, então estou aqui, com a pipoca na mão e aguardando as cenas dos próximos capítulos.

7 em Deu o Que Falar no dia 24.04.2011

Deu o que falar…

Como deu pra ver, a gente decidiu aproveitar bem o feriado e agora é hora de correr atrás do tempo perdido aproveitado. E como toda semana tem uma polêmica nova, dessa vez não foi diferente e a gente não poderia ficar de fora de fazer pelo menos um comentáriozinho…

1 – Tirando o couro da Arezzo

Quem esteve no Brasil desde o final da semana passada, com certeza viu ou ouviu falar da polêmica envolvendo a coleção Pelemania da Arezzo. Nenhuma rede social que se preze conseguiu se salvar dos usuários revoltados e a Arezzo teve que retirar a coleção feita com peles de, segundo eles, “animais exóticos”.

Não vamos nos aprofundar muito, até porque esse post da Nuta, do GWS, basicamente resumiu tudo que nós duas pensamos sobre o caso.

Mas achamos frustrante o posicionamento da Arezzo em não achar que é responsabilidade dela debater o assunto. A partir do momento que ela bota esse tipo de produto, tem que saber o quê fazer com eles. Quem não viu, a Arezzo botou um comunicado no Facebook e saiu uma entrevista no Ig Moda com o Anderson Birman.

2 – Discussão eterna (e sem muitos fundamentos)

Como a gente deixaria de comentar sobre o tão falado post da Lilian Pacce? Pra começar, achamos que uma jornalista do porte dela não tem necessidade de redigir um texto com uma visão limitada do que é o mundo de blogs, mas ao mesmo tempo foi importante pra abrir diversas questões. Não iremos falar da polêmica do look do dia e sim da credibilidade dos meios de comunicação.

Os publieditoriais e os presentinhos para jornalistas sempre existiram e muitas vezes os leitores nunca ficaram sabendo. Hoje em dia, os editoriais pagos por uma marca têm que ficar explícitos ao leitor. Ainda assim existem editoriais temáticos com produtos que pagaram para estar na matéria e a gente não fica sabendo. E como ficam os leitores? E como fica quem sempre trabalhou dessa forma reclamando de quem está fazendo isso atualmente? Pra nós, parece um pouco o sujo falando do mal lavado…

Como o princípio dos blogs é ser um veículo pessoal, com a popularização deles, começou a ficar a critério da blogueira decidir se avisa ou não quando o post é um publi, um produto que ganhou ou um elogio puro e simples.

Bem, aproveitando o momento, por aqui a transparência é obrigatória. Falamos de muitas marcas, de muitos lugares e nem sempre ganhamos pra isso. Mas quando ganhamos, a gente avisa. Respeito às leitoras é essencial e prioridade pra gente.

3 – Malhando a modelo

Nossa, temos um pouco de pena da Candice Swanepoel. Como se não bastasse ter dado o que falar por estar magra demais (a gente falou aqui!), agora ela foi vítima do Photoshop Maldito da Victoria’s Secret (quem não sabe, nem Adriana Lima se salvou, o Photoshop Disasters tá sempre de olho….).

Uma mulher com um corpo ótimo (levando em conta essa foto, tá? Não aquela outra…) precisaria de tanto tratamento? E caso precise, um curso de anatomia urgente pro manipulador é um bom investimento.