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0 em Comportamento/ feminismo no dia 21.03.2019

Tetas, quantas vezes ainda precisaremos falar sobre elas?

Lá na semana do Carnaval, a atriz Maria Casadevall saiu com as tetas de fora para curtir um bloco. Fiquei com a impressão de que todo mundo teve uma opinião sobre eles nessa semana. 

Minha opinião sobre os peitos da Maria é que eles são bem bonitos. Só. E apesar desse assunto já ter um tempo, ele me impele a falar mais sobre isso. Porque pelo o que eu vi, rolou uma confusão sobre o significado dessas tetas de fora. E eu quis muito falar sobre tal fato. Até porque daqui a pouco vai ter outra mulher mostrando os peitos por aí e tenho certeza que a discussão será a mesma.

Nesse episódio, tivemos três tipos de “comentaristas de tetas”. Vou citar mulheres, porque estou falando como mulher para outras mulheres, ok? 

ilustra: Marylou Faure

1 – As hipócritas quando falamos de tetas

To falando daquelas que viram a menina e disseram “que absurdo, essa mina sem blusa. Onde vamos parar? Esse mundo está perdido. Que biscate”

Ora, todo mundo sabe que teta de fora no Carnaval é algo que a gente vê aqui no Brasil há milênios. Teta de famosa então, nossa senhora. Eu já via na Sapucaí quando ainda usava fraldas. Já vimos teta vendendo cerveja, já vimos teta no cinema, já vimos teta na novela, já vimos tetas por todos os lados. Então meus amores, pra essa comentarista nem precisamos responder.

No máximo dizer “o que te incomoda é a teta ou é uma mulher que mostra a teta por vontade própria?”. Fica aí o questionamento, com um apelo para tentarmos evitar reproduzir a lógica do patriarcado. 

2 – As “tetas revolucionárias”

Foram aquelas que saíram em defesa de Maria com unhas e dentes. Jurando que a moça estava revolucionando o mundo – e o feminismo – com seu protesto nu.

Temos que separar BEM as coisas aqui.

Enquanto nunca, jamais, devemos julgar qualquer mulher e suas escolhas, também precisamos lembrar que a gente não muda o mundo tirando a roupa e nem pintando a unha de branco em prol da paz. Mudar o mundo é lutar pelo coletivo. Porque o feminismo é um movimento sócio político, e não um movimento individual.

É sobre todas, e não sobre VOCÊ.

É preciso entender que precisamos buscar igualdade não apenas entre mulheres e homens, mas entre mulheres e mulheres. Dependendo da sua classe social, da sua cor de pele, da sua aparência física, da sua orientação sexual, do lugar onde você nasceu, você terá muito menos ou muito mais direitos.

Então, enquanto não tem (ou não deveria ter) nenhum problema em Maria Casadevall sair de peito de fora (ainda mais no Carnaval, imagina), acho um equívoco enxergar o ato como feminista e/ou revolucionário. A própria atriz depois de ouvir muito sobre isso se posicionou de tal forma, inclusive.

3 – As crucificadoras de tetas

Teve mulher – feminista – que acabou por detonar com a vida da menina porque ela “protestou” pelada. Ridicularizaram, debocharam, disseram que ela tava passando vergonha, “esse feminismo liberal de merda que ela representa”.

Gente, o feminismo liberal não me representa em absolutamente NADA e eu definitivamente não gosto dele. Quem sabe, em outro momento, faço um texto sobre isso pra vocês. Por agora, só acho que vale a pena lembrar que julgar a atitude de outra mulher não é bacana.

Dizer que ela não agregou, criticar o feminismo liberal, ok. Realmente não agregou e a gente tem que fazer críticas porque o feminismo, como qualquer movimento, não é perfeito porque é feito de GENTE. E humanos nunca serão perfeitos. Esse fato em nada diminui a importância do feminismo. Mas xingar e ridicularizar outra mulher publicamente, a meu ver, é passar vergonha. 

Então amores, bora julgar menos e trabalhar mais pela nossa causa? De tetas de fora, de tetas de dentro, tanto faz. O importante é a gente discutir o assunto. :)