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17 em Comportamento/ Destaque/ maternidade no dia 23.01.2017

Sobre bebês, aviões e empatia

Essa semana eu vou encarar um belo de um desafio: vou sozinha para o Brasil com o Arthur. 10 horas de voo com uma criança que já tem vontade própria, mas também consegue ser hipnotizado com facilidade pela Galinha Pintadinha (obrigada por existir, amiga). Ainda tenho a vantagem que será voo noturno, mas não deixo de ficar ansiosa – muito, do tipo que só melatonina tá salvando – pensando no que pode acontecer. Será que ele vai dormir? Será que eu vou dar conta? Será que ele vai dar ataque? Será que vou encontrar pessoas impacientes pelo caminho?

Quem viu meu post sobre choro em público, láááá atrás, sabe que já aconteceu do Arthur abrir o berreiro em uma ponte aérea e eu fiquei super sem graça porque tenho pavor de incomodar. Mas de lá pra cá, eu diria que ganhei algum jogo de cintura e também aprendi a lidar com certas situações e ignorar pessoas e comentários. Imaginem, quando cheguei aqui achava desesperador ir de metrô, vocês lembram? Hoje é algo que eu consigo me virar numa boa e acho até graça do meu medo inicial. Só que como pegar um avião sozinha não é tarefa das mais rotineiras, é mais do que normal eu ficar com certo receio dessa “novidade”.

Aí que ontem eu estava conversando sobre isso com duas amigas e uma delas contou a história de uma blogueira que recentemente foi convidada pela chefe de cabine a se retirar da 1a. classe de uma companhia aérea porque sua bebê de 10 meses estava chorando muito (para as curiosas, a blogueira é a Arielle do Something Navy – que inclusive já apareceu como minha musa de estilo aqui no blog!). Seria meu pesadelo? Mesmo sabendo que não irei de 1a. classe? haha

Pois bem, fiquei sabendo que ela fez um desabafo no instagram e fui dar olhada na história que aconteceu há 2 semanas atrás. Pra quê eu fui ler os comentários, gente? Juro, pra quê?

On our way to LA a few days ago it was my first time flying with Ruby, I had a screaming crying sleepy baby who was so overwhelmed that she couldn’t fall asleep. My husband and I paid for first class so that we’d have the extra space and could lay down with her – once we were boarded I was getting tons of eye rolls and head shakes from fellow passengers on @delta because my baby was crying (as if I could just look at Ruby and say okay now it’s time to stop 😂). I tried to ignore the people until 10 minutes passed and a flight attendant came over to me and asked me and my baby to move to the back of the plane (as if the people in the back didn’t matter). Give up our seats that we paid for and move. Apparently I was upsetting and getting a lot of complaints from the first class passengers. I started crying because I was so stressed and anxious and instead of the stewardess being helpful and compassionate she instead made the situation worse. I don’t know what’s right and wrong when it comes to flying with a baby but after telling a few people the story they were in shock. Thoughts? We’re headed back to NYC today and we’re hoping for a much better experience. ✈️

Uma foto publicada por Arielle Noa Charnas (@somethingnavy) em

Pessoas dizendo que ela tinha que ter ido lá pra trás mesmo porque se elas estivessem na 1a. classe e tivesse um bebê chorando elas ficariam muito revoltadas porque pagaram mais para estar ali (e pera, a mãe da criança também não pagou mais para estar ali? Não entendi a lógica). Gente dizendo que quem tem filhos não pode sair de casa e pegar um avião até a criança ter idade de saber se comportar. Indivíduos dizendo que odeiam crianças e não têm que aturar filho dos outros – em um transporte público, vai entender também. E por aí foi até meu estômago embrulhar e eu desistir de acompanhar o resto dos 2.250 comentários.

Concordo que não é fácil aturar criança cujos pais não dão limites, que fica batendo e/ou puxando a cadeira da pessoa da frente ou que quer correr pelos corredores sem que um responsável venha conter a situação. Mas um bebê que está chorando porque provavelmente o ouvido está doendo ou assustado com o barulho? { um dos comentários: não exponha sua filha a esse tipo de situação. oi???? } Ou que está muito curiosa com o ambiente novo e não sabe se expressar de outra forma além do choro ou dos gritos? Será possível que essas pessoas que fizeram esse tipo de comentário não conseguem ter empatia (acho que nem preciso responder essa pergunta, infelizmente) e não conseguem perceber que os mais interessados para que a criança pare de chorar são os pais? Isso porque nem estou comentando a atitude da chefe de cabine, que eu achei absurda já que não existe nenhuma política dizendo que menores de X anos não podem voar na 1a. classe.

Resolvi contar essa história que eu fiquei sabendo só para vocês entenderem que esses comentários horríveis provavelmente são o maior medo de todas as mães. E se elas estão sozinhas, então, esse medo não só triplica como junta com o fato de que ir com um bebê no avião (ainda mais se ele for bem pequeno) dificulta a vida para fazer tarefas simples, como comer ou ir ao banheiro.

Sei que esse blog é lido majoritariamente por mulheres lindas por dentro e por fora, mas acho que vale a pena eu propor um pequeno exercício que antes de ter filho eu nunca teria imaginado:

Caso um dia você pegue o avião e se depare com uma mãe sozinha que esteja passando dificuldades (e espero não ser eu nessa situação haha), por favor, não julgue, não reclame que o bebê está incomodando, tente não olhar de cara feia. Se achar que dá e você estiver com paciência para tal, tentem ajudá-la. Ofereça para ficar com a criança enquanto ela vai no banheiro ou come alguma coisa, faça uma gracinha (dica: brincando de esconder com a mão funciona com todo bebê!). E caso você não queira fazer nada disso mas choro de criança te incomode mais do que tudo na vida, entre no voo equipada com um tampão de ouvido ou um fone que corta ruídos externos (sim eles existem – e funcionam muito bem!).

Sei que nem sempre é fácil se botar no lugar dos outros e acho que é mais difícil ainda quando se trata de crianças (prova maior disso é que quase todos os assuntos relacionados à crianças convivendo em lugares com adultos geram alguma polêmica) mas acho que essas são pequenas atitudes que provavelmente farão com que mães se sintam menos mal, menos receosas, menos isoladas e mais acolhidas.