Browsing Tag

saúde mental

0 em Autoestima/ Destaque/ Saúde no dia 09.01.2020

Você já ouviu falar em Janeiro Branco? Pois deveria!

Para algumas pessoas, a época de festividades de fim de ano pode ser um momento de muita alegria, comemorações e felicidade. Mas nem sempre é assim.

Em primeiro lugar: verão! Junto com ele: praia, piscina, biquíni, maiô, braços e pernas de fora.

E aí você que, assim como eu, já viveu ou vive um período de dificuldade em relação à autoestima, idealização corporal, transtorno alimentar e/ou pressão estética, sabe bem como essa estação pode ser difícil em determinados momentos.  

Em seguida temos o Natal.

Uma época que, em geral, nos remete a um momento de festividades familiares, mas que nem sempre é cercado só de alegria e boas recordações. As festividades natalinas podem nos levar a um período com diversos gatilhos, despertando sofrimentos e angústias que estavam ali, quietinhos. Muitas vezes eles vêm à tona com os questionamentos e comentários feitos pelas pessoas ao redor. Ou então, é um momento marcado pela solidão. Seja lembrando de alguém que nos deixou ou onde a saudade de quem está distante nessa data aperta.

Logo depois, Ano Novo!

Comemoração de ano novo, época de renovar os planos para o ciclo que se inicia. Novas etapas, novas histórias, novas expectativas, novas promessas e novos desejos. Mas a mesma pessoa. O que muda em nós com a mudança do ano? O quanto de nós realmente fica para trás? O quanto de nós segue adiante? O quanto, de fato, conseguimos virar a página junto com o ano que vira? 

Foi pensando nesse contexto que em 2014 foi criada por psicólogos de Minas Gerais a campanha do JANEIRO BRANCO. Atualmente a mobilização conta com a participação de diversos profissionais da área da saúde que colaboram através de palestras, debates, vídeos, textos e ações que visam à promoção de saúde mental. A conscientização tem um grande público em diversas cidades do Brasil e, atualmente, ocorre também em âmbito internacional em países como Estados Unidos, Japão e Portugal.  

entrem no instagram @janeirobranco

O mês de Janeiro foi escolhido para falar sobre saúde mental justamente por representar de forma simbólica e cultural um período em que as pessoas podem estar em um estado de melancolia e vulnerabilidade.

Mas que, junto com isso, têm a sensação de um novo começo, novos planos e novo estilo de vida. Assim, esse também pode ser um bom momento para buscar ajuda profissional e começar a cuidar da mente, dos comportamentos e das emoções. O objetivo é que, junto com os novos planos, seja incluído também um novo olhar referente à saúde mental. Uma temática que ainda possui uma série de tabus, preconceitos e é pouco discutida pela sociedade de uma forma geral. 

Vivemos em um momento em que damos uma enorme importância às aparências, principalmente por causa da forte exposição causada pelas redes sociais. Há uma intensa cobrança de alegria, prazer e felicidade. Quando falamos em saúde do corpo, aceitamos os cuidados preventivos, fazemos checkups, procuramos médicos, adotamos estratégias de prevenção de doenças e promoção de saúde. Mas quando se trata da saúde mental, precisamos sempre mostrar que estamos bem e buscar ajuda profissional pode aparentar sinal de fraqueza. Porém na prática, não é bem assim! 

Diariamente estamos expostos à situações que exercem um impacto na nossa vida emocional.

Momentos de estresse, problemas financeiros, familiares, pessoais, relacionamentos difíceis, problemas no trabalho, etc. O motivo que levará cada pessoa à buscar ajuda profissional é muito particular. Porém, o principal sinal de alerta é quando nos damos conta de que algo não vai bem. Ou que a tristeza é constante e que somos consumidos por desânimo, dificuldades nas relações e na resolução de problemas. 

É nesse momento que a terapia pode ser fundamental no processo de transformação pessoal.

O processo terapêutico nos enriquece enquanto pessoa. Nos ajuda a lidar melhor com nós mesmas e com nossos comportamentos. Aprendemos a conhecer e lidar com as nossas emoções, com as adversidades e com a forma a qual reagimos aos acontecimentos, às coisas, às pessoas e ao mundo. Além disso, a psicoterapia promove bem-estar, fortalece a busca por autoconhecimento e pelo equilíbrio emocional. 

A campanha do Janeiro Branco é destinada à toda a população.

Quanto mais pessoas tiverem conhecimento e acesso a esse tipo de informação, maiores serão os debates e os espaços de acolhimento para desconstrução de estereótipos sobre terapia e cuidados com a saúde mental. 

E você, o que vai fazer pela sua saúde mental em 2020? Conta pra gente? Compartilhe essa ideia! Nos ajude a fazer parte dessa rede que cresce a cada ano. Cuidar da nossa saúde-mental é promover um momento de autocuidado e de autoconhecimento em um espaço que possibilita uma escuta segura, empática e acolhedora.

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 14.08.2019

Um bate papo sobre gordofobia, pressão estética, saúde física e mental

Quando fui chamada para participar do #FimDeSemanaDoPapo, eu não imaginava o que me esperava. Especificamente, fui convidada a falar sobre Gordofobia, Pressão Estética e o Impacto na Saúde Física e Mental. Junto comigo, mais algumas mulheres muito queridas: as blogueiras Ana Luiza Palhares e Ju Romano, a nutricionista Isabela Mota e a atriz Mariana Xavier.

Nosso bate papo foi o primeiro de todo o evento e aconteceu algo bem curioso. Todas as vezes em que conversei com a Jô antes do evento perguntando sobre como seria este bate papo, ela sempre dizia: “Estou tranquila com todas vocês juntas! Com certeza será incrível!”

No momento em que nos encontramos na sala em que o bate papo iria acontecer, era nítido o clima de alegria que estava no ar! Todas aquelas mulheres se conheciam de uma troca diária do grupo Papo Sobre Auto Estima. Joana e Carla nos apresentaram, introduziram o tema e, ao encerrar sua fala, Joana disse:

– “Meninas, eu tenho certeza que vcs estão em boas mãos e duas horas será pouco para toda essa discussão”

Neste momento a querida Ju Romano, me olhou e disse: – “Você conduz? Você começa?”

Essa sou eu!

Sim! Este sempre foi o meu papel! Conduzir o processo de auto conhecimento dos meus pacientes é a minha área. Ser aquela que acompanha, mas não dá as respostas prontas. Ser aquela que provoca, e mais do que isso, a que faz possível ir além da dor quando o paciente permite.

Primeiro pedi que todas chegassem mais perto, inclusive se sentassem no chão, se assim quisessem. Eu me apresentei, e apresentei também Ju Romano, Ana Lú, Isabela e Mariana. E na sequência perguntei:

“Vocês sabem a diferença sobre pressão estética e gordofobia?”

O silêncio se fez na sala. É dificil mesmo levantar a mão e dizer que não sabe ou que tem dúvidas. Até que uma voz quebrou o silencio e disse: “Não!” Ufa! Nossa troca iria começar a partir dali!

Deste momento em diante todas aquelas mulheres e toda aquela potência do feminino se conectou. E enfim pudemos falar dos temas mais delicados, que trago hoje para vocês. Alguns deles:

Ana Lu Palhares

– Não julgar que uma mulher com um corpo mais “típico”, ou “próximo” ao padrão estético unilateral da magreza, não sofra tanto quanto uma mulher gorda. Existe a pressão estética em cima dela, existe o bullying e existe, sim um sofrimento. Mas é preciso entender o contexto onde a acessibilidade dela não é impedida socialmente (catracas de ônibus, falta de cadeiras reforçadas para suportar o peso, poltronas e cintos de segurança do avião que lhe caibam…). Ou que ela não deixa de ser atendida em um hospital porque presume-se que é só emagrecer que passa. E o mais importante, lembrar que se fere a existência do outro, deveria ferir a nossa também.

– Como o corpo gordo é visto como uma doença epidêmica mundialmente, com dados alarmantes. E ao mesmo tempo nunca estivemos tão obcecados por dietas, composição dos alimentos e corpos esculpidos.

A nutricionista Isabela Mota

– Essa obsessão nos mostra que estamos no caminho errado. Tentando controlar o corpo, a fome, o peso. E nos afastando do verdadeiro significado da saúde.

– Como o padrão de beleza unilateral da magreza, não representa todas as possibilidades, tipos, formas e tamanhos de corpos. Como, em 7 bilhões e 600 milhões de códigos genéticos, eu posso crer que é possível ter apenas um tipo de corpo?

– Nosso corpo mostra a nossa genética, historia, escolhas e traz todas as consequências. E isto não é ruim, mas não quer dizer que seja simples de entender e se familiarizar. Afinal, estamos no mundo do “Não gosta, mude!” 

Ju Romano

– Questionamos a eficácia de diminuir toda a dor e angústia vividas com o corpo desde a infância a procedimentos estéticos e transtornos alimentares. Habitar o nosso próprio corpo é nos depararmos com a historia que este corpo conta. É entrar em contato com a dor e as angústias vividas a cada ganho de peso ou a cada dieta mal sucedida. A cada médico que atribuiu a sua dor na cervical única e exclusivamente ao seu peso. A cada familiar que o ridicularizou durante um encontro de família, como se o seu corpo fosse público.

A partir daí muitas mulheres se manifestaram. Contaram suas histórias de dor com suas mães, médicos gordofóbicos, crianças na época de escola, as dificuldades de existir fora de padrão unilateral da magreza. Essas mulheres compartilharam suas histórias, dores, suas marcas e puderam ser acolhidas, abraçadas e cuidadas. Eu só posso agradecer, a cada uma das mulheres que fizeram este momento tão especial e transformador.

Ressignificar cada uma dessas experiências inclui entender que autocuidado não significa única e exclusivamente tomar um banho demorado ou ter tempo de ir a manicure.

É também, mas não só isso. É entender que cuidar da sua alimentação é uma forma de cuidar do seu bem estar. Internalizar que fazer uma atividade física é para manter seu corpo em movimento e cuidar desta “casa” que você habitará até os últimos dias da sua vida. E que saúde não é medida pela circunferência abdominal, e que ninguém precisa andar com seus exames bioquímicos por aí para demonstrar que tem um corpo saudável.

Mariana Xavier

Foi também entender que nossas mães só foram capazes de nos dar e nos ensinar o que lhes foi ensinado.

Por mais dolorosa que possa ter sido a sua relação com seu corpo e a maneira como sua mãe lidava com o corpo dela – e consequentemente com seu corpo – isso dificilmente é intencional. A gordofobia da sua mãe diz respeito à ela, não à você.

Por isso que hoje todas nós somos capazes de fazer diferente com nossas filhas, irmãs, primas, vizinhas, amigas! Cada uma de nós podemos nos tornar agentes de saúde, ainda mais em uma sociedade tão adoecida.

Sim, precisamos lembrar que apenas nós somos capazes de fazer diferente. Que cada like, cada visualização ou foto que eu abro para ver alguém falando do corpo ou da vida de outra mulher, eu reforço este comportamento. Cada vez que eu permito receber um elogio em detrimento a outra mulher, eu compactuo com esse sistema.

E por fim, que toda essa desconstrução é um processo. Individual, muitas vezes doloroso, mas que envolve uma construção de uma mulher possível e real! Lembrando sempre que não é fácil, mas é possível!

Meu muito obrigada a cada uma das mulheres incríveis que estavam presentes! E a cada uma das colegas deste evento que, ao meu lado, levaram esse bate papo tão importante!

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Mayara Oksman no dia 11.07.2019

Sobre essa efedepê chamada ansiedade

Uma noite dessas não dormi. Deixei a ansiedade entrar escancarada pela porta da frente e de todas as formas possíveis. Me vi frágil, duvidando da minha capacidade, questionando decisões. Julgando o meu presente e preocupada com o meu futuro. Às cinco da manhã vi o sol nascer pela janela com a sensação de que a vida está passando e eu estou aqui sentada, imóvel. Racionalmente, lááá no fundo, eu sabia que estava errada.

Mas a ansiedade é um bichinho que mexe com emoção e não com a razão.

A ansiedade consegue cegar a gente completamente por alguns segundos, minutos e até dias, se deixarmos. E é por isso que estou desenvolvendo na terapia algumas formas para tentar driblar essa efedepê. Até agora, o mais eficaz para mim é verbalizar o que eu estou sentindo para alguma pessoa que confio. Minha sorte é que além do meu querido terapeuta, tenho amigas muito fodas.

Amigas daquelas que posso ligar a qualquer hora e falar: “mana, me ajuda aqui porque eu não to conseguindo sozinha”. Amigas que eu não tenho receio algum de expor meus medos, sejam eles pequenos ou grandes, e que eu sei que vão me dar bronca se precisarem. Amigas que vão argumentar com fatos concretos o que a mente ansiosa teima em fantasiar.

Nessa noite/madrugada/manhã específica, liguei para uma dessas amigas. E disse que eu não estava me sentindo um mulherão da porra.

Que eu estava insegura, me perguntando que diabos tinha de errado comigo. Recentemente fiz duas novas tatuagens que homenageiam a mulher que eu sou e o amor da Mayara pela Mayara, mas acabei desabando, sim. Porque nem todos os dias são flores, nem todos os dias a gente olha no espelho e enxerga o quão fodásticas somos por dentro e por fora. Enquanto chorava (minto, soluçava, aos prantos) no telefone, ela me acalmou, mandou eu respirar fundo. E perguntou exatamente o que eu estava achando de mim mesma naquele momento, qual era o problema exatamente.

Quando respondi, ela deu uma risada alta e brevemente me xingou. Depois de respirar fundo e mais calma diante das baboseiras ouvidas, disse: “você sabe que está falando merda, você sabe que isso não é verdade e eu não vou deixar você pensar assim nem por mais um minuto”.

E então a minha amiga rebateu cada um dos supostos problemas criados pela Mayara ansiosa com fatos concretos. Com piadas, com coisas que a própria Mayara (mais racional) já tinha dito no passado. Com mais broncas e mil palavras carinhosas. Todo esse conjunto de argumentos positivos e o cuidado vindo dela me fizeram respirar fundo.

Parei de chorar e entendi que eu precisava apenas fechar os olhos, dormir e repensar em tudo aquilo depois de algumas horas.

E foi isso que eu consegui fazer mais descansada: enxergar exatamente o que desencadeou essa crise de ansiedade. E apesar de ter me deixado levar, chorar, fazer drama e achar um monte de coisa ruim, vi um avanço em mim mesma.

Fico feliz e satisfeita porque hoje consigo:

1) entender que estou me deixando levar pela ansiedade, mesmo que demore algumas horas para tal;
2) tentar, de alguma forma, racionalizar o que está acontecendo, mesmo que eu precise da ajuda de alguém para isso;
3) enxergar o que desencadeou o problema e tentar evitar que isso ocorra novamente.

Pode ser que eu não durma essa noite e a ansiedade e os medos batam de novo na porta. Pode ser que eu ainda tenha que tratar desses assuntos por mais muitas sessões de terapia. Pode ser que eu ainda gaste milhares de minutos levando bronca das amigas.

Mas o importante mesmo é dar pequenos passos para não deixar as horas de crise se tornarem dias. Ou os pensamentos virarem problemas de verdade. Ou os medos me impedirem de tomar os próximos passos.

Um abraço carinhoso nas minhas terapeutas do passado. Um beijo de luz cósmica pro meu terapeuta do presente. E tudo isso em dobro pras minhas amigas do coração, que tá cheio de gratidão. É um privilégio dos grandes ter por perto gente que ajuda e nos acolhe em momentos de crise.