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resenha de livro

3 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 06.11.2019

Book do dia: Te devo uma, de Sophie Kinsella

Depois da duologia de Octavia Butler, eu fiquei com uma lista de livros pra ler. Muitos são histórias reais, de realidades que não conheço. Outros são um aprofundamento de estudos que venho fazendo. Tudo leitura meio densa, pesada, mas todas dentro do que estou procurando.

Quando vi que Sophie Kinsella tinha lançado um livro novo, apertei o botão do comprar sem nem pensar muito, confesso. Achei que seria uma boa ideia dar uma pausa de tanta coisa para uma leitura despretensiosa. Coisa que Sophie é muito boa, convenhamos.

Na verdade, eu passei um período meio de bode da autora por causa de sua personagem principal, Becky Bloom. Mas Sophie ainda tem a mão de comédias românticas, e é isso que Te Devo Uma significa.

Fixie Farr é a filha mais nova de uma família que comanda uma loja tradicional de bairro em Londres. Uma mulher que se acha fracassada e inferior aos outros 2 irmãos, mas que vê sua vida mudando ao fazer um grande favor para um desconhecido.

A autoestima profissional de Fixie é um caos. E acho que por isso mesmo essa foi a personagem que eu mais me identifiquei em todos os livros de Sophie Kinsella. A dificuldade dela de expressar ideias porque já presume que não são legais o suficiente. A paralisia quando ela precisa enfrentar alguém que ela considera ser melhor que ela. O medo de se impor (que ela chama de corvos rodeando sua cabeça, uma analogia que eu achei muito apropriada, inclusive). Eu tenho muito disso, e consegui simpatizar com Fixie imediatamente.

Outra coisa que me surpreendeu é que percebi um cuidado maior de Sophie em dar às suas personagens atitudes mais feministas. Algo que não me incomodava lá no início, com Becky Bloom, mas que foi chamando atenção com o tempo.

E por último, um dos elementos que mais gostei é algo que ela já tinha abordado em seu livro anterior, Minha vida (não tão) perfeita: aparências. Sobre como muitas pessoas vestem uma capa de perfeição que, na verdade, é bem provável que seja uma mentira.

Enfim, se você está procurando uma leitura leve, rápida e que te deixe com um sentimento gostosinho, vai fundo em Te Devo Uma. E depois me conta. :)

1 em Book do dia/ Destaque no dia 28.01.2019

Book do dia: Um amor inventado, de Fabiana Madruga

A Fabiana é uma das participantes mais antigas do nosso grupo do Facebook, o Papo Sobre Autoestima. Ela tá desde o comecinho, já fez post aqui no blog sobre ser mãe de menina e está sempre ativa em muitas conversas interessantes.

Mas fiquei sabendo desse livro em um post que ela fez no grupo que não tinha nada a ver com isso. Ela estava contando sobre um problema de saúde, sobre mudanças e sobre sua incerteza de continuar a escrever. Ela tinha recém lançado Um Amor Inventado de forma independente pela Amazon, as vendas não estavam indo bem e ela estava com dúvidas. Pedi para ela indicar o livro no post e comprei.

Eu queria muito ajudá-la, afinal, ela sempre tem uma palavra de carinho para dividir no grupo. Mas além disso, eu sei como é difícil esse mercado editorial, e o empurrãozinho que eu pude dar foi esse. Por R$10 o livro está no seu Kindle (que tem app também, não é só no aparelho). E ele ainda está disponível no Kindle Unlimited, para quem assina esse serviço.

Comecei na semana passada. Tinha acabado de ler um livro meio denso e estava precisando de uma leitura leve e gostosinha. Não podia ter feito escolha mais acertada. Li em uma tacada só. Ou melhor, duas. Porque comecei enquanto esperava o voo de ida para o Brasil. E terminei no voo de volta. :p

A sinopse: “A autora da série “Clube dos Herdeiros” aposta dessa vez em um romance que conta como as vidas da jornalista Bruna Diniz e do jogador de futebol Ricardo Salles acabaram se entrelaçando, e dando origem a uma história repleta de humor, surpresas, sensibilidade e um amor que não tem medo do clichê e nem de torcer por um final feliz.”

Sabe filme de comédia romântica? Daqueles que a gente meio que já sabe o que vai acontecer, mas não está nem aí? Aliás, que a gente torce para que aconteça exatamente o que estamos esperando? Pois é, Um Amor Inventado é bem assim.

Bruna é uma protagonista bem fácil de se identificar. Aquelas que a gente já está acostumada nesse tipo de leitura. Carismática, um tanto quanto estabanada e bem insegura. Faz muitas escolhas erradas e é a típica mulher que está sempre se contentando com pouco, achando que é isso que merece. Deu vontade de dar muitos chacoalhões em Bruna durante o livro, não nego.

Na minha opinião, o destaque de Um Amor Inventado vai todo para o pai de Bruna. A criação que ele dá aos filhos é tão respeitosa, empática e carinhosa, que eu me peguei sublinhando vários trechos com falas dele. É uma inteligência emocional que eu quero desenvolver para quando eu precisar.

Bem, como eu disse, Um Amor Inventado é aquela comédia romântica que você até sabe onde vai dar. Mas não importa. Eu só sei que terminei com um sorriso no rosto e coração bem leve. Era tudo que eu tava precisando.

Se você está afim de uma leitura fofa, que te deixa com quentinho no coração e, ainda por cima, ajudará uma mulher muito incrível, não deixa de comprar. Ele só está disponível em e-book e o link é esse aqui.

1 em Book do dia/ Comportamento/ Destaque no dia 07.12.2017

Book do Dia: O amor segundo Buenos Aires, Fernando Scheller

Era junho de 2016. Ao lado da cafeteria quase que improvisada da sala de imprensa do festival de publicidade Cannes Lions, na França, onde ambos trabalhávamos, troquei minutos de conversa com Fernando Scheller, repórter do Estadão. Ele me contou de seu recém-lançado livro “O amor segundo Buenos Aires”, sua estréia como autor de ficção. Fiquei curiosa, mas teria que esperar o final de ano, quando iria ao Brasil, pra comprar, já que moro nos Estados Unidos. “Tem a versão digital e você pode ler pelo iPhone”, ele lembrou. Óbvio, né?!

Comprei e me apaixonei já no primeiro capítulo. Mas para mim, foi se tornando muito ruim a experiência de ler pelo celular. Impossível. E aos poucos fui deixando esquecido aquele livro pelo qual tinha me apaixonado, como deixamos tantas de nossas paixões e descobertas abandonadas ao longo do caminho, por um motivo ou por outro.

Meses depois voltei ao Brasil e esqueci de comprar o livro. Tudo bem, um dia terminaria de ler no celular. Só esse, que valia muito ser lido. Um dia… Tanta gente lê, né?! Porque não eu. Quem sabe… um dia…

Outubro de 2017. Poucos dias antes de viajarmos ao Brasil, onde eu comemoraria meus 40 anos, meu marido antecipou meu presente pra que eu pudesse aproveitar na viagem. O Kindle me pouparia de levar um ou dois livros pesados na bolsa, como sempre faço. “Sei que você adora ler e não precisa deixar de ter livros por isso. Experimenta e tudo bem se não gostar e não quiser”, ele disse, diante da minha cara de quem não entendeu o presente. “Será que ele não vê como amo livros?”, pensei. Mas resolvi testar. 

Ainda me sentindo como quem trai uma tradição – essa mania de se prender aos hábitos -, baixei um livro de Laura Gutman, que amo, e algumas historinhas pra minha filha. Comprei uma capinha para protegê-lo e para, usando-a aberta, ter a sensação mais próxima de segurar um livro leve, muito leve. E embarquei.

Quando percebi, não só tinha virado adepta dessa nova maneira de ler como estava indicando pra outras pessoas. Com a facilidade de carregar o device pra todo lado, sempre ali, na bolsa, fui ganhando segundos extras e valiosos de leitura para uma mãe que trabalha em casa e em uma ONG, não tem empregada, e tenta dar o máximo de atenção e diversão pra filha de 4 anos e meio que só vai à escola 3 vezes por semana por meio período – opção mesmo, que fique claro.

Enquanto buscava a próxima leitura, e queria que fosse tão especial quanto a anterior, me lembrei de “O amor segundo Buenos Aires”, já “empoeirado” ali na minha “estante virtual” do celular. Baixei para o Kindle com a felicidade da criança que reencontra um brinquedo antigo. Reli algumas páginas iniciais pra re-contextualizar e não parei mais.

O livro é surpreendente do começo ao fim. Pra quem gosta de biografias e livros com fatos reais, como eu, mal percebi que estava sendo envolvida por um romance. Vivenciando a vida daqueles personagens. Às vezes começava a ler um capítulo sem saber de quem se tratava. Ou por desatenção minha, ou porque faz parte do suspense do livro mesmo, o que o torna mais interessante. Histórias que se entrelaçam e se complementam de forma inacreditável, pois são completamente diferentes. E qualquer semelhança com o que se vive do lado de fora daquelas páginas não deve ser mera coincidência. Acredito.

É vida real. Tem dores, tombos e angústias. Tem abandono, encontros verdadeiros, conflitos, feridas abertas que um dia parecem cicatrizadas, no outro não mais. Nem todos os finais são felizes. Aliás, não tem finais, pois a vida segue. Fechei o Kindle com a sensação de que se revisitar Buenos Aires hoje, vou procurar pelas ruas meus velhos conhecidos de “O amor segundo Buenos Aires”. Poderia tomar um café com cada um deles e discutir sobre a vida, sobre dores e amores, sonhos e frustrações, coisa que amo fazer. Adoraria conhecer Carol. Hugo, com certeza. Martín, seu Pedro, Eduardo e Daniel. Como estariam Victor e Manuel agora? Aliás, terminei com uma imensa vontade de revisitar a capital Argentina, seus cafés e praças, San Telmo…

Fico pensando onde Fernando Scheller cruzou com cada personagem em sua mente pra construí-los tão vividamente bem. Ouso dizer que só um jornalista com sua imensa capacidade e a paixão por observar, ouvir e anotar – mesmo que mentalmente – histórias humanas tão repletas da sinceridade da vida real seria capaz de criar um enredo assim. Certeza que é isso. E assim me despeço com saudades desse romance que me esperou um ano e meio para ser lido, como um amante adormecido que sabe que você vai voltar. No nosso caso, a paixão foi reacendida e arrebatadora, desde as primeiras páginas. Em “O amor segundo Buenos Aires”, nem sempre um reencontro reacende sentimentos e paixões ou termina entre os lençóis. E pra mim ficou a forte mensagem de que há sempre um novo caminho a ser seguido, desde que você descubra ou queira descobrir quem você realmente é. Desde que você permita-se seguir, sendo você.