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pressão estética

0 em Autoestima/ Destaque/ Moda/ Patrocinador no dia 05.08.2019

bonprix, uma marca com tamanhos e preço para todas!

Sexta feira, no primeiro dia de #fimdesemanadopapo, aconteceu o primeiro bate papo do nosso grande evento. Nós vestimos bonprix para esse primeiro encontro com todas as convidadas e, pra nós, isso foi muito especial. Ter a marca conosco no bate papo sobre as diferenças entre gordofobia x pressão estética e o impacto que tudo isso tem na saúde física e mental das mulheres foi mesmo muito importante para o papo sobre autoestima.

Não sei se vocês sabem, mas a bonprix é um e-commerce alemão que chegou no Brasil há 6 anos e está presente em mais de 20 países. Seu foco é trazer as tendências da moda europeia e adaptá-las para o corpo da mulher brasileira. Essa atenção com nossas características, que são tão diferentes da mulher europeia, faz toda a diferença na modelagem das peças e na forma que elas irão nos vestir. 

A participação da marca no fim de semana do papo foi além de nos vestir. A marca acreditou no nosso bate papo comandado pelas blogueiras Ju Romano e Ana Luiza Palhares. Com elas, tivemos também a psicóloga Vanessa Tomasini, que deixou muito claro o quanto o preconceito da sociedade pode prejudicar a saúde mental das mulheres. E a nutricionista comportamental Isabela Mota que falou da importância de se relacionar em paz com a comida, sem tanto medo ou culpa. Amamos ouvir profissionais da área e entender os impactos negativos que tanto preconceito tem na vida das mulheres.

Agora, por que a bonprix? Porque a grade de tamanhos é ótima!

Boa parte das peças do e-commerce está disponíveis em tamanhos que vão do 36 até o 54. A maioria vai do PP ao XXG. E com adaptações da modelagem para melhor vestir esses corpos. Para quem costuma reclamar que muitas peças plus size têm estampas desatualizadas e modelagens que não valorizam o corpo gordo, acho que vale dar uma chance para a marca! 

O fator preço também é bem interessante.

Se você está nesse time que diz como é difícil achar peças plus com preços de fast fashion, vem cá. Na bonprix dá para achar vestidos de festa por menos de R$300, blusas por menos de R$100, etc. Fizemos uma seleção de produtos para vocês darem uma olhada no site!

Se você já deu uma olhada e curtiu algumas coisas, calma que tem mais! A bonprix, para contemplar não só as mulheres que participaram do nosso fim de semana, quis dar um presente para as leitoras que acompanharam tudo à distância. Ou melhor, dois!

Se você acabou de conhecer a bonprix, você pode ter frete grátis nas compras acima de R$69 usando código PAPO. Ele funciona até dia 31/08! E depois nos contem o que acharam, tá?

Durante o bate papo da Ju e da Ana, a bonprix deixou uma arara com peças de diferentes números para que as participantes pudessem olhar de perto fatores como tecido, acabamento e tamanho. O feedback que recebemos foi super positivo. 

O que achamos das peças?

A nossa primeira experiência com a marca aconteceu duas semanas antes do fim de semana. Escolhemos 3 opções para os looks que usaríamos no bate papo e todas as peças vestiram MUITO BEM. A única dica que achamos interessante dar é que, caso você seja o tipo de pessoa que tem peças de duas numerações diferentes, escolha a maior primeiro ou de uma olhada nas medidas, o site é super certinho.

Nossos looks de vários tamanhos:

Nós 4 vestimos bonprix pra esse bate papo e não poderíamos deixar de dividir esses looks com vocês:



Desde que voltamos a falar mais sobre moda por aqui, esses foram dois fatores muito pedidos. Quando fomos apresentadas à bonprix, ficamos felizes de saber que conseguimos achar uma opção de marca que preenchesse os requisitos de uma parte das nossas leitoras e seguidoras que buscavam por esse nicho. Atendendo a uma demanda de grade e preço competitivo.

Quer saber mais sobre as diferenças de pressão estética e gordofobia? Leia esse post que indicamos ou conta pra gente o que podemos abordar mais sobre esse tema aqui no blog.

Beijos!

0 em Convidadas/ corpo/ crônicas no dia 25.01.2019

A gordofobia nada invisível na minha família

Pertenço a uma família que as curvas predominam. Sorrisos e quadris largos. Gargalhadas altas, muita força e garra para lutar e chegar aonde quer. Paralelo a isso, um desejo absurdo de não ser o que realmente é. São anos tentando se encaixar em padrões injustos e cruéis de magreza.

E cada passo revela a gordofobia presente ali.

O bonito está no outro, provavelmente naquela moça alta e magra ali, não em mim. Dia desses ouvi alguém falando para minha filha:

– Come tudo para ficar alta e esbelta como a Crecilda! – Nome fictício para a única prima magra da família, que naturalmente deve ter puxado o biotipo da família do pai.

Bateu uma revolta! Medo de que ela acredite que ser bonita é estar dentro de um padrão X ou Y. Porque ela não pode ser bonita como a mãe? Só porque a mãe é gorda e bem resolvida com isso?

Gorda também é feliz, tem vida sexual, sucesso profissional, namora, casa, tem parto normal, amamenta, dança, usa biquíni no verão, se diverte, é bonita.

Dá para ser tudo que quiser na vida, sem arredar um passo de ser quem você realmente é. Ou sem diminuir um manequim.

ilustra: uma brocolis

E é exatamente assim que me sinto. Às vezes me incomodo e logo percebo que meu incômodo vem dos outros. Vem dos olhares maldosos. Vem do julgamento de “fulana está linda, emagreceu que é uma beleza”, sem se importarem com o motivo real do emagrecimento.

Será que não cogitam perguntar para uma pessoa se ela está realmente bem diante de um emagrecimento repentino? Pode estar triste, pode estar doente, passado por um trauma. Nem todo emagrecimento é proveniente de uma conquista feliz ou saudável. Isso só estigmatiza. Por que gorda é que está sempre com a saúde em risco?

Preocupação seletiva nada mais é que disfarce para preconceito.

Na família, a contagem é aproximadamente a seguinte: duas bariátricas, depressão e alguns transtornos alimentares. O resultado dessa soma? Uma tristeza profunda de poucos enxergarem a sua verdadeira beleza. Aquela que ilumina todo e qualquer ambiente, beleza que sobra e transborda por aqui. A que vem de dentro.

Estive hospitalizada logo depois do parto do meu quarto filho. Uma bactéria forte contraída no bloco cirúrgico quase me levou à morte. Foi mais de um mês entre idas e vindas ao hospital, outras três cirurgias. Emagreci muito e o curioso foi o efeito que isso causou nas pessoas. Até familiares acharam bom o fato de eu ter emagrecido, mesmo nesse contexto. Mesmo sendo resultado de um grave problema de saúde. O emagrecer a todo custo vale até neste quesito.

Sabe o que dói? Por mim mesma, me sinto ótima, me acho linda e sexy. Só que os dedos continuam apontados, percebo o olhar atravessado, a alfinetada nos almoços de domingo. Fico me perguntando quando as mulheres irão perceber o quanto são realmente lindas? Quantas meninas da família ainda ouvirão que precisam emagrecer para agradar alguém? Que a beleza dos quadris e sorrisos largos não é o suficiente, que é preciso emagrecer mais pra ser feliz?

Hoje me preocupo com elas, com as outras mulheres da minha e de tantas outras famílias. Porque quanto a mim, diante de um espelho, visto meu vestido retrô que amo, calço uma sapatilha para correr atrás da cria, capricho no delineador, passo batom vermelho e sinto-me linda. Exatamente como toda mulher deveria se sentir. Exatamente como desejo que elas se sintam.

Você pode ler outros textos do blog também:

Você se submeteria a qualquer coisa pra emagrecer?

A gordofobia da sua mãe é sobre ela, não sobre você!

Preocupação com a saúde vs. Gordofobia

0 em Autoestima/ Convidadas/ Destaque no dia 16.07.2018

Pressão estética x gordofobia

Quando começamos a desbravar o universo relacionado à autoestima, conhecemos alguns novos termos para atitudes antigas que acabaram ganhando força no cenário atual. Inclusive, graças a Deus ganharam essa força. Dentre os temas que eu mais busquei quando me entendi mulher, gorda e feminista, os que eu mais quis entender foram a pressão estética e a gordofobia. Demorou pra que eu entendesse a peculiaridade e importância de discutirmos esses dois em específico, especialmente pela minha condição de mulher, gorda e feminista. Mas antes de mais nada, precisamos definir o que é pressão estética e o que é gordofobia, para então conversarmos sobre o porquê desses temas serem tão importantes.

A pressão estética, como o próprio nome sugere, é aquela pressão social difundida, em suma, pela mídia. Ela nos leva a nos sentirmos insatisfeitas com nossa imagem, com nosso corpo, com nosso rosto e com nossas diferenças, nos fazendo procurar nos encaixar em um padrão. É tão sutil e presente nas nossas vidas que muita gente nem acha que sofre. Todo mundo sofre pressa estética, homens e mulheres, cada um com seu grau de cobrança, claro. Vivemos em um tempo onde nossa imagem é cada vez mais valorizada, antes mesmo de nos conhecermos. Essa imagem, segundo o que nos é imposto, precisa atingir padrões irreais e quase inatingíveis para nos causar insatisfação e nos levar a um consumo excessivo para tentar nos enquadrar.

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Por sua vez, a gordofobia está dentro da pressão estética, mas o buraco é mais embaixo. A gordofobia é um tipo de preconceito enraizado e estruturado dentro da sociedade, sendo ela disseminada em diversos contextos. É como se fosse uma grande perda de direitos de uma pessoa só por ela ser gorda. O gordo, nesse caso, é julgado como incapaz, como doente, como fracassado, como alguém que não tem o direito de freqüentar lugares públicos. A gordofobia vai além de não se sentir bonito, de não se encaixar no padrão. É uma pressão que afeta a forma como a sociedade funciona. Até porque essa sociedade foi arquitetada para pessoas magras. Não rodamos em catracas, não cabemos em bancos de aviões, não podemos frequentar certos ambientes.

Quando comecei a estudar esses temas, enxerguei muitas vezes comentários de pessoas que sofriam pressão estética relativizando quem sofre gordofobia. “Mas eu era chamada de magrela no colégio”, “sempre me zoavam por ser muito magra”, “minha família sempre me fala que estou doente por estar muito magra”. Aos ouvidos de quem sofre gordofobia, esses comentários podem soar como um grande silenciamento de uma dor já enraizada. Calma, eu posso explicar! A questão aqui é a gente pensar na sociedade, não apenas no indivíduo.

Eu entendo que o bullying que magras sofreram é real, machucou, deixou traumas. Nunca irei diminuir a dor de ninguém, todas as dores são legítimas. Mas não ouvi muitas histórias de pessoas magras que perderam o emprego ou uma oportunidade de emprego por serem magras. Também nunca vi histórias sobre não caber em lugares ou ser barrada em entrada de locais privados por serem magras. A discriminação de pessoas magras, ou não, acontece pela pressão estética, mas não é tirado delas o direito de ser ou estar apenas pelo tipo de corpo. Quando pensamos em uma pessoa gorda, acontece uma desumanização por meio da consideração do corpo gordo como automaticamente doente e incapaz de fazer parte da sociedade.

Eu entendo, por exemplo, que por ser uma gorda tamanho 50, é muito mais fácil para uma marca de moda plus size me contratar do que contratar uma mulher manequim 54. Entendo que eu tenho uma série de privilégios que me levam a estar presente em locais que pessoas maiores do que eu não podem, simplesmente pela diferença de tamanho de corpo. Por isso a importância de uma palavra: empatia! Sei que tem gente que não aguenta mais ouvir essa palavra, que acha que ela virou uma palavra da moda e que é impossível trazer essa palavra para nossos atos no dia a dia. Mas dá, acho que a gente só precisa entender algumas coisinhas. 

1]

A nossa vivência não mede a vivência de toda uma sociedade. Nós podemos ser regra ou ser exceção e isso não diminui a dor do outro. Por isso, independente do nosso tipo de corpo, é importante ouvir o que outra pessoa passou como experiência sem relativizar o caso, sem levar para o pessoal ou sem se colocar como pessoa digna de sofrimento maior ou menor. Assim nós conseguiremos seguir adiante, deixando cada vez mais a gordofobia e a pressão estética pra trás e nos sentindo melhor com nossa imagem pessoal.