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padrões de beleza

0 em Comportamento/ Destaque no dia 09.01.2019

Documentários que me trouxeram bons aprendizados

Eu sei que tem dias que só queremos um filme descomplicado para assistir. Desses que você termina sorrindo e esquece dos problemas. Mas tem dias que a gente procura algo que nos desperte para novos conhecimentos. Que nos mostre outras realidades, que faça a gente pensar além da nossa bolha e outras formas de pensar.

Documentários são excelentes para isso. Por isso, separei alguns que fizeram bastante diferença pra mim. A maioria de assuntos que têm muito a ver com o que falamos aqui no blog. Alguns deles me trouxeram insights que impactam a minha vida muito diretamente até hoje. Vamos lá?

1 – Muito além do peso

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É um documentário nacional sobre obesidade infantil. Mas eu vou além, e digo que essa definição oficial é meio fraca. Na verdade, ao meu ver, é um documentário sobre como a indústria alimentícia age com as crianças (e adultos) de forma que nos induz a uma alimentação desregrada ou descompensada. Seja nas propagandas da indústria alimentícia e até mesmo no desinteresse dos pais na hora de preparar os alimentos da família.

Aqui no Futi existem vários posts falando sobre questões com alimentação, desde culpa ao comer a transtornos alimentares. Aqui também batemos muito na tecla que ser obeso não quer dizer não ser saudável. Por mais que esse documentário fale muito sobre o problema da obesidade infantil, eles vão de encontro a muito do que é falado aqui. De como nossos hábitos alimentares na infância influenciam nossa vida adulta. Vale muito a pena assistir!

2 – Embrace, um dos documentários que mais conversam com o Papo Sobre Autoestima

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Premiado em diversos festivais ao redor do mundo, esse documentário fala a respeito de um problema vivenciado por inúmeras mulheres: o ódio ao próprio corpo. Depois de dar à luz três filhos, Taryn Brumfitt viu seu corpo mudar drasticamente, e sua relação com ele mudar. Do amor ao corpo de grávida, veio um desprezo perante a barriga pós parto. Ela começou a fazer bodybuilding e participou de competições, até o momento que ela viu que a rotina dedicada ao corpo a estava fazendo perder horas preciosas com seus filhos.

Frente a isso, ela passou a militar pela causa do amor ao próprio corpo e depois de uma foto que viralizou no Facebook, ela criou o projeto Body Image Movement. Nesse documentário, ela viaja para vários lugares do mundo para conversar com mulheres de diversos países, profissões e tipos físicos enquanto analisam a indústria da moda e da beleza. Um dos documentários que mais têm a ver com o Papo, para quem gosta desse espacinho aqui.

3 – The Mask You Live In

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O que é ser homem? Esse é o fio condutor desse documentário que visa discutir o que é masculinidade, e o quanto isso influencia na criação de meninos. Para quem conversa e lê sobre feminismo, esse filme pode parecer um pouco óbvio. “Homem não chora”, “irmãos antes de vadias”, “não se comporte como uma menininha”, “não deixe mulher mandar na sua vida”, várias frases que a gente escuta até hoje são debatidas nesse filme. O interessante é ver como elas prejudicam meninos e homens, criando uma masculinidade tóxica.

Para quem convive com meninos – seja filho, sobrinho, filho da melhor amiga, aluno – ou para quem se interessa em saber sobre como o machismo pode ser prejudicial, esse é um dos documentários mais esclarecedores sobre o assunto. Vale a pena ver. E depois me conta.

4 – Miss Representation

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Da mesma diretora do documentário que citei acima, esse é um tapa na cara. Ele aborda as formas que os meios de comunicação retratam as mulheres, e como isso tem prejudicado a imagem feminina ao longo do tempo. A forma como a mídia e a propaganda nos trata como objetos de desejo ou coadjuvantes. E como essas mensagens nos afetam em busca do padrão de beleza perfeito. Para quem gosta de se questionar, esse é o filme. 

0 em Autoestima no dia 26.04.2018

Você foi criada para ser bonita? A importância de lutar contra um único padrão de beleza!

Somos as primeiras a defender a queda da ditadura de um único padrão de beleza. Todas somos tão plurais que exigir de nós um único padrão de beleza difícil de alcançar é cruel, apesar de lucrativo pra muitos segmentos do mercado de beleza. Um único tipo de corpo aceito leva a exclusão de vários outros e isso se torna uma questão cada vez mais em evidência. Infelizmente, mulheres insatisfeitas com a sua aparência são quase um sinônimo da palavra “mulheres”. Pesquisas mundiais revelam que a maioria esmagadora das mulheres não se sente bonita e, por isso, a luta por mais representatividade está tomando proporções maiores a cada dia, buscando que mais gente se sinta acolhida sem precisar mudar tudo para pertencer a algo que nos foi ensinado que era imprescindível.

Depressão, anorexia, bulimia, compulsão alimentar, disformia, entre outras doenças psiquiátricas, estão ganhando força nessa sociedade em que a mulher se sente inadequada desde pequena. Isso tudo pode até parecer uma futilidade pra você, mas para mais da metade das adolescentes que sofrem de algum transtorno alimentar não é. Médicos, psicólogos e especialistas de saúde estão tendo que estudar cada dia mais sobre viver em equilíbrio, porque em nome de um tipo de corpo tido como saudável, muitas pessoas estão adoecendo e colocando em risco a saúde mental e emocional. 

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Ah, Joana, mas a insatisfação com a aparência causa isso tudo? Sim, e o mais triste é que normalmente isso começa em casa durante a infância. Mães, pais, tias e avós começam logo cedo a bombardear as meninas com ataques gordofóbicos, usando falas terroristas que fazem com que as crianças não aprendam a comer em paz. Acredito que de forma inconsciente esse comportamento socialmente aceito é um pavor social antigo da mulher vir a ser gorda, que muitas vezes estava associada à ausência de beleza ou até mesmo descuido, e sempre associado à opinião do que o homem iria achar, como se nossa função fosse apenas decorativa. Quantas vezes já não ouvimos frases do tipo “se você continuar assim, ninguém vai te querer” ou “se descuidar (e bota nessa conta o engordar, o não se arrumar como antes e afins) na gravidez, depois o marido vai procurar outra fora de casa”?

Não é fácil quando nos damos conta do tamanho da pressão estética em busca de aceitação e pertencimento, isso começa dentro de casa tentando atender aos nossos pais baseado em premissas que sequer são verdadeiras nos dias de hoje, afinal, conscientemente eles nos criam para sermos independentes, não precisando depender de ninguém. Pra mim, é aí que começa o paradoxo: se essa independência era realmente o objetivo final…Para quê tanta preocupação com a estética e o casamento? Se querem mesmo que sejamos donas do nosso nariz, as pressões não deveriam ser intelectuais? Por que se preocupar tanto com o corpo e o como a sociedade nos aceitará?

Acho que já deu pra ver que não estamos falando apenas de uma luta para flexibilizar os padrões de beleza para que muitas mulheres possam se sentir incluídas ou bonitas, estamos falando de um questionamento da importância que damos a estar bonita na vida de uma mulher, e o quanto estamos no piloto automático reproduzindo questões do patriarcado que sequer são do nosso tempo.

Se fomos criadas pra sermos bonitas, e cada dia é mais difícil atender a um padrão de beleza tão excludente, então fomos criadas para nos sentirmos frustradas? Sim, parece que sim.

Ao me dar conta disso acredito que precisamos reavaliar algumas coisas:

  • os riscos para a saúde mental e emocional que a pressão estética causa em uma mulher que sofre para atender ao padrão.
  • a verdadeira razão para a pressão social da beleza da mulher.
  • o conceito totalmente excludente de beleza, que não representa a maioria da população que deseja se sentir bela.
  • a beleza ser um pilar tão importante na educação de uma criança, principalmente mulher.

Refletindo sobre tudo isso, me pego achando que desconstruir os padrões de beleza e comportamento esperados de uma mulher é uma tarefa de máxima urgência. No entanto precisamos olhar com amorosidade até mesmo para esse processo, afinal, todas crescemos nessa sociedade e muitas vezes o desejo de nos sentir bonita é algo inerente e está tudo bem que seja. Aos poucos podemos reavaliar quais são as transformações que realmente queremos fazer por nós mesmas, onde exatamente precisamos atender ao padrão de beleza e onde podemos deixar passar.

Pessoalmente ainda não cheguei no grau de desconstrução em que a beleza perdeu sua importância pra mim. Eu ainda acho importante me sentir bonita, mas do meu jeito, de forma leve e sem sacrifícios em todas as frentes em nome da estética, dentro das minhas possibilidades e gostos pessoais. Como acredito que até mesmo o “gosto” é construído em cima do olhar do outro, estou aos poucos tentando chegar o mais perto possível do que minha essência tem afinidade e acha belo, com menos padrões e mais sensações pessoais. Meu processo particular é tirar os filtros de ilusão e descobrir o que eu entendo como beleza e pra isso acredito muito na importância do fim da inadequação, para diminuir o julgamento e poder enxergar as coisas como elas são.  

Com o processo de flexibilização do padrão de beleza acredito que o conceito de pessoa bonita vai ser cada vez mais inclusivo.  O padrão estético literal vai dar lugar a questões mais subjetivas que, se aguçarmos a sensibilidade, já somos capazes de perceber: como aquele famoso brilho que vem de dentro, que não tem explicação, só reflete o conforto daquela pessoa em ser quem ela é.

Quanto mais estamos em contato com quem somos, mais conseguimos externar essa segurança, felicidade e carisma que tem tudo a ver com beleza, apesar de não ser medido por tamanhos, números, pesos e métricas.

Creio plenamente que uma maior representatividade na mídia pode ajudar no processo de entendermos socialmente os vários tipos de belo, com mais pertencimento e menos inadequação.

O que precisamos não é de um mundo de mulheres contra a beleza ou o “se sentir bonita”, de forma alguma. Acredito apenas que nós devemos perceber o quanto somos reféns de coisas que poderiam ser mais leves, mais baratas e menos trabalhosas. Numa época onde tantas mulheres lutam para avançar em suas carreiras, desejar que todas tenham tempo para fazer as unhas, o cabelo, massagem modeladora, aparelho de celulite, maquiagem, academia e ainda ser muito competente no trabalho não me parece justo. Para que possamos ser o que quisermos DE VERDADE acredito que precisamos ter um padrão de beleza menos rígido,  excludente, caro, sacrificante e, em alguns casos, adoecedor. 

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precisamos nos acostumar a ver vários corpos diferentes, nos sentir representadas!

Ainda preciso estudar muito esse assunto, mas de cara quis dividir com vocês alguns dos motivos pelos quais eu acredito que a representatividade na mídia é fundamental. Aos poucos, nos acostumando com o que é de fato mais comum nas ruas, podemos escolher mais facilmente não ser refém de todos os estímulos que nos oprimem a atender a um só padrão de belo diariamente.