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2 em Camilla Estima/ Comportamento/ Convidadas/ Saúde no dia 08.11.2017

Você sente mais fome no estômago….ou na cabeça?

Vou começar o meu texto com duas perguntas, que podem parecer bestas….

1) Você conhece a sua fome?
2) Você sabe a hora que deve parar de comer?

Mas Camilla, como assim “conheço a minha fome”? Claro que sei.

Será mesmo? Então pare e pense se você conhece mesmo a sua fome…..e em qual parte do seu corpo você a sente? E em qual momento você a sente? Não precisa escolher só uma opção.

a) Na cabeça
b) No estômago
c) No peito
d) Roendo as unhas
e) Ansiosa estudando para uma prova no final do período da faculdade
f) Entediada no domingo às 6 da tarde
g) Quando você abre a geladeira pra pensar
h) Quando está trabalhando até mais tarde e precisa se manter acordada
i) Quando terminou o namoro
j) Antes de uma reunião importante
k) Na TPM

Agora vamos para a segunda pergunta:

2) Você sabe a hora que deve parar de comer?

Mas como assim hora de parar de comer? Normalmente eu paro de comer quando estou satisfeita (satisfeita mesmo ou cheia?) ou quando pisquei o olho e vi que acabou a comida que do prato enquanto eu estava vendo a minha série favorita ou então quando a pipoca magicamente acabou e o filme ainda nem tinha começado!

E naqueles restaurantes que você paga um preço fixo – buffet ou rodízio – e pode comer o quanto quiser -você sabe a hora que deve parar?

Agora vamos ao gabarito das perguntas acima:

Se na pergunta 1 você respondeu que quando está com fome você sente no seu estômago, é um bom sinal. Mas agora, como adoro uma pegadinha, a fome que você sente está 100% do tempo no estômago? Acho que não, né. As letras C até K, você marcou alguma?

Calma, se você não marcou “estômago ” e sim todas as outras, tá tudo bem!

Por que estamos falando isso? A gente fala muito aqui no futi sobre respeitar seu corpo, honrá-lo, aceitá-lo como ele é e fazer o melhor dele. Respeito, essa é a palavra. Para melhorar a relação com o corpo é inevitável que haja uma melhor relação com a comida.

Na linha da nutrição baseada no comportamento, nosso foco é melhorar a relação com o corpo e com a comida usando alguns pilares: o reconhecimento dos sinais de fome física e da saciedade e também entender os motivos que levam você a comer o que você come.

A fome e a saciedade são dois sinais que nascem com a gente mas que se perdem na infância e adolescência por diferentes motivos. Na infância um bebê sabe direitinho a hora que ele tem fome e quando precisa parar de comer. Simples assim. Há um comando interno – que chamamos de autorregulação energética – que avisa que a energia está baixa (que nem a luz do painel do seu carro acende quando a gasolina está na reserva), envia um sinal para o centro da fome no cérebro, e aí o alerta vem. E quando “o tanque foi completo” mais um sinal é enviado, mas agora no centro da saciedade, avisando que está na hora de parar.

O que então desregula? Quando a criança já passou de um corpo de bebê para um corpo de criança ele já não sente mais tanta fome, e junto a isso outras coisas passam a a dar prazer à ele que não apenas o alimento, pois agora ele caminha! Só que a família desavisada disso, o que faz? Com a preocupação de “meu filho parou de comer”, engata em um pensamento de “vamos encher essa criança de comida!” e aí começa uma desregulação.  Junte isso com algumas crenças de que “não pode deixar comida no prato”, “não vai sair da mesa se não comer tudo”, “tem gente passando fome, você não pode desperdiçar comida” – lascou-se. Tem que comer o prato feito por um adulto, na quantidade de comida que um adulto avaliou que seja suficiente, mas para a fome de uma criança. Parece louco, né…..mas é a realidade, acho que desde que o mundo é mundo.

Na adolescência há novamente uma alta demanda de energia e nutrientes – afinal de contas precisamos transformar um corpo de criança em um corpo de adulto – e volta novamente aquela fome de leão. Mas aí, aliado a diversas crenças construídas socialmente como “fulana engordou assim que virou mocinha”, muitos adolescentes, por conta própria ou até estimulados pela sua família, saem à procura de algo para frear isso. E então começa a roda viva das dietas e em casos mais extremos (mas infelizmente bem comuns) são levados a profissionais de saúde que indiscriminadamente prescrevem remédios para inibir o apetite. (Alguém ai se identificou?). Agora, imagina só frear a fome para a construção de um corpo saudável por conta de um achismo de que o corpo engordou? Esse corpo precisa mudar!

Remédios inibidores de apetite desorganizam completamente o centro da fome e da saciedade. O corpo já não sabe mais que horas está com fome, está satisfeito, fica uma sinfonia de sensações completamente misturadas.

E então você hoje, adulta(o), que provavelmente já passou por algum desses processos aí, sabe me dizer se conhece a sua fome? E a hora de parar de comer?

Pra embolar ainda mais o meio de campo nós temos as emoções. Sim, nós nos diferenciamos do resto da cadeia alimentar por conta das emoções e da racionalidade. Me diga, quais são os motivos que levam você a comer o que você come? Outro dia dei aula sobre isso e junto com a turma chegamos a 52 motivos, e acho que ainda faltou muita coisa.

Feliz, triste, entediado, depois de um dia difícil como recompensa, se sentindo só, sentindo um vazio interno que precisa ser preenchido, uma ida à um rodízio que precisa fazer valer o quanto pagou, uma ida à um evento com mesa de coffee break (sendo que você nem estava com fome, mas a comida estava ali), porque foi em um lugar cuja comida era de graça, passou por uma praça de alimentação do shopping e viu uma promoção, na fila da farmácia e pegou umas balinhas expostas, parada no sinal de trânsito e o menino colocou um amendoim no retrovisor. Ufa……ainda falta um monte de coisas! Mas já deu pra entender, né.

Agora respira…..pois você não está sozinha. E não se desespere. Perceber a hora que você está com fome de verdade ou se algum dos motivos acima te fez comer mesmo sem fome, já é um bom passo para entender isso tudo e melhorar a sua relação com a comida.

E depois disso tudo que eu escrevi, alguma dieta ou receita mágica ou lista de alimentos permitidos ou proibidos já te fizeram pensar em metade das coisas que falei acima? Acho que não, né..

3 em Autoestima/ Camilla Estima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque no dia 26.01.2017

Quando a palavra “dieta” não é tão inofensiva assim

Sempre fui curiosa. Muitas vezes isso foi um problema mas acabou virando uma solução pois virei pesquisadora e acho que essa é uma característica fundamental nessa carreira. Eu adoro saber a opinião das pessoas em diferentes instâncias e após ter tido um insight no banho (sim, sou dessas), mandei uma mensagem para a Carla e a Jo sobre a ideia desse post. O primeiro passo….resolvi fazer uma enquete informal nas minhas redes sociais. Postei uma foto que tinha escrita a palavra “dieta” e pedi que as pessoas colocassem nos comentários qual a primeira coisa que veio à mente delas quando escutam essa palavra (quem estiver lendo e quiser comentar aqui no post também, sinta-se à vontade!).

Para o meu espanto, a palavra mais mencionada foi “S-O-F-R-I-M-E-N-T-O”. Eu mesma não imaginei que fosse aparecer isso e olha que sou nutricionista há quase 20 anos e achava que já tinha visto de tudo – mas pelo visto não! Em segundo lugar tivemos um empate, com as palavras “privação”, “restrição”, “sacrifício” e “fome”. Outras respostas que apareceram nessa mesma vibe foram “fracasso”, “frustração”, “ineficácia”, “preguiça”, “pressão”, “tédio”, “tortura”, “tristeza”. Se eu quisesse poderia parar de escrever agora pois já dá pra perceber que algo que gera esses sentimentos nas pessoas não deve funcionar muito bem……ou então “funciona” aos trancos e barrancos até que o ganho de peso aconteça novamente. Mas como adoro esse exercício de desconstruir as coisas, vamos tentar resolver esse quebra-cabeça.

Eu, particularmente, nunca gostei da palavra dieta, desde a minha adolescência. Atire a primeira pedra quem não tem uma história pra contar sobre dieta na adolescência! Seja pra ganhar peso, pra perder, pra qualquer coisa. Eu também tive uma história dessas e sempre que eu ouvia essa palavra, pensava em privação. Apesar da dieta “ter funcionado” (defina funcionar – tempos depois ganhei parte do peso de volta) eu não gostava nem um pouco da pressão de ter que voltar mensalmente no médico (sim, minha mãe me levou a um médico) para ver se eu tinha emagrecido. Era muita pressão e ansiedade que cercavam os dias próximos à ida ao consultório do endocrinologista, e olha que a minha família nunca me pressionou diretamente em emagrecer naquela época e nem o médico, que sempre foi muito profissional e jamais fez qualquer comentário indelicado à respeito disso. A pressão e a ansiedade vinham de mim mesma.

Eu, como nutricionista, me incomodo demais pois somos ensinadas na faculdade a prescrever dietas. Só nós temos esse ofício! Como pode aquilo que somos treinadas a fazer, apanhando entre mil cálculos e combinações (não, não é nada fácil calcular uma dieta!), tida como a nossa “ferramenta de trabalho”, pode trazer esse tipo de sentimento às pessoas? Já tentamos mudar essa forma de chamar, como “planejamento alimentar”, “reeducação alimentar”, mas a essência acaba caindo no denominador comum, que é prescrever restrições ao paciente, ou então ele se sente assim independente do que a gente possa falar. Aquilo de prescrever dietas pouco levava em consideração o ser humano para o qual estávamos fazendo aquela infinidade de cálculos no quesito da relação dele com a comida e se baseava em meia dúzia de informações do que ele come e seus dados físicos como o peso, altura, percentual de gordura, resultados de exames de sangue. Mas uma pessoa é feita apenas disso? E os sentimentos? O comer como resposta emocional?

Ah, Camilla mas isso é coisa de psicólogo. Com certeza é, mas acredito que nutricionistas têm sua responsabilidade na hora de auxiliar seus pacientes a perceberem as conexões que a alimentação deles têm com suas memórias afetivas, sentimentos, situações passadas ou presente. Sem contar que acho que psicólogos são profissionais essenciais na vida de todos, não apenas em quem tem relações emocionais com a comida.

Passado o soco no estômago e a crise existencial com isso tudo, somado às respostas da minha breve enquete, tracei um paralelo de tudo que estudei desde a minha formação como “nutricionista convencional” até hoje. Ou melhor, desde 2008 quando eu conheci (e me fez todo sentido) a nutrição que também leva em consideração a alimentação relacionada às nossas emoções e sentimentos – linha que sigo nas minhas aulas e no consultório particular (garanto a vocês que se num primeiro atendimento a nutricionista perguntasse a seu paciente o significado de dieta para ele, ela mudaria a sua forma de orientar. Mas sair da caixa para nós também não é uma tarefa muito fácil). Somei a isso o fato que pessoas têm costume de nos ver como “aquela que vai tirar do meu dia a dia o que eu gosto de comer”. Resumo, ou somos a bruxa malvada do oeste ou a policial que vai ficar fiscalizando o que a pessoa come ou a milagreira que vai emagrecer aquela pessoa que chega no consultório. Eu não quero ter esse papel, e não quero que as pessoas achem isso da minha profissão. A nutrição é tão mais do que calcular consumo de calorias e nutrientes e fiscalizar os outros.

Preciso esclarecer também o que são dietas restritivas com foco na perda de peso. É qualquer planejamento alimentar que retire ou enfatize grupos inteiros de alimentos, como por exemplo, a antiga dieta da proteína. Nela você deveria comer proteínas em grande quantidade e quase nada de carboidratos. Essa é uma das modalidades mais famosas e que vira e mexe aparece nesse mesmo formato mas com um nome diferente e normalmente bem criativo –  a de agora é a lowcarb, mas já foi Atkins, Beverly Hills, entre outras; Dietas líquidas de de sucos, sopas e chás; Jejum intermitente que te coloca horas a fio sem comer; Dietas que retiram o glúten e/ou a lactose sem comprovação diagnóstica é a nova moda e retira grupos importantíssimos como o leite e derivados (que são a melhor fonte disparada de cálcio) ou alimentos com trigo que te fornece grande quantidade de energia para o seu dia a dia (e para seu cérebro funcionar perfeitamente, sem que você sinta aquela dor de cabeça característica que as dietas te trazem de brinde). Essas formas de alimentação são completamente anti-naturais pois nós precisamos comer todos os grupos alimentares, mas nas proporções corretas e direcionadas de forma individual.

 

Qual o problema de fazer uma dieta restritiva, além de não consumir todos os nutrientes que você precisa? Dietas trazem muitos sentimentos e são exatamente os que foram citados na minha breve enquete. A partir do momento que você decide “se colocar no estado de dieta” já vem uma preocupação imensa com o que você pode ou não pode comer, as crenças que você já tem ou pode passar a adquirir parece que ficam gritando na sua cabeça de forma obsessiva. Você passa a pensar em comida o tempo inteiro, e isso te leva a emocionalmente ter mais fome e provavelmente a comer. Fora que muitas das metas colocadas por você mesma ou pelo profissional que possa ter te orientado (ou a revista de dieta, a artista da tv, a blogueira fitness, uma amiga ou colega de trabalho) podem não ser viáveis para você. E não só a meta de peso como também as restrições que você vai fazer. E aí, se você não consegue se engajar em tudo isso vem uma avalanche emocional: sentimento de culpa, de fracasso, você se sente diminuída, incapaz. Essa é uma puxada de tapete sem igual à sua autoestima.

Vivemos em um mundo onde foi criado um senso comum de que comer o que se gosta engorda, que tudo que é gostoso tem muita caloria e engorda, que comida saudável não é gostosa (teve até uma marca de biscoitos que dizia em sua propaganda que saudável e saboroso não se misturam, Oi?), que se comermos algo considerado calórico imediatamente nos leva a sentir muita culpa. Eu simplesmente adoro essa frase:

Eu costumo fazer uma conta com meus alunos e também pacientes (não gosto de estimular as pessoas a contarem calorias pois é outra prática que gera muita ansiedade, culpa e estresse, mas quero ser didática). Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), 100g de bolo de chocolate tem 410 calorias, o que equivale ao peso aproximado de uma fatia. Digamos que você tenha que comer diariamente, 2.000 calorias. Em uma semana você pode comer 14.000 calorias. 10% seriam 1.400 calorias e 1% equivale a 140 calorias. A sua fatia de bolo equivale, aproximadamente a 3% do que você pode comer em uma semana. Matematicamente falando, o que são 3% dentro de 100%? N-A-D-A! E por que as pessoas sentem uma culpa imensa em comer uma fatia por semana? A culpa vale mais a pena do que 3% do que você precisa comer? (E ai, dei um nó na cabeça de vocês?). A culpa é um valor agregado que nos ensinaram a sentir a respeito desses alimentos, e que trazem tanta ansiedade, estresse, sentimento de fracasso por ter comido.

Eu gosto muito do discurso da neurocientista Sandra Aamodt “Por que fazer dieta normalmente não funciona”. Ela diz que ao longo da vida ela fez muitas dietas e independente do tipo de dieta, ela voltava a ganhar o peso. Ela explica que o nosso cérebro é programado para termos um determinado peso, independente do quanto achamos que devemos pesar! E as convenções sociais fazem com que a gente ache que devemos pesar x mas o nosso cérebro, por entender que devemos pesar y, acaba nos enviando sinais de mais fome e menos saciedade  no caso de termos perdido peso. E o contrário também acontece. Moral da história, você acha mesmo que é capaz de enganar o seu cérebro ou domá-lo para pesar o quanto você (ou uma capa de revista, ou uma blogueira fitness, ou qualquer tipo de convenção social ache) deve pesar? Não, a solução não é deixar tudo pra lá e se acomodar, e sim começar a se condicionar em aceitar o corpo que lhe foi dado pela natureza, fazer o melhor uso dele e entender que os padrões de beleza impostos não vão se adequar a todo mundo da mesma forma. Devemos comer quando estamos realmente com fome e parar de comer quando o seu corpo lhe mostra que você está satisfeito, isso é comer de forma consciente (ou mindfulness como tem se chamado). Ironicamente alguns alimentos foram mencionados na minha enquete, como “brócolis”, “doce”, “chocolate”, “não poder comer mais pão francês”, “parar de comer doce”, “salada”. Alimentos que vira e mexe remetem aos proibidos x permitidos que as colegas insistem em rotular. Se comermos eles de forma consciente, como citei acima, vamos entender que tudo cabe em uma alimentação saudável, depende da importância que você dá ou os sentimentos que te desencadeiam.

Vocês devem estar lendo esse texto e pensando: então todas as nutricionistas deveriam rasgar seu diploma e mudar de carreira. N-Ã-O!!!! Muito pelo contrário. Se nós entendêssemos que a prática de restringir a alimentação dos nossos pacientes gera ansiedade neles e frustração na gente, nós mudaríamos a nossa forma de pensar. Quando o paciente retorna à nossa consulta sem ter conseguido atingir os objetivos, ou ter perdido peso ou até ganho peso, onde muitas vezes “jogamos a culpa” nele e não na nossa prática que pode estar equivocada? Ter que se reinventar não é uma tarefa simples, muito pelo contrário pois vamos ter que nadar contra a maré como fomos treinadas. E para você que está lendo esse post, espero que eu tenha conseguido fazer você tentar resignificar a palavra dieta e que você passe a aceitar melhor os alimentos que você come, sem jogar suas expectativas sobre ele. São apenas alimentos, e não bichos-papões engordativos ou milagreiros.

2 em Comportamento/ Convidadas/ Gravidez/ Saúde no dia 20.05.2016

Saúde: A pressão pela volta do peso e do corpo após o nascimento do bebê

Recentemente vimos a entrevista de uma atriz famosa à uma revista onde ela disse que durante sua gestação procurou um profissional de nutrição para não ganhar muito peso nesse período. Por conta disso, embarcou em uma dieta com a redução drástica de um dos grupos alimentares mais importantes – o dos carboidratos – e que contava ainda com períodos de jejuns prolongados. Tal declaração deu o que falar e tanto a atriz como a nutricionista se pronunciaram dizendo que esse tipo de dieta aconteceu após a gravidez.

A verdade é que cada vez que uma mulher famosa anuncia que está grávida, a pressão e algumas polêmicas surgem. Parece que todos querem ver “em quanto tempo ela vai voltar ao seu corpo” ou em qual “velocidade da luz” a famosa vai perder os quilos adquiridos.

POSGRAVIDEZVocê já parou para pensar que isso não é saudável para ninguém? Vamos aos personagens desses fatos: a famosa que sofre essa pressão por todos os lados, a mulher comum (sim, você que está lendo essa coluna), os profissionais de saúde que acompanham a famosa, a mulher comum ou qualquer outro tipo de paciente.

1) A famosa: Primeiro, vamos nos colocar no lugar delas. Já imaginou o que deve ser viver em um ambiente onde seu corpo, seu peso, suas celulites ou gordurinhas indesejadas viram pauta de toda revista e programa de fofoca? E de como essas mesmas revistas e programas as consideram “bem sucedidas” quando consegue voltar ao corpo de antes?  Não podemos afirmar com todas as letras mas, muito provavelmente, essa famosa deve ter junto a ela médicos, nutricionistas, educadores físicos, profissionais de estética e outros tantos profissionais que acabam propondo condutas não muito convencionais para atingir a tal meta da “velocidade da luz”. Isso, misturado com a pressão, pode levar a famosa a procurar estratégias contrárias à natureza que não são muito saudáveis.

2) A“mulher normal”: Vamos lá….sim, eu sei que você também quer voltar ao seu peso pré gestacional, ao seu corpo como era antes, de preferência também na tal “velocidade da luz” pois alguém em algum momento, mesmo que inconscientemente ou indiretamente colocou isso na sua cabeça (Sites? Revistas? Uma pessoa próxima? Um profissional de saúde mal preparado….xi, tanta gente!). Acontece que muito provavelmente você não vai ter esse “esquadrão da beleza” ao seu lado (o que não costuma ser divulgado no caso das famosas) e aí, o que acontece? Você não perde o peso adquirido na gestação de forma rápida, você não chega no corpo “capa de revista” (que é completamente construído por outra vasta gama de profissionais – um dia vamos falar sobre isso) e isso vai te gerando angústia, incômodo, sentimento de fracasso e derrota, o que para muitas pessoas acaba gerando mais fome, mais consumo de alimentos e, consequentemente, ganho de peso. Você já deve ter se pegado pensando “mas por que a tal famosa conseguiu perder o peso e ficar com a barriga chapada 2 meses depois de dar a luz e eu não consigo?”…. isso acaba com a sua auto-estima, com a forma como você se vê, como os outros te vêem. Uma confusão só!

Veja bem, você levou 9 m-e-s-e-s para ganhar esse peso, para nutrir de forma saudável a você e a seu bebê, você acha que é saudável perder 10, 12, 15 ou 20kg em apenas 2 ou 3 meses?

A natureza é sábia, e sabe como? Aleitamento materno é um dos grandes aliados na perda de peso pós parto (sim, mais um motivo para você insistir e amamentar o seu bebê!), comer de forma saudável também é outra forma para atingir a perda de peso adquirido na gestação, além de atividade física orientada por um profissional capacitado. E o mais importante e uma dica que pouca gente pensa ou fala: não tenha pressa.

3) Os profissionais de saúde: Você não acha que somos completamente pressionados a atingir a meta da paciente quando elas nos procuram querendo ter o mesmo peso e corpo que a famosa que falamos acima? As pessoas estão fazendo qualquer coisa hoje em dia para perder peso e pedindo as maiores loucuras aos profissionais de saúde, mas cabe a nós não cedermos a essa pressão e orientar o paciente de forma correta, ética e principalmente realista. Assim evitamos frustrações.

Por fim resolvi levantar algumas ideias para a gente pensar:

– Aliviar a pressão: Que tal as famosas e os meios de comunicação pararem com essa pressão generalizada?

– Acolhimento: Que tal menos matérias de como a fulana emagreceu “na velocidade da luz” e sim mais matérias sobre como elas estão no papel de mãe e por ai vai!

– Foco no que realmente importa: Que tal as “mulheres normais” pararem de se cobrar tanto, dar menos importância a isso e se preocuparem com o que realmente importa, que é o momento lindo que é a gestação, a construção de uma família, a chegada de um bebê tão especial. Vá curtir esse momento único na vida de uma mulher. Você é você, não se compare a todo mundo!

No fim, só uma verdade é absoluta: você pode até voltar ao peso que você tinha na balança, mas com certeza você se tornou uma pessoa completamente diferente após o nascimento do seu bebê. Isso é o mais importante, passe essa mudança adiante. Vá curtir o seu bebê e essa nova fase da sua vida sem neuras!

banner-camilla-estimaVocê também pode gostar dos textos da experiência da Carla sobre o assunto:

- Gravidez: as mudanças do meu corpo
#babynofuti: o corpo voltando para o lugar