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1 em Autoestima/ Comportamento no dia 27.11.2018

Distância e saudade, agora na visão de quem vai – e não de quem fica

Ano passado falei aqui sobre distância e sobre a saudade. Sobre pessoas amadas que moravam longe e como eu lidava com isso.

>>>>> Veja também: Distância e saudade <<<<<<

Hoje quem está longe não só daquelas pessoas, mas de todas as outras pessoas (e um cachorro que também é pessoa – Oscar, mamaim te ama), sou eu! Só não digo que estou longe de todos porque estou em Amsterdam, onde mora uma das minhas melhores amigas. Então reescrevendo: eu estou perto de uma das pessoas mais importantes da minha vida e longe de todas as outras.

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A primeira coisa que eu tenho que fazer é aplaudir de pé quem largou tudo e foi para longe de família e amigos. Apenas agora, calçando os mesmos sapatos que vocês, é que percebo como é muito mais difícil para quem vai do que para quem fica.

Quem vai está indo para o novo, com medo, com ansiedade, com todos os sentimentos juntos e misturados. Quem vai olha para quem fica e vê a vida seguindo como era. Com um certo saudosismo de como era, com saudosismo do conhecido.

Quem fica sente saudade? Lógico! Mas quem fica tá “em casa”.

Quem fica tem todas as outras pessoas, todos os lugares conhecidos, toda uma vida conhecida.

Minhas melhores amigas que moram fora sempre jogaram a real comigo. Sempre foram sinceras sobre a vida não ser apenas flores. Foram muitas conversas sobre isso quando eu decidi que ia fazer a mesma coisa. E apesar achar que estava entendendo, nunca entendi de verdade.

Nunca entendi até agora – e olha que eu to fora há pouco tempo. E tudo bem, estou me deixando sentir tudo que eu preciso sentir. E por enquanto, não estou pensando em “desistir”, não. Independente do que signifique “desistir”. Porque além de saber que seria difícil, percorri um caminho muito longo para chegar onde cheguei. Planejei muito, suei muito, pensei muito, coloquei muita coisa na balança. Então estou levando um dia de cada vez, deixando a vida me levar para pelo menos tentar e ver no que dá. Mas agora que bati quatro meses longe, a saudade agora aumentou.

Minha saudade, que era fracionada e focada em algumas pessoas, agora se expandiu.

E está presente de uma forma muito mais latente. É saudade dos pais, do cachorro, dos irmãos, dos sobrinhos, avós, tios, primos, amigas, amigos. É saudade do meu chuveiro, saudade de conhecer as pessoas do bairro, de conhecer os caminhos. De comer petit gateau no Insalata quando batia vontade ou tomar um cosmo no Subastor às 3 da manhã porque putaqueopariu as coisas ficam abertas em São Paulo até tarde. É saudade de abraço, de risada, de mar, de amar, de ser amada. Saudade de feijoada com os amigos na Vila Madalena, saudade de shopping com luzinhas e decoração de Natal.

Racionalmente eu sei que não dá para comparar 29 anos morando em São Paulo com pouquíssimos meses morando em Amsterdam. Sei que posso ter muito tempo para descobrir minhas coisas favoritas. Vou descobrir meus lugares de confort food, fazer amizade com bartender. Também vou descobrir coisinhas que farão eu me sentir mais segura. Mas emocionalmente é difícil. Tem horas que essa saudade pega mais do que nunca. Tem horas que tudo que eu queria era piscar e poder ter tudo que eu mais gostava na minha cidade aqui na minha frente.

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Enfim, como disse ano passado: distância é distância, saudade é saudade. Enquanto uma não diminuir, a outra sempre vai aumentar. O importante agora é seguir em frente e tentar conhecer pessoas e lugares novos. que de forma alguma vão substituir os amigos de sempre e os cantinhos favoritos antigos, mas sim agregar alegria e conforto nessa minha nova vida por aqui.

0 em Autoconhecimento no dia 12.09.2018

À “não lista” dos 30

Acredito que todo mundo, em algum momento da vida, já fez uma lista, ainda que imaginária, de coisas que gostaria de fazer até X anos. Não fugi à regra e, há alguns anos, junto com uma amiga, enumerei 30 coisas para realizar antes dos 30.

A dois meses de completar essa idade representativa, posso dizer que não fiz metade do que listei. E isso é algo ruim? Definitivamente não!

Posso não ter voado de balão na Capadócia (ainda!) e nem ter tirado carteira de condução (isso não quis de jeito algum, mesmo com todas as cobranças). Mas quantas coisas mais eu fiz e que sequer pensei em colocar em uma folha de papel porque jamais cheguei a sonhar com elas?

Eu, por exemplo, quando escrevi aquela lista, não poderia imaginar que estaria hoje elaborando esse texto da mesa da minha nova casa, em um novo país. Tampouco que aprenderia a aceitar e até amar as minhas fraquezas (nada como uma década de terapia também, devo confessar).

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O ser humano tem uma mania, algo ainda mais forte nessa nossa geração, de projetar cenários ideais. Isso, inevitavelmente, gera frustração e é um dos motivos da ansiedade que toma conta da nossa cabeça. Tudo bem não sermos os mais bem sucedidos do nosso círculo de amigos, tudo bem sequer saber o que fazer da vida, tudo bem também querer recomeçar sempre.

Realizar metas que nos propusemos a fazer é ótimo, não há como negar. No meu caso, foi emocionante – e divertido – fazer topless no Mediterrâneo, algo que havia deixado registrado naquela tal lista. Mas sabe o que é ainda melhor? Ser surpreendido pelo inesperado!

Nem sempre o caminho é fácil e admitir fraquezas e fracassos é ainda mais difícil. Mas se tem algo que os 30 trazem também é a coragem de poder lidar com isso. Já nos conhecemos melhor, há uma maior autoconfiança, e não temos aquela sede incontrolável – e muitas vezes inconsequente – dos 20 e poucos.

Em uma hora, devemos desacelerar para escolher o caminho mais seguro. Em outras, podemos nos arriscar naquela estrada que nunca antes percorremos. Em cada uma dessas andanças, a paisagem nunca será a mesma, nem mesmo as histórias ali vividas. Mas uma coisa elas sempre terão em comum: o fato de trazerem novas experiências para nós.

Se fosse criar uma nova lista de “Coisas a fazer durante os 30 e tals”, apenas um item faria parte dela: “me permitir”. Com isso, me abro para novas vivências, para descobrir uma nova eu, mantendo, claro, a minha essência.

Posso garantir que nunca estive mais segura de mim e, só por isso, os 30 já são incríveis! Que essa nova década seja mais do que bem-vinda, porque tem uma mulher aqui dentro de mim louca para vivenciá-la e aprender com ela!

0 em Autoconhecimento/ Autoestima no dia 11.09.2018

O 11 de setembro e o espírito inquebrável que me inspirou

11 de setembro. Tenho certeza que todo mundo que está lendo lembra dessa data, lembra do que estava fazendo na hora que recebeu a notícia do ataque às torres gêmeas.

Eu lembro. Estava com 15 anos, saindo do colégio e vi um aglomerado de gente em frente ao barbeiro do lado, que até hoje está de pé, por mais que a maior parte de lojas e estabelecimentos ao seu redor tenham se transformado em outras coisas. Bem na televisãozinha de tubo de 29 polegadas que estava ligada dentro do barbeiro, lembro como se fosse ontem da imagem de um avião entrando em uma das torres do World Trade Center, e dos repórteres da Globo com um semblante serio. Não dava para ouvir, nem consegui ver direito, mas sabia que o que estava diante dos meus olhos era algo marcante.

Corri para casa (que era na mesma rua do colegio) a tempo de ver o segundo avião se chocando contra a segunda torre. Dos dois prédios caindo. Todo mundo acompanhava estarrecido, sem entender direito o que estava acontecendo. As imagens em looping passando em todos os canais da televisão.

A vida seguiu, e apesar de eu sempre ter lembrado do atentado quando chega essa data, desde que vim morar aqui em NY ela ficou ainda mais marcante. Da minha sala e do meu quarto eu consigo ver o One World Trade Center, o prédio que foi construído no mesmo lugar das Torres Gêmeas e que até hoje tem serias dificuldades de vender suas salas comerciais. Na verdade, enquanto eu escrevo esse texto, eu olho para frente e o vejo, imponente, angulado e cheio de significados e história. E não consigo parar para pensar que se eu estivesse aqui em 2001, eu teria visto tudo da janela da minha casa.

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Porque a verdade é que até visitar o Museu do 11 de setembro e até mesmo o Museu do Trânsito – que tem uma área inteira dedicada a nos mostrar cada instante e cada tomada de decisão do MTA no dia do atentado, com direito a fotos, vídeos, depoimentos de pessoas que trabalharam no dia e até mesmo aúdios – uma parte de mim preferia acreditar que tudo não passava de um filme. Algo que marcou mas que não aconteceu de fato. Essas duas experiências que eu citei têm um poder de imersão enorme, tanto que é impossível não andar pelas ruas do Financial District ou entrar na Igreja ao lado do WTC e que sobreviveu aos escombros e não imaginar como deve ter sido no fatídico 11 de setembro de 2001. Aeroportos fechados. Todas as linhas de metrô paradas. Nenhuma linha de telefone funcionando. Pessoas andando meio sem rumo pelas pontes, porque andar à pé era a única forma de evacuar a vizinhança. Crianças tiveram que ficar nas escolas porque seus pais não conseguiam chegar para busca-las. Ninguém conseguindo falar com seus entes queridos. Eu não conseguia dimensionar o tamanho do caos até vir morar aqui de fato (apesar de achar que quem visitar o Museu do Trânsito vai conseguir ter essa dimensão).

Mas não só é isso. Nesse dia os moradores ficam mais introspectivos. Os cumprimentos saem menos felizes, os papos casuais são mais curtos, as bandeiras americanas ficam mais presentes, as pessoas relembram nas redes sociais, a televisão e os jornais não nos deixam esquecer o dia de hoje, e dependendo do lugar, rir é até sinal de desrespeito. Não dá para ter uma história dessas na memória e agir como se esse fosse um dia qualquer.

Hoje à noite, se o tempo permitir, conseguirei ver de camarote o Tribute in Light, uma obra de arte onde dois feixes de luz saem do lugar onde eram os prédios e se estendem aos céus por cerca de 6 quilômetros, podendo ser vistas de um raio de 100 quilometros. Praticamente um holograma das Torres Gêmeas. O objetivo é honrar os mortos e celebrar o espírito inquebrável de Nova York. Espirito inquebrável. Até o momento eu não sabia muito bem por quê estava escrevendo esse post, acho que olhar a minha vista me deixa nostálgica e quis aproveitar a data, mas na verdade acabei de achar um outro motivo.

Desde que me mudei desconstruí muitos conceitos românticos que eu tinha da cidade. “Concrete Jungle were dreams were made of, there’s nothing you can’t do” (selva de pedras onde os sonhos são criados, não tem nada que você não possa fazer) me parecia um pouco distante quando olhava no espelho depois de um dia inteiro cuidando de tudo menos de mim. Quando queria aproveitar mais a cidade mas não conseguia. Quando via tantas coisas de trabalho acontecendo no Brasil e eu não podendo participar. Por um momento, inclusive, não queria me permitir sofrer por todas essas expectativas quebradas porque, afinal, estava sofrendo em Nova York. Onde já se viu, não é mesmo? 

Mas não posso negar, a cidade de fato tem um espirito inquebrável, e acho que ela passa um pouco dessa resiliência pra gente. Desde que eu me mudei eu amadureci, eu conheci lados meus que eu nem sabia que tinha, eu cresci. Muitas coisas que um dia eu sonhei em fazer aqui eu ainda não fiz, mas fiz tantas outras que eu nem imaginava, que o saldo é muito positivo no final. Eu ainda estou no meio do caminho da minha reconstrução. Sei que ainda vai demorar, mas eu não estou com pressa. E um dia, quando eu menos esperar, conseguirei criar meu próprio feixe de luz que ilumina tudo ao meu redor.