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0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 01.10.2020

Por quê mulheres têm tanto medo de envelhecer?

Recentemente Madonna postou um posicionamento polêmico em suas redes sociais. Nos comentários, muitas pessoas apontando que não acreditavam que Madonna tinha virado uma “velha maluca”. Mulheres mais velhas que ousam mostrar seus corpos em revistas ou redes sociais são vistas como doidas, que perderam a noção do ridículo. Se uma mulher mais velha ousa rebater uma pessoa mais jovem, ela é invisibilizada porque reclamar é “coisa de velha” mesmo. E desses exemplos que demos, pelo menos 2 deles você só vê acontecendo com mulheres.

Não é de se espantar que mulheres têm medo de envelhecer.

Ou de mostrar os sinais da idade. Juliana Ali já falou algumas vezes sobre etarismo aqui, como esse texto, ou esse aqui. E resolvemos nos unir novamente para falar sobre isso.

Mas dá pra gente tentar mudar esse quadro. Repensar a forma que tratamos as mulheres mais velhas. Que enxergamos elas. Que nos referimos à elas. Porque bater um papo sobre autoestima também é falar sobre esse assunto.

E como a melhor forma de mudarmos nossas percepções é ouvir, ver e seguir mulheres mais velhas, indicamos algumas pra vocês: @avosdarazao @donadirceferreira (que inclusive foi inspiração pra última ilustração) e @voizaurademari. Não podemos deixar de indicar também o trabalho da @lu.mich, que tem muitas conversas sobre aceitação, feminismo e padrões de beleza.

0 em Autoconhecimento no dia 27.09.2018

6 motivos para encarar de frente as coisas que te dão medo

O medo é algo que todos nós experimentamos, mas o mais importante é como reagimos a isso. O medo, por definição, é uma resposta evolutiva necessária ao perigo físico ou emocional; nos ajuda a sobreviver e nos proteger de ameaças reais que existem neste mundo. Embora o medo esteja lá para nos proteger, ele também pode nos deter, porque às vezes temos medo de coisas que não são realmente uma ameaça.
Então, vamos falar sobre abraçar o medo e considerar fazer o que nos dá aquele pavor de qualquer maneira? Eis alguns motivos porque você precisa enfrentar seus medos:

1. Lembre-se que você vai passar por isso!

As coisas que tememos quase nunca são tão ruins quanto imaginamos que serão. Muitas vezes, o pior que imaginamos nunca vai de fato acontecer. Nossa imaginação é muito poderosa e pode nos ajudar na vida, mas infelizmente também pode nos deter se permitirmos. Sim, os aviões podem cair, mas isso acontece tão pouco que não deveria impedi-la de entrar em um e sair para ver o mundo.
Há sempre a possibilidade de que as coisas possam dar errado. Você pode planejar tudo que puder imaginar e depois aprender que a mãe natureza tem mais imaginação do que você. Então, em vez de deixar a possibilidade de coisas darem errado, planeje o máximo que puder e aceite o resto como vier.

2. Você sempre vai se perguntar: “E se”?

O arrependimento é um sentimento terrível. Embora seja verdade que você nunca é velho demais, não é verdade que nunca é tarde demais – a última coisa que você quer que aconteça é que você chegue ao fim de sua vida e olhe para trás pensando “e se?” É uma sensação horrível, especialmente quando a única coisa que te impede é você mesmo. Tudo é possível se você definir sua mente para isso. Sim, algumas coisas levam mais recursos, oportunidades ou esforço, mas se você acredita, você pode alcançá-lo. Às vezes tudo o que é preciso é pedir ajuda das pessoas ao seu redor. Nenhum de nós está fazendo isso por conta própria, é preciso uma tribo para construir a vida que queremos.

3. Você não pode ter sucesso sem falhar

Não sei qual é sua taxa média de sucesso, mas vamos estimar que a minha seja em torno de 20%, o que significa que cerca de uma em cada cinco tentativas que eu faço resultam em sucesso ou seguem de acordo com o planejado. Isso significa que eu deveria parar de tentar ser bem sucedida? Não. Significa apenas que o fracasso vai acontecer e você não pode ter sucesso sem ele. Nenhum de nós é perfeito e é impossível acertar 100% do tempo.

4. Você merece brilhar!

O medo pode ser uma emoção incapacitante se você permitir. O medo pode nos fazer acreditar que não podemos fazer algo ou que não somos dignos de uma vida incrível. Todos nós merecemos viver vidas incríveis e fazer coisas incríveis. Todos nós temos um propósito e um lugar neste mundo – não deixe que o medo o impeça de descobrir qual é esse propósito. O medo de se conhecer também limita você.

5. Leva tempo e prática para acertar!

Poucas pessoas acertam as coisas na primeira vez que as fazem. Mas para atingirmos a prática é importante que se faça essa mesma coisa muitas vezes – até acertar! E claro que praticar leva tempo. Mas pense lá na frente e veja que vai valer à pena! Seja paciente consigo mesma e continue praticando, sem tanto medo de errar, sem deixar o medo te paralizar.

6. O mundo precisa de você e das coisas que só você pode oferecer

Há apenas uma de você, que tem seus pensamentos, suas experiências e sua vida. Cada um de nós tem um propósito neste mundo. Sim, há provavelmente milhares de pessoas no mundo que trabalham no trabalho que você quer, mas isso não significa que não há espaço para mais uma. O medo de ser mais um é uma ilusão, não deixe ele te impedir. O mundo precisa da sua voz. Mesmo se você apenas tornar o mundo um pouco melhor para apenas uma pessoa, valeu a pena!

3 em #paposobremulheres/ Comportamento/ feminismo no dia 21.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Me dá a mão?

Eu queria muito escrever sobre relacionamentos, sobre como a gente é tudo gente, que as minas também podem ter medo de relacionamento diante de um prato de ovo mexido, mas comecei a ler “Fome”, livro da Roxane Gay. E travei. E chorei. E minha garganta fechou. 

O medo me travou. O medo que todas nós temos de andar na rua. O medo da violência, o medo de receber o cara da tv a cabo em casa ou pedir um carro pelo aplicativo bêbada. Foi esse medo que me treinou para dizer que “não sou uma pessoa carinhosa em público”. Sou uma mina lésbica treinada para não demonstrar afeto na rua. Descobri isso aos quase 40, sendo que namoro minas desde os 16. Foram muitos anos de treino pra isso. Fui descobrir isso um dia em um corredor de uma loja de artigos de esporte, comprando uma legging. Minha namorada me deu um beijo na boca a hora que a gente se encontrou e eu travei. Para ela, que não foi treinada e namorou homens até outro dia, era só mais um dia ordinário. Pra mim, foi o dia que descobri que travo.

Eu travo por medo de ouvir um xingamento, por medo de ouvir uma piadinha, por um medo irracional, mas totalmente baseado nas estatísticas. Travo porque aprendi a me esconder. O livro da Roxane me travou porque o pavor dela fez ela se esconder, e todas as pontas dos fios se conectaram. E toda a aspereza do mundo me abraçou. 

A aspereza que me faz ter medo de dar um beijo de oi na minha namorada, que me faz soltar a mão dela na rua quando vem uma turma de caras, o medo de dar um beijo na boca dela quando chego na casa da família, o medo que me faz ver se a porta da rua tá mesmo trancada quando ela dorme na minha casa. Esse medo mora no meu corpo e eu não sabia. Ele tá lá o tempo todo, à espera do menor sinal, para eu reagir e me proteger. 

Quando eu comecei a ler o livro uma sensação horrível de pertencimento tomou conta de mim. Queria estar sozinha nesse mundo relatado, mas estamos todas, na única coisa que une todas as mulheres do mundo: o medo. As ricas, as pobres; as brancas, as pretas; as gordas, as magras, as hetero, as lésbicas. Todas as mulheres têm medo. 

ilustra: Libby Van Der Ploeg

ilustra: Libby Van Der Ploeg

Se alguém me perguntar: “e como muda isso?”- eu só consigo respirar fundo e dizer “segura minha mão”. Então, hoje, segura a mão de uma mulher, ajuda a diminuir o medo, ajuda uma mina hoje a ter menos medo, pede ajuda pra sentir menos medo. 

Me dá a mão?