Browsing Tag

maternidade

3 em Autoestima/ Comportamento/ maternidade no dia 25.11.2018

Nem toda mãe que está mostrando a barriga no pós parto está segura

Ontem entrei em uma conversa com umas amigas por causa do corpo da Isis Valverde. Uma delas mostrou uma foto recente da atriz, onde ela postou uma foto de um look com saia cintura alta e top cropped mostrando uma parte da barriga.

Em qualquer outra situação, essa seria só uma selfie qualquer. Só que, nesse caso, estamos falando de uma Isis que acabou de ter filho. Há menos de uma semana, para ser mais exata.

pos-parto

insta @isisvalverde

Teve quem achasse que ela estava fazendo um desserviço, que a foto postada serviria apenas para fazer pressão nas outras mães. E eu entendo mesmo esse lado. Acho que tem muita revista e muita legenda perigosa no instagram. Informações essas, que tentam nos fazer acreditar que voltar ao corpo de antes em tempo recorde é real e possível. Com certeza essa foto de Isis já deve estar rodando os grandes portais com alguma legenda elogiando seu corpo.

Eu não sei o que motivou Isis a postar tal foto, também não sei como ela está se sentindo no pós parto. E não quero saber. Mas ela me lembrou uma história que eu já cruzei nesses quase 3 anos de #paposobreautoestima, e eu quis dividir. Porque acho que é importante falar sobre isso.

A verdade é que a mãe que parece segura por fora mas está insegura por dentro existe. E é mais comum do que imaginamos.

Um dia, em um evento, eu entrei em uma conversa com outras mães e uma delas contou sobre seu corpo pós parto. Disse que amou a barriga, mas quando o bebê nasceu, ela se olhou no espelho e não se reconhecia. Isso é muito comum. Diferente é a forma como cada mulher lida com isso. E essa moça que veio conversar contou sua estratégia.

Ela era daquelas mulheres ratas de academia antes de ter filhos. Foi uma grávida ativa, daquelas que só tinha barriga. Porém, quando ela voltou para casa depois do parto, ela se sentiu tão insegura com seu corpo, que passava horas em frente ao espelho achando o ângulo perfeito. Ângulo esse que disfarçava qualquer evidência de corpo pós parto, claro. Caso tivesse algum resquício, Facetune na barriga. Sua neurose com o corpo foi tão grande que a única forma que ela se sentiu validada era sendo elogiada pelas pessoas.

Eu fiquei chocada com aquele relato pós parto. E agradecida por ela ter tido a coragem de dividir comigo.

 

E a moral dessa história é justamente aquilo que vivemos batendo na tecla: não se compare com as redes sociais. Seja com a atriz, seja com a influencer ou com a conhecida.

>>>>>> Veja também: Jura que você acha que estou usando meu filho como desculpa para não ir para a academia? <<<<<<

Não baseie nada, muito menos seu corpo pós parto com o corpo de ninguém. Não compare seu processo com o de ninguém. Existe muita foto perfeita por aí que esconde vulnerabilidades que nem imaginamos. Existe muita gente aparentemente segura que usa as redes sociais como escudo para autoafirmação. E também existe gente com estruturas e estilos de vida completamente diferentes dos nossos. Tá tudo bem seguir seu próprio tempo dentro das suas possibilidades.

Não tenho ideia dos motivos que levaram Isis a postar a tal foto. Como disse, também não quero saber. Mas quero que você, que viu a foto e por um acaso se sentiu uma bosta porque você teve filho há meses e ainda tá longe do corpo pré gravidez, tire essa ideia da cabeça.

0 em crônicas/ maternidade no dia 05.11.2018

Ensinar a se amar é revolucionário. Ensinar a se impor também.

Ser mãe de menina é, ou ter que se acostumar a ouvir todo tipo de frase machista disfarçada em conselho, votos de felicidade e preocupação ou afiar sua língua para dar o repeteco tão julgado e, sinceramente, necessário. E faço mais, ensino a filha a fazer o mesmo!

Dia desses em uma conversa despretensiosa com a professora, ela me contou do dia que Luiza fez um discurso feminista digno de muita passeata por aí. O motivo foi um só: os meninos brincavam de carrinho e ela havia entendido que eles não iriam deixar que ela brincasse também por ser menina:

– Meninas também brincam de carrinho! Minha mãe falou que meninas podem fazer o que quiserem! Não existe “coisa de menina” e “coisa de menino”!   – E lá foi ela batendo o pé participar da brincadeira diante dos olhos curiosos e assustados dos coleguinhas que nada entendiam.

______________

ensinar-amor-proprio-se-impor

Outro dia, ao ver da janela de casa a luz de um holofote em meio às nuvens, ela me disse:

– Eu acho que é um raio, mamãe.

– Não é não, Lulu. É um holofote.

– Mamãe, você acha que é um holofote, eu acho que é um raio. Eu gosto de rosa, você gosta de azul, lembra? – Disse, me lembrando da vez que a ensinei a respeitar a opinião que diverge da dela.

Bateu um orgulho daqueles.

Nunca me esforcei para moldar a Luiza. Nunca quis que ela se esforçasse ou mesmo almejasse se enquadrar em padrões tão cruéis de beleza e comportamento. Aliado ao gênio forte, tenho em casa uma pimentinha que apesar de ardida, dá cor e sabor a minha vida.

Ensinei a ser forte, ensinei a não ter medo de se expressar, ensinei a amar todos sem distinguir sexo, cor, religião e tenho treinado seus olhos a verem beleza em todos. Somos diariamente bombardeadas com propagandas exaltando belezas. E elas são quase sempre tão falsas, tão plasticamente tristes e inalcançáveis que vez ou outra abro o Google e lhes mostro mulheres de outros países.

Mulheres de outras culturas, com padrões completamente diferentes de beleza, negras, gordas, ruivas, morenas, de tribos e etnias, da cidade ou do campo, mostro tudo o que há para ser visto e incentivo a enxergarem a beleza em todos, inclusive neles mesmos.

Ensinei que além da beleza a ser vista, não nos resumimos a ela. Temos sonhos, sentimentos que às vezes nem sabemos nomear, coisas que vão muito além da aparência. Há felicidade no simples, no escuro, no silêncio das madrugadas que passamos a sós com nós mesmas e não há melhor companhia, não há maior amor no mundo do que o que temos ou devemos ter por quem somos e este amor salva, nos levanta todos os dias da cama, ensina a recomeçar do zero, não importa quantas vezes venhamos a cair. Nos amar é revolucionário, saber respeitar as opiniões diferentes e saber se impor também. Bem a cara dela, né?

0 em Comportamento/ crônicas no dia 19.10.2018

Comprei uma bicicleta e ganhei muito mais do que esperava

Compramos uma bicicleta. Eu sei que foi na estação mais errada do ano, afinal, faltam uns 2 meses para a temperatura chegar perto do 0 e começar o período de neve, mas isso era algo que a gente ameaçava fazer há algum tempo e sempre desistia. Sem nenhum motivo aparente. Era o tipo de coisa supérflua, “um dia a gente compra”. E esse dia nunca chegava. Até que chegou.

Pegamos um modelo bem básico, nada muito caro ou cheio de novidades. Uma bicicleta que fosse boa o suficiente pra gente sair andando por aí. E compramos uma cadeirinha de criança, já que a cidade permite que esse seja um meio de transporte viável, queremos mais é que o Arthur aproveite com a gente. No mesmo dia eu aluguei uma dessas bicicletas que você paga o dia e vai trocando de meia em meia hora e resolvemos explorar. Atravessamos a ponte, fomos parar lá do outro lado de Manhattan e foi uma experiência deliciosa, típica sensação de felicidade quando você está fazendo algo novo pela primeira vez, sabem?

bicicleta-experiencia

Só que eu queria mais. Desde o dia que trouxemos a bicicleta para casa eu estava pensando na possibilidade de começar a usá-la para levá-lo na escola, que fica há 1,1 km de distância da minha casa e confesso que nem sempre me dá ânimo de andar esse tanto, ida e volta. Só que surgiu um medo. Não foi medinho, não. Medão mesmo. Medo de mãe.

Será que vou conseguir me equilibrar com ele? Será que vamos cair? Será que eu vou conseguir? Enquanto isso, meu marido – que foi a pessoa que estreou a bicicleta no domingo – me dizia as particularidades. “Cuidado que quando ele está na cadeirinha, ele fica muito mais pesado que a bicicleta, então você vai ter que segurar muito mais firme”. E lá tava eu, sofrendo por antecedência. É impressionante o quanto eu sofro antes mesmo de experimentar. Eu penso em tudo que pode dar errado e fico remoendo isso, penando. A minha sorte é que eu já passei da fase de deixar isso me parar, meu novo lema da vida é justamente aquele “tá com medo? vai com medo mesmo” (que tem funcionado para tudo, menos para borboletários, que eu nem me atrevo) e como não deixei que o receio me parasse, hoje eu decidi que seria o dia.

Assim como compramos a bicicleta no meio do outono, escolhi também o dia mais frio da semana para estrear a minha carona pra escola. #bemapropriado Mas eu sei que quando eu boto algo na cabeça, essa é a minha deixa para não dar pra trás. E fui.

Arthur estava empolgadíssimo com a experiência. Enquanto eu pedalava rumo à escola, ouvindo gritinhos empolgados típicos de uma criança que está saindo da rotina e fazendo algo muito empolgante pela primeira vez, eu me deixei contagiar. O vento estava gelado (afinal, as 8:30 da manhã a temperatura era de 3 graus), as minhas mãos ficaram um pouco duras por causa do frio, mas eu não estava sentindo nada disso. Comprei uma bicicleta e veio de brinde felicidade, liberdade, empolgação e aquele tipo de independência que eu senti muitos anos atrás, quando tiraram as minhas rodinhas. Por quê eu demorei tanto?