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5 em Autoestima/ Destaque/ maternidade no dia 05.04.2019

O primeiro passo para uma maternidade saudável? Admitir as fraquezas!

Eu vivo numa bolha. E sei disso. Convivo com muita gente que está aberta a discutir a maternidade desromantizada. Mães e não mães. Converso com gente que está disposta a se questionar sobre maternidade, doação e amor incondicional. Pessoas que querem tirar a imagem da mãe/super mulher/super heroína, pessoa incansável. Hoje vivo uma maternidade saudável, graças à essa bolha que eu vivo.

E acreditem em mim, tirar esse peso das costas das mulheres é um passo incrível para construirmos uma maternidade saudável.

Eu me lembro da primeira vez que alguém veio dizer que eu falava de um jeito que parecia que meu filho era um fardo. Eu não vesti a carapuça. Mas fiquei pensando sobre o assunto. E acabei chegando à conclusão que o fardo estava todo nas costas da maternidade. E do que a sociedade espera que uma mãe seja.

Você pode ter o filho mais comportado, educado e lindo do mundo. Você pode ter a criança dos sonhos. Você pode ter se encontrado na vida como mãe. Você pode estar muito realizada. Mas pode ter certeza que vai ter dia que a maternidade vai ser um fardo. Vai ser um trabalho solitário, repetitivo, cansativo. Vai ter dia que a gente só vai querer se trancar dentro do quarto e deixar o mundo explodir. E vai ter dias que queremos fugir.

E é bom que a gente possa admitir isso, para nós mesmas ou em voz alta. Vai ter dias que maternar vai ser pesado. E tá tudo bem.

Outro dia entrei no meio da live que a Fernanda Marques, uma mulher incrível que conheci aqui em NY, estava fazendo. Em um dado momento ela estava contando como ela faz questão de criar o filho em uma casa de pais imperfeitos. Que ela não queria criar o filho achando que a imagem da mãe é daquela mulher incansável, que se desdobra, se anula e nunca reclama só pra fazer os filhos felizes. Que ela queria poder virar pra ele e ser sincera no dia que ela estiver cansada, chateada, etc. Que essa é uma forma de criar um ser humano empático.

A gente precisa ser mais sincera com nossos filhos. Até mesmo para construirmos não só uma maternidade, mas também uma relação saudável com eles.

Vejo muito adulto que foi criado com a visão da mãe incansável e que se doa incondicionalmente. Mulheres que cresceram ouvindo que ser mãe era padecer no paraíso (e sem reclamar!) e acreditaram nisso. Passaram essa imagem para os filhos por anos, até o momento que ficou difícil sustentar essa imagem. Quando elas falam em voz alta, dá tilt na família.

Vemos filhos magoados, se sentindo preteridos e até mesmo culpados por terem “estragado” a vida da mãe. Ou seja, será que as coisas não teriam sido diferentes – e até mesmo mais suaves – se a relação não tivesse sido mais honesta desde o início?

Eu precisei me tornar mãe para entender a minha.

Foi quando eu me vi no mesmo lugar que ela que eu consegui enxergar as coisas de forma mais flexível. E consegui enxergar suas decisões e sua história com mais compaixão e empatia.

Nunca vou dizer que você precisa se tornar mãe para chegar nesse lugar que eu cheguei. Mas que tal começar a olhar com outros olhos a maternidade desromantizada? Tente ouvir mais sem julgamento. Tente tirar a ideia de que maternidade saudável é aquela que a mãe vira super heroína. Ou então que a mãe tem que aguentar tudo sem reclamar. Tenho certeza que isso serve não só para as mães, mas também para quem é filha.

0 em Comportamento/ Destaque/ maternidade/ séries no dia 30.01.2019

As renúncias da maternidade – ou, como enxergar as coisas pelo lado certo

Nunca pensei que uma série na Netflix pudesse exprimir tão bem as questões das renúncias na maternidade. Mas assim é The Let Down. Uma série australiana que eu indico para toda mulher que é mãe, ou pensa ser um dia.

Ela aborda a vida de várias mulheres que participam de um grupo para puérpueras. Toda mãe vai se identificar com alguma coisa. Seja a vontade (e a dificuldade) de querer fazer as mesmas coisas que fazia antes de ser mãe. A necessidade de mostrar para o mundo que você domina o jogo da maternidade, quando na verdade você está tão perdida quanto todo mundo. A importância de ter rede de apoio.

Enfim, tudo aquilo que a maternidade desromantizada aborda, está nessa série.

Mas não teve frase que me pegou mais no fundo do que essa que está no título. Ainda mais na maternidade. Porque essa pessoa que teimava em olhar para trás fui eu, por muito tempo.

Eu estava sempre olhando para as situações e comparando com a vida pré filho. Aliás, eu queria dar um jeito de ser a mãe que não mudou por causa do filho. Queria acreditar piamente que “o filho tem que se ajustar à rotina dos pais, e não o contrário”. Não foi assim que banda tocou, pelo menos não aqui em casa.

Sim, é claro que existem renúncias na maternidade, assim como perda de liberdade e traços de melancolia.

Por mais que a gente leia, se informe, não tem como se preparar para o momento em que a nossa vida muda. Nem controlar a intensidade da mudança. Não tem como a gente minimizar nossas perdas, até porque para cada mulher é diferente. Cada uma sabe onde o calo aperta, sabe? É bem por aí…

Mas tal frase é uma verdade. Ao olhar para trás, a gente de fato foca no que foi embora. Principalmente quando somamos à isso a privação de sono, a falta de privacidade, situações que antes eram tão simples e agora exigem toda uma preparação (tipo ir no mercado), entre tantas outras coisas. É natural querer comparar e achar que a vida antes dos filhos era melhor. Mais leve. Mais simples.

Mas caramba, quanta coisa boa também veio? Se eu parar para pensar, vejo que passei a saber administrar muito mais o meu tempo. Vejo que eu aprendi a parar para respirar. A me encantar com coisas que eu tinha esquecido que eram de fato encantadoras. A ver felicidade em momentos tão simples. E venho amadurecendo desde então.

Eu queria muito ter visto essa frase há mais tempo. Porque tive que bater muito a cabeça para chegar nessa conclusão. Tive que viver todas as renúncias na maternidade para enxergar que tinha mais do que isso. Tive que ver a vida com olhos mais duros por meses a fio para perceber que estava indo pelo caminho errado.

E tá tudo bem, faz parte dos ensinamentos da maternidade. Mas, ah…quem me dera que eu pudesse ter absorvido isso de uma maneira mais simples. Como vendo The Let Down e levando um belo tapa na cara enquanto assistia uma série tão bacana.

2 em Comportamento/ maternidade no dia 30.11.2018

Desfralde, o momento que mais me aterrorizava me trouxe muitos aprendizados

De todos os desafios da maternidade, preciso confessar para vocês que tinha um em específico que me deixava de cabelo em pé: o desfralde.

Todas as amigas que têm filhos com idade próxima já tinham passado por isso.  Algumas eu acompanhei de perto. Era xixi escorrendo pela calça no meio do supermercado. Amiga levando penico portátil para o parque. Tive amiga mais radical que passou um dia sentada no chão do banheiro fazendo intensivão de desfralde. E as pilhas e mais pilhas de roupas para lavar, claro. CABELO. EM. PÉ.

Meus pais me cobravam. Achavam um absurdo ele estar com 2 anos (depois 2 anos e meio, depois quase 3) e ainda usar fraldas. Quando eu responderia que eu achava que ele ainda não estava pronto, eles diziam que era frescura minha.

Olha, pode até ser. De fato eu aproveitei que a escolinha não exige crianças desfraldadas e prolonguei esse momento o máximo possível. Não sei como é no Brasil, mas aqui eles têm todo um respeito por esse período. Pela primeira vez eu ouvi que se a gente forçasse antes da hora, poderíamos criar traumas.

E por mais que ele estivesse se interessando no banheiro quando via os amigos já desfraldados, eu juro para vocês que eu sentia que ele não estava pronto ainda.

ATENÇÃO, AS CENAS A SEGUIR SÃO FORTES – EVITE LER SE VOCÊ ESTIVER COMENDO.

Se a gente não notasse o cheiro, ele ficava com fralda cagada por minutos e mais minutos sem reclamar. Você via ele fazendo aquela cara suspeita, perguntava se ele queria fazer cocô e ele dizia que não. Quando ia checar, lá estava ele. Enfim…Como eu achava que ele estava pronto se ele não me dava sinais?

Há 3 semanas eu tomei coragem. Meu marido estava doente, o fim de semana era de chuva, os planos seriam de ficar o dia em casa. Achei que a hora era aquela e resolvi trazer um pouquinho de emoção.

FOI O CAOS. Claro.

Passamos o fim de semana limpando cadeira, chão, sofá, tapete. E muitas e muitas pilhas de roupas para lavar, claro. Mas quer saber? Não foi todo esse bicho de sete cabeças que eu imaginava.

Sim, tivemos que melhorar nossa logística para incluir uma ida ao banheiro antes de sair de casa. E outras quando encontrávamos qualquer banheiro pelo meio do caminho. Tivemos uns acidentes que fizeram a gente sair correndo de onde estávamos. Algumas (poucas, ufa) cuecas jogadas fora. Mas foi tudo muito mais simples do que eu achava.

As pilhas de roupa, que eu tanto achei que seria a pior parte, foram tranquilas. Os acidentes que eu achei que iam me deixar louca, até deixaram… por 2 dias. O resto foi fácil de contornar.

desfralde

Talvez ele até já tivesse pronto para o desfralde há mais tempo, mas achei que respeitar o tempo dos pais também é um fator importante. A impressão que eu tive foi que conseguimos passar pelo processo de forma mais calma, com menos pressão. Aquelas histórias que eu vi acontecendo com amigas minhas não aconteceram comigo. Pela primeira vez nós fomos mais no instinto do que nas dicas alheias. E olha, foi a melhor coisa!

Agora surge uma nova questão que eu acho que vou querer ajuda dos universit  de quem é mais experiente: como vocês fazem com as milhares de vontades de fazer xixi e coco antes de dormir? Ou então quando você está no restaurante e ele pede de 5 em 5 minutos para ir no banheiro, só porque é divertido passear pelo restaurante?