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maraisa fidelis

3 em Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque no dia 20.11.2017

Um recorte neste dia da Consciência Negra – por Maraisa Fidelis

Oi, prazer! Meu nome é Maraisa Fidelis, tenho 28 anos, marketóloga por formação e blogueira como profissão. Mulher negra.

Quando as meninas me convidaram para escrever em um dia com tanto significado (ainda mais no Brasil que muitas pessoas JURAM não existir racismo), fiquei pensando “Mas sobre o que abordarei no Futi? Como vou começar um assunto num blog que não é o meu e que preciso ter cuidado com minhas palavras?”

Eis que lembrei de algo que sempre paira em alguns momentos da minha vida. Quando saio para jantar, quando vou em determinados shoppings, quando visto determinadas roupas, nos meus vídeos, nas minhas postagens e até mesmo em olhares.

Mas Maraisa, do que você está falando? Do racismo sofrido todos os dias? Do que as pessoas te falam? De palavras agressivas? Não! Eu estou falando de algo que nem todos percebem mas incomoda: PESSOAS NEGRAS COM ASCENSÃO FINANCEIRA.

Comecemos do início (de maneira beeeem resumida). No Brasil, logo após a abolição da escravatura, os negros não tinham para onde ir. Sim, não eram mais escravos porém onde morariam? Do que viveriam? Foram libertos porém sem suporte algum. Sendo assim, muitos continuaram trabalhando para seus “senhores” em troca de apenas comida e lar; enquanto outros se afastaram dos centros urbanos. Por que se afastaram? Porque não eram bem quistos! Foram para as periferias. Dito isso, quem não entende porque a grande maioria dos negros moram em periferias, começa a elucidar a mente.

Os anos passaram e como nunca o Brasil fez algum plano para igualar essa dívida, para fazer com que os negros que herdaram essa exclusão da sociedade fossem incluídos novamente; a população cresceu acostumada. Acostumada com o fato de negro ser pobre, ser de periferia, não ter estudo e sempre trabalhar em empregos que não geram grande renda.

Porém, a história não se repete com TODAS as pessoas. Mesmo porque pessoas são diferentes e pessoas lutam para o melhor. Negros lutam e PRECISAM provar 2, 3, 10x mais que são melhores. Sim, creia, não basta eu ser formada, eu preciso provar muito mais do que uma mulher branca com a mesma idade e mesma formação simplesmente porque sou NEGRA. E a sociedade já parte do pressuposto que sou inferior.

Vou focar na minha vida agora tá? Acontece que nem todo negro é pobre, nem todo negro tem uma história de superação mostrando que saiu de uma comunidade, estudou e cresceu na vida. (O que eu admiro pra caramba e acho maravilhoso!).
Existem negros que desde pequenos estudam em colégios particulares sim. Eu e minha irmã. Nossos pais (também negros), trabalharam muito, mas MUITO para nos dar todo o suporte possível. Estudei 15 anos em colégio católico aqui em São Paulo e depois fiz a minha faculdade com meus pais pagando. Minha vida não foi de luxos, mas nunca me faltou NADA. Se eu queria o tênis da moda, eu tinha. Se eu queria comprar uma roupa na loja que todo mundo do colégio comprava, meus pais realizavam. E assim eu cresci sabendo que eu sempre posso mais e que a minha base foi boa o suficiente para eu ver que o céu é o limite.

Pois eu volto no começo do post e digo: negros quando consomem luxo incomodam. MARAISA VOCÊ TÁ LOUCA? Não, eu não estou. Incomoda por diversos motivos! Ao entrar em uma loja para comprar carteira a gente escuta “Vocês são daqui?”. Porque né? Para estar no Cidade Jardim comprando uma carteira em loja de luxo não pode ser uma família brasileira. Ao postar uma foto com a minha bolsa da Gucci um dos primeiros comentários que recebo “Essa bolsa é original?”. Mas Mara! Muitas pessoas usam bolsas falsas, não foi pessoal…. Ah para! Primeira bolsa mais cara que posto e as pessoas vem com essa? O pior que foi uma mulher negra. Falo de alguns livros que estou lendo e escrevem “Você tem faculdade?” Porque NOSSA COMO ELA FEZ UMA FACULDADE PAGA SEM SOFRIMENTO ALGUM?

Triste ver que algo a ser comemorado, algo que as pessoas deveriam ficar felizes, se torna um ponto questionável. Por que toda mulher negra tem que contar uma história de vida sofrida para sua luta ser validada? Por que o consumo de luxo por uma mulher negra passa a ser julgado e ela tida como “PRETA METIDA”? Por que ao invés de nos inspirarmos, apontamos o dedo e falamos “Ai, você usa muita coisa cara, as pessoas negras não tem dinheiro para isso, você deveria saber”

E VOCÊS ACHAM QUE EU NÃO SEI? É óbvio que eu sei! Não nasci ontem e sou muito lúcida do que acontece ao meu redor. Porém, quero que TODAS as mulheres negras se sintam capazes;  que todas as mulheres negras olhem e pensem “EU POSSO CHEGAR LÁ”. Eu quero viver num mundo onde, com o tempo, as políticas igualitárias melhorem e eu consiga ver muitas pessoas negras em centros de compras de luxo sem questionamentos ou pessoas apontando o dedo.

Essa é uma das minhas lutas e eu achei interessante comentar por aqui. Que passemos a admirar as pessoas negras que “chegaram lá”; que nos inspiremos e não duvidemos de sua capacidade intelectual. Que entendamos, de uma vez por todas, que negro consome luxo sim. Obviamente em menor quantidade do que os brancos (devido a herança histórica que é assunto para outro post), mas estamos aqui. E estaremos em todos os lugares.

Beijos
Maraisa Fidelis

2 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Comportamento/ Convidadas/ Destaque no dia 19.07.2017

Negras em capas de revista, sim!

Mês passado quando vi estas capas pelo Instagram, fiquei louca. Louca num grau “TENHO QUE COMPRAR AS TRÊS REVISTAS! EU PRECISO DELAS EM CASA!” E olha que sou bem contra falar que alguém PRECISA de algo; mas eu realmente precisava tocar e guardar estas edições. TRÊS revistas em um mesmo mês estampam mulheres negras em suas capas. Vocês conseguem imaginar o que isso significa?

Talvez não. Sei que existem pessoas que não ligam, que podem achar exagero a minha felicidade exacerbada, o meu post para falar do assunto. Entretanto, para quem passou a adolescência e boa parte da vida adulta SEM SE VER REPRESENTADA em capas, isso sim é um avanço absurdo. É felicidade, é lavar a alma, é perceber que vale a pena bater nesta tecla e falar aos quatro ventos que está errado em diversos níveis não colocar negros em campanhas, propagandas, capas…..

Quero dizer que minha mãe sempre assinou a revista Claudia (quando digo sempre é algo de aaaaaanos); e eu conto nos dedos de uma mão quantas vezes uma mulher negra esteve na capa. Sim, por mais de quinze anos eu posso contar quantas mulheres negras estamparam a capa da Claudia. A maioria da população no Brasil é negra, cadê o sentido nisso? Cadê eu me enxergar em capas, em propagandas, em toda e qualquer posição? Eu POSSO chegar em qualquer lugar que desejar, por que não querem me mostrar isso?

Mas em junho comprei revistas que eu não costumo ler: Elle, L’Officiel e Vogue. Comprei por ter mulheres negras, comprei porque revistas com negras na capa vendem menos, já falei sobre isso neste post do Instagram que fiz quando a musa Gaby Amarantos foi capa da Boa Forma. Comprei e comprarei novamente porque isso tem que mudar, porque se nós não fizermos nada para mudar continuará do mesmo jeito.

Depois desta compra outra surpresa: A MARAVILHOSA ELZA SOARES NA CAPA DA ROLLING STONES! Sim, ainda no mês de junho! O que fiz? Comprei também porque isso só fortalece. Ah, e li todas as revistas, viu? Hahahaha É pra ler também! =D

Já passou do tempo das empresas, editoras, do MUNDO se tocar que negro consome, sabia? SIM, vejam só! As pessoas negras consomem, ocupam mesmos espaços que as brancas (admito, em minoria por conta da nossa história de escravidão, dívida da sociedade, o fato de afastar negros do centro juntando-os nas periferias…), porém a geração que está aqui e agora não quer mais calar. Eu sou uma das pessoas que não tem um pingo de vontade de calar. Sou negra, consumo, quero me ver representada e se não me vejo não compro. Seja uma marca de roupas, uma revista, maquiagem (sim, tem marcas que eu não falo por não ver negras em propaganda), restaurantes, lojas de departamento e por aí vai…

Só para ilustrar: Esses dias vi o comercial de um novo carro. O homem branco dirigia e passava por vários lugares com diversas pessoas e NENHUMA delas era negra. PERAÍ: Negro não é seu público? Negro não pode comprar o seu carro? É isso? “Ai, Maraisa você está exagerando!” Não, não estou. Repito que para um país onde MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO É NEGRA, o mínimo que se espera é ver esta representatividade em TODOS os ambientes. Mas não…. para a marca lá eu não posso comprar o novo SUV. Okay, não compro esse, escolherei outro carro.

Eu, Maraisa Fidelis, vivi para ver isso. Vivi para ver QUATRO mulheres negras estampando capas em UM MESMO MÊS. Capas de revistas de moda e música. MODA:  justo um meio cheio de egos e preconceitos, um meio difícil de trabalhar onde você é facilmente substituível. Vi isso em revistas tipicamente elitistas que sempre colocaram brancas na capa. VINTE E OITO ANOS para ver na banca uma ao lado da outra e quase chorar de felicidade. É este o mundo em que quero viver! É este o mundo que quero mostrar para meus filhos, é este o mundo que desejo ajudar a construir. REPRESENTATIVIDADE IMPORTA, CARAMBA!

Ah! Vale ressaltar que a L’Officiel colocou Nayara Oliveira na capa mas no recheio vi uma foto bem pequena dela e só. Sinceramente, não entendi e não fiquei feliz. Já Vogue e Elle sambaram  lindamente com Joan Smalls e a MARAVILHOSA angel da VS Maria Borges respectivamente.

Não sou uma pessoa “das modas”. Me interesso porém entendo pouco. Mas se as revistas continuarem assim, se eu me vir representada, continuarei comprando, prestigiando e apoiando aquilo que enche meu coração de alegria e outro sentimento que não sei explicar, talvez orgulho, paz, ou aquele suspiro de “finalmente vejo esta luz no fim do túnel”.

Eis que vira o mês, julho começa e olha a maravilha que eu vejo nas bancas pessoas lindas do meu Brasil:

AAAAAAHHH! Posso gritar? Lucy Ramos, Tais Araújo e o perfil de um homem negro em diferentes revistas. Máxima, Marie Claire, Você S/A estampando negros no mês seguinte! Meu coração se enche de amor, esperança e o sorriso fica bobo no rosto. Comprei as três e espero que nós, negras e negros, continuemos nos vendo representados todos os meios. Afinal, nós estamos aqui, né? Então também estaremos lá.

7 em Looks/ Moda no dia 24.04.2017

Musas de estilo: Maraisa Fidelis

Eu sei, faz tempo que eu não faço um post sobre minhas musas de estilo, mas há uma explicação, meio triste na verdade: eu fui parando de procurar inspiração. Essa época do inverno realmente me pegou de jeito e, quando eu vi, eu estava sem vontade de procurar referências e ideias. O motivo? A maioria estava postando roupas que eu tinha certeza que só conseguiria usar meses depois e daí fui perdendo a vontade de me inspirar.

Até que de uns dias pra cá, depois que a temperatura começou a oscilar entre dias super agradáveis e outros nem tanto, eu me peguei salvando looks de uma pessoa bem próxima a mim. E quem é ela? Maraisa Fidelis!

A dona do blog Beleza Interior? tem usado seu instagram (@blzinterior) para postar produções maravilhosos, e alguns em especial realmente têm me inspirado demais. O mais engraçado é que na teoria, nossos corpos são completamente diferentes, ela é muito mais ousada e colorida do que eu, e boa parte do que ela usa tem um elemento bem difícil de ser usado no meu dia a dia atual: salto alto.

Se na teoria somos tão opostas nesse quesito, eu diria que na prática tudo faz sentido para nomeá-la como uma musa de estilo. O motivo? Porque ela me inspira de diversas formas que vão muito além de apenas tirar print de um look e copiá-lo. Vou mostrar alguns exemplos para explicar melhor:

Esse foi um dos últimos looks que ela postou e me inspirou, a começar pelo tricô, que me deu vontade de entrar no site da Farm e comprar um igual AGORA. Depois me apeguei na calça florida, na bolsa de franjas e desejei entrar nessa vibe “70’s sem parecer fantasia” junto com ela. Isso porque faz tempo (pra não dizer que eu não lembro mesmo) que eu não incorporo essa década em algum look meu.

Sabe quando você vê um look e fala “UOU, QUERO USAR IGUAL?”. Foi essa a minha reação quando eu me deparei com esse. Tenho certeza que se eu tivesse todas essas peças, dificilmente pensaria em usá-las juntas. Provavelmente eu combinaria a camiseta com um jeans e a calça verde com uma blusa branca porque eu sou dessas, vocês sabem. E é ótimo ter essas referências mais ousadas com ideias de combinações de cores que fogem da nossa zona de conforto, justamente para sairmos da caixinha sem nos sentirmos completamente perdidas. Ah, e mais uma coisa. Nem tenho usado salto, mas já quero um scarpin desse tom de azul!

Quem acompanha meus looks sabe que vestido para o dia a dia é algo raro. Eu acabo optando por shorts ou calças, mas não nego um vestido larguinho e confortável. A chemise é o tipo de peça que eu acabaria usando solta, até porque eu costumo me sentir muito incomodada com cintos largos que marcam bem a cintura, me sinto presa, esmagada, sei lá. Mas aí vem Maraísa, me postando uma foto dessas e me fazendo morrer de vontade de ter uma chemise preta com um cinto preto largo para fazer a diferença, mesmo eu sabendo que me sinto incomodada com esse acessório. Se isso não é ser musa inspiradora de estilo, nem sei mais o que é.

Acho o máximo quem consegue criar um look esportivo e ainda por cima ficar chic. Eu já tentei algumas vezes, até na época que eu usava salto com mais frequência, mas nunca me achava arrumada o suficiente, sabem? Fiquei com vontade de copiar só para tirar a prova dos 9 e ver se eu consigo ficar elegante assim. Se eu conseguisse passar 1/3 dessa elegância acho que já ficaria feliz.

Porque até na piscina a bicha sabe dar close certo. E não tem nada que eu ache mais chic do que um conjunto de biquini hot pants e camisa branca longa e aberta. Lembro que quando eu vi ela assim no dia da pool party, achei uma deusa, e essa foto reflete bem a plenitude que eu senti! rs

Olha aí um look sem salto que tem tudo a ver comigo! Quando vi esse look eu só conseguia pensar na regata gola alta. Eu acho o máximo para o verão, fica ótima com calças e shorts de cintura alta, sem contar que esse decote fechado no pescoço sempre me cativa. O único problema é que ela é justa demais para os meus padrões de roupas sempre largas, mas até isso eu to pensando em rever, sabia? Queria ter uma regata desse tipo só para ver se eu consigo perder o medo de usar peças mais coladas ao corpo, e a responsável por eu querer vencer uma barreira dessas (que pra mim é gigante) é ela. Musa de estilo, né mores. :)

Toda vez que olho esse look eu vejo uma mulher poderosa. Essa pantacourt levinha e cintura alta e essa regata larguinha na medida com a renda aparecendo parece que nasceram para viverem juntas, e eu fiquei morrendo de vontade de dar mais uma chance às pantacourts. Confesso que essa é uma peça que ainda acho ousada demais para mim, mas aí, quando vejo uma foto dessas, me dá a ideia de que é tão simples que inspira. E eu amo quando isso acontece.

Além de ser musa de estilo, diria que ela também é uma verdadeira musa capilar, por mais que meu cabelo não seja crespo e não tenha uma cor diferente a cada 15 dias. Acho incrível como ela não tem medo de mudar e como ela descobriu nas cores e uma forma de se empoderar, e isso é inspirador pra caramba. E eu, particularmente, adoro notar como mudar a cor não influencia no seu estilo e nas escolhas das roupas.

E é assim que eu diria que Maraísa é uma das minhas musa de estilo, que mesmo sendo tão diferente de mim na altura, na numeração e até mesmo na ousadia, sempre me faz pensar fora do quadrado. :)