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1 em Book do dia/ Comportamento no dia 05.02.2015

Book do dia: Bringing Home the Birkin, de Michael Tonello

Fiquei sabendo da existência desse livro depois de compartilhar com algumas amigas a minha experiência atrás de uma Birkin para a minha mãe. Foi uma saga que durou quase 2 dias, 3 lojas da Hermès em Paris, alguns vendedores nojentos, fila antes de abrir uma das lojas, encontros em outras Hermès com pessoas que estavam nessa fila e também à caça de uma Birkin (me senti em um episódio de go-see de America’s Next Top Model) e uma encarada na vendedora no melhor estilo “ah, não tem aqui? Então deve ter em Monaco, né? Se não tiver, Monaco é do lado de Cannes, dá para eu dar uma passadinha lá” para conseguirmos ouvir as palavrinhas mágicas da vendedora: “perai que eu vou ver o que posso fazer para vocês” (o nome da vendedora é Naomi e ela trabalha na Faubourg St Honoré, para quem quiser tentar rs). Até o desembarque das mercadorias do carro da transportadora para dentro da loja a gente viu enquanto esperava a loja abrir.

Juro que depois desses 2 dias – detalhe, ficamos um total de 4 em Paris, ou seja, metade da viagem – eu virei para minha mãe e agradeci que virei herdeira de uma Birkin sem fazer nada, já que eu nunca teria a paciência para ficar atrás de uma bolsa, por mais incrível que ela seja. E também agradeci porque a experiência, no fim das contas, virou uma história pra lá de interessante e engraçada! rs

Enfim, voltando a falar do livro, ele não é novo, é de 2008 – e Michael Tonello começou com esse “negócio” justamente quando a Birkin estava tão no auge, que para conseguir uma, você precisava entrar numa fila de espera de 2 anos. Hoje em dia eu acho que já não tem mais isso, tem?

Existe a versão em português, que se chama “Como entrei na lista negra da Hermès” (que aliás, é a tradução mais equivocada que eu já vi), mas eu não consegui comprar pelo Ibook. Como eu queria muito ler, acabei optando pela versão em inglês mesmo, mas acho que vale dar uma procurada!

resenha-bringing-home-thebirkinA sinopse é a seguinte: Motivado pela saga desesperada de muitas mulheres atrás de uma bolsa Birkin, o autor narra com um humor inteligente e sagaz, suas aventuras incomuns e conta como conseguiu driblar as enormes filas e adquirir, uma a uma, a bolsa mais falada entre os fashionistas. O ex maquiador e cabeleireiro conta como foi sua jornada para se tornar um empresário bem-sucedido, investindo na venda e revenda dessas peças tão cobiçadas. Ele traz também a sua experiência com as celebridades e com as pessoas que vivem de aparência.

Enquanto eu lia página por página, eu só conseguia pensar que precisava saber de tudo aquilo antes de encarar o desafio com os meus pais. Em meio às histórias da sua vida à procura das Birkins, ele conta a “formula” para driblar a tal fila e mapeia os tipos de vendedores. Acabei descobrindo que, sem querer e sem saber, fomos na vendedora certa! rs

Durante a leitura eu ri, eu fiquei chocada, eu não acreditei, eu achei ele muito doido e ao mesmo tempo muito genial, espirituoso e engraçado. É aquele livro que eu chamo de “só mais um capítulo”, aquele que apenas quando a última página é virada que você percebe que está há dois dias trancada em casa e só parou para tomar banho e dormir (em cima do livro, claro).

Para quem acha que precisa gostar desse universo de mercado de luxo, bolsas e moda para ler Bringing Home the Birkin, eu discordo. Acho que até quem nunca viu uma Birkin na vida, ou não tem ideia do que isso significa vai se divertir com o livro.

E quem se interessar e quiser saber mais, Michael Tonello tem um blog homônimo voltado para esse assunto que eu achei bem interessante!

Alguém já leu e também amou? E quem tiver dicas de livros com essa narrativa, pode me dar os nomes que eu já vou comprar! Amo esse tipo de leitura!

Beijos!

Carla

10 em Book do dia no dia 07.01.2015

Book do dia: Não sou uma dessas, de Lena Dunham

Assim que Lena Dunham lançou esse livro, vi que rolou uma pequena comoção nas redes sociais. Muita gente ama Girls, a série criada por Lena onde ela atua, produz, é roteirista e ainda por cima diretora.

Não é bem o meu caso, confesso. Eu vi todos os episódios até o momento, mas não é uma série que me cativou. Acho Lena Dunham inteligentíssima, interessante, segura e bem humorada, mas sempre achei Hannah, a sua personagem, o maior pé no saco de Girls. E algo me dizia que Lena não era muito diferente de sua criação (eu sei, é contraditório).

Por isso mesmo, não me interessei de imediato a comprar o livro. Até que um dia, num acesso de loucura que resultou em comprar vários títulos novos, ele veio na leva.

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Para quem não sabe do que se trata, a sinopse: Lena Dunham, apresenta uma coleção de relatos pessoais hilários, sábios e dolorosamente sinceros que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. Em Não sou uma dessas, Lena conta a história de sua vida e faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta.

Comparada a Salinger e a Woody Allen pelo New York Times como a voz de sua geração, Lena é conhecida pela polêmica que desperta e por sua forma única e excêntrica de se expressar e encarar a vida. Engajada, a autora revela suas opiniões sobre sexo, amor, solidão, carreira, dietas malucas e a luta para se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade.

“Já estou prevendo a vergonha que sentirei por ter pensado que tinha algo a oferecer”, escreve Dunham. Mas “se eu puder pegar o que aprendi e tornar alguma labuta mais fácil para você ou evitar que você tenha o tipo de sexo em que sinta que deve continuar de tênis para o caso de querer sair correndo durante o ato, então cada passo em falso que dei valeu a pena.”

Dessa vez, minha expectativa estava super alinhada com o livro, mesmo tendo visto alguns comentários decepcionados no insta, achando que a narrativa era um pouco estranha (o que sinceramente eu já esperava, ainda mais vindo de quem vem rs). Ele é todo cheio de pequenas histórias e eu me senti passeando na cabeça (bem) tumultuada de Lena, que por sua vez, realmente é parecida com Hannah.

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Achei que iria acabar cansando do livro da mesma forma que eu canso da personagem, mas me surpreendi bem positivamente.

Os capítulos são divididos em relatos de suas experiências e pensamentos sobre sexo, corpo, amizade e trabalho. É um livro leve, rápido, delicioso, muitas vezes engraçado e com várias passagens fáceis de se identificar (ainda mais se você estiver na fase dos 20 e poucos – ou muitos – anos).

Só que estamos entrando na cabeça de Lena Dunham, que é bagunçada, prolixa, super verdadeira e direta, e de vez em quando bem confusa e um tanto egocêntrica, o que me irritou um pouco. Muita gente disse que o livro é gostoso porque parece que você está em um bate papo com uma amiga, mas sinceramente, a não ser que a amiga realmente esteja precisando, uma conversa lotada de “eu-eu-eu-eu-eu” não é a coisa mais agradável do mundo (pelo menos pra mim).

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Tem uma hora que cansa, e eu achei que isso fosse acontecer em diversas partes do livro. Acho que só acabou não acontecendo porque, de repente, vinha alguma passagem que eu super me identificava e fazia meu nível de tolerância voltar aos parâmetros normais! hehehe

No fim das contas, achei um livro agradável de se ler. Acho que não estará na lista dos melhores do ano, mas é uma boa leitura de entretenimento!

Alguém já leu? O que achou?

Beijos!

Carla

2 em Book do dia/ Comportamento no dia 19.12.2013

Book do dia: O harém de Kadafi, de Annick Cojean

Já contei pra vocês que eu adoro uma história real. Livro ou filme, história de superação, triste ou feliz, tanto faz, é só eu ficar sabendo que nada do que está escrito ali foi inventado que já fico mais interessada.

Foi falando exatamente isso que me indicaram esse livro. Pelo título, já dá pra sentir que lá vem bomba, só não imaginava que era tão grande!

A jornalista Annick Cojean trabalha no jornal Le Monde, estava na Líbia na época da morte do ditador e acabou conhecendo uma mulher que revelou toda uma verdadeira história de terror que o país todo finge não saber.

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A descrição do livro é chocante, e muito triste: Um relato chocante do reino de terror de Muamar Kadafi e uma análise sensível do destino das mulheres vítimas desse sistema. Soraya tinha apenas quinze anos quando Muamar Kadafi foi visitar a escola onde ela estudava. No momento em que ela lhe estendeu um buquê de flores, ele colocou a mão na cabeça da menina e acariciou seus cabelos. Era o gesto secreto que sinalizava a suas guarda-costas que ele a havia escolhido. Soraya foi raptada e viu sua infância chegar ao fim. Durante sete anos, foi estuprada, espancada, forçada a consumir álcool e cocaína e depois integrada às tropas das “amazonas” de Kadafi. Neste livro, a conceituada jornalista Annick Cojean dá voz a Soraya, desvelando um aspecto pouco conhecido da ditadura de Kadafi – o abuso de drogas que estimulava a megalomania sangrenta do ditador e o cruel abuso sexual de jovens líbias, escolhidas entre aquelas que lhe chamassem atenção. Inúmeras mulheres tiveram o mesmo destino de Soraya, centenas provavelmente. Talvez nunca se saiba ao certo, pois o assunto ainda é tabu na Líbia. Annick Cojean arriscou sua vida ao ir a Trípoli investigar essa história. Ali, encontrou uma sociedade hipócrita e decadente, dilacerada pela prostituição, pela corrupção, pelo terror, por estupros e assassinatos. Em O harém de Kadafi, Annick Cojean possibilita que as vítimas do ditador líbio contem sua história para o mundo, devolvendo um pouco de dignidade à mulheres cuja vida foi destruída por um monstro.

Como dá pra sentir lendo a sinopse – que mesmo não dando margem à imaginação não te prepara para o que você vai ler – é um livro denso, pesado, triste, e pra mim, um tapa de realidade na cara. Daquele tipo que no minuto seguinte você está agradecendo à Deus pela vida maravilhosa que tem.

É revoltante saber que Kadafi pregava a libertação das mulheres publicamente, só andava por aí exibindo o seu exército 100% feminino (as amazonas) e, por trás, transformava a vida de várias meninas em um inferno. Mais revoltante ainda é imaginar como um homem que comandou um país por 42 anos conseguiu ficar tanto tempo no poder cometendo essas atrocidades.

Pra mim, porém, o que mais me deixou indignada foi saber que mesmo com a morte do ditador, muitas mulheres que sofreram os mais inimagináveis abusos preferem apagar esse passado. O motivo? Não querem ser renegadas pelos próprios pais, medo de não arranjarem um marido e até mesmo vergonha de serem julgadas pela sociedade. Ou seja, além de vítimas, elas também se sentem culpadas.

Apesar de pesada e muito triste, acredito que essa é uma história que deve ser lida!

Alguém já leu esse livro?

Beijos!

Carla