Browsing Tag

individualidade

0 em Autoestima/ Relacionamento no dia 13.05.2019

A importância da individualidade em um relacionamento

Recentemente, no grupo do Papo sobre Autoestima lá no Facebook, aconteceu um debate tão legal que quis trazer alguns pensamentos pra cá. A gente fala bastante sobre a importância de ser sua melhor companhia. Sobre independência. Mas ainda não falamos sobre um passo super importante: a individualidade em um relacionamento.

Foto: Marion Michele

Tem fases em que é mesmo difícil encontrar a sua individualidade. Aquele começo, que você praticamente quer ser um pedaço do outro, onde tudo é praticamente uma coisa só. Parece lindo encontrar alguém que tenha os mesmos gostos, pensamentos e vontades que a gente. Onde tudo parece tão fácil, que viver grudados e fazer tudo junto é um passo natural.

Mas se queremos falar de relacionamentos a longo prazo, a gente sabe que não é bem assim que a coisa funciona. O raciocínio é bem simples: para um relacionamento ser feliz é necessário que as duas pessoas estejam felizes.

E para a nossa felicidade acontecer, ter a nossa individualidade é essencial.

Por melhores que sejam os domingos maratonando Netflix. Ou fazendo atividades de interesses dos dois ou até mesmo sair com outros casais. No fim do dia, ter sua autonomia e individualidade te torna uma pessoa mais completa.

Individualidade inclui ter tempo pra si, para os seus interesses, vontades, sonhos e objetivos. Não estou dizendo que vocês não devem ir atrás dos sonhos juntos. Mas existem coisas que o outro não pode fazer por você, certo?

Ter seu momento pode ser desde sair para jantar com as amigas, ir visitar uma amiga querida que você não vê faz tempo, até mesmo ir ao cinema sozinha. Hoje em dia estamos tão conectados, e nem necessariamente fisicamente, que ter um tempo só pra gente é essencial.

Isso vai ter permitir poder olhar ao redor sem precisar procurar outras opções. Descobrir novos lugares, pessoas, ter outras ideias, ouvir novas historias. Cuidar de você com carinho e transformar isso em mais uma coisa a se dividir com o outro. A sentir falta, saudade, a tornar aquele encontro muito mais do que previsto – algo esperado.

Não importa o tipo de relacionamento que você tenha. A dinâmica do casal, os combinados e todas as variáveis que uma relação pode ter, bem como todas as suas fases. A única coisa que precisa ser inegociável e adaptada é a individualidade. Sendo completa sozinha, você se torna uma grande parte de um casal. E duas pessoas completas juntas desconhecem limites para ser felizes. Vai por mim.

2 em Comportamento/ Destaque/ Juliana Ali/ maternidade no dia 14.08.2018

Mini me? Não. Big you.

Fico um pouco aflita com essa moda de mãe e filha que usam a mesma roupa. Sabe, que você já compra igual, o vestido já vem na versão grande e pequena, pra fazer conjuntinho? Tenho plena consciência que é só uma gracinha, que não tem problema nenhum e que não devo subentender nada além de uma coisa de união, mamãe e filhinha mostrando que tem algo em comum, e é fofo.

É que trago para a minha própria experiência pessoal, e não consigo ver graça. Na infância eu mesma escolhia minhas roupas, e gostava disso.

Eu ia brincar no parquinho com uma saia de bailarina rosa, uma jaqueta jeans oversized cheia de broches, uma boina medonha (não tenho explicação para a boina) e o cabelo todo grudado de gel porque a ideia era ficar zoado que nem o da Madonna. Cresci nos anos 80, a gente queria ser a Madonna no vídeo de Like a Virgin. E minha mãe me deixava sair assim, toda esquisita. Afinal, pra mim, aos sete anos, não tava esquisita, tava belíssima.

Tive umas fases que nem te conto. Cheguei em níveis bem piores, prometo, mais tarde. E ninguém disse nada em casa. “Ela tá se expressando, deixa”, minha mãe falava para os outros, quando questionavam se ela ia deixar eu sair assim, MESMO. E, pra mim, ela dizia “tá linda”.

Depois que fiquei mais velha e mais auto consciente, olhava aquelas fotos da infância e dava risada, dizia “mãe, você era maluca de me deixar pisar fora de casa desse jeito”. “Olha filha, eu realmente acreditava que você devia se expressar, e não me metia”. Hoje, como mãe, acho que ela tinha toda a razão.

Não é fácil entender que o filho da gente é OUTRO. Que talvez, inclusive, acabe se tornando uma pessoa absolutamente diferente, com visões de mundo opostas à nossa até. Nossos filhos e filhas crescem dentro da gente, literalmente, por um tempo. Fomos NÓS QUE FIZEMOS aquela criatura. É como se ela fosse nossa mesmo.

Por isso acho que é tão difícil lidar com o fato de que não apenas ela não é nossa, como ainda por cima pode ser completamente diferente de nós e agir de formas que não tem nada a ver com o que esperávamos ou mesmo torcíamos.

Meu filho mais velho é autista. Nem me fale sobre agir da forma que eu não esperava, disso eu entendo. Ele não é e nem nunca será como eu imaginava. Minha filha mais nova cismou que é um elefante, já há alguns meses. Ela dorme, acorda, vai pra escola, com uma touca cinza que tem orelha, tromba, tudo, que já está imunda e não consigo lavar porque ela não larga por tempo suficiente. Sinto falta de ver o cabelo da Carmen, já quase esqueci como é.

ju-ali

E sabe? Tudo bem. Nossos filhos não são nossos “mini me” (se tem uma expressão que odeio, é essa). Nem nosso espelho. Nem nossas segundas chances de realizar sonhos frustrados na vida.

Eles são pessoas absolutamente independentes. E, quanto mais diferentes de nós eles forem, mais precisarão da nossa aceitação. Mais precisarão ouvir que “você tá linda”, quando a criança está de boina em um verão de 40 graus com gel de glitter escorrendo pela cara.

Pra mim, essa é a beleza da maternidade, no fim das contas. A surpresa diária de conhecer esse ser humano que era tão meu, tão meu, que morava aqui dentro. E, conforme o tempo passa, vai se tornando alguém com opinião própria, vontade própria, personalidade própria. Alguém que se expressa. E eu deixo se expressar. Pode ir pra escola com a touca de elefante sim, filha. Você tá linda.