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0 em #paposobremulheres/ Comportamento/ maternidade no dia 24.03.2018

Papo Sobre Mulheres: Estou grávida e me deixe sentir

Não existe nada tão polêmico como a gestação. Ao meu ver, acredito que seja exatamente porque estou grávida que ouça mais opiniões agora sobre o assunto gravidez do que qualquer outra coisa – e provável que quando meu bebe nasça, eu diga que o assunto mais polêmico é a maternidade e assim por diante. Acredito que não seria tão polemico se todas as pessoas considerassem que apesar de mulheres, somos todas únicas com nossa experiências, historias, características e percepções.

Fato é que algumas de nós estamos inundadas de felicidade ao mesmo tempo que se encontram numa mistura de sentimentos e sensações. Para muitas mulheres será o primeiro encontro com sua própria sombra e muitas vezes isso é assustador.  Para outras, é um processo maravilhoso. A gestação é um momento em que muitas mulheres pela primeira vez vão descobrir inúmeros fenômenos em seu próprio corpo e, em meio a inúmeras tarefas físicas e emocionais, terão que descobrir e decidir o que farão com isso. E acredito que não seria tão polemico se todas as pessoas considerassem que, apesar de mulheres, somos todas únicas com nossa experiências, historias, características e percepções.

Eu me sinto extremamente feliz e agraciada, mas tenho que admitir que a parte mais difícil da minha gestação tem sido as pessoas. Acredito que isso não é algo que aconteça só comigo e suspeito até que seja por isso mesmo que estou escrevendo aqui para vocês (risos).

Independente se você está tendo uma boa gestação ou não, se você está se sentindo bem (ou linda, ou realizada) ou não, se você está enjoando (ou com sono, ou indisposta) é provável que concorde que uma das partes mais chatas e difíceis da sua gestação é lidar com tantos julgamentos sobre você e seu bebê. Ou seja, o que sentimos pode até ser ruim, mas pior que sentir talvez seja o que temos que aturar por conta disso. Sendo assim, resolvi trazer esse tópico para nossa reflexão.

Recentemente percebi o quanto o mundo quer limitar o nosso sentir nessa fase tão cheia de sentimentos, e achei um ótimo exemplo para essa pauta.

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Há pouco tempo perdi uma querida amiga de infância que faleceu aos 30 anos por uma doença extremamente agressiva. Mesmo morando em países diferentes, passei 2 meses lutando com ela, em ligações quase que diárias na tentativa de conseguirmos desacelerar o processo, e infelizmente há duas semanas ela se foi. Como médica, e até mesmo pela minha historia pessoal de vida, esse é um cenário que faz parte da minha vivência, mas é impossível dizer que eu não fiquei profundamente triste. Por mais que eu entenda que minha amiga descansou e enfrente isso até de uma maneira leve, eu recebi muitos comentários lindos, alguns somente curiosos e o que mais recebi de pessoas distantes e próximas foi: “você não pode ficar triste porque está gravida” O QUÊ???

O mais curioso é que em nenhum momento passei que estava fragilizada ou desesperada. Aliás, eu não estava pois, como falei, pela minha construção pessoal eu aprendi a lidar bem com situações assim. Mas pera aí, mesmo que eu estivesse desesperada, fragilizada e grávida, acredito que não haveria nada de errado nisso. Quando vejo uma pessoa perder alguém amado tudo o que eu não imagino é que ela vai ficar alegre, esteja ela grávida ou não.

Acho esse exemplo perfeito para ilustrar como as opinões das pessoas podem nos intoxicar. Nós não escolhemos muitas coisas, e certamente sentir é uma delas. Acredito particularmente que até decidimos o que fazemos com o que sentimos, mas não é uma escolha estar alegre ou triste,. A vida é feita de momentos, e sentimentos fazem parte dela. Minha filha provavelmente já sente coisas boas e ruins.

Não adianta eu me podar , isso nasce com a gente, é inerente a todo ser humano. Eu não vou deixar de chorar porque perdi alguém que amo demais para não passar isso para ela (só eu que acho isso algo muito estranho, pra não dizer louco?). Pelo contrario, ao chorar e sentir eu sempre explico que assim será a vida, não importa o quanto eu tente poupá-la, ela vai se machucar as vezes, chorar, ficar triste e não tem nada demais nisso, pois isso faz parte do processo que é viver.

Antes de falarmos qualquer coisa para uma mulher, ainda mais uma mulher gravida, devemos pensar que ela tem uma história pessoal e singular. Acredito que tudo que precisamos é nos sentirmos acolhidas umas pelas outras, pois assim, por mais difícil ou deliciosa que uma gestação seja, certamente ela será mais fácil de ser vivida. Por um mundo com mais sentimento, empatia, sororidade, por gestações livres de julgamentos. To grávida, e dai ?! Me deixa sentir. Me deixa viver!

2 em Comportamento/ Convidadas/ Gravidez/ Saúde no dia 20.05.2016

Saúde: A pressão pela volta do peso e do corpo após o nascimento do bebê

Recentemente vimos a entrevista de uma atriz famosa à uma revista onde ela disse que durante sua gestação procurou um profissional de nutrição para não ganhar muito peso nesse período. Por conta disso, embarcou em uma dieta com a redução drástica de um dos grupos alimentares mais importantes – o dos carboidratos – e que contava ainda com períodos de jejuns prolongados. Tal declaração deu o que falar e tanto a atriz como a nutricionista se pronunciaram dizendo que esse tipo de dieta aconteceu após a gravidez.

A verdade é que cada vez que uma mulher famosa anuncia que está grávida, a pressão e algumas polêmicas surgem. Parece que todos querem ver “em quanto tempo ela vai voltar ao seu corpo” ou em qual “velocidade da luz” a famosa vai perder os quilos adquiridos.

POSGRAVIDEZVocê já parou para pensar que isso não é saudável para ninguém? Vamos aos personagens desses fatos: a famosa que sofre essa pressão por todos os lados, a mulher comum (sim, você que está lendo essa coluna), os profissionais de saúde que acompanham a famosa, a mulher comum ou qualquer outro tipo de paciente.

1) A famosa: Primeiro, vamos nos colocar no lugar delas. Já imaginou o que deve ser viver em um ambiente onde seu corpo, seu peso, suas celulites ou gordurinhas indesejadas viram pauta de toda revista e programa de fofoca? E de como essas mesmas revistas e programas as consideram “bem sucedidas” quando consegue voltar ao corpo de antes?  Não podemos afirmar com todas as letras mas, muito provavelmente, essa famosa deve ter junto a ela médicos, nutricionistas, educadores físicos, profissionais de estética e outros tantos profissionais que acabam propondo condutas não muito convencionais para atingir a tal meta da “velocidade da luz”. Isso, misturado com a pressão, pode levar a famosa a procurar estratégias contrárias à natureza que não são muito saudáveis.

2) A“mulher normal”: Vamos lá….sim, eu sei que você também quer voltar ao seu peso pré gestacional, ao seu corpo como era antes, de preferência também na tal “velocidade da luz” pois alguém em algum momento, mesmo que inconscientemente ou indiretamente colocou isso na sua cabeça (Sites? Revistas? Uma pessoa próxima? Um profissional de saúde mal preparado….xi, tanta gente!). Acontece que muito provavelmente você não vai ter esse “esquadrão da beleza” ao seu lado (o que não costuma ser divulgado no caso das famosas) e aí, o que acontece? Você não perde o peso adquirido na gestação de forma rápida, você não chega no corpo “capa de revista” (que é completamente construído por outra vasta gama de profissionais – um dia vamos falar sobre isso) e isso vai te gerando angústia, incômodo, sentimento de fracasso e derrota, o que para muitas pessoas acaba gerando mais fome, mais consumo de alimentos e, consequentemente, ganho de peso. Você já deve ter se pegado pensando “mas por que a tal famosa conseguiu perder o peso e ficar com a barriga chapada 2 meses depois de dar a luz e eu não consigo?”…. isso acaba com a sua auto-estima, com a forma como você se vê, como os outros te vêem. Uma confusão só!

Veja bem, você levou 9 m-e-s-e-s para ganhar esse peso, para nutrir de forma saudável a você e a seu bebê, você acha que é saudável perder 10, 12, 15 ou 20kg em apenas 2 ou 3 meses?

A natureza é sábia, e sabe como? Aleitamento materno é um dos grandes aliados na perda de peso pós parto (sim, mais um motivo para você insistir e amamentar o seu bebê!), comer de forma saudável também é outra forma para atingir a perda de peso adquirido na gestação, além de atividade física orientada por um profissional capacitado. E o mais importante e uma dica que pouca gente pensa ou fala: não tenha pressa.

3) Os profissionais de saúde: Você não acha que somos completamente pressionados a atingir a meta da paciente quando elas nos procuram querendo ter o mesmo peso e corpo que a famosa que falamos acima? As pessoas estão fazendo qualquer coisa hoje em dia para perder peso e pedindo as maiores loucuras aos profissionais de saúde, mas cabe a nós não cedermos a essa pressão e orientar o paciente de forma correta, ética e principalmente realista. Assim evitamos frustrações.

Por fim resolvi levantar algumas ideias para a gente pensar:

– Aliviar a pressão: Que tal as famosas e os meios de comunicação pararem com essa pressão generalizada?

– Acolhimento: Que tal menos matérias de como a fulana emagreceu “na velocidade da luz” e sim mais matérias sobre como elas estão no papel de mãe e por ai vai!

– Foco no que realmente importa: Que tal as “mulheres normais” pararem de se cobrar tanto, dar menos importância a isso e se preocuparem com o que realmente importa, que é o momento lindo que é a gestação, a construção de uma família, a chegada de um bebê tão especial. Vá curtir esse momento único na vida de uma mulher. Você é você, não se compare a todo mundo!

No fim, só uma verdade é absoluta: você pode até voltar ao peso que você tinha na balança, mas com certeza você se tornou uma pessoa completamente diferente após o nascimento do seu bebê. Isso é o mais importante, passe essa mudança adiante. Vá curtir o seu bebê e essa nova fase da sua vida sem neuras!

banner-camilla-estimaVocê também pode gostar dos textos da experiência da Carla sobre o assunto:

- Gravidez: as mudanças do meu corpo
#babynofuti: o corpo voltando para o lugar
5 em Comportamento/ Gravidez/ maternidade/ Reflexões no dia 15.02.2016

#babynofuti: as mudanças no corpo

Um dos meus maiores grilos em relação à gravidez sempre foi um dos mais fúteis mas que eu sei que acontece com muitas mulheres: as mudanças no corpo. 

Será que eu vou engordar muito? E se eu nunca mais voltar ao meu corpo de antes? Meu peito realmente vai cair? O quadril vai ficar mais largo a ponto de eu nunca mais entrar nos meus shorts e calças? Essas perguntas podem parecer bobas, mas tenho plena consciência que passam pela cabeça de 11 entre 10 mulheres e eu estava entre elas.

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Conversando com pessoas próximas e amigas, vi muitas que voltaram ao corpo de antes rapidamente, outras que demoraram um pouco mais, algumas que nunca mais voltaram e até hoje encontram dificuldades. Não existia um padrão e isso me deixava apavorada! A única coisa que eu sabia era que aquela história de barriga sarada depois de 1 ou 2 meses acontece com 1% de todas as mulheres do mundo, e tinha certeza que não fazia parte desse seleto grupinho. Pelo menos era isso que eu pensava.

Em relação ao peso, para o meu espanto, com um mês descobri que já tinha perdido 8 dos 10 quilos que eu tinha engordado. Claro que o fato de eu ter permanecido ativa antes e durante toda a gravidez e o fato de eu cuidar da minha alimentação com certeza ajudou com que minha realidade acabasse sendo muito melhor do que minha expectativa mas mesmo assim, a mudança foi perceptível.

Minha barriga não está como antes, ainda estou com uma parte bem inchadinha em cima da cicatriz (já to sabendo que vai continuar assim por mais alguns meses) e esse tempo que eu fiquei parada fez com que o corpo todo desse uma caidinha, assim como meu condicionamento físico que foi para o beleléu. Só que eu percebi – com alguma surpresa – que eu olhava para o espelho, via todas essas mudanças e não me importava tanto quanto achei que me importaria. Foi tudo muito mais natural do que eu imaginei.

1 mês depois do Arthur. A parte mais visivelmente inchada o short escondeu (ainda bem, né? ehehe), mas a barriga ainda está meio flácida, mas bem menos do que eu achava que estaria!

1 mês depois do Arthur. A parte mais visivelmente inchada o short escondeu, mas a barriga ainda está meio flácida, mas bem menos do que eu achava que estaria!

Uma das pessoas que mais me inspirou a não surtar com isso – por incrível que pareça, já que não a sigo mas acabei caindo no seu perfil mais ou menos na época que ela engravidou porque fui pesquisá-la para um DQF – foi a Bella Falconi. Ela, que era saradíssima antes de engravidar a ponto de ter feito loucuras para conseguir chegar no corpo perfeito, mostrou um pós parto bem realista e saudável, dando tempo ao corpo e respeitando cada fase. Toda semana eu dava uma passadinha no perfil dela para acompanhar e acho que foi assim que fui me preparando.

Claro que o fato da prioridade mudar faz toda a diferença na cabeça, mas acho que não querer se pautar nos exemplos raros – isso é, modelos, atrizes ou aquela sua amiga que no mês seguinte já está com um corpaço – tem toda a sua importância. É essencial fazer tudo focando na saúde da mãe e do bebê, jamais do tanquinho. 

Assim como sabemos (mas nem sempre seguimos) que é melhor não focar em capas de revistas com mulheres que já têm um corpo bonito e ainda passam pelas mãozinhas do Photoshop, acho que tentar se espelhar em mães que são exceções também é roubada. É entrar numa onda que pode não ser a sua e que pode virar um desrespeito ao próprio corpo.

Eu amei a forma como a Bella lidou com o seu corpo pós parto! Hoje, 5 meses depois da Vicky nascer, ela já está praticamente com o corpo de antes, mas deu para ver claramente que ela não teve pressa nem neurose nenhuma para conseguir esse corpo de novo!

Eu amei a forma como a Bella lidou com o seu corpo pós parto! Hoje, 5 meses depois da Vicky nascer, ela já está com o corpo de antes, mas deu para ver claramente que ela não teve pressa nem neurose nenhuma para conseguir chegar nesse estágio de novo!

Também acho mais do que válido conversar com o máximo de amigas e conhecidas sobre o assunto e procurar exemplos com expectativas mais dentro da normalidade (como eu curti acompanhar a volta da Bella Falconi). Desmistificar o corpo pós gravidez foi de uma ajuda enorme para mim. Ter conversado com amigas e saber que todas estavam passando pelas mesmas estranhezas que eu em graus diferentes me deu um alívio e uma tranquilidade muito grande para encarar essa volta sem pressa e sem neurose.

Acho que por isso eu resolvi abrir esse assunto por aqui, afinal, a autoestima pode ficar um pouquinho abalada e quanto mais a gente descobre que está passando por algo normal, mais fácil a gente entende que está tudo bem. Só sei que descobri nessa experiência que não adianta se apavorar com o que pode acontecer. Seu corpo pode nunca mais ser o mesmo, mas quem disse que ele não pode mudar para melhor? :)

Como foi esse período para vocês que já tiveram filhos??

Beijos