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0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque no dia 07.02.2019

Palavras têm poder. Você já pensou no peso das suas?

As palavras tem poder. E por mais que pareça óbvio, nem sempre isso fica tão claro assim. Quando digo isso, não quero falar apenas da escolha de palavras positivas para atrair coisas boas ou desejar outras tantas. As palavras também podem acabar com a autoestima das pessoas. Elas têm o poder de impactar alguém positiva e negativamente, deixando marcas. E esse poder não tem força apenas momentaneamente.

Já que palavras têm poder, devemos ser mais responsáveis com as palavras que escolhemos.

Pense em casos de pessoas que carregaram medo, culpa, outras angústias e inseguranças. Provavelmente em algum momento, alguém disse algo para elas que causou isso. Algo que construiu essa crença limitante. Palavras deixam legados. Em crianças e adolescentes, elas podem deixar marcas pesadas.

Frequentemente vemos casos, seja na vida ou no grupo do Papo no Facebook, em que pessoas ficaram emocionalmente abaladas com o que para o outro foi apenas um comentário. Muitas vezes algo falado sem intenção de maldade. Apenas por falta de tato ou por falta de consciência. Só que não controlamos como o outro recebe essa informação, e isso pode ter, sim, um impacto mais profundo. Afim de evitar isso, precisamos lembrar que palavras têm poder. E que podemos dosar e rever se nossos comentários têm doses de preconceito, crueldade ou carregam algum estigma que pode fazer mal à outra pessoa.

Buscando uma escolha mais responsável e produtiva no que falamos é que a empatia se faz tão importante!

Não podemos controlar o impacto que as nossas palavras terão sobre a vida da outra pessoa que vai ouvir. Por isso, se botar no lugar do outro é tão importante.

É egoísta demais pensar que “eu sou responsável pelo que eu falo, não pelo que o outro entende”. Um argumento como esse nos isenta de pensar com responsabilidade no peso que nosso julgamento tem sobre a vida do outro. Justamente porque o outro é um ser humano, e tem suas falhas, assim como eu e você! O outro pode ser impactado de uma maneira péssima porque alguém, no auge do próprio egocentrismo, não pensou em como a outra pessoa iria se sentir ao ouvir o que foi dito.

Isso não significa que você não possa ser sincero e honesto com as pessoas que você ama. Muito menos que não possa alertar alguém que esteja fazendo que não seja tão legal. Eu sou daquelas que acredita que amizade verdadeira é aquela que puxa a sua orelha quando necessário. Porém, é possível dizer coisas duras sabendo que minhas palavras têm poder. Dessa forma, consigo encontrar um jeito que não magoe ou que prejudique a autoestima do outro.

“Ah, mas se eu viver tendo cuidado com fulana, ela nunca vai amadurecer. O mundo não é assim”.

Realmente não é, mas você pode ser! Você pode ser quem vai começar a mostrar às pessoas ao seu redor que podemos ser mais amorosos, cautelosos e gentis com quem gostamos e convivemos. Pessoas diferentes respondem a estímulos diferentes, nem todo mundo reage de forma positiva e produtiva à comentários cruéis.

Tenha sempre em mente que as palavras têm poder. Mesmo quando parecem brandas, mesmo quando parece que não é grave. Nós não estamos na pele do outro para saber a dimensão que isso pode ter. Por isso, e justamente por isso, é importante que sejamos sempre empáticos e façamos o possível para se colocar no lugar do outro.

Traga pra você: seria útil e proveitoso receber esse conselho? Ótimo, dê o conselho sem diminuir o esforço do outro, escolha bem as palavras. Você se magoaria com as palavras que está usando? Se sim, reformule a frase. Ao repensar, viu que era apenas um julgamento por você pensar diferente do outro? Repense se vale a pena impor sua verdade, dado que seus valores são diferentes!

Dar o verdadeiro peso para o legado das nossas palavras é também um ato de auto responsabilidade.

Quanto mais refletimos sobre o que realmente queremos dizer, menos julgamos o outro a partir do nosso umbigo. Projetamos menos de nós nele e assim podemos aprender mais com essa troca.

Esse cuidado pode mudar completamente a nossa forma de se expressar e, consequentemente, melhorar significativamente a qualidade das nossas relações.

Trabalhar a nossa autoestima de uma forma generosa é entendermos que temos responsabilidade com o processo de desenvolvimento da autoestima do outro. Então, que tal não prejudicarmos a autoestima de quem a gente ama? Que tal assumirmos que nossas palavras têm poder e entender o que podemos fazer para sermos melhores?

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0 em Autoestima/ Moda no dia 01.11.2018

Uma dose de empatia, ou um relato de uma Menina Malvada regenerada

Quem aqui já riu/chorou/se identificou com a saga de Regina George e sua frenemies (amiga-inimigas em tradução livre) em Mean Girls?

Eu já.

Quando o filme foi lançado (2004) eu já era adulta. Recém-formada na faculdade de direito e de casamento marcado, o filme não era para pessoas da minha idade. A verdade é que em 2004 eu estava muito mais próxima de 1998 (ano em que me formei no colegial, atual ensino médio) do que dos dias de hoje. Por isso, ainda estava fresco na minha cabeça os dias de escola e o quão hostil esse ambiente pode ser.

Aliás, pausa para a resenha: se você nunca assistiu a esse filme, assista. Parece mais um filme bobo de high school gringo mas ele é cheio de críticas. Algumas sutis, outras bem escancaradas, mas todas super pertinentes. Ele já é meio antigo e talvez algumas piadas já não tenham tanta graça, mas vale a lição.

De todas as personagens do filme, eu me identifico mais com a Cady, personagem da Lindsay Lohan. Apesar de não ser nada ingênua e entender muito bem como aquele ecossistema funcionava, ela oscilava entre ser uma pessoa legal e uma menina malvada. Ao mesmo tempo que chamava a menina que ficava sempre sozinha pra fazer trabalho em grupo, também botava apelido em todo mundo. Mesmo quando isso não era parte de uma brincadeira consensual.

Ou seja, de uma forma ou de outra, eu já fiz parte do squad de Regina George, a personagem que define o que é uma menina malvada.

Os anos passaram e hoje eu sou a prima “””chata””” que alerta as pessoas sobre gordofobia. A amiga “””azeda””” que não ri das piadas que reforçam a pressão estética sobre as mulheres. A sobrinha feminista que corta o clima do almoço de domingo por não aceitar machismo disfarçado de carinho/preocupação. A mãe pentelha que não concorda com a máxima de que “criar filho homem é mais fácil”. A “politicamente correta”, terror da galera que diz que o mundo tá chato.

Enfim… e o que me fez mudar tanto?

Claro que a maturidade ajuda. A maternidade também. Mas isso, por si só, não te faz dormir de consciência tranquila.

O que me fez mudar foi a empatia.

"Ela parece uma ET" - Sim, provavelmente Regina George estaria falando isso de mim nessas horas

“Ela parece uma ET” – Sim, provavelmente Regina George estaria falando isso de mim nessas horas

Não a empatia de me colocar no lugar do outro, mas a empatia de olhar para o outro como eu gostaria de ser olhada. Saca a diferença?

Eu não gostaria de ter ninguém comentando meu corpo, minha roupa, meu corte de cabelo, meu jeito de falar/andar/sorrir/sei lá. Então, por que falar do corpo, da roupa, do corte de cabelo do outro?

Nesse meio tempo, eu acabei virando consultora de estilo. Aí você me pergunta: “E o que isso tem a ver?” Calma que eu vou chegar lá.

Bom, depois que passei a trabalhar como consultora de estilo, passei também a ser bombardeada com comentários do tipo: “Fulana se veste mal, né?” “E essa daí? Não se enxerga? Você devia dar uns toques pra ela…”E por aí vai.

E desde então faço um exercício diário de não julgamento do outro (confesso: nem sempre é fácil). Tento sempre mostrar para as pessoas que se não pediram minha opinião, qualquer “toque” que eu der vai ser apenas um julgamento disfarçado de dica, sabe?

>>>>>> Veja também: Trago verdades. Nem todo mundo quer parecer mais alta e mais magra <<<<<< 

Agora sim, vou falar o que isso tudo tem a ver com empatia e autoestima.

A consultoria de estilo é muito mais um trabalho sobre pessoas do que sobre roupas ou moda. O que a pessoa é, o que ela sente e o que ela quer sentir é muito mais importante do que o que eu acho bonito ou feio ou que está ou não na moda.

Ao fazer esse exercício diário de tentar não julgar os outros, percebi que minha autoestima melhorou. Exercer a empatia fez com que eu me tornasse mais consciente de mim. Explico melhor:

Quando eu paro de procurar defeito nos outros, eu paro de procurar defeito em mim. Quando eu valorizo a história de vida dos outros, eu consigo valorizar a minha própria história, ainda que elas sejam completamente diferentes. Quando eu entendo de onde vem a dificuldade do outro eu me sinto à vontade para admitir as minhas próprias dificuldades – e, com isso, fazer alguma coisa para superá-las e, portanto, crescer.

É aquela velha história de treinar o olhar, treinar o meu próprio foco – onde vou colocar atenção: no meu nariz que eu não gosto tanto ou nos meus olhos que eu acho lindos? E quando eu ajusto o foco para os meus olhos, eu nem percebo que o nariz não me agrada tanto. E aí eu consigo encontrar um primeiro passo pra começar a me sentir bem na minha própria pele.

Percebem a diferença?

Agora fala pra mim, onde você vai começar a prestar atenção? No que você gosta, no que você acha que deve ser valorizado, no que você jogaria um canhão de luz em cima, se pudesse (rs), ou no que você gostaria de mudar? (lembrando que tudo bem não gostar de tudo, tudo bem querer mudar algo).

E como sempre, é mais fácil começar a fazer isso com e para os outros. Quando você começa a ver beleza onde você não via antes, você naturalmente passar a ser mais tolerante, empática e acolhedora com você mesma. E aí, não tem Regina George que te faça achar que fazer parte das Mean Girls é uma coisa interessante.

Tenta! :-)

0 em Autoconhecimento/ Autoestima/ Destaque/ Juliana Ali no dia 04.09.2018

Empatia pra quem? A importância de olhar o mundo do outro!

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Essa é a minha microfábula preferida, de toda a vida. Me toca profundamente. Especialmente a imagem. O macaco, alheio, contente, imaginando que acabou de fazer algo tão bonito, abraçadinho com o peixe, tão bem intencionado. Mas matou o peixinho.

Entender o mundo do outro se traduz em empatia, essa palavra já cansada, enjoada, super exposta, usada á exaustão nos últimos tempos e que já se esvaziou pra tanta gente justamente por isso. Então pode trocar de nome, se preferir. Pode ser também solidariedade, compreensão, tem muitos sinônimos.

Além desse problema da palavra ter sido usada demais, existe também um pior: seu sentido foi largamente perdido, talvez até nunca compreendido por muitos. Tenho visto EMPATIA sendo usada como uma palavra chave que a pessoa grita em momentos estratégicos, justamente em momentos onde ouviu algo que não gostou ou que não concordaram com a sua opinião. “CADÊ SUA EMPATIA? ME RESPEITA!”

Empatia é justamente o OPOSTO. Ela não é pra pegar para si, é para oferecer aos outros. Você pode até usar quando alguém critica algo que você falou, mas use ao contrário: aponte para a pessoa, exerça você a empatia. Tente refletir sobre o porquê dela estar incomodada. Como será o mundo dela?

Tem uma página no Facebook que já me arrancou altas gargalhadas que chama White People Problems. Se você não conhece, ela faz graça com o “sofrimento” de ricos e famosos – ás vezes só ricos mesmo. Então tem a Ana Hickmann reclamando que tá frio em Paris ou o filho do Mick Jagger muito deprimido porque foi morar em Nova Iorque e sente saudades dos amigos do Brasil. Faço um paralelo com uma frase que vejo muita gente dizer: “Nenhum sofrimento é pequeno, todos são válidos, para você pode parecer bobagem, mas para a pessoa não é.”

Isso é verdade, mas também não é. Veja. Não tenho dúvidas de que Ana Hickmann ficou realmente frustrada com o frio inesperado em pleno verão parisiense, e que o Lucas Jagger estava morrendo de saudades dos seus amigos. Inclusive, é possível que naquele momento, aqueles fossem os MAIORES problemas das vidas deles. Porém, há que se ter noção do mundo do outro, e ainda há que se ter noção do mundo PONTO.

É um grande privilégio poder morar em Nova Iorque ou ver a chuva caindo sobre a torre Eiffel. Tem gente que daria um rim para viver esse momento. O que é seu azar pode ser a maior sorte da vida de outra pessoa e, quando você reclama de uma coisa dessas, você pode estar afrontando alguém. 

Sei que vai ter gente pensando: “mas peraí, agora não posso expor minhas dores só porque tem gente pior que eu? Porque eu sou privilegiada e outras pessoas não?” Acho que todo mundo pode expor qualquer dor, mas também acho que é bom se preparar para receber críticas ou até mesmo deboches (como é o caso da página que eu citei) porque faz parte da exposição. Do contrário, melhor evitar expor essa dor publicamente.

Mesmo assim, quando essa afronta é apontada, acho que vale a pena botar a mão na consciência e tentar EXERCER a empatia, e não PEDIR, pois o privilégio é TEU. No mundo do outro, talvez, Nova Iorque seja tão distante e impossível de chegar quanto a lua. A gente tem que ter uma parada chamada perspectiva, senão vamos:

  1. Sofrer á toa
  2. Passar a vida focando em “sofrimentos” menores, sem aproveitar grandes maravilhas que temos
  3. Matar um monte de peixe afogado, sem a menor necessidade

Vejo também um outro problema acontecendo com a tal da empatia: sobra empatia para quem é parecido, e falta muita para quem é diferente. Ou seja, a macacada tudo empatizando um com o outro, mas com o peixe, nada.

Magra empatiza com magra, mas a gorda é feia e preguiçosa. Branca empatiza com branca, mas a negra só serve pra ser empregada. Rica empatiza com rica, mas chega a pobre mostrando uma outra visão de mundo, Deus me livre, quem é essa ignorante.

Se o macaco desse uma chance pro peixe contar o que precisa, não é? Se desse tempo de ouvir o peixe. Ah, que importante é entender o mundo do outro.