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crônicas

1 em Comportamento/ Destaque/ Estados Unidos/ Futi em NYC no dia 24.01.2018

Ela disse adeus

Uma das primeiras coisas que me alertaram quando me mudei para NY foi para eu não me apegar tanto às pessoas, pois essa é uma cidade de passagem. Como toda cidade cosmopolita, tem quem chegue, se encontre e segue a vida agarrando oportunidades, tem quem receba propostas em outros cantos e vai viver novas aventuras e tem também quem não se adapta e volta.

Até o momento eu só estava vivenciando a parte que as pessoas chegam. E essa parte é muito gostosa, não vou negar, parece que a vida vira uma festa constante. “Uhu, vem cá, vamos dominar essa cidade!”. A gente se diverte, combina de ir com as crianças no parquinho, no teatro de fantoche (onde a personagem principal, Clementine, vai para o Burning Man – coisas de Williamsburg), se encontra para beber um vinho depois que as crianças vão dormir ou enquanto as crianças estão brincando. Vai até pra balada (sem crianças, claro).

Eu sei que me alertaram para que eu não me apegasse, mas ei, vocês estão falando com uma canceriana. Eu sei que sou um pouco fajuta, mas sou canceriana. Apego é meu sobrenome. Vamos somar isso com o fato que é muito mais fácil se afeiçoar de alguém quando os perrengues são compartilhados e temos questões em comum.

Até que no final de dezembro a confirmação do que era apenas uma possibilidade remota veio: “Carla, estamos nos mudando. Na metade de fevereiro (sim, daqui a menos de um mês!)”. Meu mundo caiu um pouquinho.

Por incrível que pareça, não tinha foto com ela. Mas tenho dos nossos filhos, e a convivência entre os dois foi um dos melhores presentes que NY me deu.

Por incrível que pareça, não tinha foto com ela. Mas tenho dos nossos filhos, e a convivência entre os dois foi um dos melhores presentes que NY me deu.

Ela foi uma das primeiras pessoas novas que eu conheci aqui. Olhem que coisa doida, fui apresentada porque ela é amiga de uma amiga da minha amiga. Sendo que eu não conheci essa amiga da minha amiga. Não to de brincadeira, o grau de separação era esse mesmo, digno de uma história meio fantasiosa. No começo não levei fé nesse tipo de apresentação tão distante, só que calhou da gente morar no mesmo prédio e ter filhos com uma diferença de idade de mais ou menos 6 meses. E dela ser muito legal, acolhedora, agregadora, generosa e bem incrível, pra não economizar nos elogios. Em menos de 6 meses foi o tempo que levou para ela sair de “conhecida do prédio” para minha rede de apoio, não é à toa que essa não é a primeira vez que eu falo dela aqui no blog.

Não estávamos apenas na mesma cidade ou no mesmo prédio, mas estávamos na mesma situação de mães brasileiras que estão cuidando exclusivamente de seus filhos, passando por momentos muito parecidos. A medida que fomos nos aproximando, ela passou a ser minha companhia quando meu marido viajava, minha saída para tardes tediosas e o fato de termos filhos com a idade parecida fez com que playdates virassem tardes deliciosas. Ela me ensinou a depender da Amazon para tudo, ela me influenciou em coisas que eu nunca imaginaria que seria influenciada, e ela me ensina todo dia um pouquinho, até mesmo sem saber. E eu jurava que teríamos mais tempo.

Até que recebi a notícia e por dentro ficou um vazio. Egoísmo meu, eu sei, que as vezes gostaria de manter as pessoas em um potinho, de congelar momentos. Ao mesmo tempo, o coração ficou quentinho. É bom ver que a pessoa está feliz, esperançosa que a nova vida vai ser maravilhosa, com expectativas boas para o que vem por aí.

E aí eu entendi que, na verdade, não é só NY que é uma cidade de passagem. Todas são. Hoje em dia a maior parte das minhas amigas não moram mais no Rio de Janeiro. Teve quem foi pro Espírito Santo, muitas para São Paulo, assim como eu também fui. Lá em 2010, a quantidade de cariocas indo morar em terras paulistas era enorme, hoje toda a turma que foi para lá, se espalhou pelo mundo. Tem gente que voltou para o Rio, gente que foi para Paris, Londres, Nova York, California, até mesmo Singapura!

Parando para ver nessa perspectiva, diria que sou escolada em idas e vindas. Aprendi a viver com a distância com tanta gente querida para mim, mas acredito que morar fora potencializa essa sensação de perda – e também de solidão. Mas no fim das contas, não estou sozinha. Tampouco ficarei sozinha. E taí, mais um aprendizado que eu tiro dessa experiência. :)

1 em Autoconhecimento/ Autoestima/ crônicas/ Destaque no dia 28.09.2017

Te perdi porém me reencontrei

Quando tudo começou, eu te botei em um pedestal. Tudo culpa da minha admiração platônica que vinha de anos. Por muito tempo te acompanhei à distância, vendo tudo que era publicado em seu nome. Até que um belo dia uma amiga em comum nos apresentou e quando eu me vi, já estávamos batendo um papo aqui, outro ali. E o que eu só imaginava nos meus melhores sonhos aconteceu: eu conquistei sua atenção.

Te achava incrível, tinha a impressão que ser vista ao seu lado era símbolo de status e de respeito. Ser elogiada por você massageava meu ego e eu me sentia a pessoa mais incrível do mundo. Ter o seu aval era importante, te ter me endossando também. Até que eu descobri que eu podia te perder.

Não queria aceitar de primeira. Na verdade, quando meu cérebro registrou que seu histórico de relacionamentos nunca foi dos mais estáveis, eu tentei ignorar. Imagina, eu seria a pessoa que mudaria isso. Aliás, eu ERA a pessoa que te entendia tanto que me tornaria imprescindível.

ilustra: melody hansen

Só que aí eu fui mudando, tentando me adaptar à sua instabilidade para ver se eu me mantinha estável na sua vida. Começou com uma mudança de opinião aqui – imagina, eu já estava inclinada a achar isso mesmo – depois com um afastamento ali – claro que não, essa pessoa que eu me afastei já estava me dando bode à um tempo – e quando vi, estava presa em uma órbita que só funcionava se eu girasse em torno de você.

Ao contrário do que se imagina, não foi algo difícil de fazer. Não foi cansativo, não foi dolorido. Não sei se minha personalidade que era volúvel ou se os créditos devem ir todos à sua capacidade de seduzir quem você quer que te endeuse. Eu sabia que seu histórico era justamente esse, lembra? Eu só escolhia ignorar. Inclusive, a galáxia que você criou para desempenhar o papel de Sol não tinha apenas eu de planeta. Pelo menos mais umas 3 pessoas envolvidas por todo seu carisma e lábia estavam ali, girando ao seu redor. Foi aí que eu me desencantei.

Um belo dia me olhei no espelho e perguntei quem era aquela pessoa me olhando, que se afastou de pessoas tão legais sem motivos aparentes? Quem era aquela pessoa que mudou a forma de se vestir porque não queria ser alvo de chacota? Quem era aquela pessoa que se fechou porque achava que para agradar era melhor não emitir muitas opiniões? Quem era aquela??

Cheguei à conclusão que para não te perder, eu acabei perdendo a mim mesma. E quer saber? Hoje, 2 anos depois de tudo, vejo que ter te perdido, justamente o que eu tinha mais medo, foi essencial para eu me reencontrar (não que você mereça um ‘obrigado’ por alguma coisa).

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

Conforme contamos aqui, a tag de crônicas não tem nenhuma obrigação de refletir histórias verdadeiras, nossas ou recentes. Ela é inspirada em sentimentos reais e muitas vezes floreada com a imaginação.
3 em Autoconhecimento/ crônicas no dia 14.09.2017

Eu estou fazendo algumas mudanças na minha vida

Tem épocas na nossa vida que dá vontade de pegar tudo que está atravancando nosso dia a dia e jogar tudo pela janela, sem olhar pra trás, sem pensar duas vezes. Eu estou nessa fase. Estou de mudança.

Desapeguei de metade do meu armário. Roupas que não viram a luz do dia nesse último ano? Pra fora, sem dó nem piedade. Apaguei incontáveis arquivos inúteis do meu computador. Quanta coisa inútil a gente guarda nele, né? Print de boleto do mês, de depósito que foi pago há 3 anos, pasta lotada de referências de moda que eu nem lembro quando foi tendência, músicas que, se bobear, foram baixadas quando ainda existia Napster. Joguei fora cartinhas da infância. Pode ser que eu me arrependa disso depois, mas elas estavam ocupando um espaço valioso no meu armário nesse apartamento que já não cabe tanta coisa.

Terminada a limpa material, veio a pessoal. Comecei pelo celular.

Saí do grupo de whatsapp da academia, que só sabia falar de receita low carb, whey protein e de exercícios. Nem sei porque eu entrei nele, em primeiro lugar. Saí do grupo da família, que só sabia compartilhar fotos de Bom Dia e áudios alertando sobre o novo golpe na praça. Saí também daquele grupo de amigos que virou competição sobre quem está melhor na vida. Resultado? Pelo menos umas 200 mensagens inúteis e não direcionadas à mim que eu não vou mais ler.

Saí de um aplicativo e fui para outro: Facebook. 547 amigos e constatei que só conhecia realmente umas 300 – o que já é muito. Desfiz a amizade com essas pessoas aleatórias e aproveitei para deixar de ser amiga de tantas outras. Aquele menino que estudou comigo na 3a. série do ensino fundamental e eu nunca mais falei? Rodou. O boy lixo que manda “oi, sumida” e depois some novamente? Tchau. A menina que era amiga na faculdade mas depois desapareceu e nunca mais deu notícias? Beijo, não me liga. Aproveitei também o recurso “deixar de seguir”. Vocês sabem, tem umas pessoas que não tem como desfazer amizade mesmo – mas não sou obrigada a receber o conteúdo na minha timeline. :)

No instagram, a limpa foi bem mais radical. Dei unfollow desde a menina que me fazia achar que eu não era determinada por odiar acordar de madrugada para malhar até aquela pessoa que eu só segui porque seria mal educado não segui-la de volta.

Chega. Agora que estou mais leve, estou definitivamente de mudança, indo para um lugar onde só fica quem (e o que) importa e acrescenta, quem eu quero genuinamente bem e que eu sei que é recíproco. Estou mudando, e se você não ouviu falar mais de mim, provavelmente é porque você faz parte da mudança que ficou pra trás. 

Esse texto pertence a tag de crônicas do blog | Carla Paredes

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