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0 em Autoestima/ Comportamento no dia 25.03.2019

Como ter empatia nas redes sociais (e fora dela)

Vamos começar sem rodeios: todo mundo gosta de opinar sobre tudo. Acredito até que as pessoas gostem mais de opinar do que de ouvir. E aí, com a proximidade e aparente liberdade que as redes sociais trouxeram, calar e escutar viraram desafios. E a empatia, muitas vezes, acaba não sendo usada nas conversas. Empatia nas redes sociais, então, as vezes parece um unicórnio. A gente ouve falar, mas nunca viu de verdade.

Tem gente que acredita de verdade que se alguém expôs parte da vida na internet, é porque deu permissão de ouvir opiniões não solicitadas. E tem também o caso de quem usa a internet pra pedir opinião. E recebe de volta respostas com uma verdade absoluta que desconsidera totalmente sua realidade. Tudo é uma questão de empatia. Ou melhor, da falta dela.

Nós sempre falamos de usar a internet e as redes sociais de forma saudável. E isso inclui nossas interações. Por isso mesmo, quis fazer esse post com algumas sugestões de como podemos ter mais empatia nas redes sociais – ou na vida real mesmo.

Foto: Nicole Honeywill

Se coloque no lugar do outro

Existe uma regrinha conhecida que diz que só devemos mostrar algo errado para alguém caso a pessoa consiga conserar em menos de 5 minutos. É mais ou menos por aí mesmo. Um dente sujo de batom, um cabelo bagunçado, um zíper aberto, um pedaço da blusa pra fora da saia. Isso se avisa porque é carinho, cuidado.

Dizer para a sua prima que o corte de cabelo novo ficou horrível não vai ajudar. Virar para sua amiga e dizer que a roupa que ela escolheu não valoriza, também não vai. E comentar na foto da influenciadora que ela engordou? Em todas essas situações você está só sendo cruel usando a desculpa de ser sincera. 

Antes de falar, pense como você se sentiria ao ouvir o que você pretende dizer e aí avalie se vale o comentário.

Mostrar compreensão é um bom caminho

Partindo do princípio que você já se colocou no lugar do outro, fica mais fácil tentar entender de onde a pessoa está partindo. Mesmo que a vivência seja completamente diferente da sua. E mesmo que em um primeiro momento pareça muito difícil visualizar essa realidade.

A forma mais sensata de mostrar compreensão nem sempre é falando “eu imagino como deve ser difícil”. Ouvir sem julgamentos e sem querer impor sua verdade como o caminho certo é a melhor forma de compreender. E você vai aprender muito com essa experiência, tenho certeza!

Fale com carinho

Vou voltar nessa tecla, porque é muito mais comum do que parece: existe uma diferença muito grande entre ser sincera e ser cruel. É muito fácil escorregar nessa.

Mas não podemos esquecer que nós também temos responsabilidade com nossas palavras. E existem mil maneiras de expressar uma mesma opinião sem magoar ou diminuir ninguém.

A maior regra de empatia nas redes sociais: Não dê opinião que não foi solicitada

Eu entendo. Tem vezes que a mão chega a coçar. A gente vê aquela influenciadora com uma roupa que não tem nada a ver com nosso gosto, e na hora vem a vontade de escrever o que estamos pensando. Ou então uma famosa que mudou o cabelo.

E entendo que nos condicionamos com isso, afinal, essas mesmas pessoas perguntam na legenda se a gente gostou de tal roupa ou tal mudança. Mas a verdade é que, apesar de ter uma parcela que está nas redes sociais para ter aprovação alheia, nem todo mundo que posta uma foto está pedindo uma opinião. Nessas horas, mesmo que a mão coce, evite e mantenha seus pensamentos pra você.

Como vocês exercitam a empatia nas redes sociais?

0 em #paposobremulheres/ Autoestima/ Comportamento/ Destaque no dia 28.03.2018

Papo sobre mulheres: “ah, ela é blogueira”

Quando a Carla me chamou para escrever para o Futi para o mês das mulheres, ela foi específica: “você que é toda envolvida no tema business, fala sobre isso”. Sem saber, ela me botou pra pensar. Fiquei dias pensando se o tema business seria comigo como protagonista ou sobre outras business woman que eu admiro. Resolvi falar sobre mim e encarar como uma sessão na terapia.

Há anos eu comecei a escrever e ouvia de todo mundo como eu escrevia bem, então resolvi ter um blog, porque eu adoro uma internet e sou autodidata em vários componentes que você precisa para ter um blog. Falava dos meu interesses, só que eu sempre me cobrei para que esses interesses não se limitassem “a dicas”. Meu blog falava de moda, mas muito mais sobre o bu siness da moda, eu lia o Business of Fashion, a coluna da Vanesssa Friedman no Valor, o Fashionista.com e assinava o WWD, escrevia sobre a indústria da moda, sobre as movimentações e transformações no jornalismo com os surgimento das blogueiras, eu amava esse tema. Nem me lembro porque parei de escrever, acho que foi porque arranjei um “emprego de verdade”. Fui trabalhar com ecommerce.

Aceitei uma vaga de “estágio” no extinto e-closet porque queria começar na área de qualquer jeito, meu CV foi selecionado pelo Twitter. Que saudades da época que o Twitter era meio que nosso, fiz amizades valiosas que cultivo até hoje por causa da plataforma, a Carlinha é uma delas.

Saindo do e-closet, montei um ecommerce meu, para vender coisas minhas que não usava mais. Em três meses vendi todo o meu estoque, deu tão certo que eu desisti, perdeu a graça. Tudo foi no meio de uma separação e fiquei atrapalhada. Logo depois fui parar na Dafiti. Foi um período curto, mas insano. Respondia direto para um dos sócios, era uma pressão louca, startup baseada em modelo financeiro focada 100% em revenue. Além de cuidar de todas as campanhas – trabalho que eu não curtia, eu era editora da revista da Dafiti – trabalho que eu adorava, mas que representava pouco em faturamento, então não conseguia praticar toda a minha capacidade criativa ali.

Depois de um ano resolvi sair e meio que por acaso, criei uma consultoria para ecommerce. Não que eu tivesse muita experiência na área, o que eu tinha era o diferencial de ser alguém totalmente inserida na moda que entendia de ecommerce, uma área bem masculina e dominada por programadores e gente de marketing de performance, com perfil bem analítico. Os meus clientes se sentiam seguros comigo porque eu falava as duas línguas, a da moda e do ecommerce. Fiquei três anos com a Indie, tive clientes incríveis tipo NK Store e Jack Vartanian – mas eu não tava feliz, aliás, vivia irritada. Eu odiava o que eu fazia.

Quando meu primeiro filho nasceu, eu parei um pouco. Ainda dei uma insistida com clientes pequenos só pra fazer alguma coisa, até que fiquei grávida de gêmeos, e foi depois disso que me vi saindo de casa e deixando três bebês para ir em uma reunião que não me inspirava em nada “só pra fazer alguma coisa” – como se cuidar dos meus mini filhos não fosse suficiente.

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Eu estou tentando fazer o meu melhor

Larguei tudo e voltei a escrever. Criei o lolla, um site de lifestyle com bastante conteúdo e estou tendo um feedback muito bacana. Mas mesmo assim, continuo inquieta. Fico inventando coisas para que ele não seja apenas um blog, para que as pessoas não me vejam como uma blogueira. Mas o que tem de errado em ser blogueira? Nada, se você pensar na definição literal de blogueira: uma pessoa que escreve sobre um tema qualquer de seu interesse em um blog. O que é bem distante das atividades das pessoas que hoje chamamos de blogueiras.

O termo blogueira se tornou pejorativo, isso é um fato. E a minha ansiedade fica incontrolável só de imaginar as pessoas ao redor  se referindo a mim como “ah, ela é blogueira” com aquele tom sarcástico de desaprovação. E foi só agora, escrevendo esse texto, que me dei conta que a sensação que eu tinha quando tinha a consultoria ou quando eu era gerente de campanhas na Dafiti era a mesma. O pavor do julgamento dos outros perante o meu trabalho sempre vai existir, é um problema meu. Mesmo se eu estiver no conselho da ONU lutando por uma causa mundial, vou me sentir uma full time impostor, como se não merecesse estar lá.

Acho que meu caso é tão sério que eu não me atrevo a chamar meu problema de Síndrome do Impostor porque acho que só pessoas que já chegaram lá podem se sentir impostores e sinto que estou há anos desse acontecimento. Preciso arranjar um forma de parar de me boicotar e principalmente, parar de ignorar aquilo que eu sei que sou boa. Eu inspiro as pessoas de alguma forma, seja escrevendo, seja trazendo conteúdo diferente e interessante ou mostrando as coisas lindas da vida. Eu não preciso necessariamente estar na frente de um ecommerce com uma performance espetacular só porque eu “entendo de ecommerce”.

Todo mundo precisa de inspiração, muita gente precisa ser celebrada e o lolla é uma plataforma para isso. Eu que preciso mudar meu approach com o fato de ter um site – ou melhor, um blog – e sentir orgulho disso.

1 em Comportamento/ Convidadas/ Juliana Ali no dia 14.02.2018

Com amor, Ju: pode ficar mais chato, mundo

Hoje optei por uma ideia diferente aqui na minha coluninha do Futi. Decidi fazer uma lista. Todo mundo gosta de lista, não é mesmo? 

Vai ser assim. Vou te mostrar meu maravilhoso TOP 5 COMENTÁRIOS TOSCOS dos últimos tempos, e abaixo de cada um vou contar os motivos que me fazem acreditar que são grandes absurdos repetidos ad nauseum por pessoas que ainda não entenderam em que mundo estão realmente vivendo.   

Vai ser em ordem de frequência, não em ordem de absurdo, tá, porque não sei julgar qual é pior.

A gente faz contagem regressiva que é pra agregar suspense.

5. “Estou sofrendo preconceito por ser rico.”

top 5

Ter dinheiro virou crime, eles dizem.

Vamos lá, pessoal. Ser rico deve ser uma delícia. Todo mundo quer ser rico. Aliás, a vontade de ser rico costuma ser inversamente proporcional á quantidade de dinheiro que a pessoa tem.

Não, não tem o menor problema ser rico. Só que quando você esbanja sua riqueza nas redes sociais, o que pode acontecer é sua atitude passar certa insensibilidade em relação a realidade da maioria, afinal mais de 90% da população brasileira é pobre, e não “mais ou menos” pobre. Não “classe média” pobre. Pobre mesmo. Sem água encanada em casa. Sem comida na mesa.

Então, a gente pode chegar em um meio termo: mostrar o que você tem de bom, de rico financeiramente, mas de uma maneira suave, agradável, humana, sem parecer que você está esfregando na cara. Demonstrando, sempre, que está ciente de que isso é um GRANDE PRIVILÉGIO.

4. “Sou obrigado a gostar de Pabllo Vittar, agora??”

top 4

Quanta gente brava com o sucesso de Pabllo Vittar, não é mesmo? Esse acima foi o meme mais “bonzinho” que encontrei sobre o assunto…

Claro que ninguém tem que gostar nem de Pabllo Vittar nem de ninguém. Só que é preciso analisar os motivos que levam tanta gente a criticá-lo, dizendo que “canta mal”.

Vinícius de Morais cantava bem? E Chico Buarque? E Kurt Cobain? E Madonna? Não vejo ninguém se revoltando contra a voz destes grandes artistas em nenhum momento da história da música… Ou seja: ficar nervoso com o sucesso da Pabllo também pode ser uma maneira de destilar seu preconceito, escondido sob a desculpa de que ele “canta mal”.

A música é subjetiva. E não é só uma voz de Whitney Houston que faz um cantor merecer sucesso.

3. “Não dá mais para paquerar, porque tudo é assédio.”

top 3

Essa é boa, não é? E tem muita mulher que apoia, vide a carta das francesas em defesa dos homens oprimidos, que não conseguem mais trabalhar sem ter medo de demissão pois aparentemente agora, só de cumprimentar uma colega, correm o risco de sofrer acusações de assédio.

É bastante incômodo, para mim, comprovar com tanta clareza o fato de que os homens em geral realmente não sabem diferenciar paquera de assédio. O que isso diz sobre nossa sociedade?

Uma reflexão importantíssima para todos…

Mas, deixando bem explicadinho para os homens: as mulheres gostam de ser paqueradas. Não estão de mal com a macharada. Só que, pra variar, agora exigem respeito.

2. “Daqui a pouco não vai mais poder rir porque vai ser ofensa com quem não tem dente…”

top 2

Meu Deus do céu, como eu vejo esse meme na nossa amada internet. Ele aparece com a cara da Malévola, com a cara da Giovanna Antonelli (?!?!), com a cara do Chapolin Sincero e até com a cara do Tio Patinhas (é sério). É o pensamento mais auto centrado, egoísta, sem perspectiva alguma, de que já ouvi falar.

Meu anjo, do jeito que o mundo anda, daqui a pouco até quem não tem dente vai poder sorrir em paz, pois não terá mais medo de sofrer preconceito. E olha que louco, você vai poder continuar sorrindo normalmente como sempre fez.

1. “O mundo está muito chato!!!”

top 1

Nem preciso dizer mais nada porque essa imagem explicou tudo com mais clareza e menos palavras. 

Grande beijo pra você, de uma Ju que tem esperança nesse mundo. Porque, apesar ainda de tantas falhas, tantos absurdos, tantas injustiças, segue caminhando em uma direção sempre, sempre melhor.