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carnaval

0 em Autoestima/ Destaque no dia 27.02.2020

Como foi seu Carnaval?

Eu acho Carnaval uma época emblemática. Sempre foi uma data onde as pessoas se permitem mais, mas hoje vejo que virou um evento simbólico para muitas mulheres. É nesses dias de folia que muitas se permitem experimentar liberdades diferentes, soltar suas expressões de criatividade e muito mais.

Pensando nisso, perguntei para as mulheres que participam do grupo do Papo no Facebook o que elas fizeram no Carnaval que marcou. E essas foram algumas das respostas:

Estudei+Netflix – mas esse ano (pela primeira vez) consciente de que era o que eu precisava fazer e sem invejar os amigos que estavam festando.

Célia
Samya

Esse ano eu usei tudo que tive vontade! Ano passado eu estava no auge de uma depressão bem pesada e o carnaval foi uma época bem ruim. Dessa vez meu peso foi o de menos quando pensei nas coisinhas que eu queria usar 🤗BOTEI A RABA PRA JOGO MESMO ESTANDO 15kg ACIMA DO MEU PESO! E me senti linda ❣️

Samya

Esse foi o primeiro carnaval em que me permiti curtir mesmo. Fui cordeira em um bloco de amigos, fui de bunda de fora, me emocionei com o discurso foda da Anelise sobre gordofobia, prestigiei o trabalho de pessoas queridas que fazem o carnaval de BH acontecer. (não sei se vocês sabem, mas quase não aconteceu por arbitrariedade do governo do estado). Ocupei espaços que ao longo dos anos não me permitia entender como meus.

Raninha
Stellinha

Sai todos os dias de cropped sem sutiã 💕Comecei alguns carnavais usando body, ainda usava com sutiã, depois evoluindo para body sem sutiã e agora cropped! Uma coisa que refleti muito foi ter visto muitas meninas gordas fantasiadas! Antes me sentia muito a única no role, várias pessoas me abordavam perguntando como eu fiz, que lugar comprei. E esse carnaval foi o que mais vi mulheres com uma diversidade de corpos vestidas da forma que quiserem

Stella

Nesse carnaval viajei, pela primeira vez, sem minha filha de 18 anos. E foi muito bom, tanto pra mim, qto pra ela! Nos divertimos muito, eu curtindo o descanso na praia e ela curtindo o agito com os amigos! Vejo que demos um passo muito importante na nossa relação! ❤️

Daniela

Me maquiei com coisas carnavalescas e saí na rua com shortinho e blusa aparecendo um pouco a barriga, sem medo de ser julgada. Foi a primeira vez, após 18 anos longe do carnaval. Esse ano consegui encarar de uma maneira mais leve e aproveitei um pouquinho, mesmo não sendo minha festa popular favorita.

Larissa

Esse carnaval mexeu demais comigo! To tentando elaborar ainda. A temática da ocupação dos espaços com nossos corpos da maneira que quiséssemos nos vestir.

Camilla – que também escreveu esse texto aqui sobre Carnaval e hot pants!

Tive um sexo mara com um menino de 26 anos (13 anos a menos do que eu), pela primeira vez após o divórcio, ou seja, quase um ano após o fim de um relacionamento de 18 anos. Ele, barriga de tanquinho e dentro eu padrão. Eu, 15 quilos acima do meu peso ideal. Ligar o foda-se para isso foi revolucionário e libertador. E eu curti muito (algumas vezes na mesma noite 🤣🤣🤣). Isso de sexta para sábado. Depois fui para o meio do mato e passei 4 dias com amigos e sem meu filho de 4 anos, dormindo muito, ouvindo música, batendo papo… Melhor impossível

Renata

Fui pro bloco de body sem sutiã (só tiro sutiã pra dormir) e usei legging sem cobrir o bumbum (q acho enorme e está sempre coberto). Saí de casa com uma camiseta por cima mas qdo chegou no bloco consegui tirá-la e coloquei meu bundão pra jogo.

Margareth
Mayara

Respeitei meu querer. Por mais que eu tivesse preparado fantasias, estivesse animada e empolgadissima nos dias de pré-carnaval, quando chegou o carnaval mesmo, eu quis descansar, produzir, curtir minha sobrinha. Me senti um pouco “culpada” a princípio, “eu tenho que curtir”, “tenho que criar novas memórias”, mas conversei com um amigo que me aconselhou a respeitar o que eu tava sentindo. Acabei curtindo a “folia” só na terça, mas curti todos os dias do meu jeito.
– Usei acessórios de cunho político. Já que viver é um ato político, o carnaval também pode ser. Venho conquistando cada vez mais confiança de me posicionar sem medo do que os outros vão pensar.

Mayara

Eu usei hot pants e bodyyyyy NUNCA na vida achei que ia conseguir, me senti muito feliz com isso 💙💙

Giovanna

Não fiz nada. Que libertação não ter a obrigação de “curtir”! Fiquei em.casa assistindo Netflix.

Andrea

E você? O que fez nesse Carnaval que foi marcante?

1 em Autoestima/ Destaque no dia 20.03.2019

Por mais Carnaval com corpos cada vez mais livres (e purpurinados)

Eu sou uma pessoa muito do carnaval. Já contei pra vocês aqui. Vivo o carnaval de diversas formas, e esse ano reparei algo diferente. E, não sei se por coincidência ou por fatos, ouvi relatos de amigas e de pacientes com a mesma percepção.

Tive a impressão que as mulheres estavam um pouco mais à vontade com seus corpos.

Perdi as contas o tanto de gente que vi nos blocos de rua aqui no Rio de Janeiro com os corpos mais expostos do que nunca. Seja em maiôs, hot pants, biquinis, croppeds ou pasties nos seios. Mas isso não foi exclusividade de um tipo de corpo específico. A beleza da história foi que vi mulheres de todos os tipos físicos usando e abusando dessas peças. E a cereja do bolo foi a purpurina!

Em uma conversa na sessão de terapia pós carnaval falamos como parece que a purpurina virou uma unidade entre as mulheres. Como se fosse uma identidade de irmandade, um sinal de sororidade. Você chegava nos lugares e “reconhecia” o seu nicho pela purpurina. Parece que juntou todo mundo em uma unidade coletiva de brilho.

Mas voltando ao assunto corpo, eu queria falar dos looks. Eu visto 46, e apesar de não ser um tamanho maior, essa foi a primeira vez encontrei hot pants que me coubesse. Até pouco tempo atrás era difícil cogitar achar hot pant e cropped para mulheres com tamanhos maiores. Com tecidos brilhosos e carnavalescos, então, impossível. E sempre ficava aquela pontinha de inveja, pois sim, eu também queria fazer parte do grupo de mulheres que usa esse tipo de peça.

Uma vez uma amiga minha me falou: “a primeira vez que você sair assim na rua, não vai querer outra vida!”. Nesse Carnaval, eu finalmente consegui entender tudo que ela falava.

Sobre os comentários de amigas e pacientes sobre os outros corpos nos blocos, elas foram unânimes: as mulheres colocaram seus corpos pra jogo. E olha que são mulheres que já foram muito machucadas por esse padrão de beleza inatingível. E, ao meu ver, se elas estão com esse olhar mais ativo e carinhoso para o corpo das outras, elas também estão mais receptivas e carinhosas com elas mesmas. E o mais incrivel que isso ajuda – e muito! – na libertação de seus corpos.

Acho que ainda estamos começando a viver essa mudança. E ela não foi repentina. Avalio que é a base de muita desconstrução, essas que propomos diariamente. Uma luta muito árdua contra uma vida inteira de crenças, mas que está começando a ter sinais de vitória. Começando.

E aí, quais são as suas as apostas para o Carnaval 2020?

Um obrigada mais do que especial a todas as foliãs lindas que dividiram conosco suas fotos carnavalescas para ilustrarem esse post! <3

0 em Autoestima/ Destaque no dia 28.02.2019

Vamos curtir o Carnaval sem medo de ser a peguete da zoeira?

Carnaval se aproximando e os bloquinhos e festas já começaram por aí. Minha timeline que o diga. Se programar, definir roteiros, comprar apetrechos para fazer as fantasias, usar quilos de glitter por dias a fio, simplesmente curtir o Carnaval. Não tem como ser ruim, né?

Eu também achava isso, até certo dia ouvir uma amiga comentar que não ia em blocos de Carnaval porque não queria ser a “peguete da zoeira”.

Eu não tinha ideia do que isso significava até ela me contar que isso é algo que muitas gordas já ouviram falar. Imaginem a cena: você está lá, no bloco, curtindo a música e se preocupando com tudo menos com seu corpo. Até que um cara se aproxima, passa um papo e te beija. No minuto seguinte você virou alvo de piadinhas na roda de amigos desse cara. E assim você vira a “peguete da zoeira” e curtir o Carnaval vira uma tarefa impossível.

Minha primeira reação foi achar que isso era bobagem, coisa de filme. Mas sejamos francas, a gente sabe que infelizmente existe esse tipo de pessoa. Principalmente no Caranaval. Sou otimista que esse tipo de lixo humano tem cada vez com menos espaço para fazer esse tipo de coisa #nãopassarão.

Mas fiquei me questionando quantas mulheres não têm esse mesmo medo, e por causa disso, estão deixando de curtir o Carnaval.

Ilustração: Ju Ali

Logo o Carnaval, uma época tão livre, divertida, feliz e diversa!

Queria aproveitar esse texto, então, e dizer para a minha amiga que ela é uma mulher linda. Por dentro, óbvio, mas especialmente por fora. E que ela deveria sim, curtir o Carnaval do jeito que ela quiser. Da maneira que ela se sentir mais livre e feliz. E que se sinta bem por fazer isso, independente de cair na armadilha da “peguete da zoeira” ou não.

Tenho certeza que pra cada um que possa cogitar fazer tal coisa, existem mil que acharão ela maravilhosa. E queria que ela também se sentisse assim ao deixar esse medo de lado para fazer o que ela tem vontade, sem se preocupar com a opinião alheia.

Poder se divertir sem questionar o que pensam a seu respeito ou a respeito de seu corpo é uma das sensações mais livres que podemos experimentar.

Porém, ela precisa começar com ela mesma. E você também, caso o medo de ser a “peguete da zoeira” tenha passado na sua cabeça.

Antes de sair na rua para curtir os blocos, se olhe com carinho. Perceba suas qualidades, veja tudo de bonito que há no seu corpo e no seu rosto, descubra os artifícios que te fazem sentir maravilhosa. Encha-se de glitter, paetê e tudo mais que você tem direito.

Tenha carinho e amor por você, se liberte. Esqueça o pensamento dos outros. Pule, cante, dance, brinque, vista e beije quem você quiser. Ou não beije ninguém e seja feliz! O que vão achar não é um problema seu, mas como você se sente ao deixar de aproveitar a vida por causa dos outros, é.

Cerque-se de pessoas que mostrem a mulher maravilhosa que você é. Vá a lugares onde você se sente acolhida e aceita. A gente sente a vibe do lugar na hora, e vê o quanto estava perdendo tempo ao deixar de fazer tudo isso.

O Carnaval pode ser uma das épocas mais libertadoras e divertidas do ano. E não vou deixar você ficar de fora dessa. Combinado?