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1 em Autoestima/ Destaque no dia 20.03.2019

Por mais Carnaval com corpos cada vez mais livres (e purpurinados)

Eu sou uma pessoa muito do carnaval. Já contei pra vocês aqui. Vivo o carnaval de diversas formas, e esse ano reparei algo diferente. E, não sei se por coincidência ou por fatos, ouvi relatos de amigas e de pacientes com a mesma percepção.

Tive a impressão que as mulheres estavam um pouco mais à vontade com seus corpos.

Perdi as contas o tanto de gente que vi nos blocos de rua aqui no Rio de Janeiro com os corpos mais expostos do que nunca. Seja em maiôs, hot pants, biquinis, croppeds ou pasties nos seios. Mas isso não foi exclusividade de um tipo de corpo específico. A beleza da história foi que vi mulheres de todos os tipos físicos usando e abusando dessas peças. E a cereja do bolo foi a purpurina!

Em uma conversa na sessão de terapia pós carnaval falamos como parece que a purpurina virou uma unidade entre as mulheres. Como se fosse uma identidade de irmandade, um sinal de sororidade. Você chegava nos lugares e “reconhecia” o seu nicho pela purpurina. Parece que juntou todo mundo em uma unidade coletiva de brilho.

Mas voltando ao assunto corpo, eu queria falar dos looks. Eu visto 46, e apesar de não ser um tamanho maior, essa foi a primeira vez encontrei hot pants que me coubesse. Até pouco tempo atrás era difícil cogitar achar hot pant e cropped para mulheres com tamanhos maiores. Com tecidos brilhosos e carnavalescos, então, impossível. E sempre ficava aquela pontinha de inveja, pois sim, eu também queria fazer parte do grupo de mulheres que usa esse tipo de peça.

Uma vez uma amiga minha me falou: “a primeira vez que você sair assim na rua, não vai querer outra vida!”. Nesse Carnaval, eu finalmente consegui entender tudo que ela falava.

Sobre os comentários de amigas e pacientes sobre os outros corpos nos blocos, elas foram unânimes: as mulheres colocaram seus corpos pra jogo. E olha que são mulheres que já foram muito machucadas por esse padrão de beleza inatingível. E, ao meu ver, se elas estão com esse olhar mais ativo e carinhoso para o corpo das outras, elas também estão mais receptivas e carinhosas com elas mesmas. E o mais incrivel que isso ajuda – e muito! – na libertação de seus corpos.

Acho que ainda estamos começando a viver essa mudança. E ela não foi repentina. Avalio que é a base de muita desconstrução, essas que propomos diariamente. Uma luta muito árdua contra uma vida inteira de crenças, mas que está começando a ter sinais de vitória. Começando.

E aí, quais são as suas as apostas para o Carnaval 2020?

Um obrigada mais do que especial a todas as foliãs lindas que dividiram conosco suas fotos carnavalescas para ilustrarem esse post! <3

0 em Autoestima/ Destaque no dia 28.02.2019

Vamos curtir o Carnaval sem medo de ser a peguete da zoeira?

Carnaval se aproximando e os bloquinhos e festas já começaram por aí. Minha timeline que o diga. Se programar, definir roteiros, comprar apetrechos para fazer as fantasias, usar quilos de glitter por dias a fio, simplesmente curtir o Carnaval. Não tem como ser ruim, né?

Eu também achava isso, até certo dia ouvir uma amiga comentar que não ia em blocos de Carnaval porque não queria ser a “peguete da zoeira”.

Eu não tinha ideia do que isso significava até ela me contar que isso é algo que muitas gordas já ouviram falar. Imaginem a cena: você está lá, no bloco, curtindo a música e se preocupando com tudo menos com seu corpo. Até que um cara se aproxima, passa um papo e te beija. No minuto seguinte você virou alvo de piadinhas na roda de amigos desse cara. E assim você vira a “peguete da zoeira” e curtir o Carnaval vira uma tarefa impossível.

Minha primeira reação foi achar que isso era bobagem, coisa de filme. Mas sejamos francas, a gente sabe que infelizmente existe esse tipo de pessoa. Principalmente no Caranaval. Sou otimista que esse tipo de lixo humano tem cada vez com menos espaço para fazer esse tipo de coisa #nãopassarão.

Mas fiquei me questionando quantas mulheres não têm esse mesmo medo, e por causa disso, estão deixando de curtir o Carnaval.

Ilustração: Ju Ali

Logo o Carnaval, uma época tão livre, divertida, feliz e diversa!

Queria aproveitar esse texto, então, e dizer para a minha amiga que ela é uma mulher linda. Por dentro, óbvio, mas especialmente por fora. E que ela deveria sim, curtir o Carnaval do jeito que ela quiser. Da maneira que ela se sentir mais livre e feliz. E que se sinta bem por fazer isso, independente de cair na armadilha da “peguete da zoeira” ou não.

Tenho certeza que pra cada um que possa cogitar fazer tal coisa, existem mil que acharão ela maravilhosa. E queria que ela também se sentisse assim ao deixar esse medo de lado para fazer o que ela tem vontade, sem se preocupar com a opinião alheia.

Poder se divertir sem questionar o que pensam a seu respeito ou a respeito de seu corpo é uma das sensações mais livres que podemos experimentar.

Porém, ela precisa começar com ela mesma. E você também, caso o medo de ser a “peguete da zoeira” tenha passado na sua cabeça.

Antes de sair na rua para curtir os blocos, se olhe com carinho. Perceba suas qualidades, veja tudo de bonito que há no seu corpo e no seu rosto, descubra os artifícios que te fazem sentir maravilhosa. Encha-se de glitter, paetê e tudo mais que você tem direito.

Tenha carinho e amor por você, se liberte. Esqueça o pensamento dos outros. Pule, cante, dance, brinque, vista e beije quem você quiser. Ou não beije ninguém e seja feliz! O que vão achar não é um problema seu, mas como você se sente ao deixar de aproveitar a vida por causa dos outros, é.

Cerque-se de pessoas que mostrem a mulher maravilhosa que você é. Vá a lugares onde você se sente acolhida e aceita. A gente sente a vibe do lugar na hora, e vê o quanto estava perdendo tempo ao deixar de fazer tudo isso.

O Carnaval pode ser uma das épocas mais libertadoras e divertidas do ano. E não vou deixar você ficar de fora dessa. Combinado?

1 em Looks/ Moda/ Patrocinador no dia 14.02.2019

Corpo para Carnaval? Temos! E fantasias também.

Minha relação tóxica com meu corpo atrapalhou todas as minhas chances de curtir o carnaval com liberdade até pouco tempo atrás.  Eu diria que até 2017, o carnaval era uma época de muitas mentiras sobre meu corpo que eu transformei em verdade.

Me via sempre com as maiores inseguranças do mundo. Não vestia nada do que queria, sempre tapava “partes críticas” e editava fotos. Aliás, editar fotos para parecer mais magra foi uma das coisas que eu fiz como se fosse algo muito natural até 2015. Isso que é o mais curioso, mesmo nas minhas versões mais magras eu não me enxergava como eu era. Me via distorcida, me proibia de tudo. Agora vejo as fotos e nada faz sentido. Era como se eu nunca tivesse um corpo para carnaval. Como se meu corpo sempre estivesse errado, indigno.

Me preparando para o Carnaval, usando peças de moda praia da Marcyn (que já curtiram muita praia comigo) para elaborar algumas fantasias para os dias de folia.

Até o carnaval de 2016, eu sequer notava que eu tinha um problema. Não via o quanto meu olhar era adoecido. A sensação de inadequação me foi vendida como estilo de vida. Eu achava que era normal viver insatisfeita com o corpo, achando que faltava mais um tanto pra ele ser perfeito e finalmente ser livre. Eu não sabia que existia outra forma de lidar com a situação. Eu não sabia o quanto o carnaval poderia ser sobre libertação, independente do peso, da forma ou da aparência. E não sabia que já tinha um corpo para carnaval.

No fatídico ano de 2016, as fichas começaram a cair. Nesse ano recebi a visita de uma amiga de São Paulo, e no alto da sua liberdade com seu corpo, montar fantasia não era uma questão. Tinha biquini, maiô e barriga de fora! Para o seu corpo magro – porém comum – nada era uma limitação. Já eu? Era o oposto.

Hoje noto que eu já estava confortável em viver sobre um regime de opressão. A gordofobia e a pressão estética eram tão enraizadas que eu sequer enxergava a situação.

Ela era merecedora de curtir a folia de tudo quanto é jeito, afinal, ela tinha um corpo para carnaval. Eu não.

E aí que está o pulo do gato: não importava o quanto eu poderia mudar meu corpo – eu já havia feito isso antes – o problema estava na forma de pensar! O que me prendia de aproveitar não era meu corpo, era minha cabeça.

Meu processo na terapia avançou e tudo mudou. Comecei a entender que eu poderia estar no meio de tanta gente livre, fantasiada, usando biquini ou maiô, independente do peso. Eu não precisava estar ali sempre escondendo meu corpo, isso era uma escolha. Na época parecia tão natural e comum que me parecia quase inconsciente. Hoje não.

Top avulso Marcyn | Calcinha Hot Pant Marcyn | Kimono da coleção Starving para Rue

O natural pra mim agora é curtir e ser feliz, tentando ao máximo não me preocupar com o que a sociedade vai achar do meu corpo.

Em 2017 dei um passo em direção a mudar minha postura com relação ao meu corpo no carnaval. Foi assim que eu tive a experiência mais surreal. Eu era livre, eu era estrela, eu era o brilho da minha própria folia. Eu desfilei na Sapucaí, subi no trio da Anitta, fui para o trio com a Preta Gil, fui pro bloco e, no fim, entendi que jamais havia sido musa do meu próprio carnaval. Mas a partir dali eu era.

Top avulso azul Marcyn | Calcinha avulsa Marcyn | Capa Starving para Rue

Meu corpo não tinha mudado nada, quem tinha mudado era eu.

Uma das minhas fotos mais curtidas do ano de 2018 foi um look de policial no bloco. O que tinha demais? Nada, só um corpo livre de biquini. Usei um biquini igual a esse azul, mas preto! Fui e fiquei o dia todo. Curti tudo e amei a liberdade de expor meu corpo sem medo do julgamento dele não ser suficiente. Só curti e descobri que eu não precisava de nada além de mim para ter um corpo para carnaval.

O que farei esse ano com meus looks eu ainda não sei. Mas montei algumas ideias aqui porque uma certeza eu tenho: vai ter liberdade! Escolhi trazer pra cá produções que certamente eu vestiria para os blocos de dia, aproveitando alguns dos meus biquinis ou maiôs favoritos!

Maiô gráfico, o meu preferido
Maiô gráfico Marcyn | Camiseta coleção Starving para Rue

Quis mostrar pra vocês que todo corpo é um corpo quando o assunto é carnaval! Fechei meus ouvidos pra quem me joga pra baixo, agora é tempo de um olhar mais alto astral!

Biquini vitral Marcyn | Kimono Starving para Rue

Se vou pra folia no bloco, na festa ou no camarote, eu não sei. Mas com toda certeza se for ter fantasia pra pular carnaval, vai ter também amor próprio, conforto e muita cor pra alegrar meu carnaval.

Vai ter também tatuagem fofa do #carnastarving porque a Mandy arrasou!

Vem fazer parte desse clube do amor próprio nesse carnaval?

Beijos