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Reflexões

8 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 08.06.2016

A verdade é que ele não está tão a fim

Nunca esqueço da minha cara de tacho quando assisti aquele filme “Ele não está tão a fim de você“. Por mais que eu não concorde com tudo que se passa ali, o nome do filme já me dizia muito. Eu nunca havia parado para pensar que podia ser simples assim, ele apenas podia não estar a fim. As vezes essa frase é uma resposta curta e dolorosa para as teorias que nós mulheres criamos, alimentamos e em alguns casos ainda pedimos ajuda para as amigas alimentarem junto conosco esses devaneios.

Não quero mais ser uma amiga que incentiva isso.

Hoje venho abrindo mão do hábito de pensar demais, de criar teorias e buscar explicação pra tudo. Tenho tomado coragem para dizer pra mim e para as minhas amigas aquilo que todo mundo evita: o problema não é você, ele é que não está tão a fim.

3-Hes-Just-Not-That-Into-You-quotesOh, e tinha o Don, que terminava comigo toda sexta feira para que ele pudesse ter seus finais de semana livres.

Quem quer faz acontecer, quem não quer (tanto assim) dá desculpas. É simples, rápido e prático. Quase sempre isso é a verdade que ninguém quer considerar.

Seria muito mais fácil se os homens largassem da mania de sair de fininho, de inventar desculpas, de deixar cozinhando em banho maria ou qualquer coisa dessa natureza que enrola a outra pessoa. E desculpem estar generalizando, mas com base na minha vivência, vejo e fico sabendo de muito mais homens fazendo esse tipo de coisa do que mulheres. Ao conversar com amigas, conhecidas e entrar em papos com outras meninas, percebo que na grande maioria dos casos quando elas não querem mais, elas abrem o jogo e falam com todas as letras: não tá mais dando certo.

Hoje, se eu não estou tão a fim de fazer aquela relação acontecer, eu jogo limpo. Digo que o timing não foi favorável, que estou saindo com outra pessoa, que não tenho tanto a ver com ele ou algo que traga a verdade (daquele momento) com gentileza e educação. Sempre fui de deixar claro quando eu não queria mais fazer parte da relação, mas tem alguns meses que adotei a prática de explicar meus motivos e me sinto aliviada de agir com os outros como gostaria que agissem comigo.

Já acreditei que uma série de eventos poderiam impedir um casal que se gosta de ficar juntos, hoje acho que os eventos vão acontecer para todos os casais. Quando as duas pessoas querem mesmo ficar juntas, elas irão superar isso. No entanto, quando uma das partes não quer, vai se valer dessas barreiras para “decretar” o fim.

whats-wrong-with-meQual é o problema comigo??

Eu vejo muitas meninas enumerando seus erros para justificar desculpas da outra pessoa, eu inclusive já fui uma delas. Já vi também muita garota encontrar uma carapuça que não lhe serve e vestir. Afinal, sem entender, ela precisou de uma desculpa para um fim inesperado ou para uma esfriada básica na relação.

A gente tenta entender tudo, mas as vezes é tão mais simples do que a gente imagina. Se o cara se assustou e desistiu é porque ele não estava tão a fim. Ou se ele desistiu por qualquer outro motivo, ninguém vai morrer por isso. Desistir é passível de acontecer com qualquer pessoa, comigo, com ele, com você, mas se isso acontece seria legal criarmos o hábito de avisar.  Em geral, acho que a gente só desiste quando não encontramos motivos genuínos para tentar. 

Frases como “eu não quero um relacionamento sério”, “estou procurando uma relação casual”, “pra mim a gente é só sexo” ou “eu gosto de você, mas não tenho nenhuma intenção de namorar agora” não arrancam pedaço. Elas só permitem que nós mulheres optemos por ficar ou não nessa história (e vice versa), com plena consciência da proposta da coisa. O mundo está tão efêmero, não há razões para ficarmos numa relação onde as expectativas não estão alinhadas.

O trauma da ex, a viagem com os amigos, a jornada intensa no trabalho, o plantão que foi até tarde e o futebol com os amigos não deveriam ser usados como desculpas, mas já que são, temos que aprender a ler nas entrelinhas e acender o sinal amarelo quando o cara começa a dar desculpas demais e aparecer de menos.

Claro que quando você está gostando muito daquela pessoa que só te dá desculpas é difícil encarar os fatos. E é normal que o primeiro sentimento que venha seja a culpa. Será que eu assustei ele? Será que eu sou chata? Será que eu sou insegura demais? Mil perguntas surgem, sendo que muitas vezes a resposta é simples: você é ótima, ele que não estava gostando na mesma intensidade.

Na minha curta experiência desse último ano solteira eu já estive em diferentes lugares dessa história. Já ouvi “estou com saudades” de caras que eu não gostava e tive que dar meu jeito de pular fora com jeitinho. Já falei que estava com saudade para o cara que eu estava apaixonadinha e percebi que o cara deu defeito ali. Já estive com alguém por quem em sentia saudade mas não tinha coragem de falar para não atrapalhar as coisas (me senti ridícula quando ele falou, afinal, que eu poderia ter falado) e por fim me peguei conhecendo alguém para quem posso falar o que eu quiser.

No meu caso, olhando em retrospecto, consigo ver que em parte fui ingênua com o cara que eu estava apaixonadinha. Eu não precisava ter ido com tanta sede ao pote, mas honestamente? Se fosse pra ser, teria sido. Ficar buscando culpados – ou pior, culpando-se – é uma forma de não ver a realidade, de não enxergar o óbvio: ele gostava de mim, nos dávamos bem, mas não era o suficiente pra abrir mão do resto. Nem sempre é simples, até porque volta e meia cruzamos com pessoas que mexem com a gente de uma forma que nosso lado racional aceita o afastamento, mas o lado emocional continua alimentando uma esperança que um dia ele vai perceber que não vive sem nós.

tumblr_m8m0a0flhm1r81wtbo1_500Você merece um cara que, se precisasse, poderia mover montanhas só para estar contigo.

A verdade é que acaba comigo ver muitas meninas se munindo de tentativas e estratégias para conseguir um novo convite, para mais um encontro com um cara que claramente não está empolgado. O resultado disso é muita insegurança e uma autoestima em frangalhos.

É triste porque tem muito cara legal por aí para continuar focando justamente naquele que já teve sua chance e pareceu não estar tão afim, sabem? Precisamos aprender a nos desligar dessas histórias, entender que nem sempre temos a capacidade de fazer com que o outro queira largar o mundo dele para entrar na nossa vida.

Vamos fazer valer a máxima de que os dispostos se atraem? Que me desculpem meus professores de física!

Beijos

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11 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 01.06.2016

A falsa eficácia do jogo da conquista!

Minha postura sobre os jogos de conquista não é nova, todo mundo sabe que eu detesto ouvir frases como: você tem que se fazer difícil para ele se manter interessado. Se você for muito fácil, ele vai desistir. Se faça de difícil para ele querer.

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Nossa, não tem como alguém odiar mais essas frases do que eu.

O problema é que várias vezes, quando estou desconstruindo essas falsas verdades absolutas, acontece algo que me deixa na saia justa e quase faz com que eu perca a argumentação:  Os cases de sucesso.

Da menina que só transou depois de dezenas de encontros e o cara ficou super em cima. Da garota que visualizou a mensagem, não respondeu e ele ficou insistindo no contato. Da mulher que estava morrendo de vontade de aceitar o convite mas não foi pra se fazer de difícil e ele não partiu pra outra. Em meio a esses cases de APARENTE sucesso, eu já parei muito para pensar e não cheguei à nenhuma conclusão brilhante, no entanto, achei que valia dividir com vocês como tenho visto essa questão.

Não dormir com ele no primeiro encontro pode fazer com que ele não suma. Esperar 3 horas para responder a mensagem pode fazer com que ele fique mais curioso e queira ainda mais estar com você (por enquanto). Lembrar dele ou querer fazer uma piada interna e segurar essa vontade pode dar certo num primeiro momento, afinal, se você falar vai parecer que está marcando em cima demais. É isso? É esse tipo de exemplo e conselho que você quer perpetuar entre suas amigas?

Tenha vontade mas não faça nada a respeito? Seja passiva? Não se mexa para ele não desistir de você?

Eu não consigo sustentar essas ideias. Não mais. Evito responder no susto e tento controlar minha ansiedade para não ser intensa demais – sofro desse mal – mas não quero e não vou reprimir quem eu sou só para conseguir mais um convite pra sair do carinha da vez.

Odeio quando demonstro real desinteresse e o cara fica muito mais interessado. Detesto quando falo que não vai rolar e só então a pessoa resolve vestir a camisa de tentar me conquistar. Se eu estou indiferente é porque por algum motivo eu não estou mesmo interessada. Não é um jogo.

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No meu universo, não é não. Quando vejo o cara que levou um não me querendo ainda mais eu fico triste, porque significa que para parte dos homens essa história de se fazer de difícil cola. Só que cola por quanto tempo?

Esse jogo de tipos e aparências enganam homens e mulheres todos os dias. Pior, tenho a impressão que eles fazem com que muita gente legal perca tempo e sinta que precisa se vestir de personas distantes da sua essência para conquistar o que deseja. Que triste se achar obrigada a seduzir alguém fantasiada de um personagem. Que frustrante tentar se adequar ao valor da outra pessoa, ao invés de se ater ao seu. E que saco ter que provar toda hora que a sua resposta é genuína, não é um jogo.

Já vi a menina mais linda se fazer de difícil, descolar mais alguns encontros e depois ver o cara sumir. Idêntico àquela que acabou dormindo com o crush na primeira noite. A única diferença entre as duas situações é o tempo de duração e o número de encontros. Se o cara vai pular fora porque já conquistou o que queria, já bateu sua meta desejada ou algo dessa natureza, é uma benção divina que ele faça isso mais rápido e você não perca seu tempo!

“Não responde ele agora”. “Se você falar isso o cara vai sair correndo.” “Seja difícil” “Se você ligar ele vai te achar um saco”

Eu sou contra as frases feitas que doutrinam as mulheres a não dizerem o que sentem. Já ouvi algumas dessas tantas vezes. Até acho que ouvi muito mais do que precisava. E só consegui aprender com as minhas experiências que tudo depende do cara. Quando eu procurei me envolver mais profundamente com pessoas que não vinham carregadas de preconceito, ninguém saiu correndo.

Aliás, sabem quais foram as frases que mais ouvi desses paqueras? Que eu não tenho papas na língua (sempre com um sorriso junto) ou que eu sou muito espontânea (também em tom de elogio). Eu só fui eu mesma, diferente do que nos ensinam. Diferente do que esperam, afinal, eu não temi receber em nenhum momento um rótulo bobo, fosse ele qual fosse. E isso deixou muita gente impressionada.

A sociedade está tão viciada em joguinhos – e claro, a cultura machista ajuda nisso – que acho muito prejudicial continuar perpetuando-os. Infelizmente muitos homens cresceram com a ideia de que não é a mesma coisa de um sim tímido, que a menina que se faz de difícil é aquela que está pedindo para que corram atrás dela. Isso porque não estou querendo nem entrar no mérito extremo de casos que acontecem quando o não da mulher é entendido como sim pelo homem.

A partir do momento que eu me descolei dos tais “cases de sucesso” consegui perceber claramente que não era o comportamento da menina ou as atitudes que ela tomou no início do relacionamento que fizeram com que tudo desse certo. Os dois continuaram juntos porque rolou interesse mútuo, porque a máscara usada no joguinho inicial caiu e revelou pessoas que se curtiram mesmo depois de terem mostrado suas verdadeiras essências ou simplesmente porque era para ser.

Essa história de fazer jogo pode funcionar no início, mas não segura continuidade. Então proponho que lutemos contra jargões que nos levam a não responder o cara quando quisermos, a não dizer o que pensamos ou queremos. Claro que não estou incentivando que ninguém vá sair enfiando os pés pelas mãos, mas acho que não custa nada sermos nós mesmas sempre, né?

Beijos

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10 em maternidade/ Reflexões no dia 27.05.2016

O homem que eu quero que você seja

Oi filho, você acabou de dormir e enquanto ouço sua respiração e vejo você segurando sua naninha com suas mãozinhas macias, eu não posso deixar de pensar no seu futuro, na sociedade que você irá crescer e como eu irei educá-lo.

Essa semana aconteceu algo horrível, um fato tão grotesco que nem os filmes de terror mais perversos têm coragem de abordar: 33 rapazes se uniram para estuprar uma menina de 16 anos. Ela estava inconsciente na hora, e por mais horrível que seja eu dizer isso, não ter noção do que aconteceu naquele momento deve ter sido um presente. Infelizmente os requintes de crueldade não acabaram por ali, já que não satisfeitos, os caras filmaram tudo e divulgaram nas redes sociais, onde outros rapazes analisaram a cena e comentaram como se estivessem vendo um episódio de Game of Thrones. Como se aquele horror não fosse real, como se no lugar daquela menina não pudesse estar a mãe, a irmã, a namorada deles.

Alguns dizem que isso aconteceu porque ela traiu o namorado. Outros afirmam que ela estava completamente drogada. Mas quer saber? Nada disso importa. Não existe argumento plausível no mundo para justificar que UM homem estupre uma mulher, que dirá TRINTA. E TRÊS. Espero que quando a hora chegar e eu ver que você não é mais um menininho inocente e sem maldades, eu consiga te fazer entender que não existe isso de “ela pediu”, “ela estava querendo”, “ela mereceu”. Não, nenhuma mulher pede para ser invadida enquanto está inconsciente, nenhuma mulher merece ser violada porque traiu um namorado, nenhuma mulher está querendo só porque saiu de casa com um decotão e uma saia curta.

Mas enquanto eu lia as poucas coisas que tive coragem de ler até o final, confesso que comecei a me preocupar com algo que tenho certeza que se você não estivesse aqui, nunca passaria pela minha cabeça. A influência. Posso estar numa crise de polianismo agudo, mas eu não consigo conceber que desses 33 caras, pelo menos um não estivesse ali se sentindo mal e enjoado, com vontade de ir embora mas por medo não conseguiu se impor. Como eu li por aí, a probabilidade de 30 psicopatas estarem juntos em uma sala é menor do que você ganhar na Mega Sena algumas vezes seguidas, ou seja, não é possível que de 33, pelomenos um não fosse uma pessoa minimamente decente antes desse episódio. Sempre soube que educar não era uma tarefa fácil, mas pela primeira vez eu tive medo, muito medo.

Sabe, eu já fui adolescente e sei como pode ser cruel você querer pertencer a um grupinho. Que para um ser humano em construção, cheio de inseguranças e que não quer ser isolado, é quase impossível levantar a voz, bater o pé e não se deixar induzir ao erro. O simples fato de falar “meus pais não deixam” é considerado quase um suicídio social, eu sei. Só que uma coisa é ir com a turma para o cinema e fazer bagunça ou arrumarem um esquema de cola coletiva em alguma prova, outra completamente diferente é cometer um crime e acabar com a vida de uma pessoa.

Infelizmente vivemos em uma sociedade onde atualmente ser mulher é viver constantemente com medo de sair na rua sozinha, de ser encoxada no ônibus ou no metrô, de ter que pensar duas vezes na roupa antes de sair de casa, de ter medo de beber além da conta quando sai para uma noitada. É viver pensando que mesmo com todas as precauções, podemos nos envolver em algum escândalo simplesmente porque fizemos uns nudes e tivemos nossos celulares invadidos ou porque nos relacionamos com alguém que parecia ótimo, mas foi só terminar para que ele divulgasse nossos vídeos íntimos. Sabe, meu filho, acho muito cruel vivermos em uma sociedade em que nós, mulheres, tenhamos que viver com medo de conhecidos, desconhecidos e julgamentos alheios. E é triste pensar que atualmente no Brasil uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, mas foi preciso que 33 homens cometessem essa atrocidade para que o assunto viesse à tona e começasse a ser discutido. E é desesperador saber que muitas vítimas não denunciam seus estupradores porque as poucas que resolvem fazer isso são desacreditadas e julgadas por quem deveria estar punindo os verdadeiros culpados.

Antes desse episódio eu sonhava apenas em um educar um homem bom, que tivesse compaixão, empatia e respeito ao próximo, em especial às mulheres que estarão ao seu redor. Hoje eu vou além. Não quero que você seja o homem que diante de um caso desses fale “mas eu sou bom, eu não faço isso”. Quero que você seja o menino que mostre ao amigo que compartilhou o nude que vazou da menina da escola que isso não se faz, quero que você seja o cara que ajuda o coleguinha que reproduz discurso machista a ver que ele está errado e, apesar de eu esperar que isso nunca aconteça, quero que você seja a pessoa que ao se ver em uma situação como a desses homens, você perceba que mais vale ficar sozinho do que ter 32 monstros como amigos.

Infelizmente o que aconteceu essa semana vai perseguir essa garota até o final de sua vida e essa história de terror vai ficar presa na memória de todas as mulheres que acompanharam o caso. Sei que tenho um caminho muito longo e difícil pela frente, mas tenho a esperança que sua geração será bem melhor que a minha nesse aspecto.

Beijos da sua mãe apreensiva porém esperançosa

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