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Reflexões

6 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 26.07.2016

Relacionamento: durou tempo o bastante para ser inesquecível…

Essa semana me peguei lendo um daqueles clichês que atribuem à Fernando Pessoa. Nunca sei o que é dele ou não, mas tenho certeza que essa frase está certa.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

Percepção de valor é algo muito particular. Eu posso ter visto valor em algo e a outra pessoa não, mas quando um grande encontro acontece, ainda que nada seja dito, dá para sentir que algo importante ocorreu. Esse tal “valor das coisas” pode ser percebido quando elas de fato mexem com a gente e para isso não é preciso explicação, só é preciso sentir.

O tempo que elas duram não dita as marcas que ficam em nossas vidas. Algumas pessoas ficam meses ou até mesmo anos no nosso caminho e não criam um legado, não nos ajudam a crescer.

Por sua vez outras pessoas precisam apenas de horas para provocar mudanças eternas, as vezes uma palavra, um arrepio, uma conversa ou um beijo roubado nos tiram tanto da zona de conforto que nos obriga a alterar a forma de ver a vida. Pode parecer loucura para os céticos, mas acredito piamente que tem gente que precisa de menos de um dia pra virar nossa vida do avesso. Claro que nem por isso acho que essa pessoa precisa estar ali no longo prazo, muito pelo contrario. Quanto maior o agente transformador, mais insustentável é cultivar uma relação duradoura.

Confesso que já precisei fazer as pazes com meu coração para entender que existem pessoas que precisam passar, provocar a mudança e sair. Que elas nos transformam, mas não cabem nas nossas vidas. Que o papel delas era “apenas” esse, concluído então com sucesso. É o vento que traz as alegrias do tempo de mudança, como quando os dias frios de inverno terminam e dão espaço às primeiras flores da primavera.

Não há explicação racional que justifique isso. Só os que vieram com termômetro aguçado para a sensibilidade perceberão a tempo a nuance de algo tão efêmero, mas que deixa marcas. Com o tempo acho que me peguei “mais esperta” e conseguindo entender o quando histórias curtas começam, permitindo assim que eu desfrute plenamente do tempo presente que ali passou.

Eu encontro nisso minha minha percepção pessoal de “carpe diem“. Um desafio difícil, porém mágico quando obtemos êxito. Quando sei que aquilo tem horas contadas no relógio, escolho aproveitar cada segundo como se fosse o último. As vezes é um momento de uma viagem, outras vezes é um cara que cruzou seu caminho e tem hora que é um simples momento de conexão pessoal. Adoro viver aquilo plenamente. Entendendo que nada mais será igual.

As vezes acredito que só existe o hoje e por isso o tempo que as coisas vão durar começa a ter um “que” de irrelevante. O que interessa é o quanto cada história mexe conosco.

Isso pode acontecer com um cara, uma melhor amiga ou qualquer pessoa que ajudou ou ajuda a transformar a sua vida. Não precisa ser uma relação duradoura, não precisa ser vigente, ela só tem que provocar uma mudança, se tornar inesquecível ou mesmo incomparável.

Frase

No meu caso, nas poucas vezes em que isso aconteceu ocasionou-se um processo profundo, dolorido e prazeroso ao mesmo tempo. Algumas horas já foram capazes de me mudar pra sempre. No entanto quando se trata de um relacionamento amoroso existe um perigo eminente nisso, o de superestimar todo o acontecimento e idealizar coisas que não são reais. Seja a pessoa, a relação ou a situação. Certas coisas são válidas apenas por um curto prazo de tempo. 

Muitas vezes com medo de sentir falta da pessoa romantizamos tudo para florear as memórias e nos manter conectados com aquela situação, criando um elo de ligação para nunca mais esquecer. Dai fica o pulo do gato: entender e aceitar a importância que esses rompantes têm na nossa vida e seguir em frente. Não se prender mais do que deve nesse elo criado por você. É um risco vigente pra paixões “platônicas”. Estamos em 2016 e ninguém aqui quer viver grandes romances no mundo das ideias certo?

Na minha vida quem passou como um furacão não trouxe uma sensação de paz necessária para se viver feliz a longo prazo. Por isso acredito que certas pessoas vem com um prazo de validade curto, ainda que sejam muito importantes. Eu não sustentaria certos sentimentos e sensações a longo prazo. Têm certas coisas que foram feitas para serem lembradas e não revividas. 

Furacões passam, desconstroem tudo e se vão. Eles provocam mudanças, mas não ficam para ver o cenário se reconstruir melhor.

Eu já vivi histórias que não deixaram pedra sobre pedra no meu caminho, daquelas que te fazem parar de dormir, comer ou te desconcentram nas horas mais inoportunas. É uma delicia viver isso, mas também dói. É paradoxal. É intenso, delicioso, porém desconfortável depois de um tempo. Pode ser curto, porém importante e inesquecível.

Desconstruída por uma causa efêmera, ou melhor, por um caso efêmero,  já resolvi mudar o itinerário do meu caminho. Foram 8 dias de história e mais de um ano de mudanças. Me lembrei então do clichê, o valor que vejo não está no tempo que as coisas duraram na minha história, mas na intensidade com que elas aconteceram, no aprendizado que ficou, no que descobri sobre mim mesma nesse processo.

Aprendi que para o novo vir o antigo precisa ir. Por isso não adianta idealizar, criar um príncipe encantado imaginário e nem insistir no que não consegue acontecer. Certas coisas são curtas porque elas têm que ser, elas deixam um legado, mas não tem um desfecho de comédia romântica. Acredito muito que só o que tiver muita força para ficar vai permanecer na minha vida.

Aceitar o que foi importante é o primeiro passo para deixar o passado ir embora sem dor. Pra mim foi difícil abrir mão do sonho de “dar certo” com algumas (poucas) pessoas, mas foi igualmente libertador entender que cada uma delas teve sua real relevância na minha história e não é o tempo que passamos juntos que define isso.

Beijo

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15 em Reflexões no dia 13.07.2016

Estamos todas de saco cheio, Jennifer

Estava eu aproveitando minhas 3 horas da noite quando o Arthur já foi dormir e eu finalmente consigo ter um tempo só para mim, quando recebo uma mensagem da Joana mostrando o link que uma leitora, a Flavia, nos indicou. Quando entrei no Facebook, acabei descobrindo que minha timeline inteira estava falando no assunto e pronto, bateu saudade do DQF, e fui me inteirar.

O link – esse aqui – fala sobre o texto que Jennifer Anniston fez para o site Huffington Post depois de se ver pela milésima vez estampada, dessa vez de biquini e com uma barriguinha saliente típica de quem resolveu dar uma relaxada nas férias, em uma capa de revista de fofocas anunciando sua gravidez. Foi uma bela virada de mesa com uma mensagem empoderadora que me fez aplaudir mas também questionar o motivo dela ter demorado tanto para assumir essa postura.

Quando o casamento dela acabou e criaram aquela história de team Aniston x team Angelina, eu fui team Aniston. Hoje eu acho um absurdo essa competição entre mulheres que a mídia fez questão de criar enquanto o Brad Pitt saiu de bonitão disputado, mas depois de um tempo ficou claro para mim que eu tinha que torcer por ela por outros motivos. 

Há 10 anos Jennifer Aniston vem sendo bombardeada publicamente com verdadeiros tiros de canhão em sua auto estima quase todos os dias. O motivo? Filhos e casamento. Ou melhor, a falta deles. 

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Em 2005 a mulher já tinha fama, sucesso, dinheiro, influência e independência, mas só porque seu casamento não deu certo, foi imediatamente pintada como uma coitada fracassada que não conseguia arrumar um homem que fosse tão bom (cof, cof, cof, cof) quanto seu ex-marido galã para formar uma linda família de margarina. A partir daí, não importava se ela estivesse fazendo bons filmes, resolveram nos convencer que uma mulher linda e bem sucedida só seria feliz de verdade se tivesse marido e filhos. E quando ela finalmente arranjou um marido, quiseram nos fazer acreditar que o casamento só funcionaria se eles gerassem herdeiros. Isso porque – me corrijam se eu estiver errada – eu nunca vi ou li uma entrevista em que ela deixasse claro que seu sonho era engravidar.

Eu curto acompanhar fofocas de celebridades, e acho que nunca vi uma mulher famosa que tenha sido tão cobrada na vida em relação a engravidar e arranjar um homem quanto Jennifer. Revistas sensacionalistas amam casar, separar, engravidar e desengravidar atrizes e cantoras diversas vezes por ano, mas pelo o que eu me lembre nenhuma das personalidades da capa têm suas carreiras completamente pautadas por esse assunto como tem sido com ela. E que desserviço. Se ela é o alvo principal do canhão, a gente é a área em volta que fica destruída enquanto o alvo não é abatido.

Quem tem mais de 30 anos e está solteira sente a pressão. Quem está namorando há alguns anos sente a pressão. Quem está casada sente a  pressão. E sermos constantemente bombardeadas com essa ideia de que você pode ter tudo, mas esse tudo só fará sentido depois de um casamento que gere frutos, só adiciona mais pressão em uma situação que já é desconfortável para todas nós.

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E como se Jennifer já não sofresse pressão o suficiente, tudo indica que agora ela também está sendo pressionada para que aos 47 anos, ela tenha o mesmo corpo que tinha aos 30. E ela pode estar completamente dentro dos padrões, ser magra, loira, linda, mas se tiver uma barriguinha (que, aliás, é muito menor que a minha em um dia normal fechando a boca e fazendo academia) ou for fotografada em um ângulo meio ingrato, cuidado! Vai alimentar os boatos que nunca foram embora realmente – e ainda ser obrigada a ouvir que descuidou do corpo e engordou.

17667be0-481b-0132-0b0b-0eae5eefacd9 Demorou 10 longos anos para ela assumir essa postura de forma clara e precisa, mas antes tarde do que nunca. Engraçado que até eu, que sou casada e tenho filhos – ou seja, to bem dentro dos padrões impostos pela sociedade nesse sentido – me senti liberta com o que ela escreveu. Obrigada, Jen, nós também estamos de saco cheio.

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5 em Comportamento/ Reflexões/ Relacionamento no dia 05.07.2016

Procuro um amor que goste de…

Ser feliz.

Quando eu era novinha muita gente dizia que o perigo da pessoa fazer análise era que ela ficava muito independente, as vezes com um pézinho no egoísmo e assim, ficava difícil conviver com as outras pessoas. Hoje eu não poderia achar isso maior besteira.

O que acontece é que quanto mais a gente se conhece e se respeita, mais a gente opta por não abrir espaço para qualquer pessoa, qualquer carinha, namorado, amiga ou familiar.

Quando a gente vive bem conosco, é mais fácil não ficar em nenhum tipo de relação por carência ou qualquer outro motivo errado. Também acaba sendo mais evidente notar quando nos encontramos numa relação emocionalmente abusiva. Quando você sabe ficar sozinha é mais simples ser saudável com outra pessoa.

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E outra coisa que acontece é: acabamos ficando mais exigentes. Tem gente que acha que estou maluca, que vou acabar ficando sozinha, mas a verdade é que eu acho que hoje eu tenho muito a oferecer em uma relação saudável e duradoura, então quero estar com alguém que também tenha e também queira oferecer muitas coisas.

Se o risco é ficar sozinha, ok! Antes só do que acompanhada da pessoa errada.

Não estou buscando um homem perfeito, mas não quero me acomodar com menos do que eu mereço por medo, muito menos para satisfazer os desejos da sociedade em me ver casada e com filhos. Posso estar enganada, mas a meu ver é preciso ter um encaixe de defeitos pra conviver com o outro. Escolher a pessoa por afinidade é fácil, difícil é entender qual é o cara que tem defeitos que você tolera e vice versa.

Acredito muito que pessoas em mesma sintonia fazem a coisa acontecer. Sendo assim, se for para ser exigente, que seja!

Quando eu olho no espelho procuro um amor que goste de ser feliz. Só sendo feliz comigo vou poder um dia tropeçar no cara que vai comprar a ideia de me fazer feliz e vice versa. Só vale embarcar nessa aventura em caso de reciprocidade.

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Por isso, o que realmente procuro é cuidar o meu jardim e ficar de olho nas borboletas que passam por ele. Espero um dia saber escolher (ou ser escolhida) por aquela borboletinha que vai parar o meu mundo e me fazer não olhar pra nenhuma outra.

Beijos

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